“Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigénito, que está no seio do Pai, esse o revelou.” (João 1:18)

Ao observar os meus filhos revejo neles expressões de mim. Sejam gestos, olhares, risos, modos de falar, comportamentos ou temperamento, é como olhar num espelho. Algumas dessas coisas são naturais, outras resultam da imitação do exemplo aprendido. Todos conhecemos casos assim. “Tal pai, tal filho“, diz a sabedoria popular. “É a cara chapada do pai“. As semelhanças começam na expressão biológica da genética partilhada mas, correm mais profundas no carácter que é formado na educação do lar.

Jesus é a perfeita expressão do Pai.

“O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa (…)” (Hebreus 1:3)

O qual é imagem do Deus invisível, o primogénito de toda a criação” (Colossenses 1:15)

Jesus, nascido de Maria mas, gerado pelo Espírito Santo, é a imagem exacta de Deus. Toda a santidade de Deus é manifesta na sua vida. O divino carácter, perfeito e harmonioso em todos os seus atributos, irradiava de cada palavra, cada gesto, cada decisão. Ele era justo, verdadeiro, bondoso, compassivo, cheio de misericórdia, amoroso, generoso, não ignorava o mal. Conhecer Jesus é conhecer Deus Pai.

Ao preparar os discípulos para a Sua morte, Jesus conforta-os com promessas do fruto que viria do Seu sacrifício. João relata cuidadosamente essas conversas:

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.
(…)
Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.
Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto.
Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.
Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?
Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.
Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.” (João 14:1-11)

Jesus não é apenas um bom homem cujo exemplo deve ser imitado. A glória que emana da sua vida, não é glória de homens, é a glória do próprio Deus. Ao observar o seu exemplo, vemos como seriam diferentes as nossas vidas, famílias, sociedades e culturas, se cada homem e mulher sentisse, pensasse, falasse e agisse como Ele. É aí, nesse momento de iluminação, que percebemos que Deus é Bom, e a sua vontade boa, perfeita e agradável. Esse é o ponto de decisão. Para uns, a tomada de consciência do seu fracasso (leia-se, pecado), é a porta de entrada ao cinismo, ao endurecimento de coração e à rejeição de Jesus e, por consequência, de Deus. Para outros, o mesmo confronto com o próprio pecado, abre o caminho humilde da contrição e da confissão. Para esses, Jesus torna-se o doce Salvador. E no encontro com Jesus encontramos o Criador, o Senhor absoluto sobre todas as coisas, que nos ama desde o princípio e nos buscou na nossa miséria.

A mesma glória para uns é condenação, para outros vida. O mesmo Jesus para uns é tropeço, para outros redenção. O mesmo Deus para uns é inimigo, para outros Pai. Tudo balança no modo como recebemos o Filho de Deus. Tudo balança no modo como respondemos à pergunta de Pilatos perante a multidão histérica que exigia a condenação e crucificação de Jesus e que ecoa até hoje:

“Que farei então de Jesus, chamado Cristo?” (Mateus 27:22)