Leitura recomendada: Isaías 1

Ideias genéricas e uma grande presunção estão sempre em via de causar uma terrível desgraça.” (Johann Goethe)

Goethe, uma das figuras proeminentes da cultura, ciência e política alemãs do final do século XVIII, início do XIX, nasceu numa família luterana, mas no decorrer da vida descreveu-se como “não anticristão, nem a-cristão, mas decididamente não cristão“. O seu entendimento da fé e, em particular do cristianismo, era totalmente enviesado pelas muitas fontes de influência onde foi beber. Tomara entendesse o alcance da sua própria afirmação. Ele estava certo ao afirmar que tanto as ideias genéricas, isto é, um conhecimento superficial das coisas e, a presunção, isto é, uma confiança exagerada em si mesmo, são o caminho da destruição.

O capítulo inaugural de Isaías é um bom exemplo dessa realidade. Isaías inicia a sua missão como profeta em Judá apontado o caminho de desgraça em que o povo insistia em andar. Judá era culpado de duas coisas: não conhecer o Senhor e confiar na sua própria justiça para prevalecer perante Deus. Com mestria, o profeta pinta diante deles a terrível realidade – a sua impiedade era tal que Deus estava a ponto de destrui-los!

Para salientar bem o seu argumento, Isaías contrasta o carácter e a obra de Deus entre o povo e, a atitude deste perante o Senhor. Deus, na Sua bondade, agia como um pai para com eles, criando-os, sustendo-os, edificando as suas vidas em amor. A obra de Deus engrandecia-os, cercando-os de cuidado à medida em que se revelava a eles em misericórdia e fidelidade. Como respondia o povo perante o Senhor? Com rebelião, dureza de coração, corrupção, blasfémias, impenitência e hipocrisia.

Apesar de envolto em pecado, o povo era incapaz de reconhecer o seu estado. Eles continuavam a oferecer os sacrifícios no templo e a invocar o nome do Senhor como se estivesse tudo bem. Na sua presunção, não viam as trevas em que estavam. O pecado obscureceu-lhes o coração e, o conhecimento superficial que tinham de Deus não os deixava ver a luz. Nós não somos diferentes. Antes que possamos ver a beleza e a bondade de Deus precisamos ser confrontados com a miserável escuridão de pecado onde vivemos.

Antes que possamos ver a beleza e a bondade de Deus precisamos ser confrontados com a miserável escuridão de pecado onde vivemos.

Nessa escuridão, o convite de Deus soa maravilhoso: “Vinde então, e argüi-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.” (Isaías 1:18). Deus, e não nós, pode justificar-nos. O perdão está com Ele. Para isso, Deus apontou um Redentor capaz de conduzir-nos de volta a Ele, purificar os nossos pecados, e livrar-nos do caminho de desgraça e destruição em que caminhávamos. O seu Nome é Jesus.