Leitura recomendada: Isaías 42

“Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz; (..)
Eu, o Senhor, te chamei em justiça, tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo e luz para os gentios”. (Isaías 42:1,6)

O profeta Isaías mudou o foco da sua profecia acerca do Messias. Até aqui, o Messias era apresentado como o Rei vitorioso, invencível, que traria um reino eterno. O modo como o Messias cumpriria essa missão era, no entanto, muito diferente de qualquer expectativa humana. Assim, e para que os seus O reconhecessem quando chegasse, Isaías, inspirado pelo Senhor, apresenta outra dimensão do Messias – O Servo do Senhor.

A atitude do Servo não poderia ser mais diferente da que imaginamos a um Rei. “Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça. Não esmagará (…), nem apagará (..)“. O Rei viria como servo, manso e humilde. O Rei vinha para os quebrados, os prestes a sucumbir, os que têm fome de justiça, os que desejam a Palavra, os cegos, os cativos, os perdidos em trevas. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” (Mateus 11:28-30) Foi assim que Jesus se apresentou ao povo. Certo dia, estando na sinagoga levantou-se para ler:

“Então, lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito:
O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos,
e apregoar o ano aceitável do Senhor.
Tendo fechado o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e todos na sinagoga tinham os olhos fitos nele.
Então, passou Jesus a dizer-lhes: Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir.” (Lucas 4:17-21)

Ao chegar manso e humilde o Filho de Deus, o Messias, o Rei prometido mostra o Amor com que Deus nos amou. O Senhor não ganha a nossa afeição e devoção pela imposição da força. Ele busca adoradores que o adorem em espírito e verdade (Jo. 4:24). Mostrasse o Senhor a Sua Santidade gloriosa em todo o seu esplendor e nenhum homem seria ateu! Tal como Isaías, na sua visão do trono de Deus, tremeríamos de terror convencidos do pecado e da justa ira de Deus. Mas, crer é diferente de honrar, servir e amar. Até os demónios crêem e nem por isso são salvos. Jesus veio fazer uma obra única; provar aos Homens como Deus os ama. Por isso, como está escrito: “O amor de Cristo nos constrange (…)” (2Cor. 5:14). O poder do Reino que veio inaugurar expressa-se primeiro pelo Amor. “Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer.” (Oséias 11:4)

É tão inusitado este plano que muitos desprezaram, e desprezam ainda, o Rei eterno. Continuam, quais cegos, a buscar salvação noutros deuses, falsos messias e, frustradas esperanças. Que tragédia! Quando o Rei finalmente vier em poder e glória, valente homem de guerra – sim, porque esse dia chegará – será tarde demais para todos aqueles que agora O rejeitam. Nesse dia Ele virá não para trazer salvação mas, juízo! Por essa razão o aviso do Senhor é tão solene: “Eis que as primeiras predições já se cumpriram, e novas coisas eu vos anuncio; e, antes que sucedam, eu vo-las farei ouvir.” (Isaías 42:9)

Tu vês muitas coisas, mas não as observas; ainda que tens os ouvidos abertos, nada ouves. (Isaías 42:20)

Enquanto resistirmos a reconhecer a soberania de Deus sobre as nossas vidas, a nossa necessidade d’Ele, o Amor, a Justiça, a Graça e a Misericórdia que fluem do Seu trono, a salvação que preparou por meio de Cristo, estamos perdidos. É o Senhor que diz: “Eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvação“, e ainda, “Eu anunciei salvação, realizei-a e a fiz ouvir” (Is.43:11-12). Crê no Senhor Jesus Cristo. Entra no Seu Reino. E, então, canta ao Senhor um cântico novo e o seu louvor até às extremidades da Terra; dá honra ao Senhor e anuncia a Sua glória!