Leitura recomendada: Isaías 49

“(…) também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra.” (Isaías 49:6)

Os críticos acusam Deus de ser inconsistente. Segundo eles, Deus está sempre a mudar de ideias, a agir de modo diferente, a adaptar os planos como que para não perder a face perante os seus fracassos. Dizem que se Deus criou Adão e Eva foi depois surpreendido pelo seu pecado e rebelião e, furioso, expulsou-os do Jardim. Que mais tarde, num acesso de ira intempestiva, decide um massacre em massa com o dilúvio de onde escapam apenas 8 pessoas. Depois, num acto discricionário escolhe um homem, Abraão, para construir uma nação, Israel, em exclusão de todos os outros povos da terra. Mesmo isso corre mal porque não só esse povo escolhido é rebelde, como três grandes religiões – judaísmo, islão e cristianismo – reclamam, em conflitos sangrentos, a descendência de Abraão. Por falar em cristianismo, esse é o maior volte-face de todos, o Deus zangado e cruel do Antigo Testamento muta-se no Deus fofinho e cheio de Amor do Novo Testamento. Mas, será que é assim? É essa a leitura correcta das Escrituras quando nos encontramos com elas sem pré-conceitos acerca de Deus? Certamente que não!

Isaías conduz-nos a um diálogo no seio da Trindade. Deus Pai fala com o Filho acerca da Sua Missão redentora. Ele é o Rei prometido desde o princípio, o Servo que conduzirá os Homens a Deus. Ao invés de ser um plano de última hora, Ele foi escolhido para esta missão muito antes da encarnação (vs.1).

O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós; (1 Pedro 1:20)

E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. (Apocalipse 13:8)

Ele, a Palavra encarnada (Jo.1:1-3), veio com a eficácia de uma espada de dois gumes para finalmente salvar o seu povo dos seus pecados. “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Hebreus 4:12) No encontro com o Cristo ninguém fica o mesmo. Os que O rejeitam acumulam e confirmam a condenação que recai sobre eles por causa do pecado. Mas, quem O recebe, pela fé, é purificado “(…)com a lavagem da água, pela palavra (…)” (Efésios 5:26).

A sua chegada foi humilde mas, o Senhor o livrou de todos os perigos. O seu ministério pareceu, humanamente falando, um fracasso. Afinal foi rejeitado pelas elites religiosas – eles que tinham o dever de ser bem versados em todos os assuntos teológicos – e era seguido pelos pobres, iletrados e pecadores. Foi condenado como herege, e deram-lhe a cruz dos malditos. Mas, o seu galardão estava perante o Senhor (vs.4-5). Tudo quanto Jesus suportou fazia parte da missão, foi necessário.

“Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.
Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles.
Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos,
Dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, Cantar-te-ei louvores no meio da congregação.
E outra vez: Porei nele a minha confiança. E outra vez: Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu.
E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo;
E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão.
Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão.
Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo.
Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados.” (Hebreus 2:9-18)

O fruto do Seu trabalho seria maior e mais excelente do que qualquer um poderia ter imaginado. “Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra.” (vs.6) Em Cristo cumpre-se a vontade divina de estender salvação a todos os Homens, sem acepção de pessoas, judeus e gentios, homens e mulheres, escravos e livres, de todos os povos, línguas e nações.

“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,
Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),
E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;
Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.” (Efésios 2:4-7)

“E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto;
Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito.
Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus” (Efésios 2:17-19)

Um Rei para toda a Terra – esse sempre foi o plano divino. Deus enviou o Seu Filho para que “havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.” (Colossenses 1:20) Nós estamos condicionados pelo tempo, pela História e, por isso, é difícil entender, no presente, aquilo que Deus está a fazer. Mas, o Eterno não está condicionado por ninguém, nem por coisa alguma. O seu plano avança sem perturbação de Homens. Ele alcançará tudo aquilo a que se propôs.