“Não é este o filho do carpinteiro?”

Crentes e incrédulos. O que os separa? A Bíblia ensina que a fé é dom de Deus pois “vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus.” (Rm.10:17) Apesar disso nem todos os que ouvem chegam a crer. A mesma mensagem, pregada nas mesmas circunstâncias, no mesmo tempo a um grupo de pessoas produzirá fé nuns e incredulidade noutros. A diferença não pode por isso estar na mensagem, ou no mensageiro, mas no coração dos ouvintes.

A credibilidade de um interlocutor está fortemente correlacionada com a coerência do discurso e acções. Se alguém vive pela máxima do “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço” rapidamente será rejeitado como impostor ou pouco sério. Mas, aqueles cuja integridade fala mais alto do que as palavras surgem como faróis num mundo tenebroso, apontando um caminho de esperança e futuro.

A rejeição de Jesus pelos seu conterrâneos é por isso um exemplo da irracionalidade dos que negam a fé. Eles conheciam a Jesus melhor do que quaisquer outros. Jesus crescera no meio deles. Conheciam a sua família. As suas brincadeiras de menino. A sua obediência aos pais. A cortesia. O temperamento dócil. A sensatez. A ponderação. O apego ao Senhor. O domínio próprio nas paixões da adolescência e juventude. Não havia nele dolo. Nem se achou na sua boca alguma palavra torpe. Por isso, quando Jesus se apresenta diante deles pregando acerca do Reino de Deus, não deveriam ter estranhado. Toda a Sua vida de perfeição moral, correcção social e inclinação à santidade seriam pelo menos suficientes para que O ouvissem e dessem crédito à Sua pregação.

No entanto, após o êxtase inicial com o discurso arrebatador de Jesus, rejeitaram-nO. Porquê? Para fugir à responsabilidade que a mensagem de Cristo impunha sobre eles. Confrontar os pecados próprios nunca é fácil. Seguir o caminho do arrependimento e confissão é penoso. Por isso tantos escolhem outro caminho. Levantam dúvidas. Interrogações. Inquietações. “De onde lhe veio tudo isto?” Esse questionar contínuo apaga a centelha da fé.

Isto não significa que a fé é para os que não fazem perguntas. Os desinteressados, os pouco inteligentes que não sabem conferir aquilo que ouvem. Pelo contrário. Diversas vezes Deus nos desafia e diz: “Argui-me!” Façam perguntas. Exponham as dúvidas. Deus está pronto para esclarecer todas as nossas inquietações de alma. Mas, aqueles que levantam sempre mais uma questão, que se agarram a pormenores que não têm relevância, que cerram os corações para não crerem, esses ficam inevitavelmente sem resposta. A multidão passou do êxtase à incredulidade não porque houvesse incoerência na pregação de Cristo, ou “telhados de vidro” na sua vida que contrariassem o que dizia, mas simplesmente porque não podiam acreditar que o filho de um carpinteiro que eles conheceram toda a vida pudesse trazer qualquer mensagem da parte de Deus.

A verdade é que muitas vezes encontramos Deus em lugares inesperados. É preciso olhar além do invólucro para sorver o conteúdo de Graça que Ele deseja trazer à nossa vida.

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