A essência da vida

Leitura recomendada: João 1:1-5

Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. João 1:4-5

No filme “Mentes perigosas” uma professora é colocada numa escola problemática. O contexto social é difícil: segregação social e racial, pobreza, drogas e violência de gangues, marcam as vidas dos jovens que não facilitam a vida dos professores. Esta professora decide adoptar uma abordagem alternativa de ensino para conquistar os seus alunos. Com o tempo, a estratégia dá os seus frutos. No final do ano lectivo, quando se despede dos alunos diz-lhes que não vai voltar no ano seguinte. Os alunos não aceitam e fazem um apelo emotivo para que ela fique com eles. Quando um colega lhe pergunta o que a fez mudar de ideias, ela responde: “Eles disseram que eu era a sua luz!” A vida é mais do que a existência. É mais do que a biologia, química e física que faz funcionar os nossos corpos. Deus fez-nos com uma alma e um espírito. É isso que nos lança na busca de um propósito, de satisfação e realização, em suma, da felicidade. A resposta ao nosso anseio está somente n’Ele – Jesus, porque Ele é a Vida.  A Sua Vida é tão excelente e majestosa que se manifestou radiante e indisfarçável ao Homem. A Sua Luz atrai-nos a Ele, a fonte da Vida. A Luz encontrou-nos na nossa miséria e trevas. Sem esperança. Sem futuro. No contraste entre Ele e nós, a Luz e as trevas, a Vida e a morte, Ele surge mais admirável e glorioso, e nós, mais indignos e necessitados. A Luz incomoda os que estão nas trevas. Eles não a compreendem. Não podem dominá-la. Subjugá-la aos seus interesses. Por isso, muitos se escondem dela. Mas, há outra escolha. Nas trevas, a Luz aponta o caminho. A saída. O lugar de esperança. O futuro. No filme os alunos viram isso na professora e não quiseram perdê-la. Na vida, é em Jesus que encontramos o futuro. A Sua Luz mostra-nos “o Caminho, a Verdade, e a Vida” (Jo.14:6) e todos apontam numa direcção – Ele mesmo, o único que pode levar-nos ao Pai.

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O Criador

Leitura recomendada: João 1:3

Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
João 1:3

O Criador visita a Sua criação. Desde o princípio, quando Deus criou todas as coisas, Ele ama a Sua criação. No relato de Génesis sentimos o prazer de Deus em trazer à realidade as coisas que enchiam a Sua mente. Os astros. Planetas. A Terra. Montanhas e mares. Plantas e animais. O Homem. “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom.” (Gn.1:31)

Deus nunca abandonou a Sua criação. Ele é o sustentador de todas as coisas (Hb.1:3). É Ele quem ordena o caminho das estrelas no céu. Quem faz chover sobre justos e injustos. Quem faz resplandecer a Sua glória desde os céus. Ele esteve connosco desde o princípio. Primeiro, visitando Adão e Eva no Jardim. Após a Queda, visitando incontáveis homens e mulheres, revelando-Se pouco a pouco. De muitas maneiras.

Agora, no entanto, Ele visita-nos de forma inteiramente nova. O Criador faz-se semelhante à criatura. Humilha-se. Esvazia-se. Toma a forma de homem (Fl.2:5-7). E, fala connosco (Hb.1:1). Deus fala-nos pelo Filho. O Verbo. Jesus. Esta visita lembra-nos duas coisas: primeiro, a gravidade da nossa condição pecadora e a nossa obstinação e rebeldia em não ouvir a Sua voz nas visitações anteriores. Por outro lado, o Amor imparável do Deus que nos fez e que não desiste de nós nem que para isso tenha que sacrificar-se a Si mesmo.

Chamado à comunhão

Leitura recomendada: João 1:1-2

Ele estava no princípio com Deus.
João 1:2

O Verbo não é um conceito que existia na mente de Deus. O Verbo é uma pessoa. “Ele” estava com Deus. No princípio. No começo de todas as coisas Ele reinava e dominava. Com Deus. Não existiu um momento desde a eternidade passada em que Jesus não estivesse com Deus – Ele é Deus. Nem um instante em que a Palavra que Ele personifica, a Mensagem que revela Deus ao homem, não existisse no coração e no propósito divino. O Evangelho não é um plano secundário de Deus. É a maior manifestação da Sua Glória.

Quando João reforça a ideia do primeiro versículo, ele afirma além de qualquer dúvida a divindade de Jesus ao mesmo tempo que nos faz sentir a profunda comunhão que existe no seio divino. Jesus, o Pai e o Espírito Santo, o Deus Triuno, em comunhão perfeita desde a eternidade passada. Uma comunhão que criou o Mundo (Gn.1:1-2). Formou o Homem do pó da terra (Gn.1:26-27). Sustenta todas as coisas. Uma comunhão nunca quebrada.

A Encarnação é o começo de um caminho que vai conduzir à separação do indivisível. Jesus sabia disso. Mesmo assim Ele veio. Porque Ele é o Verbo que nós precisávamos ouvir. Na Cruz, o clímax da Sua missão, Jesus clama: “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?” (Mc.15:34). João, o mesmo que ouviu estas palavras vindas do madeiro, quer fazer-nos sentir o peso do Amor de Deus por nós lembrando-nos da comunhão que só foi quebrada para que tu pudesses ser incluído nela (Jo.1:12-13; Rm.5:1-11).

No princípio…

Leitura recomendada: João 1:1-2

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
João 1:1

“No princípio…” – que começo assombroso. João vai às raízes do Antigo Testamento e do livro de Génesis empresta a abertura do seu Evangelho.

Em Génesis o foco está no poder absoluto do Deus Soberano Criador. João, por sua vez mostra que Deus é independente da Sua criação, que existe majestoso antes dela,  e que a Sua revelação maior não é pelas coisas criadas (Rm.1:19-20), mas pela Palavra encarnada (Hb.1:1-3).

De maneira diferente dos outros evangelistas, João salta os pormenores históricos do nascimento de Jesus e abre a narrativa do evangelho afirmando sem reservas a Sua plena divindade. Jesus, o Verbo. Jesus não é apenas um Messias humano ungido por Deus. Um homem escolhido entre homens. Ele é, sempre foi, e será Deus.

Ele é desde o princípio. Eterno. Sem início e sem fim. Não foi criado. Imaginado. Inventado. Não precisa de outro. Não depende de ninguém. É totalmente suficiente. Independente. Maior. Santo.

Ele estava com Deus. Isso não significa que não fossem o mesmo. O verbo era, é Deus. A pessoa de Jesus não é uma emanação posterior da identidade divina. Ele é Deus desde o princípio.

Afirmar a divindade de Jesus é uma prioridade para João. É necessário vê-l’O além do Mestre, do Profeta, do Operador de Milagres, do Messias vitorioso que tantos aguardavam. Ele é o próprio Deus a visitar a Sua criação. Olhar para Jesus é olhar para Deus. O Seu carácter. O Seu coração. As Suas palavras são as palavras de Deus. Por isso, Ele é o Verbo. A Mensagem de Deus para o Homem, presente desde a eternidade passada no seio divino, agora revelada à luz, para Salvação dos que crêem.

Jesus, o Sol da Justiça

A profecia do Antigo Testamento termina num tom sombrio. Deus está insatisfeito com o Homem. A multidão de gentios (não-judeus) vive em rebelião aberta contra Deus. Os judeus, o povo escolhido de Deus, vivem em rebelião encapotada, escondida por detrás de uma religiosidade morta. “Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos” (Salmos 14:3) O Julgamento chegará, avisa o Senhor pela voz do profeta Malaquias.

Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo. Malaquias 4:1

Mas, a voz profética deixa um vislumbre de esperança:

Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asas. Malaquias 4:2

Perante o mais abominável estado de pecado do Homem, Deus prepara a Sua mais brilhante e gloriosa manifestação de Justiça. Tão majestosa será que não pode ser ignorada, ou escondida, nem diminuída no Seu esplendor, tal como o sol.

Tal como sol que brilha sobre justos e injustos, bons e maus, a glória desta Justiça será manifesta a todos, e estará sobre todos, de modo que serão julgados à luz dela. (Romanos 2:16)

E, surpreendentemente, esta perfeita Justiça não trará a ardente Ira de Deus sobre todos,  mas, cura e comunhão para muitos – os que temem o Seu nome.

Cerca de 400 anos mais tarde, depois de um longo silêncio divino, ouve-se de novo a voz profética por intermédio de Zacarias que diz:

“Louvado seja o Senhor, o Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo.
Ele promoveu poderosa salvação para nós, na linhagem do seu servo Davi,
( como falara pelos seus santos profetas, na antigüidade ),
salvando-nos dos nossos inimigos e da mão de todos os que nos odeiam,
para mostrar sua misericórdia aos nossos antepassados e lembrar sua santa aliança,
o juramento que fez ao nosso pai Abraão:
resgatar-nos da mão dos nossos inimigos para servi-lo sem medo,
em santidade e justiça, diante dele todos os nossos dias.
E você, menino, será chamado profeta do Altíssimo, pois irá adiante do Senhor, para lhe preparar o caminho,
para dar ao seu povo o conhecimento da salvação, mediante o perdão dos seus pecados,
por causa das ternas misericórdias de nosso Deus, pelas quais do alto nos visitará o sol nascente
para brilhar sobre aqueles que estão vivendo nas trevas e na sombra da morte, e guiar nossos pés no caminho da paz”.
Lucas 1:68-79

Meses mais tarde, outro homem chamado Simeão, tomando um menino recém-nascido nos braços, adorou dizendo:

“Ó Soberano, como prometeste, agora podes despedir em paz o teu servo.
Pois os meus olhos já viram a tua salvação,
que preparaste à vista de todos os povos:
luz para revelação aos gentios e para a glória de Israel, teu povo”.
Lucas 2:29-32

E, acrescentou:

 “Este menino está destinado a causar a queda e o soerguimento de muitos em Israel, e a ser um sinal de contradição,
de modo que o pensamento de muitos corações será revelado.
Lucas 2:34-35

Esse menino era JESUS. O Sol da Justiça finalmente brilhava. O Silêncio de Deus foi interrompido para fazer a maior, melhor e mais gloriosa revelação de todas – o Messias chegara, e a Salvação estava nas Suas mãos.

A História foi dividida nesse dia. Todos os acontecimentos passados, presentes e futuros só podem ser entendidos à Luz desse Homem, Jesus, o Filho de Deus. A Sua Obra, a Sua Pessoa, definem o destino de cada homem e mulher que já pisou neste mundo. Ele é a Revelação perfeita de Deus. A perfeita Justiça. O perfeito Amor. A Santidade. A Misericórdia.

Ele será a tua Salvação, ou a tua pedra de tropeço. Que farás tu de Jesus, chamado Cristo?