A dialéctica entre o pensamento religioso e a Verdade divina nem sempre é fácil ou produz o resultado esperado. Enquanto que o pensamento religioso se centra excessivamente nos interesses egoístas do Homem e presume, muitas vezes, conceitos erróneos acerca de Deus, a Verdade divina busca acima de tudo defender a Santidade e Glória de Deus, mesmo quando se lança para salvar os pecadores. Estas posições conflitantes estão presentes por toda a Bíblia, mas tornaram-se, creio, mais evidentes aquando da vida de Cristo entre nós. Sendo Ele a imagem perfeita do Pai, expôs sobremaneira os equívocos religiosos em que as pessoas viviam enredadas.

De passagem na sua própria cidade, onde todos O conheciam e conviviam com Ele, Jesus enfrentou grande oposição. Numa série de encontros, Jesus colide com o pensamento religioso estabelecido, evidenciando desse modo a suprema grandeza da Sua missão.

Perdão. O perdão de pecados, sendo uma questão fundamental do relacionamento com Deus, é encarado como algo muito difícil, improvável e impossível de ser assegurado em vida. O Homem enceta inúmeros esforços na tentativa de aplacar a ira de um Deus Juiz. Mas, cai sempre na incerteza dos resultados. Cristo veio demonstrar que o perdão de pecados é o objectivo primordial e principal para Deus. E, está ao alcance de todos. (vs.1-9)

Santidade. No mundo hedonista – que vive em busca dos prazeres da carne –  em que vivemos, o ascetismo – a privação e mortificação de todos os prazeres carnais – é apontado como o caminho da santidade. No limite, essa auto-imposta santidade desliga-nos do mundo, e das pessoas, impedindo, a nós e a elas, de nos achegarmos a Deus. Cristo aponta o caminho para uma santidade diferente. Uma que não é auto-imposta, mas investida do alto. Que começa numa transformação interior e se traduz depois numa vivência exterior irrepreensível, que não pode ser quebrada nem mesmo quando convivemos com o outro-pecador, a fim de levá-lo a Deus. (vs.9-13)

Comunhão. Os rituais de culto ocupam um lugar importante no relacionamento das pessoas com Deus. Penso haver duas razões para isso: por um lado, é mais fácil relacionar-me com um Deus espiritual através de um padrão de comportamentos que traz concreticidade a essa dinâmica. Por outro, ao transpôr para o ritual as competências relacionais com Deus, encontro maneira fácil de satisfazer a voz acusatória da consciência espiritual. Cristo prioriza a comunhão em relação ao ritual. Se os meus rituais não fluem da comunhão que gozo com Deus, de nada me servem. Eles nunca serão um substituto  da real comunhão que Deus deseja ter connosco. (vs.14-17)

Espírito Santo. A nossa experiência com Deus é toda ela sobrenatural. Desde o perdão de pecados à santidade pessoal, da paz nos momentos de tribulação, do despojamento à vitória tudo é dominado pelo Espírito Santo, logo, é sobrenatural. A maior parte das vezes talvez não tenhamos percepção disso, mas em certos momentos aquilo que é colocado diante de nós não encontra outra explicação aparte de Deus. Toda a vida e acção de Cristo é uma demonstração desse mover sobrenatural de Deus em nosso favor. O perigo está em fecharmos as nossas vidas à acção do Espírito Santo, apenas por que nos parece que determinada coisa é impossível de acontecer. (vs.18-31)

Soli Deo Gloria. Creio que o que mais incomodava os fariseus – homens profundamente religiosos –  era o facto das acções de Jesus lhes roubar o protagonismo e importância social de que gozavam. Para eles, a experiência religiosa era uma oportunidade de se destacarem dos demais e assumirem um lugar de referência social. Ora, o caminho da espiritualidade é precisamente o inverso. Reconhecer a indignidade própria, a incapacidade de salvação por si mesmo, ao mesmo tempo que aceitamos a total soberania e capacidade de Deus é o caminho para a salvação. Errar aqui significa frequentemente blasfemar do próprio Deus.

A motivação do Homem determina o modo como se relaciona com Deus. E, a motivação de Deus determina o modo como se relaciona com o Homem.

E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor.” (Mateus 9:36)

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