É curioso como reflectimos o nosso coração nas coisas que fazemos. Nos filmes, nos livros, na música, na arte há um tema recorrente. A busca. Buscamos o amor, a fama, dinheiro ou poder. Buscamos qualquer coisa que preencha e satisfaça a ânsia que sentimos em nós. O surpreendente é que muitas vezes quando finalmente alcançamos aquilo que buscamos com tanta determinação, ainda assim não conseguimos silenciar essa voz que clama por mais. Talvez porque estejamos a procurar mal. Ou nas coisas erradas.

Deus, que conhece o nosso coração, deseja saciar essa fome e sede que sentimos. Ele, melhor do que nós, sabe exactamente o que nos faz falta. E está disponível para nos ajudar. A Bíblia mostra que há coisas que todos os Homens necessitam. E são precisamente essas coisas que Deus tem para dar.

1. Um relacionamento em busca de perdão.

“E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas.
Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade.
Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.
Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.
Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.
Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.
Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.
E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.”
1Jo.1:5-2:2

O Homem é um ser relacional. Foi criado para ter comunhão com Deus, e com os seus semelhantes. Esta dimensão socio-emocional é tão fundamental para nós que, quando privados dela, sofremos alterações de personalidade, de inteligência, de bem-estar mental e físico, e seguramente não somos felizes. Talvez por isso o isolamento seja tantas vezes aplicado como punição e castigo.

O nosso equilíbrio não está nas coisas, mas sim nas pessoas. E, fundamentalmente, em Deus. Podemos estar rodeados de gente, até de amigos, e ainda assim sentirmo-nos sós. A razão pela qual isto acontece é porque nos falta o mais importante: Deus.

O problema é que existe uma barreira invisível entre nós e Deus que impede essa comunhão vital. O pecado, sendo trevas, separa-nos da luz, que é Deus. E o pecado só pode ser resolvido através do perdão. O amor de Deus pode penetrar no mais negro dos pecados. (1Jo.1:9) Mas, é necessário que eu reconheça que sou pecador (1Jo.1:6,8), e me achegue a Deus em busca do perdão (1Jo.1:7). A simplicidade com que Deus lida connosco é quase infantil. Pecado confessado é pecado perdoado. Esta confissão envolve reconhecimento, admissão de culpa, confissão de culpa, arrependimento genuíno, e confiança total na obra de Cristo em meu favor.

Não posso buscar perdão sem compromisso de mudança de rumo. Deus desafia-nos a abandonar as coisas que são contrárias à sua luz pura. Não são as obras que me trarão para a luz, mas, estando na luz, devo praticar as obras da luz.

2. Lançar fora as coisas do mundo.

Filhinhos, escrevo-vos, porque pelo seu nome vos são perdoados os pecados.
Pais, escrevo-vos, porque conhecestes aquele que é desde o princípio. Jovens, escrevo-vos, porque vencestes o maligno. Eu vos escrevi, filhos, porque conhecestes o Pai.
Eu vos escrevi, pais, porque já conhecestes aquele que é desde o princípio. Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno.
Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.
E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.
1Jo.2:12-17

Depois da necessidade de pessoas, creio que aquilo que buscamos mais desesperadamente é segurança. Sem este sentimento tranquilizador a nossa vida seria caótica. Precisamos de coisas na vida que podemos tomar como certas e capazes de nos valer quando precisarmos.

A grande perversão desta necessidade básica está em que colocamos o nosso coração em coisas que não podem dar aquilo que antecipávamos. E também, por que a maior parte das vezes o nosso impulso básico por segurança torna-se um turbilhão desenfreado e avarento de nunca estarmos satisfeitos com o que temos.

A melhor segurança da vida é, conforme o texto, conhecer Deus. Mas, o desejo pelas coisas do mundo afecta o nosso relacionamento com Deus. Quando somos dirigidos e dominados pela nossa concupiscência, isto é, pelos nossos desejos desenfreados, perdemos comunhão com Deus e a direcção de Deus para a nossa vida. O problema não está em querer ter bom emprego, boa casa, bons amigos, boa diversão, mas sim em excluir Deus da nossa busca destas coisas. Aí, aquelas coisas que são moralmente neutras em si mesmas, tornam-se pecaminosas, trazendo ruína à nossa vida.

Há uma linha, por vezes ténue, entre desejar as coisas do mundo e servir a Deus fielmente. Buscamos o Senhor, e buscamos aquilo que nos é necessário à vida. Confiamos em Deus, mas ficamos ansiosos quanto ao dia de amanhã. Queremos servir a Cristo, muitas vezes porque antecipamos a recompensa. Jesus disse que onde está o nosso tesouro, aí está o nosso coração. O que nos falta é colocar Deus no lugar que Ele merece ter nas nossas vidas.

3. Amar é acção.

Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos amemos uns aos outros.
Não como Caim, que era do maligno, e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas.
Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia.
Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte.
Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.
Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos.
Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus?
Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade.
1Jo.3:11-18

Os afectos são uma parte fundamental da vida. Eles são a grande base da nossa segurança e realização nos relacionamentos. O pecado, no entanto, corrompeu em grande medida a nossa capacidade de sentir e demonstrar esses afectos de maneira equilibrada e não egoísta. O amor com que estamos habituados a lidar é muito diferente daquele descrito nas Escrituras. E, por isso, não nos satisfaz.

Há medida que conhecemos Deus e nos relacionamos com Ele, somos transformados por uma nova experiência de Amor. Um Amor activo, provado, eficaz e abundante que nos satisfaz muito para além do que antecipávamos. O próprio amor de Cristo é derramado em nós. A partir desse momento podemos iniciar uma nova experiência de relacionamento com os outros: amá-los como Cristo!

Para isto, é necessário entender as diferenças do outro e viver com eles em Amor. Esse foi o falhanço de Caim. Perante as diferenças com Abel, ele escolheu o caminho do ódio e da violência e rejeitou o amor. O seu fim foi a perdição. Isto não significa que temos de ser tolerantes com o pecado. Não era assim que Cristo agia. Nunca ele tolerou ou deixou de denunciar o pecado. Mas, nunca um pecador se sentiu excluído por Ele. Porque o Amor e Graça falavam mais alto.

Amar é acção, e não palavras.

4. Vida no Filho.

Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido.
Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos.
Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados.
Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé.
Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?
Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue. E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade.
Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um.
E três são os que testificam na terra: o Espírito, e a água e o sangue; e estes três concordam num.
Se recebemos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior; porque o testemunho de Deus é este, que de seu Filho testificou.
Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu.
E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho.
Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.
Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus.
1Jo.5:1-13

A quarta necessidade que todos temos é a de aceitação. A simplicidade do Evangelho coloca-o ao alcance de todos. Crer e confessar a Jesus Cristo como Filho de Deus não tem a ver com dizer as palavras certas ou cumprir os rituais da igreja. É uma questão de coração, e todos podem fazê-lo. E o mais maravilhoso é que somos aceites apenas com base nessa confissão. Temos Vida, porque Ele nos dá Vida. Não é por causa do que fazemos, mas sim, por causa do que Ele fez.

Se as obras não são necessárias à nossa aceitação por Deus – a salvação – são fundamentais na nossa experiência cristã – a santificação. Por isso, a Bíblia ensina que a melhor maneira de avaliar a fé de uma pessoa é a maneira como ela vive. Não posso afirmar que creio em Deus e não viver como Ele ordena. Não posso continuar a pecar e ainda assim esperar ser aceite. Não posso abusar da Graça.

Deus tem a exacta medida daquilo que necessitamos. E mais, muito mais. Porque só Ele pode fazer o nosso cálice transbordar (Sl.23).

Quando vamos deixar de procurar noutros lugares aquilo que só Deus pode dar?

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