E, logo ao amanhecer, os principais dos sacerdotes, com os anciãos, e os escribas, e todo o Sinédrio, tiveram conselho; e, ligando Jesus, o levaram e entregaram a Pilatos.
E Pilatos lhe perguntou: Tu és o Rei dos Judeus? E ele, respondendo, disse-lhe: Tu o dizes.
E os principais dos sacerdotes o acusavam de muitas coisas; porém ele nada respondia.
E Pilatos o interrogou outra vez, dizendo: Nada respondes? Vê quantas coisas testificam contra ti.
Mas Jesus nada mais respondeu, de maneira que Pilatos se maravilhava.
Ora, no dia da festa costumava soltar-lhes um preso qualquer que eles pedissem.
E havia um chamado Barrabás, que, preso com outros amotinadores, tinha num motim cometido uma morte.
E a multidão, dando gritos, começou a pedir que fizesse como sempre lhes tinha feito.
E Pilatos lhes respondeu, dizendo: Quereis que vos solte o Rei dos Judeus?
Porque ele bem sabia que por inveja os principais dos sacerdotes o tinham entregado.
Mas os principais dos sacerdotes incitaram a multidão para que fosse solto antes Barrabás.
E Pilatos, respondendo, lhes disse outra vez: Que quereis, pois, que faça daquele a quem chamais Rei dos Judeus?
E eles tornaram a clamar: Crucifica-o.
Mas Pilatos lhes disse: Mas que mal fez? E eles cada vez clamavam mais: Crucifica-o.
Então Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou-lhe Barrabás e, açoitado Jesus, o entregou para ser crucificado.”
(Marcos 15:1-15)

“Conta-se a história de um jovem rapaz de quinze anos que causou em casa verdadeiro alvoroço ao anunciar que seu desejo era se mudar para a China e procurar um mosteiro onde pudesse aprender budismo e artes marciais.

Contra a vontade de todos, menos a própria, o rapaz embarcou aos vinte anos rumo à China. Não demorou a encontrar um mosteiro aos moldes dos seus sonhos e se tornasse um dos mais disciplinados e ardorosos seguidores do budismo do local.

No rigoroso treinamento marcial, descobriu a necessidade de usar seus conhecimentos apenas para auto-defesa, de forma humilde e somente se o uso fosse inevitável. Durante vinte anos viveu apenas para o budismo e para as artes marciais, aprendendo tudo quanto podia, dedicando sua vida e sua alma à causa da paz e do despertar. Transformou-se em um exemplo para os monges de outros países e mesmo para os monges da China.

Todas essas qualidades lhe valeram uma indicação para voltar ao ocidente e espalhar aos desejosos de paz os conhecimentos que havia adquirido.

No ocidente, foi bem recebido e se tornou responsável por um mosteiro existente em uma grande cidade.

Certo dia, sozinho no templo, foi surpreendido por um barulho estranho. Descobriu que o templo estava sendo assaltado por um homem armado. Não se preocupou, pois os vinte anos de aprendizado o haviam preparado para lidar com qualquer tipo de situação da maneira mais simples e efectiva possível. Alguns de seus mestres teriam conversado com o ladrão e oferecido uma vaga no templo; caso o ladrão não aceitasse, ofereceriam uma ou outra peça do templo, já que o apego ao material era um erro leigo; outros de seus mestres nocauteariam o intruso com um golpe simples, tirariam-lhe a arma e ofereceriam ao homem, quando acordasse, a chance de se tornar um discípulo no templo.

O rapaz pensou diferente. Percebeu que o momento era perfeito para mostrar a si mesmo o quanto havia aprendido sobre artes marciais. Queria sentir orgulho dos seus vinte anos de treino. Aproximou-se silenciosamente do ladrão e executou um dos movimentos marciais mais complexos existentes. Seu corpo girou no ar de forma magnífica, suas pernas mirando o alvo em um movimento majestoso… mas o golpe saiu errado… o monge caiu no chão, chamando a atenção do ladrão, que lhe apontou a arma na direção da cabeça. Não compreendendo a possibilidade de ter falhado, o monge pensou rapidamente, justificando e ampliando a queda:

– Alguém passou cera no chão.

O ladrão foi embora sem feri-lo, tal sua comoção diante de um monge que precisava de ajuda.”

(História criada originalmente na cidade de Sabino, interior paulista, por Robson Faggiani e Marcus Oliveira – baseada em fatos reais.)

Estamos constantemente a fazer escolhas. Algumas são triviais, outras relevantes. Algumas que nos afectam só a nós, enquanto outras têm impacto nos que estão à nossa volta. Umas têm consequências imediatas, outras eternas. Investimos a nossa vida na preparação para fazer as escolhas certas, para que no momento crucial não falhemos o alvo, mas, à semelhança do monge que passou vinte anos em treinamento, acabamos muitas vezes estatelados no chão. Se, na maioria das vezes basta que tornemos a levantar-nos para tentar de novo, noutras a decisão que tomamos terá consequências irreversíveis.

O texto bíblico que lemos relata um desses momentos críticos da vida. A multidão enfrentava a maior decisão de todas, a que determina a eternidade: O que fazer com Jesus, o Cristo? Todos nós enfrentamos a mesma escolha.

Os princípios de decisão que vamos descobrir são fundamentais para tomar esta, bem como todas, as decisões da vida.

1. Optar pela maioria não é sinónimo de escolha acertada.

A pressão de grupo que temos de enfrentar no nossa tomada de decisões é enorme. Nem sempre nos apercebemos disso, mas a maioria das decisões que fazemos são fruto de influência externa. A publicidade, os amigos, os heróis, os famosos, a família, são factores invisíveis e outras vezes pressionantes nas nossas escolhas.

A multidão reunida perante Pilatos falava a uma só voz. Seria difícil, talvez mesmo impossível, que alguém ousasse dizer outra coisa. Pilatos tentou dirigir a multidão noutra direcção e não foi bem sucedido. Mas, o facto de todos pensarem e desejarem a mesma coisa não lhes dava razão. Escolheram mal. Todos. E, rejeitaram a Cristo.

Hoje, assumir a tua fé pode ser muito difícil. É uma atitude contra-corrente. A multidão tentará empurrar-te noutra direcção, tentará abafar a tua voz. Mas, és tu quem tem de decidir. Pois és tu quem enfrentará as consequências da escolha.

O que farás tu de Jesus, o Cristo?

2. Optar pela “religião” não te aproxima de Deus.

Costumamos dizer que “todos os caminhos vão dar a Roma”. O significado desta expressão é que quando alguma coisa é realmente importante acabaremos por lá chegar, independentemente do caminho que percorremos. Muitos, transpondo este pensamento para a espiritualidade, dizem que todos chegaremos a Deus mesmo que O busquemos de forma diferente. Dizem que as diferenças não são importantes porque no fim todos chegaremos ao nosso destino. Isto é uma heresia de Satanás para enganar a muitos.

A “religião” não salva ninguém. As “boas obras”, o ser “boa pessoa”, o ter a “minha fé” não te levará para mais perto de Deus. Pelo contrário. Os sacerdotes, os fariseus, os anciãos, os escribas – isto é, todo o conjunto de expressões de fé e abordagens religiosas – rejeitaram a Cristo. E, não ficando por aqui, conduziram toda a multidão no mesmo caminho de perdição.

Queres achegar-te a Deus? Escolhe bem. Jesus disse: “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (João 14:6)

3. Rejeita aquilo que tua consciência aponta como desastre.

Todos já tivemos concerteza a experiência de, perante uma decisão, sentirmos uma sensação de desconforto com aquilo que escolhemos fazer. Chama-se a isso consciência. Todos nascemos com uma – é uma dádiva de Deus. Tendo sido criados à imagem e conforme a semelhança de Deus, nascemos com a noção de bem e de mal, de certo e errado. A consciência é o GPS que nos aponta para Deus.

O nosso problema é que muitas vezes abafamos essa voz que aponta o caminho certo. E quanto mais insistimos nessa escolha, menos sensíveis ficamos à sua voz. Até perdemos a noção da verdade, do certo e do bom.

Pilatos era um homem instruído e inteligente. Ele agiu bem ao querer interrogar a Jesus antes de tomar uma decisão sobre o que fazer com Ele. Mas, falhou quando apesar de ter concluído que Ele era inocente, O entregou à morte para agradar à multidão.

A atitude de Pilatos é curiosa. Ao entregar Jesus lavou as mãos. Queria ele dizer que não tinha responsabilidade no que ia acontecer. Pilatos ouviu a voz da consciência. Sabia que o que estava a fazer era errado. Mesmo assim decidiu que o queria fazer. E tentou desculpar-se por o ter feito. E pensou que isso era suficiente para o desresponsabilizar das consequências.

Quantas vezes não fazemos o mesmo? Tentamos racionalizar as nossas decisões erradas tentando encontrar uma desculpa que nos livre das consequências e do castigo. A resposta de Deus é: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna. E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido.” (Gal.6:7-9)

Preparamos-nos para não errar nas nossas escolhas, mas se no momento crucial não colocarmos em prática estes princípios, e não agirmos com base naquilo que aprendemos, não seremos diferentes do monge da história inicial. Se queremos evidenciar-nos mais do que escolher bem, o mais provável é perdermos a face.

Achega-te a Deus. Ouve a tua consciência. Escolhe a Cristo.

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