Sendo pai, aprendo muito acerca do comportamento humano observando os meus filhos. E creio entender melhor o sentimento de Deus Pai em relação a nós, seus filhos.

Para os meus filhos ainda pequenos não há limites nem impossíveis. As suas expectativas são altas e sempre que querem uma coisa lançam-se impulsivamente para alcançar o seu objectivo. Parece que nada os fará parar.

Mas, é aqui que surge outro facto surpreendente. É que apesar de todo o seu entusiasmo inicial, quando começam a surgir dificuldades logo se cansam e pensam desistir. Para eles o mundo só vale a pena se for cheio de facilidades.

Como nós nos assemelhamos a eles! Não sendo já meninos agimos como tal perante o olhar misericordioso do Pai. Esperamos uma experiência cristã repleta de bençãos e vitórias, e ao mínimo sinal de dificuldade pensamos desistir.

Analisemos um episódio na experiência da nação de Israel:

Depois fez Moisés partir os israelitas do Mar Vermelho, e saíram ao deserto de Sur; e andaram três dias no deserto, e não acharam água.
Então chegaram a Mara; mas não puderam beber das águas de Mara, porque eram amargas; por isso chamou-se o lugar Mara.
E o povo murmurou contra Moisés, dizendo: Que havemos de beber?
E ele clamou ao SENHOR, e o SENHOR mostrou-lhe uma árvore, que lançou nas águas, e as águas se tornaram doces. Ali lhes deu estatutos e uma ordenança, e ali os provou.
E disse: Se ouvires atento a voz do SENHOR teu Deus, e fizeres o que é reto diante de seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre o Egito; porque eu sou o SENHOR que te sara.
Então vieram a Elim, e havia ali doze fontes de água e setenta palmeiras; e ali se acamparam junto das águas.”
(Ex.15:22-27)

O contexto deste episódio surge após a libertação do povo do Egipto. Após esta estrondosa vitória concedida por Deus, o povo deparou-se com uma enorme dificuldade: o Mar Vermelho. Com o mar pela frente e o exército de Faraó em perseguição cedo o desespero do povo começou a crescer. Foi então que Deus fez o impensável – o mar se abriu e o povo passou a pé enxuto para a outra margem. Os egípcios morreram no mar.

Se dúvidas houvesse acerca do poder e do cuidado de Deus pelo povo ficaram aí desfeitas. Nada poderia impedir o propósito de Deus. No entanto, três dias depois o povo estava novamente mergulhado em desespero e dúvidas. Para chegar à terra da promessa teriam que passar pelo deserto – uma passagem breve e preparatória para o que estava para vir.

1. Vidas Reais

Apesar de saírem do Egipto preparados para uma longa viagem, ao fim de três dias no deserto – lugar de extremos – e sem encontrar água, começaram a duvidar. A dúvida deu lugar ao desespero. O desespero à revolta. As expectativas muito elevadas depois da vitória do Mar Vermelho foram desfeitas. Por quê?

O primeiro erro foi pensar que a sua experiência seria feita apenas de vitórias. Quando temos uma imagem exagerada acerca das nossas capacidades acabaremos sempre fracassando.

O segundo erro foi ignorar que a experiência do deserto faz parte do processo de aprendizagem e transformação antes de chegar à terra prometida. Eles queriam apenas as coisas boas, mas não estavam dispostos a pagar o preço da fidelidade.

Por último, confiaram mais naquilo que é aparente do que na Palavra de Deus. Para eles parecia não haver soluções. Esqueceram-se das promessas de Deus e das coisas tremendas que Ele já tinha feito nas suas vidas.

2. Oferta do mundo

No momento da dúvida, o diabo sempre vem seduzir-nos com propostas de facilidades. Ele é o grande enganador e atrai-nos com coisas que aparentam ser boas mas que no fim se revelam amargas.

Imagino o povo cansado do calor do deserto a ver ao longe algumas palmeiras. Seria uma alucinação? Desviando-se do percurso traçado chegaram a Mara, um óasis. Estavam salvos! Correram para a água mas, …. era amarga!

A oferta do mundo parece a solução mas, não é. No fim traz amargura e desilusão. Muitos são seduzidos por ela e acabam em pior situação do que estavam. Agora, o povo estava cansado, longe do caminho, e ainda mais frustrado do que antes.

3. Oferta de Deus

Acho maravilhosa a resposta de Deus. Ali, no mesmo lugar da amargura, Deus distribui graça e misericórdia. E, as águas amargas tornam-se doces. No momento em que clamaram a Deus, Ele trouxe solução. Falhamos tantas vezes porque não confiamos em Deus.

A oferta de Deus é a verdadeira solução para os nossos problemas e angústias. Mas, ela só chegará quando O buscarmos de todo o coração. E podemos estar certos que independentemente das nossas circunstâncias Deus pode agir em nosso favor – para Ele não há limites ou impedimentos.

4. O instrumento de Deus

Deus não agiu directamente. Ele usou um simples pedaço de madeira para mudar as circunstâncias. Esse lenho foi o instrumento de Deus. Na nossa experiência o instrumento de mudança que Deus usa é Cristo. Ele é o Mediador e o único caminho para o Pai. Não há salvação fora dEle.

Perceber que a solução não está em nós é o primeiro passo para a mudança. Quando depois clamamos a Deus, logo Cristo vem em nosso auxílio.

5. O propósito

Nada na nossa vida acontece por acaso. O povo foi conduzido ao deserto por uma razão. Demorou tempo a encontrar um lugar de repouso e água por uma razão. E viu Deus agir no meio das suas dificuldades por uma razão.

Deus não quer simplesmente levar-nos até ao destino. Ele quer a nossa transformação – a santidade. Tudo quanto nos acontece tem como propósito dar-nos uma oportunidade de crescer um pouco mais. As tribulações produzem para nós um eterno peso de glória. E levam-nos a um conhecimento mais profundo e perfeito de Deus.

6. A experiência cristã

Depois de Mara, Deus conduziu o povo a Elim – terra de doze fontes, como doze eram as tribos. A vontade de Deus era a desejada. O povo tardou em lá chegar porque duvidou.

A vontade de Deus também é definitiva. Estiveram em Mara de passagem porque não era ali que desejavam estar, mas quando chegaram a Elim acamparam. É bom estar no lugar que Deus preparou para nós.

Deus tem sempre mais a dar do que nós esperamos. Ou sonhámos.

Quando deixaremos de agir como criancinhas e passamos a agir com a maturidade de quem aprendeu a confiar no seu Deus e Pai?

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