Brincar aos deuses

“(…) este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos.” (Atos 19:26)

O grande ourives Demétrio acusava assim o apóstolo Paulo que lhe causava pesado prejuízo com a pregação do Evangelho. O poder do Evangelho em Éfeso foi manifestado de tal maneira que toda a cidade ficou em alvoroço. Apesar da grande resistência de alguns, a Palavra do Senhor operava poderosamente e o temor do Senhor caía sobre muitos. Até os feiticeiros vieram a público queimar os seus livros de artes mágicas.

Com o número crescente de cristãos na cidade, o negócio dos ídolos de prata e ouro começou a ressentir-se. Foi então que Demétrio tomou a iniciativa de convocar todos os artífices da cidade para mover uma acção judicial contra Paulo, procurando com isso impedir o progresso do Evangelho e proteger o seu rentável negócio.

O argumento de Demétrio é que me chama a atenção:  Paulo diz que “não são deuses os que se fazem com as mãos”. Pergunto-me se ele teve noção do ridículo do seu argumento. Ele veio em defesa da honra de deuses feitos por homens. Ora, se homens tem o poder de fazer deuses, não quer isso dizer que são ainda maiores do que os deuses?

Esse é o nosso problema. Queremos deuses à nossa medida, ao alcance das nossas mãos. Toda a idolatria consiste em trocar o Deus Único e Soberano, por um deus menor do que eu. Nesse processo fazemo-nos deuses. Esse é o grande engano do pecado desde o Éden: “sereis como Deus” (Gênesis 3:5), foi a promessa maldosa da serpente a Eva.

idolatriaÉ assim até hoje, mesmo sem imagens esculpidas a quem nos curvamos. Confiamos no dinheiro, na educação, na família, nos amigos, na saúde, no prazer, no poder, na fama, na religião – deuses menores que podemos controlar a nosso bel-prazer. Quando ficamos insatisfeitos com um substituímo-lo por outro. Tudo para podermos manter o controlo da nossa vontade. Tudo para fugirmos do Verdadeiro Deus.

Não te iludas por mais tempo. Lembra-te: não são deuses os que se fazem com as mãos! Nenhum dos teus ídolos resistirá ao poder do Evangelho.

Crer como criança

Os meus filhos são, na minha vida,  a parábola viva do que Jesus ensinou: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.” (Mateus 18:3)

crianca

Ontem, durante o jantar, surgiu a incómoda pergunta: “O que acontece às pessoas quando morrem?” Eu e S. gostamos de esclarecer os nossos filhos e, com a simplicidade necessária, oferecemos a explicação.

Quando falava sobre o Céu e o inferno eles prestaram muita atenção. Expliquei que quem não se arrepende dos seus pecados vai receber o castigo de Deus, mas quem se arrepende e crê no Senhor Jesus como Salvador vai para o Céu.

O J. interrompe subitamente e diz: “Posso sair da mesa para ir ao meu quarto orar?” Saiu apressado e foi confessar os seus pecados a Deus. Voltou radiante e aliviado por estar em paz com Deus.

A simplicidade do Evangelho encontra terreno fértil na simplicidade do coração das crianças. Quando crescemos, o insidioso pecado contamina todo o nosso ser, e o Evangelho torna-se, aos nossos olhos castrador e repugnante. Resistimos a Deus porque amamos mais o pecado. Enxovalhamos o Evangelho porque queremos reivindicar o nosso direito ao Céu. Adiamos o arrependimento porque temos coisas mais importantes a fazer primeiro. No fim, perdemos tudo.

Post Tenebras Lux (Depois das Trevas, Luz)

João Calvino criou este lema “Post Tenebras Lux” – depois da escuridão, luz. Para ele, aquilo tinha o significado profundo de que depois da escuridão de tantos séculos da vida da igreja sem o Evangelho, veio rompendo a luz do Evangelho. E, então, o Evangelho espalhou-se por toda a Genebra, por toda a Europa, por todo o mundo, para o brilho e glória de Deus. (John Piper, Copyright 2012 Desiring God)

Soli Deo Gloria

Além dos limites

Os Jogos Olímpicos são a maior competição desportiva do planeta. Durante os Jogos centenas de atletas, de quase todos os países do mundo, testam os seus limites, e espantam o mundo com os seus feitos. O desejo de conquistar uma medalha leva-os a fazer grandes sacrifícios, a superar a dor, e a nunca desistir.

Usain Bolt, atleta jamaicano, compete nas categorias de velocidade, e é o homem mais rápido do mundo. Este ano correu os 100m em 9,63 seg., a uma velocidade média de 37,38 Km/h. O Jornal Expresso fez uma análise comparativa de todas as finais da história dos Jogos Modernos e o resultado é surpreendente. Se todos os atletas corressem hoje, Bolt deixaria o lendário Carl Lewis (1988) a quase 3 metros, Jesse Owens (1936) a 6,50 metros, e Thomas Burke (1896) a uns longínquos 20 metros!

Feitos que no seu tempo foram considerados históricos e inultrapassáveis são esmagados com naturalidade alguns anos depois. É esse o resultado de não nos conformarmos com o que já foi alcançado.

Quando vi esta notícia lembrei-me imediatamente da nossa experiência cristã. Quantas vezes não ficamos descansados (leia-se: conformados) com o que já recebemos ou fizemos para o Senhor? Quantas vezes não olhamos para os grandes heróis da fé e pensamos que nunca seremos como eles? Esquecemos porventura o que a Bíblia diz: “Em Deus faremos proezas!”? (Sl.108:13; Sl. 60:12)

Levanta os olhos, e mira o alvo. (Hb.2:1,2) Esforça-te. Sacrifica-te. Entrega-te. (Hb.12:3,4) Não desistas. (Hb.12:12) Transforma-te. (Rm.12:1,2; 2Cor.3:18)

São tantos os exemplos de homens e mulheres que marcaram a sua geração porque se entregaram nas mãos de Deus. Treze homens revolucionaram o mundo com a mensagem do Evangelho. (At.17:6)  Imagina o que Deus poderá fazer com uma geração verdadeiramente comprometida com a Sua Glória!

Não te acomodes! Ousa e vence em Cristo e por Cristo!

Pés formosos :: Devocional

10.Maio :: Provérbios 24:11-12

“No mês em que Yulianus Abarude e eu visitamos o Mamberamo Ocidental, parte de uma extensão da selva pantanosa com metade do tamanho da Grã-Bretanha, eu pisei em um Death Adder, fui ameaçado com flechas, e tive de ser puxado para fora da lama profunda que me dava pela cintura por dois homens depois de eu ter afundado, e fiquei preso ao atravessar um pântano de secagem. Nós caminhamos durante 12 horas por dia, dias a fio, através de uma extensão verde (uma região de topografia “leitura em branco”). Nós desenvolvemos erupções onde as nossas mochilas esfregavam os ombros e bebemos água filtrada directamente de pântanos fedorentos. Meus pés romperam para fora da frente dos meus sapatos, a sola do meu sapato direito eventualmente rasgou completamente. A unha do meu dedão do pé esquerdo simplesmente caiu um dia. E como cheirávamos mal! Um odor doentio-doce, acho que pode ter sido fermentação. Uma vez, tivemos que subir de mão em mão enquanto subíamos uma montanha lamacenta, utilizando cipós da selva para puxar-nos para cima. Nós caímos muitas vezes, deslizando sobre pedras viscosas, galhos de árvores quebrados, e encostas barrentas. À noite, nós lavavamos os membros doridos em rios de água barrenta, limpávamos as bolhas, e tentavamos limpar nossas roupas para viajar no dia seguinte.

Agora, imagine isso: É noite e Yulianus está sentado ao redor da fogueira orando. Apesar de todas as dificuldades que estavamos enfrentando, o que foi a oração de Yuli? Foi uma oração sincera de agradecimento a Deus por nos dar a oportunidade de visitar estas áreas interiores. Alegria e entusiasmo em ser usado por Deus. Aquecido por estas petições também despertei o meu próprio sentimento de gratidão a Deus ao ouvi-lo. Ele aflito com as perdas em Fona, mas nunca se queixou uma vez sobre o seu próprio cansaço. Ele agradeceu a Deus pelo privilégio: “Obrigado Pai por me deixar estar aqui.”

Havia muitos episódios memoráveis ​​desta caminhada. A memória mais emocionante desta viagem, porém, foi a noite que Yuli chorou abertamente ao redor da fogueira.

Dos vários objectivos desta jornada, uma era encontrar um homem Bauzi local que pudesse ler, um dos poucos em toda a região, e colocar um recém-traduzido evangelho de Mateus em suas mãos. Encontramos não só ele, mas também uma das poucas mulheres que sabiam ler, também. Na pequena aldeia de Fona, reunimos com a luz da fogueira para celebrar e ouvir o Evangelho lido na sua própria língua.

Quando eu olhei, Yulianus estava chorando – não apenas algumas lágrimas, mas abertamente chorando.

Ele disse que tinha vergonha de chorar, porque ele estava tão feliz ao ouvir esses moradores ler a Palavra de Deus na sua própria língua, e admirou-se de que Deus assim o tivesse querido que, de todas as pessoas que poderíamos ter encontrado na trilha, Ele nos levou direto para dois dos poucos que sabiam ler em toda a região – uma providência extraordinária. “Mas”, Yuli disse: “Essas pessoas estão muito longe daqui, na extremidade ocidental e aqui estão dois que podem ler … e eles têm a Palavra de Deus na sua própria língua. Quanto tempo deve esperar o meu próprio povo?”
Lembro-me de Yuli enxugando o rosto com os dedos longos e repetindo novamente: “Quanto tempo deve esperar o meu povo?” ”

(Extraído do testemunho de Trevor Johnson, em HeartCry Missionary Society)

  1. Quão grande é a tua paixão pelos perdidos?
  2. Estás disposto a pagar o preço para fazer Cristo conhecido?
  3. O que dirás a Deus quando Ele te perguntar o que fizeste com o Evangelho que te foi confiado?