Gerir expectativas

Texto-base: Malaquias 3:13-18

As expectativas são uma parte fundamental da vida. São elas que criam a motivação para fazer tudo quanto fazemos. A expectativa de receber um salário motiva-nos a ir trabalhar todos os dias. A expectativa de passarmos um bom tempo motiva-nos a procurar os amigos. A expectativa de ser bem-sucedido motiva-nos a estudar para um exame. Pelo contrário, quando não temos expectativas ou elas são pobres ou fracas não nos animamos a fazer seja o que for.

O próprio Deus lida connosco com base em expectativas. Em Hebreus 11:1 lemos,

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.”

e, de novo no versículo 6,

“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.”

A fé aponta para a expectativa. Mas, como diz o texto, é um firme fundamento, porque Deus não falha nem desilude. Por oposição, Satanás, o grande inimigo de Deus e nosso, tudo faz para frustrar as nossas expectativas. Ele faz isso de duas maneiras:

  • criando obstáculos e dificuldades à concretização de expectativas válidas e realistas.
  • contaminando as nossas expectativas com ilusões que nunca poderão concretizar-se.

Com a primeira estratégia ele pode causar dano que será mais facilmente ultrapassado porque conhecemos em Quem confiamos.

“Por cuja causa padeço também isto, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia.” 2 Timóteo 1:12

Já no segundo caso as coisas são mais complicadas porque os fracassos sucessivos normalmente conduzem a uma frustração crescente, que gera amargura e, por fim, rebeldia contra Deus.

No texto de Malaquias percebemos uma grande amargura nas palavras do povo de Israel, que se traduz em violência verbal e desprezo pelo Senhor. Recuando às origens da nação, podemos recordar que se havia alguém com motivos para ter expectativas altíssimas acerca do seu futuro, e ainda assim estar seguro da sua concretização, era o povo hebreu. Desde o chamado de Abrão que tudo quanto dizia respeito a esta família que se fez nação estava alicerçado na Palavra, Promessas e Vontade de Deus. Era por isso um futuro infalivel!

Surge a questão: como chegaram então a este ponto? Eles deixaram que Satanás contaminasse as suas expectativas com ilusões. E as ilusões não têm nada que ver com a realidade. São desejos do coração, sonhos, devaneios e vontades que não têm alicerce em argumentos sólidos e verificáveis. Pensemos por um instante: o que diríamos de um empresário que todas as suas decisões de investimento baseado em “feelings” e palpites, ignorando os relatórios técnicos e os conselhos dos seus gestores? Provavelmente não lhe imaginamos um futuro muito auspicioso. No entanto, muitos vivem as suas vidas assim. A nação de Israel trocou as promessas seguras de Deus por ilusões. Eles começaram a olhar para os outros e a desejar o que eles tinham, muito embora eles tivessem coisas mais excelentes. Como consequência perderam tudo. As suas expectativas foram frustradas. Perderam a nação. Perderam a liberdade. Perderam o presente vivido à luz do futuro anunciado.

Tão grande frustração produziu neles uma amargura imensa. Ela é perceptível em muitas coisas que dizem contra Deus:

  1. Insensibilidade ao apelo de Deus. (vs.13)
  2. Falar contra Deus. (vs.14)
  3. Desprezar Deus. (vs.15)

A sua amargura gerou violência e conflito.  Esse é o fruto de expectativas irrealistas. Essa é a obra de Satanás. Mas, há outra atitude que podemos assumir. Trazer Deus para o centro das nossas vidas alinhará todas as nossas expectativas com a Sua vontade. Temer o Senhor, fazer memória do Seu Nome, e compartilhar a fé com os irmãos colocará as nossas vidas como memorial diante de Deus, e Ele nos tratará como o seu particular tesouro! Que benção!

Mas, este é o lugar mais difícil. Deus é Luz! É Verdade! Ele não muda! Tudo nEle é real, sem ilusões. Por isso, chegar mais perto de Deus significa confrontarmo-nos com a realidade das nossas vidas. É com isso que Deus lida. Isso não é fácil nem agradável. Pecado. Impotência. Necessidade. Fragilidade. Coisas que não gostamos de admitir. Mas, esse é o caminho para construir expectativas realistas e infalíveis acerca do nosso futuro. Pode parecer loucura aos olhos de muitos, mas aqueles que assim amam e buscam ao Senhor, sabem o que o futuro lhes reserva. E, entendem que este não se compara com as dificuldades, frustrações ou sofrimentos que tenham que suportar por um pouco de tempo.

Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; 2 Coríntios 4:17

Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. Romanos 8:18

Há um dia preparado por Deus em que se verá outra vez a diferença entre aqueles que O temem e os que O desprezam. (vs.18) Põe em Cristo a tua confiança e expectativa e jamais serás confundido.

Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. Romanos 10:11

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Peregrinação do coração

Durante a sua peregrinação para o templo a fim de oferecer sacrifícios ao Senhor, os israelitas entoavam um conjunto de cânticos que ficaram conhecidos como os “Cânticos dos degraus”. Podemos encontrá-los no livro dos Salmos. A maioria desses cânticos exaltavam a grandeza do Senhor, na sua Santidade e na sua capacidade de defender o povo, ao mesmo tempo que colocavam o adorador numa posição de humildade.

Embora não sejamos convocados pelo Senhor a realizar uma peregrinação a algum lugar santo, necessitamos, do mesmo modo, de preparar os nossos corações para nos encontrarmos com Deus. Uma peregrinação do coração.

Um desses Salmos, o 123, ensina-nos a levantar os olhos – isto é, todo o nosso ser: mente, coração, espírito, as nossas expectativas e anseios – para olhar para o Senhor, o Santo que habita nos céus, e depositar nele toda a nossa confiança. Olhar com olhar de servo. O olhar do servo é determinado pelo entendimento que ele tem do seu senhor. A mão do senhor representa o poder e a capacidade dele. É uma mão que:

  1. Dirige.
  2. Provê.
  3. Assiste.
  4. Protege.
  5. Corrige.
  6. Recompensa.

Perante tal Senhor, como deve ser o nosso olhar? Certamente um cheio de temor, não por medo irracional, mas por reverência santa perante aquele que pode perdoar pecados. Expectativa por saber o que Ele tem reservado para nós. Confiança total na Sua capacidade de levar o Seu propósito até ao fim. E, por fim, obediência à vontade soberana dAquele que nos dá todas as coisas.

Chegando com o coração assim preparado à presença do Senhor, não voltaremos vazios. Receberemos da Sua abundância Graça e Misericórdia para prosseguir.

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