“P” de Presença

A saudade é um sentimento português. Bem, talvez não o sentimento mas a palavra que o expressa. Afinal, o coração de todos os Homens anseia pela comunhão dos que estão ausentes. Todos já passamos o dia com o coração aos pulos pela antecipação do reencontro com alguém querido. Os minutos contados até estar com o amado(a). A lembrança dos mimos dos filhos. A vontade de pular para o colo dos pais. A distância faz-nos sentir a importância do outro, e, por nossa vontade nunca estaríamos separados.

A parte mais difícil do nosso relacionamento com Deus talvez seja lembrarmo-nos e experimentarmos a Sua presença constante. A essa dificuldade não é alheio o facto de Deus ser espírito, logo, invisível, impalpável, e, por isso, mais facilmente esquecível. “Longe da vista, longe do coração” como diz o ditado popular não pode expressar a realidade do nosso relacionamento com Deus. Nada transformará tanto as nossas vidas como a prática constante da Presença de Deus. Considera o Salmo 23.

“O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas. Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome. Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do SENHOR por longos dias.”

A canção da Presença de Deus. Davi era um homem experimentado na intimidade com Deus. Não é por acaso que Deus o chama “homem segundo o meu coração”. (At.13:22) O Salmo 23 expressa bem essa intimidade e todos os benefícios que Davi retirava dela.

Demoremo-nos considerando o impacto que a Presença Viva de Deus tem na nossa vida.

  • Paz. Andar na Presença de Deus significa em primeiro lugar estar em paz com Ele. Isto é, já reconciliado com Ele em Cristo Jesus. (Rm.5:1) Tanto o verbo estar como andar expressam que essa experiência é contínua. A confirmação da nossa paz com Deus vem de andarmos com Ele. Por outro lado, temos a paz de Deus. (Col.3:15) A quietude e descanso de sabermos que Ele está connosco e no controlo de todas as circunstâncias.
  • Provisão. Deus cuidará de ti. Não te deixará em necessidade. Não precisas ficar ansioso, antes busca-O acima de todas as coisas, e Ele mostrará a Sua fidelidade para contigo. (Mt.6:25-34)
  • Protecção. Ele é Quem te livra do mal. Dos perigos. Das tentações. Ninguém intentará acusação contra os escolhidos de Deus. Ele é o teu refúgio e fortaleza, O que firma os teus passos, e te conduz ao lugar seguro. Mas, para que a Sua protecção seja manifesta e eficaz em ti, tens de estar perto d’Ele e obedecer à Sua voz de comando. (Rm.8:31-39)
  • Prazer. Caminhar com Deus não é um fardo. É verdade que esse é o caminho da negação pessoal, do “tomar a cruz”, mas, não é um fardo. O pecado é que pesa sobre ti, que te limita e afunda. O jugo de Jesus é suave e conduz-te ao descanso. A presença de Deus satisfaz abundantemente. (Mt.11:28-30)
  • Prioridades. Apesar de teres um alvo, há muitas coisas no caminho que te seduzem e te atraem para atalhos mortais. A presença correctiva, disciplinadora, condutora e instrutora de Deus vai conduzir-te sempre ao lugar onde deves estar – o centro da Sua vontade. (Hb.12.6-11)
  • Plenitude. O copo só transborda se for continuamente cheio com algo novo. Assim que te afastas da presença de Deus a tua vida entra em declínio, mas, perto, serás renovado a cada dia pela experiência das Suas misericórdias que são novas a cada manhã. (Lm.3:22-26)

É uma loucura desprezar a benção da presença de Deus. Mas, por vezes, parece-nos tão difícil manter viva essa realidade no nosso dia-a-dia. Vivemos num ciclo pernicioso de afastamento e reconciliação, como um casal disfuncional que passa a vida em conflito, nunca experimentando a doçura de um relacionamento de intimidade crescente e duradoura. Sem intimidade não há crescimento. Proponho 3 estratégias para viveres a presença de Deus de um modo natural no teu dia-a-dia:

  1. Fala com Deus com frequência.Não reserves a oração para momentos específicos do dia. É verdade que os momentos de solitude são muito importantes e deves guardar um tempo específico para estar e falar com Deus. Mas, não reduzas a tua comunhão a isso. Imagina como seria estranho se estivesses com um amigo o dia inteiro e só falasses com ele quando iniciavas uma refeição e num período de 15min. pré-determinado e durante o resto do tempo fingias que ele não estava lá. Esquisito, não? É isso mesmo que fazemos com Deus. Agimos como se Ele não estivesse lá. Fala com Deus durante o dia. Em orações audíveis ou silenciosas. Para pedir ajuda ou dar graças. Para simplesmente louvar e adorar. Neemias era um homem assim. Ele fez a oração mais rápida de que temos registo na Bíblia. (Ne.2:1-6) Um dia estava a falar com o rei e quando este lhe fez uma pergunta, num micro-segundo, Neemias orou e imediatamente respondeu ao rei. Isso é viver a presença de Deus.
  2. Inclui Deus na tua linguagem. Tenho a certeza que conheces alguém com quem é impossível falar sem que essa pessoa não comece a debitar versículos bíblicos, ou a falar de Deus, e encaminhar a conversa para pensar em Deus. Podem estar a falar do tempo, das notícias, do emprego, da família. Não importa. Mais cedo do que tarde a conversa vai sempre incluir algum pensamento acerca de Deus. Sabes o que a Bíblia diz acerca disso? Que “a boca fala do que o coração está cheio”. (Lc.6:45) Em boa verdade, o mandamento do Senhor é esse mesmo. Enche o teu coração e mente com as coisas boas de Deus (Fl.4:8), e, no abrir da tua boca, Deus será o teu grande tema.
  3. Testifica do que Ele tem feito por ti e em ti. Partilha com os outros a tua experiência com Deus. Quando fazes isso, tratando Deus como uma pessoa bem real para ti, tão real como os teus amigos, colegas ou familiares, manténs viva a presença de Deus não só para ti, mas, também para eles. Quando alguém morre, os que ficam mantêm vivo o seu legado e memória falando sobre ele. Quando cessam as histórias, cessa a memória, e com a memória cessa a presença. (Is.26:8)

Muda a sabedoria popular. Que para ti Deus esteja “longe da vista, mas, perto do coração”!

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A fórmula de Deus

“O que é afinal a intimidade com Deus? E, como alcançá-la?”

A resposta a estes interrogações fundamentais é dada pelo próprio Senhor Jesus. Em João 17, Jesus declara que foi enviado pelo Pai para dar vida eterna (vs.2). Há muito a dizer acerca da vida eterna, mas, se quisermos condensar tudo isso num único conceito olhamos para a explicação de Jesus:

“E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17:3)

Conhecer Deus. Como o único Deus – reconhecendo que só Ele é Deus e fora dele não há outro. Como o verdadeiro Deus – conhecendo quem Ele é de verdade e não como eu gostaria que fosse. Como o exclusivo Deus – sendo O único que reconheço como Senhor sobre a minha vida, fugindo de todas as formas de idolatria. Como o Redentor Deus – reconhecendo que Ele é tanto o querer como o efectuar da minha salvação e que devo tudo a Ele. Esta é a vida eterna. É também, creio, a melhor definição de intimidade com Deus.

INTIMIDADE COM DEUS = CONHECER DEUS

Jesus diz que o conhecimento de Deus é a vida eterna, porque o conhecimento de Deus vai afectar tudo o que somos, influenciando todo o nosso futuro. Vejamos, com alguns exemplos como isso acontece:

  1. Conhecer Deus ensina-te a viver. A Bíblia ensina que a sabedoria que nos conduz à vida excelente nasce do temor do Senhor. (Prov.1:7) Isto é, quando eu temo a Deus, essa reverência, espanto, admiração e senso de humildade diante d’Ele, afectam as minhas decisões, vontade, paixões, inclinações, etc. Tudo na minha vida vai passar a ser vivido como que pelos olhos do Senhor a quem temo. E, de onde vem esse temor? Como posso eu crescer em temor do Senhor? Conhecendo-O. Quanto mais conheço acerca da Sua Santidade, Justiça, Ira, Amor, Misericórdia, Longanimidade mais assombrado ficarei com esse conhecimento. E mais vontade terei de O honrar na minha vida.
    (NOTA: Se pelo contrário esse conhecimento te afasta de Deus mais e mais, é porque ainda não nasceste de novo, e por causa do teu pecado insistes na rebelião contra Deus. Busca arrependimento e crê no Senhor Jesus Cristo para salvação da tua alma!)
  2. Conhecer Deus fortalece a tua fé. O conhecimento de que Jesus fala não é apenas informação, ou intelectual, mas, experiencial. Conheces por experiência. Por obediência. Ao colocares a tua confiança nas promessas e mandamentos de Deus e confirmares a Sua fidelidade à Sua Palavra a tua fé é fortalecida e terás confiança para confiar n’Ele em coisas maiores. (Salmos 34:8)
  3. Conhecer Deus estimula a obediência. Quanto mais conheceres a Deus menos tendência terás a pensar como alguns que diziam: “Não importa se pecamos, porque a Graça de Deus sempre terá perdão para nós!” (Rm.6:1-2) Aqueles que assim pensam não O conhecem. Esquecem-se da Sua santidade que não tolera o pecado. Ignoram que Ele corrige e disciplina aos Seus filhos (Hb.12:6-8). E, tentam ao Senhor que é “um fogo consumidor” (Hb.12:29). Mas, os que O conhecem entregam-se à obediência e na Sua lei (leia-se, vontade) está o prazer das suas almas.
  4. Conhecer Deus antecipa a vivência da glória futura. Em Hebreus lemos que Moisés rejeitou as honras do Egipto porque via O invisível. Lemos também que Ele se dispôs a sofrer com o povo de Deus porque antecipava a glória futura (Hb.11:24-27). Conhecer Deus liberta-te da pressão das circunstâncias pois tens a garantia de que o teu futuro está firme em Cristo, esperança (leia-se, certeza) da Glória! (Col.1:27)

Tendo em vista os tremendos benefícios que o conhecimento de Deus traz à tua vida, a questão impõe-se: Onde adquirir esse conhecimento?

“Porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento.” (1 Coríntios 1:5)

MEDITAÇÃO NA PALAVRA DE DEUS = CONHECIMENTO DE DEUS

Tive particular cuidado em definir a fórmula acima. Nota que não disse que ler a Palavra traz conhecimento. Nem mesmo estudar a Palavra. Mas, meditar nela traz vida. A meditação difere do ler e do estudar na medida em que implica uma análise interior medindo as nossas vidas pela Palavra e uma disposição à obediência. A parábola do semeador que Jesus contou é uma boa ilustração disso mesmo. Diferentes pessoas podem ouvir a mesma palavra e reagir a ela de maneira diferente, com resultados também eles diferentes. Sobre aqueles que buscam, esquadrinham, examinam, e aplicam a Palavra nas suas vidas – estes são os que meditam nela de dia e de noite – Deus tem as seguintes promessas:

  • Serão bem-aventurados. (Sl.1-2)
  • Alcançarão misericórdia e serão renovados na alegria da salvação. (Sl.77)
  • Pela obediência alcançarão prosperidade. (Jos.1:8)
  • Serão aprovados por Deus e pelos homens. (1Tm.4:15)
  • Não serão confundidos. (Sl.119:6)
  • Purificarão as suas vidas. (Sl.119:9-11)
  • Terão prazer em Deus. (Sl 119:103,111)

Muitas outras promessas estão vinculadas à meditação na Palavra de Deus. Encontramos muitas delas no Salmo 119. (Podes se quiseres enumerar algumas delas através da caixa de comentários para, em conjunto, meditarmos sobre elas). Qual tem sido a tua atitude perante a Palavra de Deus? Sabe que não poderás conhecê-Lo à parte da Sua Palavra. Sabe também que apenas ouvir a pregação da Palavra quando vais à Casa de Oração não é suficiente para te manter forte. Não podes ser sempre um menino à espera do leite. (Hb.5:12-13) Avança para coisas maiores. Fortalece-te. Busca a Deus pela Palavra. Aprende a fórmula de Deus:

MEDITAÇÃO NA PALAVRA DE DEUS = CONHECIMENTO DE DEUS = INTIMIDADE COM DEUS

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Se precisas de ajuda para orientar a tua meditação na Palavra de Deus podes encontrar algumas orientações aqui.

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O exercício da disciplina

Lembro-me da primeira vez que tratei um dente a um paciente real. De repente, tudo aquilo que aprendemos na teoria, e, na prática em modelos de treino parece distante da realidade. Os primeiros casos tratados na faculdade são escolhidos para serem simples. Uma pequena cárie. Duas horas de tratamento! Ao pensar nisso não consigo deixar de sorrir, e, mesmo rir de mim. Hoje, faço o mesmo tratamento em pouco mais de 10min. Sem hesitar. Sem medo. Sem insegurança. O meu cérebro, as minhas mãos, os meus olhos estão agora bem treinados e avançam quase automaticamente enquanto converso ou penso em uma outra coisa. Não foi assim da primeira vez. A cada milésima de milímetro de avanço da broca, uma pausa. “Será que estou a fazer bem? Talvez seja melhor chamar o professor.”

Mesmo que nunca tenhas “atacado” o dente de alguém sabes do que eu estou a falar. Caminhar. Andar de bicicleta, de patins ou skate. Jogar à bola. Comer com faca e garfo. Ler. Escrever. Tudo quanto fazemos teve que ser aprendido. E, até que nos tornássemos excelentes em alguma coisa, submetemo-nos à disciplina.

O termo disciplina tem um significado muito amplo, variando de acordo com o contexto em que é aplicado. Pode significar o estudo de uma área do saber, como as disciplinas da escola. Pode ser o autodomínio e entrega apaixonada à perseguição de um objectivo, como os atletas que treinam intensamente e se privam de muitas coisas para alcançar o prémio. Pode ser o cumprimento das regras em vigor, que fazem funcionar um sistema, como no caso dos soldados que estão sujeitos ao código de conduta militar. Pode, numa dimensão de que não gostamos muito, significar a punição, correcção e restauração ao bom caminho quando fazemos asneiras.

Seja como for que olhemos para a disciplina todas as suas facetas se conjugam para produzir a excelência. Quando iniciamos uma aprendizagem fazemo-lo apaixonadamente. A novidade de tudo, o aprender algo novo é motivação suficiente para nos empenharmos. Mas, o entusiasmo inicial rapidamente esmorece, e logo, é necessário submeter a nossa vontade natural ao valor maior de aprender. Mais tarde, entendemos que não podemos escapar dessa regra, da norma, do modo certo de fazer as coisas. Aprendemos essa lição, por vezes, da maneira mais difícil, pela disciplina correctiva. Mas, quando a disciplina acaba o seu trabalho estamos melhores, mais fortes, mais capazes.

Na nossa busca pela intimidade com Deus a disciplina é um processo fundamental. A solitude, a meditação na Palavra, a oração, são coisas estranhas a nós. Antes de recebermos a Graça de Deus eram até mesmo impossíveis à nossa natureza caída. (Rm.3:10-12) Mas, em Cristo somos novas criaturas. (2Cor.5:17) Recebemos e participamos de uma nova natureza que tem fome e sede de Deus. (Sl.143:6) No entanto, precisamos aprender a buscá-lO.

Até que alguma coisa se torne um hábito é necessário repeti-la muitas vezes. Até que se torne tão natural como respirar, é necessário que o hábito se mantenha por muito tempo. Até que se torne fundamental, é necessário que não te desvies dela.

A prática da intimidade com Deus exige disciplina. Sem disciplina o teu destino é o descrito nas Sagradas Escrituras:

“Ele morrerá, porque desavisadamente andou, e pelo excesso da sua loucura se perderá.” Provérbios 5:23

Quero apontar algumas estratégias para te ajudar a ser disciplinado na prática da intimidade com Deus:

  1. Compromete-te. Firma um compromisso sério diante de Deus de tirar um tempo diário para estar a sós com Ele. Leva isso a sério. Não encares o tempo com Deus como a tarefa diária que podes eliminar se precisares de fazer alguma coisa. Olha para esse tempo como o único no teu dia inteiro em que não podes falhar. Constrói o resto do teu horário em torno disso e não ao contrário, tentando encaixar Deus no teu horário apertado. O tempo com Deus é muito mais importante do que qualquer outra coisa que tenhas para fazer. A força do teu compromisso definirá a intensidade da tua intimidade.
  2. Sê específico. Arranja um tempo certo para estar com Deus. Se mudares isso todos os dias, conforme a tua disponibilidade, é meio caminho para desistires. O atleta não vai treinar quando lhe apetece, quando se sente bem, ou, quando tem tempo. O seu horário está pré-estabelecido e ele não pode falhar. Se definires no teu horário o tempo para estar com Deus, mais facilmente vais estar disponível a essa hora. (Dn.6:1-11)
  3. Sê realista. Penso que um dos nossos problemas é sermos demasiado utópicos sobre este assunto. Queres parecer tão fiel que guardas logo 3 horas para estar com Deus todos os dias! Se tens possibilidades reais de tirar esse tempo, ou até mais, vai em frente! Mas, se sabes à partida que isso não vai ser possível estás a cavar o teu próprio fracasso. Se gostas de dormir até tarde não marques esse tempo às 6h da manhã. Nem à meia-noite quando já estás estourado e vais adormecer a orar. É melhor tirar 15 min. que cumpres diariamente em exclusividade com Deus do que 1 hora que não passa do papel.
  4. Presta contas. Paulo Freire, educador e filósofo brasileiro, disse que “Ninguém se disciplina sozinho. Os homens disciplinam-se em comunhão”. Junta-te a um grupo de irmãos na fé perante os quais tenhas de prestar contas. Escolhe de preferência pelo menos um irmão mais maduro e experiente para te orientar. Isso pode fazer a diferença entre desistir ou persistir.

O exercício da disciplina conduzir-te-á à maturidade. O que no começo pode ser uma difícil submissão da tua vontade a Deus, cedo se transformará no maior anseio e necessidade da tua alma. Ainda mais do que respirar. Deus será tudo para ti.

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Solitude, não solidão.

O grande vício do séc. XXI é estar permanentemente ligado. Networking, redes sociais, perfil social, são os conceitos fundamentais da aldeia global em que o mundo se tornou. Não imaginamos a nossa existência sem telemóvel. Se nos esquecemos dele ou ficamos sem bateria entramos em stress. Quando nos sentamos frente ao computador a primeira coisa que fazemos é ligar à internet para saber das novidades. Estamos constantemente a actualizar as páginas das redes sociais à espera de um novo contacto. Visitamos a caixa de correio electrónico vezes sem fim. Mas, isso não chega, hoje, o mundo é mobile, como nos assegura a publicidade, e, por isso tens de estar sempre ligado, em todo o lado.

Estar fora da rede é mal visto. És tomado por anti-social e esquisito. Como se não houvesse mundo fora da rede. Curiosamente, nunca nos sentimos tão sós como agora. Acumulamos centenas de amigos nas redes sociais mas, não temos um com quem possamos falar abertamente face-a-face. Não há tempo para conversas profundas porque o mundo muda a cada segundo. Há sempre novidades. Sempre mudança. Muitos estímulos. Nunca tempo para a intimidade.

Já não sabemos estar sós. Sentimo-nos mal. Ansiosos. Inquietos. Vazios. Insatisfeitos. No mundo de hoje já só temos solidão, não solitude. A solitude é a arte de saber estar só. A solidão é um estado negativo marcado pelo isolamento e sofrimento interior por não haver contacto com o outro. Podes sentir-te só mesmo no meio de uma multidão. Porque não te encaixas ou não te sentes pertencer àquele grupo. A solitude é um estado deliberado de isolamento, de privacidade. Não há medo de estar sozinho.

Os gurus modernos da auto-ajuda ensinam uma solitude que busca a criatividade, paz interior, bem-estar, contacto com o eu-interior, fortalecimento espiritual com base num esvaziamento da mente e foco no potencial humano. Esse ensino é profundamente diabólico. A Bíblia embora ensine a solitude nunca propõe o esvaziamento da mente. Pelo contrário. Nem coloca o potencial humano como foco principal. Pelo contrário. Deus é o foco. A solitude é o tempo a sós-com-Deus. A busca da Sua presença. O enchimento com a Sua palavra.

Muitos são os exemplos, nas Escrituras, de homens que se recolhiam para encontrar-se com Deus. Jesus, o Filho de Deus, é talvez o maior desses exemplos. Muitas vezes lemos nos Evangelhos que Jesus se retirava para um lugar à parte, normalmente o monte, para a solitude com Deus. O que Ele fazia durante esse tempo? Orava. Tinha comunhão com o Pai. Exercitava-se nas Escrituras. (Mt.4:1-11) Sem distrações. Sem ruído. Sem cronómetro. Esse era o segredo do poder do seu ministério. A Sua vontade estava sempre sintonizada com a vontade do Pai, porque entre os dois havia intimidade. Uma intimidade construída na solitude.

Desculpamo-nos com a falta de tempo. Temos sempre tanta coisa a fazer. Tantas solicitações. E, Jesus? Não era Ele constantemente solicitado por multidões. Não estava Ele completamente envolvido na missão de preparar os discípulos? No entanto, encontramo-Lo muitas vezes a sair do meio da multidão para um lugar à parte. Não penses que até mesmo o teu serviço para Deus substitui o tempo de comunhão intima com Ele. Não é porque estás envolvido no serviço a Deus que és íntimo de Deus. Lembra-te de Marta que descobriu que há uma parte ainda melhor que o serviço, que deve vir antes do serviço, a íntima comunhão com o Senhor. (Lc.10:38-42)

Eis alguns conselhos para promoveres um tempo de solitude com Deus:

  1. Desliga-te. Para buscares a intimidade com Deus precisas cortar com a rede que constantemente te mantém ocupado. Desliga o computador. A música. A televisão. Deixa para trás o telemóvel. Tudo o que possa distrair-te enquanto estás com Deus. Esse tempo é para ser passado com Deus. E, só com Deus. (Mt.14:23)
  2. Isola-te. Podes fazer isto onde quiseres, mas, procura um lugar onde não possas ser facilmente interrompido. Se estiveres em casa, fecha a porta do teu quarto e pede à tua família para não te incomodar até que saias. (Mt.6:6)
  3. Foca-te. Este não é um tempo para “pensar na morte da bezerra”. Não é para descansar o cérebro. A tua mente tão habituada a ser estimulada vai procurar qualquer coisa com que se ocupar. Preocupações. Planos. Sonhos. Concentra-te no que te trouxe ali – Deus. Pensa em Deus. No Seu Amor por ti. No bem que te tem feito. Nas Sua promessas. Nos seus mandamentos. Para isso, lê a Bíblia, e medita no que lês. Reflete naquilo que Deus está a revelar-te através da Sua Palavra. (1Tm.4:15)
  4. Entrega-te. Fala com Deus. Ora. Abre-Lhe o teu coração. Sem medo e sem reservas. Não há palavras certas. Deus quer sinceridade. Ao coração humilde Deus não rejeitará. (Tg.4:6; Sl.51:17; Sl.37:5)
  5.  Deleita-te. A intimidade com Deus é uma coisa preciosa. Não a desprezes. Não a olhes como se fosse um fardo ou um espartilho que te impede de ser feliz. Põe o teu prazer em Deus. (Sl.37:4)Deixa-O satisfazer a tua alma. Louva-O. Adora-O. (Sl.43:4) Mergulha na vida abundante que Jesus te deu. (Jo.10:10)

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A prática da intimidade com Deus – 8 bases bíblicas

Hoje reli uma reflexão que coloquei aqui há quase dois anos atrás. “Onde estás?” fala da busca de Deus por nós. Mas, a intimidade de Deus também é o desejo de todos os Seus filhos. Embora essa experiência seja sobretudo um processo espiritual, logo, não palpável, a Bíblia aponta várias estratégias que devemos empregar no nosso dia-a-dia para perseguir a comunhão vital com o Senhor. Eis algumas delas:

  1. Fica a sós com Deus. A intimidade nunca será possível sem comunhão. Sei bem que as vidas agitadas que temos não nos deixam muito tempo livre – embora isso seja quase sempre mais uma desculpa. Jesus é o nosso maior exemplo nisto. Mesmo quando rodeado por multidões que solicitavam eufóricas a sua atenção, ele muitas vezes se retirava para o monte para estar só. (Jo.6:1-15) Só com o Pai. (ler mais…)
  2. Sê disciplinado. Nenhum atleta desleixado será vencedor. Os vencedores são disciplinados. Toma o exemplo de Daniel, que sendo superintendente do maior reino dos seus dias, tirava 3 momentos para orar ao Senhor. (Dn.6:1-11) Ele era um homem ocupado, e muito pressionado, mas, era disciplinado na sua busca por Deus. (ler mais…)
  3. Aprofunda-te na Palavra. Não podes ter intimidade com alguém que não conheces. Para conheceres Deus tens de buscá-lO na Sua Palavra. Não te satisfaças com o que ouves na pregação dominical. Em casa, abre a tua Bíblia e medita no que Deus tem para te dizer. (Sl.1:1-2) (ler mais…)
  4. Integra Deus no teu dia-a-dia. Deus não existe só ao Domingo, ou só está na casa de oração. Ele está contigo por onde quer que andares. Aprende com o exemplo de Neemias, e integra Deus no teu dia-a-dia, e nas tuas decisões. (Ne.2:4) Vive como se Ele estivesse presente, porque está mesmo. (ler mais…)
  5. Junta-te aos santos. As más companhias corrompem os bons costumes. (1Cor.15:33) Mas, como o ferro aguça o ferro, os homens aperfeiçoam-se no confronto com os outros. (Pv.27:17) Junta-te a irmãos na fé mais experientes e que te ajudem no crescimento. Aprende com eles.
  6. Sê honesto/sincero. Não tenhas medo de te expôr perante Deus. Ele já sabe tudo a teu respeito. Não há fórmulas, nem palavras certas. O teu coração sincero e contrito é tudo o que Deus quer. Expõe-Lhe os teus medos, angústias, lutas, fracassos. Ele cuidará de ti. (Fl.4:6-7)
  7. Sê grato. Não uses Deus apenas como uma forma de resolver os teus problemas. Dá-lhe a honra e o louvor que Ele merece por todo o bem que te tem feito. Sê grato. Perante Deus, mas, também perante a Igreja e os Homens. (Is.12:4) Para que todos saibam que o teu prazer está em Deus e que o bem que há em ti tem n’Ele a fonte.
  8. Sê obediente. O pecado é o mais poderoso impedimento da comunhão com Deus. Por isso, busca arrependimento, confessa e deixa que Deus te restaure. Depois, vai e não peques mais. Medita na vontade do Senhor e procura obedecê-la em tudo. (Tg.1:22-25) A obediência é o contrário do pecado. A santidade é a sua consequência. A intimidade com Deus a sua recompensa.

Qual a tua experiência na busca da intimidade com Deus?

Mantém-te ligado nos próximos dias enquanto exploramos cada um destes passos.