Esquecer Deus

“Vivemos num tempo estranho. Algumas pessoas ainda têm telefone fixo. Mas, elas usam-no para ligar para o seu telemóvel porque se esqueceram onde o deixaram. e precisam do telemóvel porque tem uma app que os ajuda a encontrar as chaves do carro, pois esqueceram-se onde as puseram. Este tipo de esquecimento deve-se grandemente ao estar ocupado com muitas coisas, distraído e desatento.

Embora estes esquecimentos sejam frequentemente um esquecer de coisas, podem facilmente tornar-se um esquecer de pessoas. (…)

Este tipo de esquecimento pode também conduzir a um esquecer Deus. Podemos estar num culto, onde a nossa atenção é suposto estar em Deus e na Sua Palavra, mas de repente apercebemo-nos que estávamos a pensar em qualquer coisa que aconteceu antes e não ouvimos nada do que o pregador disse. (…)

Esquecemos aniversários, esquecemos celebrações, esquecemos promessas, e esquecemos Deus. (…)

As exigências da vida amontoam-se e é fácil demais não ir ao culto. (…) Este é o princípio do esquecimento descuidado de Deus. Mas, não termina aqui. (…) Quando nos apercebermos, esquecemos Deus. Pior ainda, começamos a seguir outros deuses e estamos comprometidos com os seus caminhos.”

(extraído do artigo do Dr. Benjamin Shaw, na revista Tabletalk de Dezembro 2016)

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criados para a eternidade

Na minha meditação de hoje fui conduzido ao livro de Eclesiastes, um dos chamados livros de sabedoria das Escrituras. No texto, o Pregador, aponta a conclusão da sua busca por sabedoria:

Tudo fez (Deus) formoso em seu tempo; também pôs na mente do homem a idéia da eternidade, se bem que este não possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o fim.
Eclesiastes 3:11

Quero destacar 3 conclusões importantes:

  1. A imensa beleza e perfeição do mundo que nos rodeia aponta para um Criador.
  2. Apesar da vida poder oferecer muitos prazeres eles são apenas passageiros. Por isso, não encontramos satisfação absoluta neles. Fomos criados para a eternidade.
  3. Somos eternos, mas apenas criaturas que não podem compreender todo o propósito de Deus.

A meditação terminou com a seguinte conclusão:

Aqueles que não conhecem o Senhor são levados ao desespero pela finitude da humanidade porque não encontram esperança nem sentido no mundo que os rodeia. Os crentes, no entanto, são conduzidos à humildade.Crescemos em contentamento sabendo que embora não possamos compreender totalmente, compreendemos verdadeiramente e podemos regozijar-nos naquilo que o Senhor revelou. Sabemos que há coisas que apenas Deus pode saber, e estamos alegres deixando-O ser Deus, e nós criaturas.

Santidade ou imitação barata?

Encontrei um artigo no site do Ministério Fiel extraído do livro “Brecha na nossa santidade” de Kevin DeYoung. O texto é uma reflexão sobre o que significa (ou melhor, o que não significa) ser santo. DeYoung salienta 5 pontos:

  • Santidade não é um mero obedecer a regras.
  • Santidade não é imitação geracional.
  • Santidade não é espiritualidade genérica.
  • Santidade não é “encontrar o meu verdadeiro Eu”.
  • Santidade não é o padrão do Mundo.

Recomendo a leitura atenta do artigo completo (podes encontrá-lo aqui), mas deixo-vos o último parágrafo que prendeu a minha atenção:

Muitos cristãos têm a noção equivocada de que se simplesmente formos cristãos melhores, todos nos aplaudirão. Não percebem que santidade paga um certo preço. É claro que podemos nos concentrar nas virtudes que o mundo aprecia. Mas se você levar a sério a verdadeira religião que cuida dos órfãos e promove pureza (Tiago 1.27), você perderá amigos que lutou tanto para conquistar. Tornar-se sacrifício vivo, santo e aceitável a Deus exige que você resista ao mundo que deseja conformá-lo a seu molde (Rm 12.1-2). Guardar-se puro para o casamento, ficar sóbrio numa 6ª feira à noite, abrir mão de uma promoção só para poder continuar frequentando a igreja, recusar-se a dizer palavras parecidas com palavrões, desligar a televisão – esse é o tipo de coisa que o mundo não entende. Não espere que entendam. O mundo não fornece incentivos de apoio no caminho da santidade.


kevin_deyoung_131Kevin DeYoung é o pastor principal da University Reformed Church, em East Lansing (Michigan). Obteve sua graduação pelo Hope College e seu mestrado em teologia pelo Gordon-Conwell Teological Seminary. É preletor em conferências teológicas e mantém um blog na página do ministério ­ The Gospel Coalition. 

Combinação perfeita

Esta manhã ao chegar ao consultório iniciei o computador. Como sempre, uma das primeiras páginas que visitei foi a Bíblia Online. Todos os dias há dois versículos em destaque sobre os quais medito e normalmente acabo a partilhar. Hoje, encontrei estes:

Versículos

Assim que li pensei: “Que combinação perfeita!” Deixa-me explicar.

Na nossa caminhada com Deus dependemos constantemente das Suas misericórdias. Se não forem elas seremos consumidos. Mas, a segurança da Graça de Deus para connosco não nos conduz a uma vida desregrada. Pelo contrário. Tendo provado do Amor de Deus desejamos em tudo agradar-Lhe, e esforçamo-nos para ser por Ele aprovados. É a combinação perfeita entre a Obra de Deus por nós e em nós, e a responsabilidade que temos perante Ele de sermos santos como Ele é Santo.

Que Deus nos ajude!

 

Deus está perto

A minha filha mais nova, a R., tem uma paixão arrebatadora por mim. Sim, eu sei que todas as meninas têm uma maior ligação com os pais. Mas, da pequenez dos seus três anos a R. leva isso ao extremo. Quando chego a casa ela é a primeira a correr para os meus braços e a cobrir-me de beijos. Quando estou para sair arranja todos os argumentos para me convencer a ficar. Se estou sentado no sofá é vê-la a enroscar-se no meu colo. Se precisa de alguma coisa insiste que seja eu a resolver mesmo que esteja alguém mais perto.

Muitas vezes, estamos na mesma divisão – a sala, por exemplo – ela a brincar e eu a fazer qualquer outra coisa. Levanto-me e saio para outra divisão para buscar alguma coisa. Passado uns segundos, começo a pressentir uma agitação. Depois, começo a ouvir pequeninos passos acelerados. Logo de seguida, um choro: “Papá, onde estás?” A calma só vem quando se lança de novo nos meus braços.

Oh, se fossemos assim com o nosso Pai celeste. Quantas vezes não somos nós a afastar-nos da Sua presença sem sequer nos importarmos com isso.

pela mão

Um destes dias desafiei os irmãos na IEAveiro a meditarem sobre o testemunho de um rei. O seu nome era Asa e a sua história está narrada em 2 Crónicas 14, 15 e 16. O autor da carta aos Hebreus lembra-nos que temos uma grande multidão de testemunhas que testificam sobre a natureza humana, a fé, a providência divina, a bondade e fidelidade de Deus para com os seus (Hb.12:1). Se formos sábios usaremos esses testemunhos como instrução para evitarmos os mesmo erros ou seguirmos o exemplo de justiça, a fim de que deixemos o pecado e os embaraços para servirmos a Deus. Infelizmente, muitas vezes apenas aprendemos por tentativa e erro, e debaixo da disciplina do Senhor. Sejamos sábios!

Asa foi um bom rei. O seu coração foi perfeito diante do Senhor (2Cr.15:17) embora tenha falhado em algumas atitudes. Durante o seu reinado, o povo buscou ao Senhor. E o Senhor lhes deu paz e prosperidade. Azarias foi levantado por Deus para confirmar diante do rei que “O Senhor está convosco, enquanto vós estais com ele.” (2Cr.15:1) Mas, nem sempre foi assim. Azarias recordou o passado quando disse:

“Israel esteve por muitos dias sem o verdadeiro Deus, e sem sacerdote que o ensinasse, e sem lei.
Mas quando na sua angústia voltaram para o Senhor Deus de Israel, e o buscaram, o acharam.
2 Crónicas 15:3-4”

Durante muito tempo Israel viveu longe de Deus. Não havia intimidade, comunhão ou conhecimento de Deus. Mas, eles não se importavam com isso. Não havia ensino nem instrução do Senhor, pelo que ninguém sabia qual era a vontade do Senhor. E, ninguém se incomodou com isso. Como consequência, não havia obediência, porquanto cada um fazia aquilo que parecia bem aos seus olhos. E, assim é que parecia estar bem.

Esta atitude não foi um deslize pontual de Israel. Ele viveram ignorando ao Senhor por muito tempo. Tanto que já nem sentiam a sua falta. Pode ter começado por um pequeno descuido. Deixar de orar. Deixar de meditar na Palavra. Desprezar a intimidade com o Senhor. Descuidar a comunhão com os irmãos. Expor-se à tentação. Ceder à tentação. É um processo lento, por vezes subtil, mas cujo fruto é sempre o mesmo – um distanciamento de Deus e o esfriar da fé.

Quando a aparente doçura do pecado se vai fica apenas a amargura. A Bíblia ensina que uma vida sem Deus é sem esperança (Ef.2:12). Quando não há esperança, não há futuro, e sem futuro apenas resta a angústia. Este é o fruto do pecado. Sempre. Um preço demasiado alto a pagar por rejeitar o Senhor.

Oh, se fossemos como crianças que buscam a presença do Pai logo que pressentem o seu afastamento. Mas, somos tardios e duros de coração. E, colhemos o fruto da nossa obstinação.

Mas, há boas novas para ti que estás longe. Se te voltares para Deus, e O buscares, achá-lo-ás (2Cr.15:4). Porque, enquanto estiveste longe, Ele sempre esteve perto. Por isso, vem! Vem como estás!

 

 

Sai da tristeza onde quer que estejas

Vem quebrantado pois há salvação

Há misericórdia, vem pecador

Pois não há dor que Deus não possa sarar (2x)

Deixa o teu fardo

Larga a vergonha

Vem quebrantado, olha p’ra Jesus

Tu que estás perdido

Vem, não estás longe

Deixa a tua dor, abre o coração

Vem como estás

Há esperança p’ra ti que andas sem direcção

Vem para a mesa, e prova da graça

Encontras descanso que durará

Pois não há dor que Deus não possa sarar

Vem como estás

Vem como estás

Para os Seus braços

Vem como estás

Há alegria no lugar de choro

Pois não há dor que Deus não possa sarar (2x)

( Come As You Are. (C) 2014 sixstepsrecords/Sparrow Records, Albúm Neon Steeple, by David Crowder)


NOTA: Esta reflexão é um preâmbulo à nova série: "Resolução 268", em breve aqui no AdCausam. Não percas!