Jesus, O rejeitado (parte 2 – os Gentios)

12.Dezembro :: Jesus, O rejeitado (parte 2 – os Gentios)

Já recebeste um presente inesperado? Um dia, sem justificação, sem pretexto, alguém chega perto de ti e dá-te um presente, apenas como prova do seu amor para contigo. É bom, não é? São os melhores presentes de todos, porque são a maior prova do amor sincero e genuíno do outro por nós.

O Messias era a promessa de Deus para o seu povo. No entanto, entretecida nas profecias está uma promessa de esperança para o mundo inteiro. O Messias seria o Redentor de toda a terra. E, seria o presente inesperado para um povo que não O buscava.

Fui buscado dos que não perguntavam por mim, fui achado daqueles que não me buscavam; a uma nação que não se chamava do meu nome eu disse: Eis-me aqui. Eis-me aqui. (Isaías 65:1)

A mensagem de esperança para os Gentios está presente desde sempre. Também eles sofrem com o pecado. Também eles estão debaixo da condenação. Também eles necessitam de um Redentor. Também eles são amados por Deus. A obra do Messias não beneficiaria apenas a Israel, mas, a todas as nações da terra. O Emanuel seria Deus Connosco, com todos os Homens. Que fantásticas notícias! Que bendita esperança! Que gloriosa Luz resplandece nas nossas trevas!

Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios.

Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na praça.

A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com verdade trará justiça.

Não faltará, nem será quebrantado, até que ponha na terra a justiça; e as ilhas aguardarão a sua lei.

Assim diz Deus, o SENHOR, que criou os céus, e os estendeu, e espraiou a terra, e a tudo quanto produz; que dá a respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela.

Eu, o SENHOR, te chamei em justiça, e te tomarei pela mão, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, e para luz dos gentios.

Para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas.

Eu sou o SENHOR; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura.

Eis que as primeiras coisas já se cumpriram, e as novas eu vos anuncio, e, antes que venham à luz, vo-las faço ouvir.

Cantai ao SENHOR um cântico novo, e o seu louvor desde a extremidade da terra. (Isaías 42:1-10)

Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra. (Isaías 49:6)

Muitos séculos mais tarde, João descreve de forma tão sublime no seu Evangelho, o cumprimento desta profecia:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

Ele estava no princípio com Deus.

Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.

E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.

Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele.

Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz.

Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo. (João 1:1-9)

Jesus, o Verbo Eterno, encarnou. O Messias veio ao mundo em trevas, e Ele era a Luz dos Homens. O próprio Jesus mais tarde afirmou isso mesmo:

Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. (João 8:12)

Todavia a reacção generalizada dos Homens à oferta de amor de Deus foi inimaginável. Os Homens amaram mais as trevas do que a Luz. Preferiram esconder o seu pecado nas trevas do que se livrarem dele na Luz. As nações rejeitaram o Messias.

Por que se amotinam os gentios, e os povos imaginam coisas vãs?

Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o SENHOR e contra o seu ungido, dizendo:

Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas. (Salmos 2:1-3)

Numa das mais pungentes profecias acerca do Messias, Isaías descreve como o Homem recebeu a oferta de amor de Deus. E, descreve porque razão o Deus Omnisciente enviou o Seu Filho para ser Messias.

Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do SENHOR?

Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos.

Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.

Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.

Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.

Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.

Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido.

E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca.

Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão.

Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si.

Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores. (Isaías 53:1-12)

Nem todos crerão. Mas, pelos que crêem Jesus se dispôs a entregar a sua vida.

Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te pus para luz dos gentios, A fim de que sejas para salvação até os confins da terra.

E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna. (Actos 13:47-48)

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O triunfo da Cruz!

Jesus veio com um propósito. A sua missão estava definida desde a eternidade. As dificuldades que encontrou foram muitas. Logo no início do seu Evangelho, João diz-nos que Ele, a vida e luz dos homens veio a um mundo em trevas, mas não foi compreendido. Chegou ao mundo que Ele criou, mas não foi reconhecido. Veio aos seus, e estes não O receberam. (Jo.1:1-11) Ao longo da sua vida foram muitos os momentos em que teve de confrontar-se com a dureza da missão e com tentações descaradas e ás vezes subtis de soluções mais fáceis para atingir aparentemente o mesmo fim.

Vemo-lo num dia de festa, um casamento, rodeado de amigos e familiares. Um momento improvável para um teste. A sua mãe aproxima-se e segreda-lhe: “O vinho acabou”. Com alguma dureza Jesus responde: “Mulher, que tenho eu contigo? A minha hora ainda não é chegada!” Mas quando, seguramente movido pela pena aos noivos, transformou água em vinho, lemos que os seus discípulos creram nele.

Mais tarde, desviou-se do caminho habitual para se sentar na beira de um poço, na hora do calor mais duro, para se encontrar com alguém que precisava de ajuda. Conversou longamente com esta mulher samaritana, até que ela sai correndo de volta à cidade, chamando a todos e dizendo: “Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito: porventura não é este o Cristo?”

E muitos mais creram nEle por causa da sua palavra.

Quando um dia Jesus ensinava uma grande multidão, compadeceu-se deles e tomando alguns pães e peixes alimentou a todos até que ficassem satisfeitos. Entre a multidão ouvia-se: “Este é evidentemente o profeta que havia de vir ao mundo”. E queriam faze-lo rei. Quando no dia seguinte Jesus viu que ainda o seguiam disse-lhes: “Não me buscais pelos sinais que vistes, mas porque comestes e vos saciastes.” E muitos viraram costas e O abandonaram.

A notícia chegou deixando todos constrangidos. Um dos melhores amigos de Jesus tinha morrido. Lázaro estava morto. Jesus comoveu-se. Chorou. Mas quando se pôs diante do sepulcro onde o morto jazia há 4 dias e o chamou pelo nome, Lázaro saiu para fora. Muitos creram nele.

A novidade espalhou-se como fogo em terra seca, e quando Jesus chega a Jerusalém uma semana antes da Páscoa é recebido por uma multidão em êxtase, gritando e dançando nas ruas, trazendo folhas de palmeira e aclamando: “Bendito o rei de Israel, que vem em nome do Senhor”.

Na mente de todos ecoava uma certeza: MISSÃO CUMPRIDA! Na de todos, menos na de Jesus. Nada fazia prever que menos de uma semana depois Jesus se deixaria prender sem motivo, se submetesse a um julgamento ilegal, com acusações falsas, suportasse os castigos, o chicote, os murros, as cuspidelas, os insultos, as blasfémias, tomasse uma cruz que não era sua, e estivesse agora ali, no topo do Calvário suspenso entre o céu e a terra, desfigurado pela dor dos cravos e do chicote, e da ira do Pai.

Teria sido fácil para Jesus levantar multidões atrás de si. Era Ele que podia satisfazer todas as necessidades, falar ao mais profundo da alma, extinguir a fome no mundo, curar todas as doenças e até ressuscitar mortos. Ninguém lhe resistiria. Mas não foram esses problemas que Ele veio primariamente a resolver, mas um mais grave do que estes. O PECADO.

Jesus disse: “Eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum se perca. Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna” (Jo.6:38-40)

Quando muitos já desciam o monte cabisbaixos e derrotados, pensado que tudo estava acabado, Jesus há quase 6 horas na cruz, reúne as suas forças,e solta um brado que ressoa. O que Ele disse era improvável, estranho, e contra tudo o que se podia esperar: ESTÁ CONSUMADO! Este não foi um queixume derrotista nem um lamento. Não foi um: “está tudo acabado” “é o fim” “não posso mais”. Das 7 vezes que Jesus falou na cruz, apenas em duas ocasiões ele “clamou com alta voz”. Um destes gritos foi de desespero e abandono: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” O outro de absoluto triunfo: “Está consumado!” Os dois momentos decisivos: o suportar do castigo e a vitória! Estava tudo feito. A missão foi levada até ao fim. Não era preciso acrescentar mais nada. Todas as profecias a respeito do Messias estavam cumpridas. Está consumado. Todo o trabalho que o Pai lhe deu a fazer estava feito. Está consumado. A expiação pelos pecados realizada. Está consumado. A possibilidade de perdão eterno. Está consumado. O poder do pecado anulado. Está consumado. A morte vencida. Está consumado. Satanás derrotado para sempre. Está consumado. A vida eterna. Está consumado.

Muitos séculos antes Isaías, o profeta, escreveu a respeito do Cristo: “Quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão. O trabalho da sua alma verá, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos: porque as iniquidades deles levará sobre si.” (Is.53:10-12)

Imagino Jesus exausto, no limite das suas forças. A separação do Pai era dor insuportável. E o castigo. Os cravos. Os insultos. A incompreensão. Mas perto do fim Ele ergue o seu olhar e vê mais além, onde só Ele podia ver. São muitas caras. De todas as tribos, povos, línguas e nações. Tantas que são uma multidão. Tantas que ninguém pode contá-las. Mas Ele conhece a todos pelo nome. Vê-me também a mim. E a ti. E ficou satisfeito.

E no limite daquilo que podia suportar, ergue-se sobre os cravos e solta o brado final: ESTÁ CONSUMADO!

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“E no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado, e algumas outras com elas. E acharam a pedra revolvida do sepulcro. E, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus. E aconteceu que, estando elas muito perplexas a esse respeito, eis que pararam junto delas dois homens, com vestes resplandecentes. E, estando elas muito atemorizadas, e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galiléia, Dizendo: Convém que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia ressuscite.

E lembraram-se das suas palavras.”

(Lucas 24:1-8)