Liberdade ou Mandamentos? :: Devocional

26.Mar :: Provérbios 13:13

“O cigano foi-se confessar; mas o padre, precavido, começou por interrogá-lo sobre os mandamentos de Deus. Ao que o cigano respondeu: «Olhe, senhor padre, eu ia aprender isso, mas depois ouvi um zum-zum de que tinha perdido o valor». (…) Todo o mundo – nações, indivíduos – está desmoralizado. Durante uma temporada, esta desmoralização diverte e até vagamente ilude. Os inferiores pensam que lhes tiraram um peso de cima. Os decálogos conservam do tempo em que eram inscritos sobre pedra ou bronze oseu carácter de pesadume. A etimologia de mandar significa carregar, pôr em alguém algo nas mãos. Quem manda é, sem remissão, quem tem o encargo. Os inferiores do mundo inteiro já estão fartos de que os encarreguem e sobrecarreguem, e aproveitam com ar festivo este tempo de pesados imperativos. Mas a festa dura pouco. Sem mandamentos que nos obriguem a viver de um certo modo, fica a nossa vida em pura disponibilidade. Esta é a horrível situação íntima em que se encontram já as melhores juventudes do mundo. De puro sentir-se livres, isentas de entraves, sentem-se vazias. Uma vida em disponibilidade é maior negação que a morte. Porque viver é ter que fazer algo determinado – é cumprir um encargo –, e na medida em que iludamos pôr em algo a nossa existência, desocupamos a nossa vida. Dentro em pouco ouvir-se-á um grito formidável em todo o planeta, que subirá, como uivo de cães inumeráveis, até as estrelas, pedindo alguém e algo que mande, que imponha um afazer ou obrigação.” Ortega y Gasset, in ‘A Rebelião das Massas’

  1. Como defines liberdade?
  2. Achas que os Mandamentos de Deus são um entrave à melhor expressão da tua liberdade?
  3. Se achas os Mandamentos importantes, como avalias o teu desempenho na sua aplicação na tua vida?

Um na Multidão

Há algum tempo atrás os telejornais passaram uma notícia chocante: um homem sem-abrigo que tentou defender uma senhora que estava a ser assaltada foi agredido e acabou por morrer na rua. As muitas pessoas que passaram pelo seu corpo inanimado desviavam-se  ao largo e seguiam indiferentes. Em resultado disso, o corpo daquele homem esteve caído no passeio durante várias horas sem ninguém sequer chegar perto.

A multidões são assim, indiferentes e despreocupadas com a condição do indivíduo. Por isso, a voz da multidão nem sempre é a voz da razão. Jesus tinha normalmente grandes multidões seguindo-O. Apesar disso o seu interesse mantinha-se focado no indivíduo. Em Marcos 2:13,14 encontramos o relato de um desses encontros inesperados. Há três coisas que despertam a minha atenção:

1. Na multidão não há espaço para o indíviduo, mas Deus conhece-nos no meio da multidão.

Rodeado de gente, Jesus pára, olha para um homem, e desafia-o: “Segue-me!” Porquê ele e não outro? Porquê um que nem sequer estava a caminhar com ele. Porque no meio de toda aquela multidão a necessidade de Levi não passou despercebida a Jesus.

2. O meu passado não é impedimento para Deus, e o apelo de Cristo é simples.

Levi era um homem declaradamente pecador. Era considerado um traidor à sua pátria por cobrar impostos para Roma. E ladrão, por ser desonesto nas suas cobranças. Mas, ele tinha um anseio por mudança e o seu passado não o desqualificou. E aquilo que lhe foi pedido foi simples e acessível. O primeiro passo da vida cristã é a fé, o arrrependimento, a confissão de pecados, a confissão de Jesus Cristo como Salvador pessoal e Senhor, e isto, é acessível a todos. Ricos e pobres. Poderosos e oprimidos. Novos e velhos. Eruditos ou iletrados. O poder para a mudança vem depois.

3. Deus exige mudança nos que O seguem.

Primeiro, Levi levantou-se. Compreendeu que era para ele o apelo que tinha sido feito. Entendeu aquele momento como definidor de todo o seu futuro. Sentiu-se amado. Conhecido. Há muitas pessoas que reagem assim perante a Palavra de Deus. Gostam de ouvir. Sentem-se confortadas. Mas, isso não chega. Não foi por ficar de pé que Levi se salvou. A atitude decisiva foi quando resolveu seguir a Cristo. Obediência. Mudança de rumo. Deixar para trás a vida velha. Estes são os sinais de um verdadeiro arrependimento e conversão. Nunca mais Levi se sentou na colectoria para cobrar impostos. Agora, Ele era um homem novo, um discípulo de Jesus Cristo.

Deus lança o mesmo apelo para ti: Segue-me! Que vais tu fazer?

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Peregrinação do coração

Durante a sua peregrinação para o templo a fim de oferecer sacrifícios ao Senhor, os israelitas entoavam um conjunto de cânticos que ficaram conhecidos como os “Cânticos dos degraus”. Podemos encontrá-los no livro dos Salmos. A maioria desses cânticos exaltavam a grandeza do Senhor, na sua Santidade e na sua capacidade de defender o povo, ao mesmo tempo que colocavam o adorador numa posição de humildade.

Embora não sejamos convocados pelo Senhor a realizar uma peregrinação a algum lugar santo, necessitamos, do mesmo modo, de preparar os nossos corações para nos encontrarmos com Deus. Uma peregrinação do coração.

Um desses Salmos, o 123, ensina-nos a levantar os olhos – isto é, todo o nosso ser: mente, coração, espírito, as nossas expectativas e anseios – para olhar para o Senhor, o Santo que habita nos céus, e depositar nele toda a nossa confiança. Olhar com olhar de servo. O olhar do servo é determinado pelo entendimento que ele tem do seu senhor. A mão do senhor representa o poder e a capacidade dele. É uma mão que:

  1. Dirige.
  2. Provê.
  3. Assiste.
  4. Protege.
  5. Corrige.
  6. Recompensa.

Perante tal Senhor, como deve ser o nosso olhar? Certamente um cheio de temor, não por medo irracional, mas por reverência santa perante aquele que pode perdoar pecados. Expectativa por saber o que Ele tem reservado para nós. Confiança total na Sua capacidade de levar o Seu propósito até ao fim. E, por fim, obediência à vontade soberana dAquele que nos dá todas as coisas.

Chegando com o coração assim preparado à presença do Senhor, não voltaremos vazios. Receberemos da Sua abundância Graça e Misericórdia para prosseguir.

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