Crer como criança

Os meus filhos são, na minha vida,  a parábola viva do que Jesus ensinou: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.” (Mateus 18:3)

crianca

Ontem, durante o jantar, surgiu a incómoda pergunta: “O que acontece às pessoas quando morrem?” Eu e S. gostamos de esclarecer os nossos filhos e, com a simplicidade necessária, oferecemos a explicação.

Quando falava sobre o Céu e o inferno eles prestaram muita atenção. Expliquei que quem não se arrepende dos seus pecados vai receber o castigo de Deus, mas quem se arrepende e crê no Senhor Jesus como Salvador vai para o Céu.

O J. interrompe subitamente e diz: “Posso sair da mesa para ir ao meu quarto orar?” Saiu apressado e foi confessar os seus pecados a Deus. Voltou radiante e aliviado por estar em paz com Deus.

A simplicidade do Evangelho encontra terreno fértil na simplicidade do coração das crianças. Quando crescemos, o insidioso pecado contamina todo o nosso ser, e o Evangelho torna-se, aos nossos olhos castrador e repugnante. Resistimos a Deus porque amamos mais o pecado. Enxovalhamos o Evangelho porque queremos reivindicar o nosso direito ao Céu. Adiamos o arrependimento porque temos coisas mais importantes a fazer primeiro. No fim, perdemos tudo.

Leite com “cocholate”

O nosso filho J. é um tagarela! Mal acorda de manhã é já está a debitar mil palavras por minuto! 🙂 Às vezes até dá para uma pessoa, que ainda está meia a dormir, ficar zonza. A nossa rotina das manhãs é sempre a mesma. Levantar. Casa de banho. Pequeno-almoço. Biberão para a Né. Leite achocolatado para o J..

E todos os dias a conversa é a mesma 🙂 :

“Papá, Mamã, eu gosto muito de cocholate, pois gosto?”

“Sim, filho.”

“Vou beber o meu leitinho com cocholate, que eu gosto muito!”

“Sim.”

“Papá, Mamã, tu gostas do meu cocholate, gostas?”

“Gosto, filho.”

Hoje o alvo do interrogatório foi a Mamã. 🙂

“Tu gostas do meu cocholate, pois é Mamã? Queres beber do meu cocholate? Queres?”

“Não, filho. Não me apetece.”

“Não?!?”

O ar de espanto que ele faz é impagável. Na cabecinha dele, dizer e fazer são indissociáveis. Se gostamos de cocholate, bebemos leite com cocholate. É assim a simplicidade das crianças. Nós, adultos, é que temos tendência para a hipocrisia. Dizer e fazer são duas coisas muitas vezes inconciliáveis. Isso traz grande prejuízo no nosso relacionamento uns com os outros, e é fatal no nosso relacionamento com Deus.

“Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim.” Mateus 15:8

 

 

Bolinhas de sabão

“Jesus chamou a si as crianças e disse: “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas.” Lc.18:16

Ver os meus filhos a brincar com bolinhas de sabão fez-me pensar na simplicidade da felicidade. Nós, adultos, vivemos tão obcecados com a nossa busca por satisfação pessoal, que andamos sempre preocupados e ansiosos.  É o carro. A casa. As férias. Os telemóveis. O plasma. As roupas. A carreira. O status. Ao centrarmos a busca pela felicidade nas coisas, deixamos escapar a fórmula mais básica e satisfatória de felicidade, a simplicidade.

Tal como Jesus ensinou temos muito a aprender com as crianças:

– a simplicidade em confiar

– a simplicidade em pedir

– a simplicidade em receber

– a simplicidade em nos deslumbrarmos