Como Zaqueu

A história de Zaqueu (Lucas 19:1-10) é ensinada às crianças na Escola Dominical por causa da sua simplicidade e também, porque não admiti-lo, pelo seu quê de cómico. Imaginar um homem de referência na sociedade, rico, empertigado, a empoleirar-se numa árvore é no mínimo caricato e inesperado. Mas, este episódio não pretende entreter-nos. Com ele aprendemos muitas coisas acerca do Homem, de Deus, e de como chegar a Ele.

Do Homem aprendemos que na maioria das vezes se move por interesses e paixões. A sua vontade é volátil e o seu foco está na multidão. Estar com a multidão não significa estar perto da verdade. A multidão é amorfa e reage com indiferença às necessidades individuais.

De Deus aprendemos que não busca a aprovação das multidões. O Seu foco está no indivíduo, nas suas necessidades reais e não na “benção-espectáculo”. Ele conhece a cada um pelo nome e busca cada um individualmente.

Com Zaqueu, um homem declaradamente pecador – era desonesto e ladrão – aprendemos o caminho para a salvação.

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O poder do Colo

Nestes últimos dias tenho estado ocupado a cuidar dos doentes cá de casa. A I. e depois o J. ficaram febris e muito abatidos com um vírus que teima em não dar tréguas. Ontem, quando as coisas pareciam estar melhores regressaram à escola. Eu mal tinha chegado ao consultório e já me ligavam a dizer que eles não estavam bem. Voltei para trás para buscá-los. Quando chegamos a casa eu e a S. pusemos os dois a dormir a sesta. Depois de acordarem ninguém diria que estavam doentes. Estavam tão felizes por estar em casa com os papás que o único remédio de que precisaram foi o colinho bom que só os pais sabem dar! 🙂 Enquanto os via na brincadeira pensava para comigo que o colo é muitas vezes o único remédio que nos faz falta.

Acho esta imagem poderosíssima! A expressão apreensiva e desligada das crianças contrasta com a suavidade e meiguice do toque materno e o seu olhar consolador.

Momentos difíceis teremos sempre. A vida não é como nós queremos. Mas, não temos de enfrentar essas dores e dificuldades sozinhos. Há um Pai, sempre pronto a dar-nos colo. Ele compadece-se de nós. E a sua mão está sempre estendida para nos confortar. Muitas vezes o que nos falta é procurar esse lugar de conforto e segurança e deixar-mo-nos ficar, até estarmos restaurados.

“Como pastor apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço; as que amamentam guiará suavemente.” Isaías 40:11

Um na Multidão

Há algum tempo atrás os telejornais passaram uma notícia chocante: um homem sem-abrigo que tentou defender uma senhora que estava a ser assaltada foi agredido e acabou por morrer na rua. As muitas pessoas que passaram pelo seu corpo inanimado desviavam-se  ao largo e seguiam indiferentes. Em resultado disso, o corpo daquele homem esteve caído no passeio durante várias horas sem ninguém sequer chegar perto.

A multidões são assim, indiferentes e despreocupadas com a condição do indivíduo. Por isso, a voz da multidão nem sempre é a voz da razão. Jesus tinha normalmente grandes multidões seguindo-O. Apesar disso o seu interesse mantinha-se focado no indivíduo. Em Marcos 2:13,14 encontramos o relato de um desses encontros inesperados. Há três coisas que despertam a minha atenção:

1. Na multidão não há espaço para o indíviduo, mas Deus conhece-nos no meio da multidão.

Rodeado de gente, Jesus pára, olha para um homem, e desafia-o: “Segue-me!” Porquê ele e não outro? Porquê um que nem sequer estava a caminhar com ele. Porque no meio de toda aquela multidão a necessidade de Levi não passou despercebida a Jesus.

2. O meu passado não é impedimento para Deus, e o apelo de Cristo é simples.

Levi era um homem declaradamente pecador. Era considerado um traidor à sua pátria por cobrar impostos para Roma. E ladrão, por ser desonesto nas suas cobranças. Mas, ele tinha um anseio por mudança e o seu passado não o desqualificou. E aquilo que lhe foi pedido foi simples e acessível. O primeiro passo da vida cristã é a fé, o arrrependimento, a confissão de pecados, a confissão de Jesus Cristo como Salvador pessoal e Senhor, e isto, é acessível a todos. Ricos e pobres. Poderosos e oprimidos. Novos e velhos. Eruditos ou iletrados. O poder para a mudança vem depois.

3. Deus exige mudança nos que O seguem.

Primeiro, Levi levantou-se. Compreendeu que era para ele o apelo que tinha sido feito. Entendeu aquele momento como definidor de todo o seu futuro. Sentiu-se amado. Conhecido. Há muitas pessoas que reagem assim perante a Palavra de Deus. Gostam de ouvir. Sentem-se confortadas. Mas, isso não chega. Não foi por ficar de pé que Levi se salvou. A atitude decisiva foi quando resolveu seguir a Cristo. Obediência. Mudança de rumo. Deixar para trás a vida velha. Estes são os sinais de um verdadeiro arrependimento e conversão. Nunca mais Levi se sentou na colectoria para cobrar impostos. Agora, Ele era um homem novo, um discípulo de Jesus Cristo.

Deus lança o mesmo apelo para ti: Segue-me! Que vais tu fazer?

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Um na Multidão está arquivado em Pregações. (audio disponível)

Da boca das crianças

Ontem assisti a uma reportagem na TV que procurava mostrar o mundo pelos olhos das crianças. Muito interessante! A dada altura falava-se sobre Deus e de “onde vinham as pessoas”. Uma das crianças pensou e um pouco embaraçada disse: “As pessoas dizem que os homens vêm dos macacos (…) Hummm (…) Mas eu não sei se é bem assim. ” – exclamou com um ar muito desconfiado!

“Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?” Mateus 21:16

Poema para Deus

Hoje fui surpreendido pela oferta de um irmão de uma congregação que visitei recentemente. Este irmão, convertido há cerca de 3 anos, verte para poemas aquilo que o Senhor lhe vai ensinando. Veio trazer-me este poema que fez com base na mensagem que preguei naquele dia – Série: Enfrentar a Crise.

Baseado na Fé

Pela fé dentro do templo orou Josafat,
Ali oraram e jejuaram por muito tempo,
Estava ali reunido todo o povo de Judá,
Esperando resposta a qualquer momento.

 

Porque grande exército os queria destruir,
Por este motivo oraram ficando de pé,
Sabiam que os seus inimigos haviam de vir,
Foi por isso que Deus respondeu pela fé.

 

Então desceu no meio da congregação,
Falou a Jaaziel O Espírito do Senhor,
Dizendo, escutai todos com atenção,
Não vos assusteis nem tenhais temor,

 

Pois a batalha é de Deus e não vossa,
Vão ao encontro dos vossos inimigos,
Contra vós não há ninguém que possa,
Na vossa chegada os encontrareis vencidos.

 

Chegando eles nem pelas armas puxaram,
Porquanto Deus os tinha confundido,
Entre eles uns aos outros se mataram,
Pelo plano de Deus este povo foi vencido.

 

A fé em Deus deu-lhes esta grande vitória,
Josafat nem sequer tinha o exército preparado,
Isto foi escrito para ficar na nossa memória,
Que pela fé Deus permaneceu do seu lado.

 

Vemos que pela fé tudo podemos vencer,
Bom é termos sempre Deus do nosso lado,
De qualquer forma nada temos a perder,
Para quem O ama Ele nunca está ocupado.

 

Sigamos todos este grande exemplo de fé,
Sejam quais forem as nossas preocupações,
Firmes em Deus ficaremos sempre em pé,
Sem nada temer no meio das multidões.

Por: António Augusto de Almeida, IEAlgeriz, 20.10.2010