A juventude e as cãs :: Devocional

21.Abr :: Provérbios 20:29

Deus ensina-nos que há um tempo e uma estação própria para tudo. Contudo, é frequente ouvirmos as pessoas manifestarem a sua insatisfação porque gostavam de viver noutro tempo. Os jovens querem ser mais velhos para poderem ter acesso a coisas que ainda lhes são vedadas. Os velhos quer voltar atrás no tempo a uma época em que ainda tinham vigor.

Deus ensina-nos a aproveitar bem e a viver todo o potencial de cada fase da vida. A força e as cãs (os cabelos brancos) são a nossa glória – motivo de orgulho – em diferentes momentos da vida. A força e vitalidade do jovem permite-lhe explorar, empreender, arriscar e aprender. A experiência do ancião permite-lhe encarar a vida com tranquilidade, sabedoria, maturidade e coração resolvido.

Em suma, pára de te lamentar e goza ao máximo o momento presente que Deus te concede. Cada um deles é cheio de oportunidades para desfrutares do Amor de Deus e gozares a vida que Ele coloca diante de ti.

  1. Consideras-te uma pessoa insatisfeita? Porquê?
  2. Aprender a aceitar a tua condição, digo aceitar e não acomodar, é o ponto de partida para cresceres e seres feliz, independentemente das circunstâncias. Pede a Deus que mude o olhar que tens sobre ti e as tuas circunstâncias, e te ajude a ver, reconhecer e experimentar as oportunidades de vida que Ele coloca diante de ti.

Este mundo não é para velhos!

Ontem foi amplamente noticiado em todos os media que o número de idosos abandonados pelas famílias nos serviços de saúde e de prestação de cuidados sociais tem aumentado grandemente no último ano. A justificação imediata é a malfadada crise.

No entanto, as dificuldades financeiras não podem justificar tais atitudes. A falta de dinheiro não explica a falta de amor, de respeito, de dedicação, da honorabilidade devida a quem dedicou a vida a fazer de nós aquilo que somos. Não explica por que não se visitam os pais que estão nos lares de acolhimento. Não explica a “terapia do silêncio” a que muitos estão sujeitos mesmo em suas casas. Não explica os abusos físicos, emocionais e psicológicos a que são submetidos.

A degradação do conceito de família em muito tem contribuído para este estado de coisas. Hoje há famílias para todos os gostos: as tradicionais, monoparentais, partilhadas, remix,  em regime de visita, monossexuais. Quando não é possível ter uma estrutura elementar de organização familiar estável e sadia, onde seja possível ensinar valores de respeito pela vida humana, não podemos esperar que haja comportamentos que dignifiquem a família.

A sociedade olha para os mais velhos como um estorvo. Não servem para trabalhar, e no entanto, têm uma vastíssima experiência profissional adquirida. Não servem para aconselhar, porque apesar da vida os ter feito sábios são tidos como incapazes de perceber as novas realidades. Não servem para educar, porque não se encaixam nos novos modelos de família. E, quando finalmente começam a precisar de cuidados, são lançados fora como “coisas” inúteis.

Que perversão dos propósitos divinos!

“Diante das cãs te levantarás, e honrarás a face do ancião; e temerás o teu Deus. Eu sou o SENHOR.” (Levítico 19:32)

“A glória do jovem é a sua força; e a beleza dos velhos são as cãs.” (Provérbios 20:29)

Se hoje ensinamos pela prática os nossos filhos que é legítimo tratar assim os velhos e os pais, como esperamos que eles nos mostrem o respeito que lhes exigimos? E, como arrazoaremos com eles amanhã quando nos fizerem o mesmo, ou pior?