A Cruz de Cristo

“… a cruz a tudo transforma. Ela dá um relacionamento novo de adoração a Deus, uma compreensão nova e equilibrada de nós mesmos, um incentivo novo para a nossa missão, um novo amor para com os nossos inimigos e uma nova coragem para enfrentar as perplexidades do sofrimento.”

John Stott em “A Cruz de Cristo” (1986)

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A Cruz de Jesus

“Quando Jesus veio à terra, Ele sabia que vinha para morrer; ouve o Mestre quando explicava as Escrituras àqueles discípulos cabisbaixos na estrada para Emaús. “Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória?” perguntou ele (Lucas 24:26). A cruz era uma missão divina, não um acidente humano; era uma obrigação dada por Deus, não uma opção humana. Mais tarde nessa mesma noite, Jesus aparece aos onze apóstolos e diz, “Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos” (Lucas 24:46). Jesus não foi assassinado; Ele voluntariamente deu a Sua vida pelas Suas ovelhas (João 10:15-18). A Sua morte era uma necessidade no plano eterno de Deus.”

Warren W. Wiersbe em “The Cross of Jesus – What His Words From Calvary Mean For Us“, © 1997 Publicado por Baker Books

Jesus, o esmagador da serpente :: Devocional

3.Dezembro :: Jesus, o esmagador da serpente

No mundo perfeito criado por Deus entrou o Perturbador. Adão e Eva, criados à imagem e semelhança de Deus, para com Ele se relacionarem, receberam o mais precioso de todos os dons: a liberdade. Não era por imposição ou obrigação que amavam o Senhor, mas por escolha. Assim como foi por escolha que decidiram dar ouvidos a Satanás e desobedecer ao Criador.

A desobediência trouxe consequências catastróficas para a Humanidade. Pecado. Morte. Perda de comunhão. Vergonha. Ira. Castigo. Mas, na desolação do fracasso do Homem, Deus traz uma promessa de Redenção.

“Então o SENHOR Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida.

E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Génesis 3:14,15)

O triunfo do perturbador Satanás, arruinando a Criação perfeita de Deus, não era a palavra final. A serpente seria esmagada – o diabo vencido. E, por quem? Pela semente da mulher. Uma promessa tão misteriosa que era ainda difícil de discernir. Mas, eis que 4000 anos depois,

“Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,

Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.

E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.

Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo.” (Gálatas 4:4-7)

A promessa do Éden cumpre-se em Jesus Cristo, e, de uma forma absolutamente gloriosa. Ele veio remir-nos, isto é, libertou-nos da dívida que tinhamos para com a justiça de Deus por causa do nosso pecado. E, por causa dEle, podemos ser acolhidos por Deus como filhos e herdeiros. Que mudança! De criaturas caídas a filhos de Deus!

O plano de Satanás foi frustrado pelo coração amoroso, compassivo, misericordioso e justo de Deus, que se dispôs a sacrificar o Seu próprio Filho para resgatar o Homem que O rejeitou no Éden. A serpente foi esmagada, e o Filho de Deus ferido.

“Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.

E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.” (Colossenses 2:14,15)

Foi por Amor de mim e de ti…

Seis horas

A noite correu tenebrosa e agitada. Uma inquietação varreu a cidade, que amanheceu eufórica. A procissão até Pilatos. Depois Herodes. Pilatos de novo. A turba engrossava enchendo as ruas. Os rostos fechados. Os olhares destilando ódio. As vozes histéricas, que uma semana antes cantavam: “Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor!”, agora vociferavam palavras de desprezo e rejeição: “Crucifica-O! Crucifica-O!” (Mt.27:1-26; Mc.15:1-15; Lc.23:1-25; Jo.18:28-40; Jo.19:1-16)

O horror da noite anterior cresce. Um julgamento pré-arranjado, injusto, parcial, ilegal. As punições físicas que levam o Seu corpo aos limites. O rosto desfigurado. As costas rasgadas. O peso da cruz, insuportável. A  caminhada solitária para a morte. (Mt.27:27-37; Mc.15:16-24; Lc.23:26-33)

Nas prisões, quando um condenado à morte vai a caminho da sua execução ouve-se o maldito refrão: “Dead man walking!” – homem morto passando. Era assim que todos O viam.

Os Seus sofrimentos culminam no Gólgota. As seis horas mais negras e gloriosas da história da Humanidade. Porque demonstram toda a fealdade do pecado no coração do Homem. Porque provam o Amor Sublime de Deus por aqueles que O rejeitam. Ali, pendurado entre o Céu e a Terra, Jesus começa o Seu papel de grande Mediador entre Deus e os Homens. (Mt.27:38-54; Mc.15:25-39; Lc.23:34-48; Jo.19:17-37)

Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem!” (Lc.23.34) – Ele é o Intercessor, e estende perdão aos contritos.

Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.” (Lc.23:43) – Ele é quem pode conduzir o Homem a Deus e garantir a sua aceitação perante o Santo.

“Mulher, eis aí o teu filho. Eis aí a tua mãe. Ele cuidará de ti .” (João 19:26,27) – Ele é a fonte, a base, e a garantia do Amor e da perfeita comunhão.

“Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste.”  (Mateus 27:46) – Ele pagou a penalidade que nós merecíamos pelo nosso pecado. Desamparado, para poder amparar-nos.

Tenho sede.” (João 19:28) – Ele é o perfeito Homem, que tendo padecido todas as coisas, como nós, pode compadecer-se perfeitamente da nossa miséria e lutas.

Está consumado.” (João 19:30) – Ele satisfez a justiça de Deus. Venceu o pecado. Venceu Satanás. Venceu a Morte.

Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.” (Lucas 23:46) – Ele cumpriu a vontade do Pai até ao fim, e a Sua obra agradou-Lhe em tudo.

A Terra reagiu violentamente à morte do Seu Criador. Revolveram-se as suas entranhas perante o horror da cruz. O universo apagou-se. As trevas encheram o mundo. Os homens que abandonam o Gólgota batem no peito e choram: “Este verdadeiramente era o Filho de Deus!” (Mt.27:54; Mc.15:39; Lc.23:47-48)

Matámos o Filho de Deus. E agora?

(continua→)

Lugar de comunhão

7 Palavras da Cruz :: João 19:25-27

É difícil imaginar o que sentiria Jesus nesta hora. Que turbilhão de sentimentos invadia o seu coração. Os acontecimentos precipitaram-se rapidamente. Há algumas horas atrás Ele estava à mesa com os discípulos, em comunhão suave. Mas, ao ser preso, todos O abandonaram. Ficou só nas mãos dos seus acusadores. Pedro ainda o seguiu de longe, apenas para O negar três vezes. O olhar que trocaram no Sinédrio não foi tanto de reprovação, mas de tristeza e coração partido. Estava só, todos O abandonaram.

Depois, uma noite de julgamento carregado de mentiras e falsas acusações. De escárnio. De violência. Murros. Bofetadas. Cuspidelas. Açoites. Humilhação sobre humilhação. E, Ele sofreu em silêncio. E, só. Todos O abandonaram. Pela manhã, desfigurado pela violência animal a que foi sujeito, foi forçado a carregar uma cruz que não era Sua. Ao percorrer as ruas de Jerusalém, a multidão eufórica acotovelava-se para O ver. As mulheres gritavam e choravam. Outros cuspiam-Lhe. Insultavam-nO. Creio que escondidos nessa massa amorfa de gente estavam os discípulos. Incógnitos. Medrosos. Espreitando entre as cabeças. Ele, no entanto, caminhava dolorosamente só. Todos O abandonaram.

Chegado ao alto do Calvário, o lugar da Caveira, lugar de morte e vergonha, foi suspenso naquela cruz maldita. No meio da dor ainda foi capaz de estender perdão, promessas de Paraíso. Mas, ali, naquela cruz do meio, estava o lugar mais solitário de todos. É então que tudo muda.

Espreitando pelos olhos semicerrados pelos murros e pelo sangue que escorria da Sua fronte, Ele vê-os. Quatro mulheres. Um discípulo. Aquele que Ele amava. Posso somente imaginar o conforto que Jesus terá sentido naquela hora. Afinal, não estava só. O Amor tinha-os atraído a Si. O Amor venceu as barreiras do medo, da vergonha, do sofrimento. Nasce a comunhão!

“Mulher, eis aí o teu filho.”

“Eis aí a tua mãe.” (João 19:26,27)

Jesus reúne forças para fazer um estranho pedido. Os seus irmãos poderiam cuidar da Sua mãe. Talvez até ficassem incomodados com esta vontade final de Jesus. Mas, Ele celebrava outra coisa. Celebrava o triunfo da comunhão sobre a vergonha, o medo e a dor da cruz. O Amor incondicional de Cristo levou-O a oferecer-Se como sacrifício pelos pecadores. O Amor conduziu-O ao sofrimento. Mas, o sofrimento não era a palavra final. A cruz não era o fim, e sim o começo! O começo de uma nova era. Jesus, não queria que na mente de Maria, de João e dos outros ficasse a imagem de ignomínia da Cruz. A Cruz era triunfo. Ali nascia a comunhão perfeita. O Amor que vence todas as barreiras. “Fiquem juntos”, disse Jesus. O Amor manifestado entre eles seria a preservação da comunhão. Comunhão entre eles. Comunhão com Cristo.

Desde essa hora, o discípulo a tomou em sua casa.” (Jo.19:27)

A obediência de João preserva a comunhão nascida na cruz, e produz fruto. A comunhão sempre produz fruto. Imagino estas duas pessoas – as mais próximas de Jesus – em casa – a mesma casa – recebendo amigos, vizinhos, e estranhos e a falarem-lhes de Jesus. Da Cruz. Da Ressurreição! Do Amor. Dos sofrimentos. Da comunhão.

“Junto à cruz…” ´e lugar de comunhão. De afectos. De Amor provado. É um lugar difícil. De negação pessoal. De risco. Mas, maravilhosamente, já não é lugar de vergonha, de morte, incompreensão ou fracasso. É lugar de vitória! Vitória do Amor que está disposto a morrer em favor daqueles que Ama para ganhar uma comunhão que não pode ser anulada, diminuída ou destruída, e que dá fruto agradável a Deus.

E tu, onde estás?