Seis horas

A noite correu tenebrosa e agitada. Uma inquietação varreu a cidade, que amanheceu eufórica. A procissão até Pilatos. Depois Herodes. Pilatos de novo. A turba engrossava enchendo as ruas. Os rostos fechados. Os olhares destilando ódio. As vozes histéricas, que uma semana antes cantavam: “Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor!”, agora vociferavam palavras de desprezo e rejeição: “Crucifica-O! Crucifica-O!” (Mt.27:1-26; Mc.15:1-15; Lc.23:1-25; Jo.18:28-40; Jo.19:1-16)

O horror da noite anterior cresce. Um julgamento pré-arranjado, injusto, parcial, ilegal. As punições físicas que levam o Seu corpo aos limites. O rosto desfigurado. As costas rasgadas. O peso da cruz, insuportável. A  caminhada solitária para a morte. (Mt.27:27-37; Mc.15:16-24; Lc.23:26-33)

Nas prisões, quando um condenado à morte vai a caminho da sua execução ouve-se o maldito refrão: “Dead man walking!” – homem morto passando. Era assim que todos O viam.

Os Seus sofrimentos culminam no Gólgota. As seis horas mais negras e gloriosas da história da Humanidade. Porque demonstram toda a fealdade do pecado no coração do Homem. Porque provam o Amor Sublime de Deus por aqueles que O rejeitam. Ali, pendurado entre o Céu e a Terra, Jesus começa o Seu papel de grande Mediador entre Deus e os Homens. (Mt.27:38-54; Mc.15:25-39; Lc.23:34-48; Jo.19:17-37)

Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem!” (Lc.23.34) – Ele é o Intercessor, e estende perdão aos contritos.

Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.” (Lc.23:43) – Ele é quem pode conduzir o Homem a Deus e garantir a sua aceitação perante o Santo.

“Mulher, eis aí o teu filho. Eis aí a tua mãe. Ele cuidará de ti .” (João 19:26,27) – Ele é a fonte, a base, e a garantia do Amor e da perfeita comunhão.

“Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste.”  (Mateus 27:46) – Ele pagou a penalidade que nós merecíamos pelo nosso pecado. Desamparado, para poder amparar-nos.

Tenho sede.” (João 19:28) – Ele é o perfeito Homem, que tendo padecido todas as coisas, como nós, pode compadecer-se perfeitamente da nossa miséria e lutas.

Está consumado.” (João 19:30) – Ele satisfez a justiça de Deus. Venceu o pecado. Venceu Satanás. Venceu a Morte.

Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.” (Lucas 23:46) – Ele cumpriu a vontade do Pai até ao fim, e a Sua obra agradou-Lhe em tudo.

A Terra reagiu violentamente à morte do Seu Criador. Revolveram-se as suas entranhas perante o horror da cruz. O universo apagou-se. As trevas encheram o mundo. Os homens que abandonam o Gólgota batem no peito e choram: “Este verdadeiramente era o Filho de Deus!” (Mt.27:54; Mc.15:39; Lc.23:47-48)

Matámos o Filho de Deus. E agora?

(continua→)

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