A glória de Deus – parte III: Graça, Misericórdia e Juízo

Tenho três crianças pequenas em casa. A maior parte do tempo eles esforçam-se por afirmar a sua individualidade. A R., a mais pequena dos três, agora com 3 anos, anda há um ano a dizer: “Eu sou gande. Eu não sou pequenina, eu sou gande“. A sua necessidade de afirmação perante os irmãos mais velhos é tão forte que ela não tolera ser tratada como a bebé que é. Nesse esforço de afirmação pessoal as crianças estão muitas vezes na “fronteira da legalidade”. Algumas vezes descaradamente, outras com hábil subtileza, tentam ultrapassar os limites que lhes são impostos pelos pais. É neste fio de navalha que muitas vezes balança o processo educativo e formativo.

Os pais, como educadores que são, e amando os filhos com um amor incondicional, estabelecem limites e valores que sabem ser no melhor interesse das crianças. Estas, por seu lado, olham para esses limites como uma restrição intolerável à sua liberdade. Criança: “Mas, porque é que não me deixas estar? Nunca posso fazer nada“! Pai: “Porque correr em cima de um muro alto não me parece ser muito boa ideia!” A disciplina imposta pelos pais tem vários propósitos:

  1. Proteger o filho dos perigos. As crianças não são capazes de avaliar bem os perigos e consequências das suas acções. Por essa razão os pais proíbem determinados comportamentos para a sua segurança. Isto não é estragar a diversão. É uma prova de Amor.
  2. Garantir as melhores condições de desenvolvimento. Comer os vegetais, deitar cedo, tomar banho, ir à escola e fazer os TPC pode não parecer a melhor coisa do mundo, mas, um crescimento saudável só é possível quando fazemos estas coisas detestáveis. Esta também é uma prova de Amor.
  3. Preparar para o futuro. Ensinar a ser responsável, verdadeiro, bom amigo, confiável, humilde, paciente, perdoador, altruísta, compassivo, fiel exige um grande esforço educativo dos pais – por palavras e, mais importante, por exemplo. Mas, essa disciplina criará adultos equilibrados emocional e psicologicamente, capazes de amar o próximo, sábios em lidar com as frustrações e prontos a passar à geração seguinte os valores éticos e morais que receberam dos seus pais.

Deus também revela o Seu carácter e as suas intenções para nós quando nos disciplina. Quando falo de disciplina não quero significar a dimensão correctiva e/ou punitiva da acção. Disciplinar é muito mais do que isso. É ensinar e instruir. É conformar às regras – àquilo que é correcto, justo e verdadeiro. É trazer ordem ao caos.

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Tal como as crianças nós nem sempre apreciamos este trabalho de Deus. Tal como os pais o Senhor planeia amorosamente o melhor para nós. As acções reflectem o carácter e o que está no coração. Por vezes, os pais perdem a paciência com a rebeldia dos filhos. Gritam. Explodem. Amesquinham. Batem violentamente. Tudo isso vem da frustração acumulada e de um carácter falho. E, Deus? Como é que Ele reage à nossa desobediência obstinada e a rebeldia arrogante dos nossos corações?

Se as acções reflectem o carácter, então, a reacção de Deus é cheia da Sua glória. Para entendermos melhor vamos considerar o texto de Isaías 1.  Não esqueças que caminhamos para a Resolução 268, a decisão que afectará mais profundamente o teu relacionamento com Deus e o teu posicionamento no Mundo. Por isso, vamos começar a familiarizar-nos com o contexto.

Deus levantou Isaías como profeta em tempos conturbados. A nação de Israel tinha-se dividido em duas após a morte de Salomão. O Reino do Norte, conhecido por Israel, composto por dez tribos. E, o Reino do Sul, conhecido por Judá, composto pelas restantes duas. Seguindo a obstinação dos seus reis ambos os reinos se desviaram do Senhor, embora o Reino de Judá experimentasse reavivamentos sucessivos por influência de alguns bons reis.

Quando Isaías começa o seu trabalho de profeta o Reino de Judá estava numa situação difícil. A inimizade entre os dois reinos irmãos colocava-os em guerra permanente, e agora, o rei Peca, do reino de Israel fez uma aliança com o rei da Síria, Rezim, para juntos destruírem a Judá. (Is.7:1) A razão deste perigo militar era maior do que a rivalidade entre eles ou a ânsia de poder da Síria. Na base de tudo estava o plano soberano de Deus para disciplinar o Seu povo.

Desde há muito tempo Deus falava ao povo. Considera o que Deus lhes dizia:

  1. Deus expôs o pecado deles (Is.1:1-15). Deus acusa-os de rebelião, falta de entendimento, iniquidade, malfeitorias, corrupção, blasfémia, apostasia e hipocrisia.
  2. Deus convida-os ao arrependimento (Is.1:16-20). Se eles se arrependerem e demonstrarem isso pelos seus actos, Deus será misericordioso e restaurará todas as promessas. A comunhão entre eles será preciosa, como se nunca houvessem pecado.
  3. Deus adverte-os sobre o julgamento (Is.1:20-2:11). Apesar de toda a misericórdia e graça disponível para eles em Deus, se não se arrependessem a única expectativa que restava era a de enfrentar o Juízo e a Ira de Deus. E que grande seria essa ira.

Em toda a reacção de Deus ao pecado do Seu povo nós vemos o resplendor da Sua glória. Ele mostra ser Santo ao não tolerar o pecado deles. Mostra ser Todo-Poderoso, Omnisciente e Omnipresente ao revelar todos os seus pecados, ainda que eles bem se esforçassem por escondê-los. Deus revela toda a Sua Paciência e Longanimidade ao reter a Sua ira e convidá-los ao arrependimento. A Sua Misericórdia, Graça e Amor são o esplendor do Perdão que lhes estende. A Sua Justiça satisfeita na Ira que destrói os inimigos, vindicando assim a sua Santidade que não pode ser beliscada. Que magnífica perfeição divina! Deus mantém-se sempre fiel a si mesmo.

Como é que conhecer a Deus desta maneira influencia o meu relacionamento com Ele e minha visão do Mundo? Duas propostas:

  1. Saber que tudo o que Deus faz na minha vida tem um propósito disciplinar para me conduzir à “estatura perfeita de Cristo” ajuda-me a aceitar a Sua vontade como “boa, perfeita e agradável”.
  2. Saber que Deus é fiel a Si mesmo em tudo o que faz leva-me a aceitar a correcção de Deus com humildade e responsabilidade.

E, tu? Que lições tiras da reflexão de hoje? Partilha nos comentários ou através do Facebook.

Santificação: O papel de Deus e o papel do Homem

O trabalho de Deus na nossa santificação não é suspenso porque nós trabalhamos, nem o nosso trabalho suspenso porque Deus trabalha. Nem a relação é estritamente de cooperação, como se Deus fizesse a Sua parte e nós fizéssemos a nossa de modo que a conjunção ou coordenação das duas produzisse o resultado esperado. Deus trabalha em nós, e nós também trabalhamos. Mas, a relação é que porque Deus trabalha, nós trabalhamos.

John Murray, Redemption, Accomplished and Applied (Grand Rapids, Mich.: Eerdmans, 1955; reprint, 1992), 148-149.

A Justiça de Deus em salvar pecadores (3)

Visto que as nossas transgressões e os nossos pecados estão sobre nós, e nós desfalecemos neles, como viveremos então?
Ezequiel 33:10

Como escapar da condenação e ira? A resposta a essa pergunta é a mais importante de toda a tua vida.

Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.
Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.
Romanos 3:24-26

O texto fala da paciência de Deus, e de pecados cometidos sob a paciência de Deus. Desde a Queda, Deus tem retido a Sua Ira e tem suportado os pecados dos Homens. Ele tem demonstrado Graça e Misericórdia para com todos não nos dando a justa retribuição pelos nossos pecados no momento em que os cometemos. Tudo isso é possível por causa de Jesus Cristo – o Cordeiro que estava preparado ainda antes da fundação do mundo (1 Pedro 1:20; Apocalipse 13:8). O plano de Deus é perfeito! Deus tem agido assim porque quer chamar-te ao arrependimento.

Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento? Romanos 2:4

Mas, um dia a Sua paciência não susterá mais a Sua Santa e Justa Ira.

Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade; Romanos 2:5-8

A Bíblia ensina que a Salvação vem pela fé em Cristo. (Efésios 2:8-9) A Obra de Jesus Cristo é a única que pode satisfazer a Justiça de Deus. Ora, a fé, essa fé salvadora, não é natural em nós. Ela é despertada nos nossos corações quando ouvimos a Palavra de Deus. (Rom.10:17)

Convicção de pecado e da Santidade de Deus

A revelação de Deus à nossa mente e coração, o conhecimento da Sua Natureza, da nossa natureza, produz em nós, pela acção do Espírito Santo – ou seja, do próprio Deus – uma profunda convicção acerca das coisas eternas.

Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei.
E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.
Do pecado, porque não crêem em mim;
Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais;
E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.
Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora.
Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.
Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.
João 16:7-14

O Espírito Santo conduz-nos a toda a verdade. Toda a verdade sobre Deus. Toda a verdade sobre nós. Ele mostra-nos a Glória do Deus Santo, a perfeição do Seu Carácter. E, mostra-nos o nosso pecado, rebeldia e desobediência. Mostra-nos a Santidade de Deus, e a abominação do pecado. Mostra-nos a Ira Justa do Santo, e a condenação merecida do Homem. Mostra-nos Jesus Cristo, a Graça, a Misericórdia de Deus, e a esperança que eles representam para a Humanidade. Toda a verdade.

Arrependimento

Essa verdade deve produzir em nós uma profunda convicção de pecado, vergonha e culpa diante da Santidade de Deus. Mas, ao mesmo tempo, deve elevar os nossos corações com a esperança de que Deus proveu para nós uma gloriosa Salvação. Por isso, Deus nos exorta:

Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a Sua voz, não endureçais os vossos corações.
Hebreus 3:7-8

Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado.
Hebreus 3:13

Se endurecemos os nossos corações não resta para nós qualquer esperança de Salvação. Da nossa obstinação em recusar a oferta gratuita e graciosa de Deus – a justificação pela fé em Jesus – só resultará condenação. Mas, se ao ouvirmos a Verdade, chorarmos a nossa vergonha, sentirmos a nossa culpa e nos arrependermos do nosso pecado, os Céus se abrirão com Graça, Misericórdia e Perdão.

Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor. Atos 3:19

Arrependimento é mais do que remorso. Muito mais do que nos sentirmos mal com o nosso pecado. É detestá-lo. Abominá-lo. Fugir dele. Não o tolerar mais. Não o desejar mais na nossa vida. É amar e não aborrecer a Deus. É amar a santidade, a justiça e verdade. É vir para a Luz. É desejar, de todo o coração, viver para a glória de Deus.

Confissão

O arrependimento é uma mudança radical de interesses, afectos, vontades e prioridades. É uma transformação tão radical do coração que a Bíblia fala de conversão – somos mudados noutra coisa. Um novo nascimento (João 3:3). Uma nova criação de Deus (2 Coríntios 5:17). Este tipo de arrependimento e tal transformação só podem vir de Deus (João 1:13).

Esta mudança produz um impacto tão grande nos nossos corações e nas nossas mentes que os lábios que antes protestavam: “Não há Deus!” (Salmos 53:1) agora alegremente confessam e proclamam que “Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2:11).

A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos,
A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.
Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.
Romanos 10:8-10

A confissão de Jesus Cristo como Senhor é uma evidência da genuína conversão. O reconhecimento do pecado é importante. O arrependimento é fundamental. A confissão de pecados requerida. Mas, confessar a Cristo como Senhor é a prova que estamos a ser dirigidos pelo Espírito Santo de Deus (1 João 4:15; 1 João 4:2; 1 João 2:22; 1 Coríntios 12:3). A confissão do senhorio de Cristo é a nossa declaração de dependência da Sua Obra. A confissão de Cristo é a nossa declaração de rendição ao Seu senhorio.

Justiça Imputada

Quando há esta fé em ti e o teu coração é assim convertido, Deus será “justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:26) Deus permanece Justo ao salvar-te porque a Sua Justiça foi satisfeita em Cristo. E, a ti, que crês, ele pode justificar – ou seja, declarar justo – por causa da tua fé na Obra expiatória de Cristo. A Bíblia chama a isso Justiça Imputada.

Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida.
Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.
Romanos 4:4-5

Não é pelas nossas obras, ou méritos, ou vontade, que somos declarados justos. Essa justiça é-nos atribuída – ou seja, imputada – por Deus, por causa da nossa fé em Cristo. É a Justiça de Cristo que agora é também a nossa justiça (2 Coríntios 5:21).

A maravilha da Salvação não termina aqui. Tendo sido justificados, fomos reconciliados com Deus (Romanos 5:1; Romanos 5:10). E, não só reconciliados mas, feitos filhos de Deus, adoptados na família de Deus (João 1:12; Romanos 8:14; Romanos 8:16; 1 João 3:1) . E, sendo adoptados, feitos co-herdeiros com Cristo de todas as coisas (Romanos 8:17)!

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!
Por que quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro?
Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?
Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.
Romanos 11:33-36

Vem HOJE a Jesus Cristo. Arrepende-te. Crê. Confessa. E serás salvo!

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No último capítulo desta série sobre a “Justiça de Deus” falaremos sobre a compreensão do sofrimento à luz da Palavra de Deus.

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Outros artigos da série: A Justiça de Deus 

A Justiça de Deus em salvar pecadores (2)

Na Bíblia há duas palavras para descrever o modo como Deus tem lidado com o Homem. Essas duas palavras estão bem no coração da mensagem a que chamamos Evangelho. Misericórdia e Graça.

A Misericórdia refere-se ao facto de Deus não nos dar o castigo merecido. A Graça é o favor imerecido que recebemos de Deus. Os dois são uma clara violação a todo o conceito de Justiça que temos vindo a estudar. Como entender isto?

Em 1 Pedro 1:3-13 lemos que a Misericórdia e a Graça nos trouxeram:

  • uma viva esperança (vs.3)
  • uma herança incorruptível nos céus (vs.4)
  • protecção da ira de Deus (vs.5)
  • a salvação das nossas almas (vs.6,9)
  • um propósito na vida que não pode ser apagado pelas circunstâncias (vs.6,7)
  • gozo inesgotável (vs.6,8)
  • conhecimento de Deus (vs.13)

Pedro também explica qual o firme fundamento destas bençãos de Deus para nós:

“(…) testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir.”
1 Pedro 1:11

A mensagem do Evangelho sobre a Graça e Misericórdia de Deus não existe à parte de Jesus Cristo – dos Seus sofrimentos e da Sua glória. É a Obra da Cruz que desbloqueia a Graça para nós. O apóstolo Paulo explica isso mesmo em Romanos 3.

Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas…
Romanos 3:21

Deus manifestou a Sua Justiça de uma forma inesperada. Pela lei, a justiça divina examina a nossa obediência total a todos os preceitos e mandamentos do Senhor. Desse modo, todos estamos condenados. Mas, Deus, que é riquíssimo em misericórdia (Ef.2:4), manifestou uma Justiça mais gloriosa e sublime:

Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença.
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;
Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.
Romanos 3:22-24

Esta justiça não depende da nossa obediência à lei, logo, não depende de nenhum esforço ou vontade humana. Ela vem pela exclusivamente pela fé em Jesus Cristo, de modo que todos os que a recebem são iguais diante de Deus. Ele não nos custa nada, é-nos dada gratuitamente e imerecidamente pela Graça de Deus. Por último, ela depende inteiramente da redenção – o preço que foi pago – por Cristo Jesus.

Porque é que Deus faz isto? Porque é Deus Gracioso e Misericordioso e nos Ama. Como é que Deus faz isto sem violar a Sua Santidade e Justiça? Pelo sangue de Jesus Cristo.

Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.
Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.
Romanos 3:24-26

A Bíblia ensina que a morte de Jesus foi:

Substitutiva.

O castigo do pecado é a morte. Jesus não morreu pela Sua culpa e pecados, mas, pela nossa culpa e pelos nossos pecados. Ele tomou o nosso lugar no castigo que nos estava reservado por Deus. (Rm.5:6,8,10; Gl.1:4; Ef.2:5, Is.53:4-6)

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.
Isaías 53:4-6

Redentora.

A pena do pecado só pode ser paga com sangue (Hb.9:22). Quando Jesus verteu o Seu sangue na Cruz, Ele pagou o preço da nossa redenção, ou seja, da nossa liberdade da condenação. (Ef.1:7; Col.1:14; Hb.9:11-12)

Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação,
Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção.
Hebreus 9:11-12

Propiciatória.

O Homem no Seu pecado rejeita a Deus. Deus na Sua Santidade arde em ira contra o Homem. O sacrifício de Jesus, substitutivo e redentor, faz a paz entre Deus e o Homem (Ef.2:13-16). Esse sacrifício permite que Deus nos seja favorável, ou, propício, mostrando Graça e Misericórdia. E, provando o Seu amor por nós, constrange-nos ao arrependimento e confissão de pecados, e à fé em Jesus Cristo (Col.1:20-21; Hb.9:24 Is.53:12).

Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.
Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio,
Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz,
E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades.
Efésios 2:13-16

Justificadora.

Agora, Deus julga-me mediante o sacrifício de Jesus Cristo. Ele morreu em meu lugar. Ele suportou a ira e condenação pelos meus pecados. Ele pagou o preço da minha liberdade. Ele abriu o caminho da Graça e da Misericórdia de Deus. Ele me tornou aceitável aos olhos de Deus. Como? Porque Deus vê em mim a perfeição e justiça de Jesus Cristo. (Is.53:10-12; Rm5:1,9,18-19; Cl.1:21-22; Hb.9:14; 10:10,14)

E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.
A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou
No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis
Colossenses 1:20-22

E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades.
Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado.
Hebreus 10:17-18

Onde há remissão – quando o preço já foi pago – não há mais oblação – oferta, novo pagamento devido – pelo pecado. Por isso, Deus é Justo em mostrar Graça e Misericórdia e perdão aos pecadores. Como diz,

Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas;
Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença.
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;
Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.
Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.
Romanos 3:21-26

Ele é Justo e Justificador por causa da Obra de Jesus Cristo. O Deus Santo permanece Justo mesmo quando não condena o pecador (Misericórdia) porque a Sua Justiça foi satisfeita em Jesus Cristo. O Deus Santo permanece Justo mesmo quando salva o pecador (Graça) porque a Sua Justiça foi satisfeita em Jesus Cristo.

Onde está, então, o motivo de vanglória? É excluído.
Romanos 3:27

Toda a nossa vaidade, arrogância, presunção, ou mérito são anulados pela Cruz de Cristo – a nossa Justiça. Soli Deo Gloria. Glória somente a Deus.

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No próximo artigo responderemos à questão: O “que devo fazer para ser salvo?”

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Outros artigos da Série: A Justiça de Deus.

A Justiça de Deus em condenar pecadores (4)

Uma das questões que me motivou a fazer esta série sobre a Justiça de Deus foi:

“Se não há salvação a não ser por Cristo, como ficam os milhões de seres humanos que nasceram e viveram antes de Cristo?”

Por trás desta pergunta está a presunção de que a menos que a oportunidade de salvação tenha sido oferecida a todas as pessoas, Deus não pode condenar ninguém sem ser injusto. Este modo de pensar não está, no entanto, correcto. Vejamos porquê.

  1. A justiça de uma decisão está relacionada com a conformidade às regras pré-estabelecidas. Por exemplo, se eu passo um semáforo vermelho e sou multado, fez-se justiça.
  2. A não aplicação da pena a uns não torna a pena injusta para outros. Ou seja, se outro condutor passa o sinal vermelho e consegue escapar, eu, ao ser multado, não estou a ser injustiçado, porque tendo violado a lei estou sujeito à respectiva pena.

Já vimos que Deus é Justo porque Ele sempre age de acordo com a Verdade. Sobre nós, concluímos que somos pecadores, e o nosso pecado é uma grave ofensa contra a Santidade de Deus, é a raiz de todos os nossos males e desgraçadamente não podemos livrar-nos dele por nós mesmos. Conjugando estas duas verdades fundamentais temos que: um Deus Justo deve castigar o pecado do Homem.

A Justiça na condenação

Quando Deus castiga o Homem, Ele é Justo. É justo porque não há nenhum Homem que vá ser condenado por Deus não sendo pecador. Todos serão castigados pelo seu próprio pecado.

A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele. Ezequiel 18:20

Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus;
O qual recompensará cada um segundo as suas obras. Romanos 2:5-6

“Mas, – perguntamos – e as pessoas que nunca leram a Bíblia, nunca ouviram falar de Cristo, nunca souberam estas coisas?” Será que é justo Deus condená-las por algo que não sabiam?

Já aqui disse que o desconhecimento da lei não nos livra da penalidade em caso de infracção, mas, esse nem sequer é o nosso caso. Vejamos:

Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.
Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados.
Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.
Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei;
Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os;
No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho.
Romanos 2:11-16

Este texto é esclarecedor:

  1. Deus não faz diferença entre pessoas quando está a julgar. Ele não tem favoritos, nem beneficia ninguém sobre outros.
  2. Seremos julgados de acordo com o conhecimento que temos.
  3. Mesmo não conhecendo a letra da Lei de Deus, conhecemos e praticamos naturalmente – porque somos sua criação, e temos essa lei escrita nos corações – muitos dos seus preceitos. Nem todos somos bandidos, muitos somos capazes de fazer o bem, somos honestos, amamos o próximo, etc.
  4. Mesmo não conhecendo a letra da Lei de Deus, quando violamos esses preceitos sentimos a nossa consciência a acusar-nos de que fizemos alguma coisa errada.
  5. O conhecimento formal da Lei de Deus não nos torna livres de culpa, é preciso praticá-la.
  6. O conhecimento formal da Lei de Deus apenas aumenta a nossa responsabilidade diante dele, e a nossa culpa quando a rejeitamos.
  7. Deus nos julgará por Jesus Cristo.

Concluindo:

Se eu nunca ouvi falar de Jesus Cristo, Deus não vai condenar-me ao inferno porque eu não O reconheci como Senhor, mas sim, porque eu prevariquei abundantemente contra o conhecimento que tinha do bem e do mal.

Se eu ouvi a maravilhosa mensagem do Evangelho e a recusei, então, também serei condenado pelos meus pecados praticados, sendo que o maior de todos foi rejeitar a Salvação que Deus amorosamente e graciosamente me ofereceu em Jesus Cristo.

De qualquer modo, Deus age com Justiça.

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