Uma questão de vista

Quem escreve este texto é uma versão revista e melhorada de mim! O meu silêncio “internético” dos últimos tempos é justificado pelas constantes dores de cabeça e ardor nos olhos quando passava mais do que 5 minutos em frente ao ecrã ou a ler um livro. Ao princípio, atribuí esses sintomas ao cansaço. Com o tempo, tornou-se evidente que havia qualquer coisa errado.

Depois de alguns exames fui diagnosticado com um problema congénito – ou seja, que me acompanha desde nascença – que me leva a esforçar em demasia a musculatura ocular principalmente quando foco objectos próximos, o que conduzia à fadiga que sentia. Agora, com o upgrade ocular estou como novo, quero dizer, melhor do que novo! (Nota pessoal: Não esquecer de enviar o pedido de indemnização aos pais)

OLHO

A Bíblia fala muito dos olhos e da visão. Normalmente, no contexto bíblico, a visão está associada à percepção das coisas.

Lembram-se do servo do profeta Eliseu que tremia perante a aparente iminência da morte? Quando o Senhor lhe abriu os olhos a sua percepção imediatamente mudou. (2Reis 6:8-18)

Lembram-se de Jó, o homem íntegro e justo a quem Deus provou? Ele defendia a sua justiça própria diante dos amigos e de Deus (Jó 13:22-26), até que Deus lhe abriu os olhos e ele se remeteu ao silêncio perante a santidade absoluta do Senhor. (Jó 42: 1-6)

Lembram-se de Moisés, o hebreu criado no palácio do Faraó? Ele quis, sozinho, libertar os seus irmãos hebreus e acabou um fugitivo no deserto. (Êxodo 2:11-15) Quando Deus lhe abriu os olhos ele enfrentou o Faraó e o seu exército poderoso porque via o invisível. (Hebreus 11:24-27)

Todos nós precisamos que os nossos olhos sejam abertos. Para vermos a Cristo. A Sua Santidade. A Sua Graça. O Amor revelado. Para sentirmos a nossa miséria. Para buscarmos n’Ele o perdão. Para nos sentirmos seguros. Precisamos que os nossos olhos sejam abertos para percebermos a Obra que Deus está a fazer em nós e por nós. Para sermos gratos. Ousados no serviço. Perseverantes na tribulação.

Precisamos que o Senhor nos dê visão para que não O deixemos de fora, à porta, batendo, mesmo quando pensamos que Ele está connosco. (Apocalipse 3:15-22) Àqueles que sofriam desse mal, Jesus disse:

“(…) dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;
Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.”
Apocalipse 3:17-18

Como estão os teus olhos? Como os do cego, que fora curado, mas via os homens como árvores? (Marcos 8:22-25) Não é isso que Deus quer para ti. A solução: vai a Jesus, e deixa que Ele limpe os teus olhos, uma e outra vez, para que vejas…

“”(…) as coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu,e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.” 1 Coríntios 2:9

 

Passos de bebé

passos de bebe

“Há uma coisa que o Senhor me mostrou recentemente através do meu filho bebé. Ele está a aprender a ficar de pé. Um destes dias reparei como ele mal se segura em pé e como rapidamente cai. Mesmo assim, eu alegro-me em vê-lo, e dou por mim a aplaudir e a louvá-lo quando fica em pé, nem que seja por uns segundos. Normalmente, quando aplaudo porque ele está em pé, ele começa a rir e a agitar os braços com alegria até que cai. O Senhor mostrou-me – eu sou assim. Mal me sustendo em pé, rapidamente orgulhoso e a cair, e, mesmo assim, o Senhor se deleita quando me levanto mesmo nas pequenas coisas. Mais uma vez, maravilhoso. Pode mesmo ser assim? Estou maravilhado e humilhado.”

John Dees

 

Aqui sou feliz

Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.
1 Tessalonicenses 5:18

aqui sou feliz

Durante os últimos anos passei neste lugar diariamente em viagem para o emprego. Todos os dias este barracão “pregava” para mim.  Aquelas três palavras nunca escapavam aos meus olhos e atingiam como uma seta um coração teimosamente insatisfeito. A felicidade, conforme a concebemos, está em pleno desacordo com o cenário. É um paradoxo gritante para os nossos corações obcecados com segurança, sucesso, prazer e dinheiro.

De todas as vezes, o versículo de 1 Tessalonicenses subia à minha mente: “Em tudo dai graças”. Um coração agradecido é um coração satisfeito. Um coração satisfeito é um coração feliz. Considero que este é um dos mandamentos mais difíceis de cumprir em toda a Bíblia. Porque é contrário à nossa natureza. Somos criaturas insatisfeitas. Rabugentas. Reclamamos de tudo. Queremos sempre mais. Se algo nos corre mal, gritamos com todos, a começar por Deus.

À primeira vista a nossa dificuldade está no “TUDO”. É um mandamento exigente demais. Abrangente demais. Pesado demais. Mas, isso é só metade da história. Há uma razão mais profunda e fundamental para o nosso fracasso. Tudo começa pela maneira como lemos o versículo. Vemos o mandamento – eu diria a consequência – e esquecemos a Causa. Tenho aprendido que a palavra-chave do texto é o porque. Há uma razão para a minha gratidão extravagante. Há uma Causa para a satisfação paradoxal – Deus.

Deus é a fonte, a causa, a sustentação e o fim da minha satisfação. Ele redime a minha vida da insatisfação, e ensina-me a viver a Sua vontade, e a nela encontrar prazer. O nosso problema é não aceitarmos a vontade de Deus como “boa, perfeita e agradável” (Rm.12:1). Aos nossos olhos ela é, em tudo, contrária ao que é melhor para nós. Precisamos aprender com Davi, para quem “O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará” (Sl.23:1). Ou, como diz a versão inglesa – que prefiro, “não sentirei falta de coisa nenhuma”. Por que é que não sou consumido pelo desejo insaciável de  ter mais, ser mais, fazer mais, ou de escapar de uma circunstância difícil? Porque a minha segurança e gozo estão em Deus. Ele me basta.

Se falamos da Causa também precisamos falar do Meio – Jesus Cristo. A vontade de Deus cumpre-se em nós através de Jesus Cristo. Ele é o Mediador entre Deus e os Homens. Ele é quem nos conduziu ao Pai. Ele é quem nos reconciliou com Deus pelo Seu sangue. Ele é quem vive em nós. Sem um encontro com Jesus não tens acesso à vida abundante. Sem um relacionamento com o Cristo não tens perdão nem poder sobre o pecado. Enquanto a nossa tentativa de cumprir 1Ts.5:18, ainda que em nome de Deus, se basear nos nossos esforços religiosos estamos destinados ao fracasso. O poder para viver essa vida está somente em Jesus Cristo.

Tendo corrigido a nossa perspectiva sobre o segredo da felicidade estamos prontos para desfrutá-la. A gratidão surge como uma consequência do nosso correcto relacionamento com Deus e com o Seu Filho Jesus. A raíz da nossa satisfação já não está neste tempo, nem neste mundo, mas na Rocha Eterna que não nos falhará. Mas, ainda temos que lidar com o “TUDO”. Não há circunstâncias, dificuldades, contrariedades, frustrações, fracassos, dores, sofrimento ou qualquer outra coisa que diminua o gozo glorioso de conhecer a Deus e Lhe pertencer. O Seu Amor derramado em nós é inextinguível! (Rm.8:37-39) Mas, “TUDO” não é só aquilo que é exterior. É também o que sou, cada parte do meu ser, cada área da minha vida totalmente rendido a Deus, à Sua vontade, experimentando o gozo inexcedível da vida eterna.

Creio que este é o significado da expressão cunhada por John Piper: “God is most glorified in us when we are most satisfied in Him”. Deus é mais glorificado em nós quanto mais satisfeitos estamos nele. Que assim seja.

Performancismo

Sim, eu sei! “Performancismo” não é uma palavra. Permitam-me a liberdade linguística enquanto tento afirmar o meu argumento.

Depois do jantar, ao lavar a loiça – momento propício a conversas profundas – a S. contava-me um facto interessante sobre o seu blog. (Se ainda não conheces, podes ver o seu trabalho – que me enche de orgulho – aqui) Nas estatísticas do blog, a página “Things I’ve made (Coisas que eu fiz)” tem muito mais visualizações do que outra “This is me (Esta sou eu)”.

Ao conversarmos sobre o assunto compreendemos que isso é um bom exemplo da mentalidade pós-moderna do culto do eu. Na busca da exaltação pessoal reduzimos o valor de uma pessoa à sua obra. Por isso andamos sempre a tentar provar a todos – e às vezes a nós – que somos importantes, amados, dignos, aceitáveis porque temos uma boa educação, dinheiro, estatuto social, sucesso profissional, amigos cool, etc. O valor da vida humana reduzido à performance. Esta é a razão escondida por detrás das nossas vidas fúteis – construímos uma fachada de aparências para nos tornarmos aceitáveis ao outro.

É neste contexto que o Evangelho brilha com uma glória ainda mais esplendorosa. Porque o Evangelho – as Boas Novas de um Deus que te conhece tal como és – é unção para os pobres, cura para os quebrantados de coração, liberdade para os cativos, vista para os cegos, libertação para os oprimidos (Lc.4:18-19).

O Evangelho livra-me do performancismo. Porque nada do que eu faça me tornará aceitável a Deus. Mas, pela Sua Graça, Deus me ama, encontra, salva, limpa e transforma, tal como sou.

 quebrantados de coração,
A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos

Lucas 4:18-19

para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração,
A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos

Lucas 4:18-19

Une o meu coração a…

Um destes dias fiquei preso ao Salmo 86. Encontrei aí uma boa expressão da minha fé.

Nele, Davi, o salmista, mostra porque era um homem segundo o coração de Deus – ele tem uma visão correcta sobre si mesmo e sobre quem Deus é.

Quem é Deus?

Davi refere-se a Deus preferencialmente (7 vezes) como Adonai, Soberano SENHOR. Ele reconhece a acção de Deus na sua vida e na vida daqueles à sua volta. Em tudo Davi vê a mão de Deus. E, isso lhe traz conforto.

A realidade de Deus é mais do que uma noção religiosa ou mística, mas está presente em todos os aspectos do dia-a-dia.

Quem sou eu?

Davi assume-se um homem de fé, reconhece a transformação que Deus tem operado na sua vida e entrega-se ao serviço voluntário ao Senhor. Apesar de tudo isto – um cenário que normalmente apontamos como alvo na nossa experiência cristã, como sinal de maturidade – ele desconfia de si mesmo, assume a sua necessidade e clama por auxílio a Deus. Ele não se gloria naquilo que já alcançou.

A tua fé pode sempre crescer mais. A tua santidade é ainda um pálido reflexo da Perfeita Santidade de Deus. O teu serviço não O honra como Ele é digno.

Como me relacionar com Ele?

Quando enfrentamos dificuldades rogamos a Deus que nos socorra. Mas, entendemos o socorro de Deus no plano dos nossos interesses imediatos. Se estamos doentes, esperamos cura. Se falta dinheiro, uma oferta de amor. Se enfrentamos uma tentação, uma libertação miraculosa. No fundo, queremos que Deus preserve os nossos tesouros – aquilo que mais valorizamos e no realmente confiamos – esquecendo-nos que é a Ele, e ao Seu Reino que devemos buscar, valorizar e amar acima de todas as coisas.

coraçãoDavi pedia o auxílio de Deus. Mas, o que ele tinha em mente era algo diferente. Ele clama para que Deus o livre ensinando-lhe o caminho em que deve andar.

Na oração mais profunda de que me lembro das Escrituras, ele roga: “une o meu coração ao temor do Teu Nome.

A coisa mais preciosa que temos é conhecer o Senhor da Glória, o Soberano, o Santo. Esse conhecimento deve satisfazer-nos. Deve mover-nos a rogar que nunca nos afastemos dele. O nosso gozo e glória é que o Senhor trabalhe em nós – mesmo com sinais e maravilhas – demonstrando a todos que poder e a vitória não pode vir de nós, pertence ao Senhor a quem voluntariamente nos rendemos por amor.

E, tu? O que esperas de Deus?