Jesus, o rejeitado dos Homens :: Devocional

14.Dezembro :: Jesus, o rejeitado dos Homens

É incrível como uma notícia pode ser recebida de modo tão diferente pelas pessoas. A vitória de um partido nas eleições é celebrada pelos seus apoiantes e desprezada pelos opositores. Uma promoção no emprego é alegria para uma família e inveja para os competidores. O modo como nos posicionamos perante as circunstâncias determina as reacções que elas nos provocam.

A chegada de Jesus, o Messias há tanto tempo prometido, era uma boa notícia.

“E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo:
Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.”
(Lucas 2:10-11)

Mas, a novidade não foi motivo de alegria para todos. Os líderes religiosos, os judeus mais fervorosos e fanáticos, que deveriam reconhecê-lo imediatamente pelo cumprimento das profecias, não O aceitaram. Os líderes políticos, como Herodes, viram nEle uma ameaça ao seu poder sobre o povo. E, desde logo, moveram contra Ele intensa perseguição.

Uma das profecias mais negras acerca da vinda do Messias veio pela voz do profeta Jeremias, avisando que antes que viesse o consolo, a libertação e a restauração, haveria choro e lamentação.

“Assim diz o SENHOR: Uma voz se ouviu em Ramá, lamentação, choro amargo; Raquel chora seus filhos; não quer ser consolada quanto a seus filhos, porque já não existem.
Assim diz o SENHOR: Reprime a tua voz de choro, e as lágrimas de teus olhos; porque há galardão para o teu trabalho, diz o SENHOR, pois eles voltarão da terra do inimigo.
há esperança quanto ao teu futuro, diz o SENHOR, porque teus filhos voltarão para os seus termos.”
(Jeremias 31:15-17)

O aviso de Deus cumpriu-se de modo terrível aquando do nascimento de Jesus Cristo.

“Depois que partiram, um anjo do Senhor apareceu a José em sonho e disse-lhe: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito. Fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo“.
Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe durante a noite, e partiu para o Egito,
onde ficou até a morte de Herodes. E assim se cumpriu o que o Senhor tinha dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu filho”.
Quando Herodes percebeu que havia sido enganado pelos magos, ficou furioso e ordenou que matassem todos os meninos de dois anos para baixo, em Belém e nas proximidades, de acordo com a informação que havia obtido dos magos.
Então se cumpriu o que fora dito pelo profeta Jeremias:
“Ouviu-se uma voz em Ramá, choro e grande lamentação; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque já não existem”.”
(Mateus 2:13-18)

Miraculosamente Deus protegeu a José, Maria e Jesus. Não é o Homem que impedirá os planos de Deus. A rejeição de uns não será o prejuízo de todos. Ainda que muitos, pelo seu amor ao mundo, ao dinheiro, ao pecado, rejeitem o Salvador, outros, humildemente O recebem com alegria. O maior impedimento que Deus encontra para salvar o Homem é o coração obstinado do próprio Homem. Essa é a barreira que tu mesmo precisas ultrapassar. Não rejeites a Cristo.

Deus e os quebrantados

“O espírito do homem susterá a sua enfermidade, mas ao espírito abatido, quem o suportará?” Provérbios 18:14

Estar perto de alguém quebrantado não é fácil. A dor que lemos no rosto e nos gemidos do outro faz-nos sentir desconfortáveis. E, a impotência para mudarmos a sua situação faz-nos sentir um pouco sem jeito, sem saber o que fazer ou dizer.

O quebrantamento – nosso ou dos outros – confronta-nos com a nossa fragilidade. Somos quebrados, amachucados, abatidos até ao chão, e não podemos resistir. Somos vencidos, domados na nossa fúria e raiva que nos cega. Somos enfraquecidos, drenados de vigor, de energia, de entusiasmo. Somos prostrados.

Por vezes, é simplesmente a vida que nos machuca. Outras, as palavras de um amigo. Ou, um olhar interior que revela que ainda não somos que queremos ser.

Esses tempos difíceis podem ter um propósito:

“Os tempos difíceis são uma lente de aumento que nos mostra quanto precisamos dEle. É quando podemos sentir mais a presença de Deus. Lembra-te: Ele está perto do coração quebrantado, por isso não isto não deve ser uma surpresa.” – Josh Wilson, a propósito da sua música “Fall Apart“.

Deixa que Deus te sustente o coração quebrantado. Deixa que Ele te levante. Restaure. Molde. Para Sua Glória.

“(…) a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” Salmos 51:17

“Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito.” Salmos 34:18

O gemido da criação

“Morta à facada pelo enteado”

“Jovem de 15 anos encontrada despida e esfaqueada”

“Deu-me com a arma e meteu-me na carrinha”

“É um aviso, se fores a tribunal matamos-te”

“Quis incendiar casa com a família dentro”

“Atingiu o genro com tiro de caçadeira”

“Casal de traficantes com armas brancas”

Estes são alguns dos títulos do JN de hoje. Aponta-se facilmente a crise económica como o maior problema do mundo, mas ao ler notícias com estas percebemos que a realidade é outra. A maior crise é de valores, é moral, é espiritual. Este mundo sem Deus está a tornar-se um lugar insuportável, até para aqueles que não conhecem o Senhor. Ouve-se falar de violência – física, psicológica, emocional – um pouco por toda a parte.

“Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.” (Rm.8:22)

A criação geme. Onde o pecado abunda a criação clama por salvação. Há uma observação interessante no relato da destruição das cidades de Sodoma e Gomorra. “Porque o seu clamor tem aumentado diante da face do SENHOR, e o SENHOR nos enviou a destruí-lo.” (Gn.19:13) O clamor daquelas cidades impertinentes subiu perante Deus. Mergulhado em pecado, violência e imoralidade, embora aparentando felicidade, o povo daquelas cidades levantava um grito silencioso por libertação. O pecado não satisfaz ninguém. Cria ilusões e dá prazeres momentâneos, mas escava um vazio insustentável dentro do Homem. Um vazio que nada – nem mesmo mais pecado – pode preencher. A tragédia deles é também a que enfrentamos hoje – é que apesar de clamarem não querem dar ouvidos à Verdade, nem acolher o caminho salvador que Deus propõe.

Mas, havia um homem diferente. “O justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis, (Porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, vendo e ouvindo sobre as suas obras injustas);” (2Pd.2:7-8) Ló afligia a sua alma com o pecado dos seus vizinhos. No entanto, convivia tolerantemente com ele. Esse é o problema! Ló foi salvo por causa da sua fé, mas não conseguiu sequer salvar a sua família porque não foi capaz de manifestar o caminho da Verdade. Os próprios filhos riram dele quando ele disse que deviam fugir porque Deus ia destruir a cidade.

Uma fé escondida é inconsequente! Fomos chamados a ser sal e a ser luz. Isso implica intervenção, acção. Podes pensar que o mundo não quer saber. Que não vale a pena. Estás enganado!

“Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus” (Rm.8:19)

O que vais fazer da tua responsabilidade?

Estranha forma de vida

Estranha forma de vida

Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.

Que todos os ais são meus,
Que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.

Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vive de forma perdida;
Quem lhe daria o condão?

Que estranha forma de vida.

Coração independente,
coração que não comando:
vive perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.

Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes onde vais,
porque teimas em correr
,
eu não te acompanho mais.

Amália Rodrigues

Amália Rodrigues é considerada a maior fadista de sempre. A sua carreira teve projecção internacional e ainda hoje é inspiradora para muitos intérpretes. Paradoxalmente com o seu sucesso e brilho em palco, sempre foi, segundo ela própria, uma pessoa com uma “estranha forma de vida”. Não era verdadeiramente feliz.

Ontem ouvia este fado e entristeci-me com o desencanto das suas palavras.  Que amargura de alma! Há quatro coisas que gostava de dizer – salientando os versos sublinhados:

1. A vontade de Deus é boa, perfeita e agradável. (Rm.12:1,2)

Embora a vida muitas vezes nos pareça agreste, o sofrimento, as desilusões, os fracassos, nunca são um reflexo da vontade de Deus para nós. Ele é Amor, e tudo o que deseja para nós é bom. Diz Deus:

“Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.” (Jr.29:11)

2. O único que pode dar sentido à nossa existência é Deus.

Fomos criados com o propósito de conhecer, amar e adorar a Deus (Ef.1). Enquanto não nos voltarmos para Ele, nunca encontraremos a paz, o descanso, e a felicidade desejadas.

“Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens. (…) eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.” (Jo.10:9,10)

3. Há liberdade em pertencer a Deus.

O desejo de liberdade e independência leva-nos muitas vezes num caminho de destruição. Rejeitamos todo o “jugo” para limite a nossa vontade. Mas, do nosso coração pecaminoso não pode vir nada de bom. Jesus disse:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mt.11:28-30)

4. Há um caminho que conduz à vida.

Não é estranho que mesmo não sabendo para onde vamos continuemos a correr? Estamos perdidos e não pedimos ajuda, seguimos na nossa obstinação doentia que nos destruirá. É tempo de perceber que:

“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (Jo.14:6)

Glória a Deus, por que não faz depender a nossa felicidade de coisas que passam ou falham, mas a alicerça Nele mesmo, que é sempre o mesmo. Nele estaremos seguros. Nele teremos paz. Nele encontraremos sentido para a existência – ainda que tudo o resto falhe. Rejeitar isto é mesmo uma “estranha forma de vida”.

Terrores nocturnos

O nosso filho J. está a atravessar uma fase difícil. Na hora de deitar ele quase entra em pânico e não quer dormir. Acorda sobressaltado durante a noite e temos dificuldade em acalmá-lo. A explicação: “Há um leão feroz que vem me morder!”. Um pesadelo que teve há dias perturbou aquilo que antes era uma experiência de tranquilidade.

O seu medo é bem real apesar de não existirem razões objectivas para isso. E o nosso instinto protector está em alerta máximo por causa do sofrimento em que o sentimos.

A única coisa capaz de o tranquilizar é a presença protectora do pai ou da mãe. “O perfeito amor lança fora o medo.” (1Jo.4:18)

Hoje, enquanto pensava nisto ocorreu-me que Deus, o Pai, muitas vezes se deve sentir “perplexo” por não O buscarmos para protecção quando temos medo, sabendo nós que Ele tem todo o poder para nos defender. Como temos tanto a aprender acerca da relação íntima que Deus quer ter connosco, como a de um Pai que abraça, cuida, protege e ama os seus filhos acima de todas as coisas.

Pensei também na estranheza do facto de nos deixarmos dominar por sentimentos de angústia, medo ou temor, tendo nós por Pai, o Eterno Senhor e Todo-Poderoso Deus. Por quê duvidar?

“Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.
Direi do SENHOR: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.
Porque ele te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa.
Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel.
Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia,
Nem da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio-dia.
Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti.
Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios.
Porque tu, ó SENHOR, és o meu refúgio. No Altíssimo fizeste a tua habitação.
Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.
Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.
Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.
Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome.
Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei.
Fartá-lo-ei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.”
Salmo 91