Naufrágio

Naufrágio

“peleja a boa peleja, conservando a fé, e uma boa consciência, a qual alguns rejeitaram, naufragando no tocante à fé.”
1 Timóteo 1:18-19

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O exercício da disciplina

Lembro-me da primeira vez que tratei um dente a um paciente real. De repente, tudo aquilo que aprendemos na teoria, e, na prática em modelos de treino parece distante da realidade. Os primeiros casos tratados na faculdade são escolhidos para serem simples. Uma pequena cárie. Duas horas de tratamento! Ao pensar nisso não consigo deixar de sorrir, e, mesmo rir de mim. Hoje, faço o mesmo tratamento em pouco mais de 10min. Sem hesitar. Sem medo. Sem insegurança. O meu cérebro, as minhas mãos, os meus olhos estão agora bem treinados e avançam quase automaticamente enquanto converso ou penso em uma outra coisa. Não foi assim da primeira vez. A cada milésima de milímetro de avanço da broca, uma pausa. “Será que estou a fazer bem? Talvez seja melhor chamar o professor.”

Mesmo que nunca tenhas “atacado” o dente de alguém sabes do que eu estou a falar. Caminhar. Andar de bicicleta, de patins ou skate. Jogar à bola. Comer com faca e garfo. Ler. Escrever. Tudo quanto fazemos teve que ser aprendido. E, até que nos tornássemos excelentes em alguma coisa, submetemo-nos à disciplina.

O termo disciplina tem um significado muito amplo, variando de acordo com o contexto em que é aplicado. Pode significar o estudo de uma área do saber, como as disciplinas da escola. Pode ser o autodomínio e entrega apaixonada à perseguição de um objectivo, como os atletas que treinam intensamente e se privam de muitas coisas para alcançar o prémio. Pode ser o cumprimento das regras em vigor, que fazem funcionar um sistema, como no caso dos soldados que estão sujeitos ao código de conduta militar. Pode, numa dimensão de que não gostamos muito, significar a punição, correcção e restauração ao bom caminho quando fazemos asneiras.

Seja como for que olhemos para a disciplina todas as suas facetas se conjugam para produzir a excelência. Quando iniciamos uma aprendizagem fazemo-lo apaixonadamente. A novidade de tudo, o aprender algo novo é motivação suficiente para nos empenharmos. Mas, o entusiasmo inicial rapidamente esmorece, e logo, é necessário submeter a nossa vontade natural ao valor maior de aprender. Mais tarde, entendemos que não podemos escapar dessa regra, da norma, do modo certo de fazer as coisas. Aprendemos essa lição, por vezes, da maneira mais difícil, pela disciplina correctiva. Mas, quando a disciplina acaba o seu trabalho estamos melhores, mais fortes, mais capazes.

Na nossa busca pela intimidade com Deus a disciplina é um processo fundamental. A solitude, a meditação na Palavra, a oração, são coisas estranhas a nós. Antes de recebermos a Graça de Deus eram até mesmo impossíveis à nossa natureza caída. (Rm.3:10-12) Mas, em Cristo somos novas criaturas. (2Cor.5:17) Recebemos e participamos de uma nova natureza que tem fome e sede de Deus. (Sl.143:6) No entanto, precisamos aprender a buscá-lO.

Até que alguma coisa se torne um hábito é necessário repeti-la muitas vezes. Até que se torne tão natural como respirar, é necessário que o hábito se mantenha por muito tempo. Até que se torne fundamental, é necessário que não te desvies dela.

A prática da intimidade com Deus exige disciplina. Sem disciplina o teu destino é o descrito nas Sagradas Escrituras:

“Ele morrerá, porque desavisadamente andou, e pelo excesso da sua loucura se perderá.” Provérbios 5:23

Quero apontar algumas estratégias para te ajudar a ser disciplinado na prática da intimidade com Deus:

  1. Compromete-te. Firma um compromisso sério diante de Deus de tirar um tempo diário para estar a sós com Ele. Leva isso a sério. Não encares o tempo com Deus como a tarefa diária que podes eliminar se precisares de fazer alguma coisa. Olha para esse tempo como o único no teu dia inteiro em que não podes falhar. Constrói o resto do teu horário em torno disso e não ao contrário, tentando encaixar Deus no teu horário apertado. O tempo com Deus é muito mais importante do que qualquer outra coisa que tenhas para fazer. A força do teu compromisso definirá a intensidade da tua intimidade.
  2. Sê específico. Arranja um tempo certo para estar com Deus. Se mudares isso todos os dias, conforme a tua disponibilidade, é meio caminho para desistires. O atleta não vai treinar quando lhe apetece, quando se sente bem, ou, quando tem tempo. O seu horário está pré-estabelecido e ele não pode falhar. Se definires no teu horário o tempo para estar com Deus, mais facilmente vais estar disponível a essa hora. (Dn.6:1-11)
  3. Sê realista. Penso que um dos nossos problemas é sermos demasiado utópicos sobre este assunto. Queres parecer tão fiel que guardas logo 3 horas para estar com Deus todos os dias! Se tens possibilidades reais de tirar esse tempo, ou até mais, vai em frente! Mas, se sabes à partida que isso não vai ser possível estás a cavar o teu próprio fracasso. Se gostas de dormir até tarde não marques esse tempo às 6h da manhã. Nem à meia-noite quando já estás estourado e vais adormecer a orar. É melhor tirar 15 min. que cumpres diariamente em exclusividade com Deus do que 1 hora que não passa do papel.
  4. Presta contas. Paulo Freire, educador e filósofo brasileiro, disse que “Ninguém se disciplina sozinho. Os homens disciplinam-se em comunhão”. Junta-te a um grupo de irmãos na fé perante os quais tenhas de prestar contas. Escolhe de preferência pelo menos um irmão mais maduro e experiente para te orientar. Isso pode fazer a diferença entre desistir ou persistir.

O exercício da disciplina conduzir-te-á à maturidade. O que no começo pode ser uma difícil submissão da tua vontade a Deus, cedo se transformará no maior anseio e necessidade da tua alma. Ainda mais do que respirar. Deus será tudo para ti.

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Para mais sobre a prática da intimidade com Deus, clique aqui.

 

O predador mais perigoso do mundo!

Li um artigo sobre um tubarão que se diz ser o mais lento do mundo! A julgar pela velocidade a que se desloca, 0,74 m/s (máx.),  acredito que seja mesmo! 🙂 Apesar da sua calma em fazer tudo – muito justificada pelas temperaturas baixas das águas polares em que vive – ele é o terror das suas presas, as focas. As focas são exímias nadadoras e  significativamente mais rápidas do que o tubarão, o que torna surpreendente o seu sucesso nas caçadas. A explicação agora avançada por um grupo de investigadores indicia a perigosidade deste animal: ele ataca as suas presas quando elas estão a dormir! A sua limitação – a falta de velocidade para uma perseguição hollywoodesca – é anulada pelo brilhantismo da sua estratégia. (Fonte: Naturlink)

Lembrei-me de um conselho de Deus para o nosso sucesso espiritual:

“Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá.” (Efésios 5:14)

O nosso inimigo, o diabo, não tem poder para nos devorar, mas, se és apanhado a dormir…

O custo da fidelidade

A fidelidade cara da Igreja The Falls.

Quando há 6 anos a Igreja Episcopal ordenou um bispo assumidamente homossexual, 90 por cento da congregação anglicana (cerca de 4000 membros) votou a cisão da igreja. “As pessoas da igreja estão cheias de alegria e gratidão”, diz Laura Smethrust, “sustentadas na convicção de que defender o Filho de Deus é de importância fundamental”.

Como resultado da sua decisão, a diocese Episcopal levou a congregação a tribunal numa disputa pelo edifício histórico da igreja avaliado em 26 milhões de dólares. Após todos os apelos e recursos, a congregação foi condenada a entregar o edifício e todo o seu conteúdo, incluindo as Bíblias! A conta corrente da congregação – 2,8 milhões de dólares no momento da cisão – também teve que ser entregue.

Apesar das grandes perdas a congregação continua a reunir-se em instalações provisórias e emprestadas, mas com a fé renovada e reforçada em Cristo!

Quanto ao resto da congregação que permaneceu na igreja tende a definhar e desaparecer, como tem acontecido com muitas comunidades que se abrem a um evangelho falho. O edifício de uma dessas igrejas é hoje uma mesquita!

(Resumo de um artigo de Alicia Constant, jornalista freelance de Purcellville, Virginia. Publicado no site The Gospel Coalition)

Perante os desafios crescentes à fé e à verdade bíblica, estás pronto a assumir o custo de defender a fé?

Retrato religioso global

Depois do retrato religioso português que analisamos anteriormente aqui, recebo um boletim com notícias globais. O Religion Today é um feed de notícias sobre religião compilado pelo grupo Crosswalk. No boletim de hoje, 3 notícias chamaram a minha atenção:

1. Nova tradução da Bíblia em Inglês omite “Jesus Cristo” e “Apóstolo”

Uma nova tradução da Bíblia para o Inglês não contém o nome “Jesus Cristo” ou “anjo”, e prefere o termo “emissário” a “apóstolo”. A Voz, que substitui “Jesus Cristo” por termos como “Jesus o Ungido”, foi publicada no mês passado pela Thomas Nelson Publishing. O editor do projecto, Frank Couch, disse que o propósito da A Voz é tornar a Bíblia mais fácil de entender para as audiências modernas. “A Voz não reclama ser mais rigorosa do que qualquer outra tradução, mas, procura ser mais facilmente entendida do que qualquer outra.”, disse. “A Escritura é apresentada não como um documento académico, mas como uma história cativante.”

2. Mundo em silêncio enquanto na Arábia Saudita se procura “destruir” todas as igrejas

O Grande Mufti do Reino da Arábia Saudita declarou que “é necessário destruir todas as igrejas (entenda-se, cristãs) na Península Árabe”. Cliff May,  presidente da Fundação para a Defesa das Democracias, questiona-se acerca do silêncio mediático de tal incitamento e perseguição movida contra os cristãos, supondo que o receio de promover uma certa islamofobia pode estar na base desse ignorar de tão preocupantes notícias.

NOTA: Infelizmente a perseguição aos cristãos continua a ser uma realidade em muitos lugares do mundo, facto que se tem agudizado com as crescentes tensões religiosas/militares/terroristas a que vimos a assistir.

3. Ateus exigem que as Cruzes do Campo Militar dos Marines em Pendleton sejam removidas

A Associação Militar de Ateus e Pensadores Livres ameaçou com um processo judicial se as 13 cruzes no cimo de uma colina na base militar de Pendleton não forem removidas. A sua argumentação baseia-se na separação entre a Igreja e o Estado que estará a ser violada pela presença das cruzes que foram ali colocadas por sete militares em sinal de luto pelos companheiros mortos em combate.

Analiso estas três notícias como um bom retrato global sobre os desafios à fé cristã neste início de século. Três estratégias parecem delinear-se claramente diante dos nossos olhos com a finalidade de exterminar a fé cristã do mundo.

  1. Descredibilizar e apagar da História a Pessoa, Personalidade, e Obra de Jesus Cristo.
  2. Perseguir a Igreja, forçando-a à clandestinidade.
  3. Impedir manifestações públicas de fé, com o argumento de que isso colide com a liberdade de outros – será que o contrário também não é verdade? – empurrando para fora do espaço público, social, cultural qualquer testemunho acerca de Deus e Jesus Cristo.

Nenhuma destas coisas nos surpreende. O Senhor avisa-nos acerca delas. (2Tm.3:1) Mas, devemos estar vigilantes e preparados para os desafios crescentes a que a nossa fé será submetida. Tu, estás pronto?