Jesus, a presença de Deus :: Devocional

5.Dezembro :: Jesus, a presença de Deus

“O que queres de Deus?” Vitória nas adversidades. Cura. Conforto. Segurança. Paz de espírito. Prosperidade. As respostas são tão diversas como as necessidades e anseios do coração do Homem. Mas, a pergunta mais importante talvez seja: “O que Deus quer dar-te?”

Quando uma nação tremia de medo, e ansiava por uma vitória sobre os inimigos, Deus prometeu algo mais do que a vitória:

“Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.”
(Isaías 7:14)

No cumprimento pleno desta promessa, muitos anos mais tarde, lemos:

“Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz;
Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: Deus connosco.” 
(Mateus 1:22-23)

Deus prometia a Sua presença. Prometia vir ao encontro da criatura caída e impotente para resgatá-la para o Seu plano glorioso. A presença de Deus traz toda a espécie de bençãos, aquelas que desejamos, e, aquelas de que necessitamos. O poder para vencer os problemas que a vida nos atira é uma sombra à luz da verdadeira obra que Deus quer fazer em mim e em ti.

“E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.”
(Mateus 1:21)

O Emanuel é também Jesus. O Deus presente é o Deus que salva. O Deus que te abençoa é o Deus que deseja perdoar os teus pecados. A maior benção de todas, trazida pela presença gloriosa de Deus na tua vida é o perdão dos teus pecados, e a salvação da tua alma. Foi para isso que Deus encarnou e veio ao teu encontro.

A Alvorada de uma nova Vida

O grande contraste do Calvário é entre o tenebroso coração pecaminoso do Homem, cheio de horrores e violência contra Deus, e, o coração amoroso, justo, e misericordioso de Deus.

A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis;
A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos.
Atos 2:22-23

Mas vós negastes o Santo e o Justo, e pedistes que se vos desse um homem homicida.
E matastes o Príncipe da vida…
Atos 3:14-15

Aquilo que parecia ser um irremediável revés ao plano de Deus – afinal, o Seu Enviado tinha sido rejeitado e assassinado – foi transformado gloriosamente na melhor notícia para toda a Humanidade.

“pelo determinado conselho e presciência de Deus” (At.2:23)

Deus escolheu o caminho difícil do sacrifício. Escolheu porque antevia o fruto que daí resultaria. (Is.53:10-11) Jesus foi a oferta pelo pecado que eu e tu precisávamos para nos tornarmos aceitáveis para Deus. O fruto dessa oferta são as nossas vidas redimidas, perdoadas, justificadas. A Justiça e o Amor de Deus são conciliados na cruz. Eternamente. Mas, o plano de Deus é ainda mais glorioso do que isso.

Ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela.
Atos 2:24

O Autor da vida não podia ser vencido pela morte. A pedra do túmulo foi rolada. Os panos removidos. E, as entranhas do sepulcro devolveram o Eterno, o Rei da Glória. Maria Madalena, Salomé, Maria, mãe de Tiago, Joana, Pedro, João, os restantes discípulos, incluindo Tomé, e mais de quinhentos irmãos testemunharam o Cristo Ressurecto. (Mt.28Mc.16; Lc.24; Jo.20,21; 1Cor.15:3-8)

Deus O exaltou (At.2:33,36; Fl.2:9-11) e Lhe confiou o poder de julgar com justiça. Ele que pagou o preço pelos pecados do Homem, julgará o Homem pela sua decisão em relação ao Seu sacrifício.

O Homem tenta fazer-se agradável a Deus de muitas maneiras, mas o padrão de Deus é exigente demais.

Quem subirá ao monte do SENHOR, ou quem estará no seu lugar santo?
Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente.
Este receberá a bênção do SENHOR e a justiça do Deus da sua salvação.
Salmos 24:3-5

Nenhum Homem pode atingir a exigência de santidade de Deus. Nenhum, excepto Cristo. Aquele que nunca pecou. Em quem nunca se achou engano. Depois do Seu sacrifício Ele pode apresentar-se na presença do Pai e dizer: “Está consumado!”.

Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.
Salmos 24:7

Ele pode entrar no lugar Santo. Ele é o Rei da Glória. E nós entraremos com Ele quando nos arrependermos dos nossos pecados e O confessarmos como Senhor.

E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos?
E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;
Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar.
Atos 2:37-39

Temos um Salvador vivo. Um Senhor que vive para sempre. Que reina. E reinará. Que intercede por nós. Que se compadece. Que está connosco até à consumação dos séculos. Que nos guarda. Que toma a nossa defesa. Que nos prepara um lugar na Sua presença. Que nos reveste de justiça. Que voltará para julgar em justiça. Por que Ele vive, podemos ter esperança.

Esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.
Atos 2:36

Seis horas

A noite correu tenebrosa e agitada. Uma inquietação varreu a cidade, que amanheceu eufórica. A procissão até Pilatos. Depois Herodes. Pilatos de novo. A turba engrossava enchendo as ruas. Os rostos fechados. Os olhares destilando ódio. As vozes histéricas, que uma semana antes cantavam: “Hosana, bendito o que vem em nome do Senhor!”, agora vociferavam palavras de desprezo e rejeição: “Crucifica-O! Crucifica-O!” (Mt.27:1-26; Mc.15:1-15; Lc.23:1-25; Jo.18:28-40; Jo.19:1-16)

O horror da noite anterior cresce. Um julgamento pré-arranjado, injusto, parcial, ilegal. As punições físicas que levam o Seu corpo aos limites. O rosto desfigurado. As costas rasgadas. O peso da cruz, insuportável. A  caminhada solitária para a morte. (Mt.27:27-37; Mc.15:16-24; Lc.23:26-33)

Nas prisões, quando um condenado à morte vai a caminho da sua execução ouve-se o maldito refrão: “Dead man walking!” – homem morto passando. Era assim que todos O viam.

Os Seus sofrimentos culminam no Gólgota. As seis horas mais negras e gloriosas da história da Humanidade. Porque demonstram toda a fealdade do pecado no coração do Homem. Porque provam o Amor Sublime de Deus por aqueles que O rejeitam. Ali, pendurado entre o Céu e a Terra, Jesus começa o Seu papel de grande Mediador entre Deus e os Homens. (Mt.27:38-54; Mc.15:25-39; Lc.23:34-48; Jo.19:17-37)

Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem!” (Lc.23.34) – Ele é o Intercessor, e estende perdão aos contritos.

Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.” (Lc.23:43) – Ele é quem pode conduzir o Homem a Deus e garantir a sua aceitação perante o Santo.

“Mulher, eis aí o teu filho. Eis aí a tua mãe. Ele cuidará de ti .” (João 19:26,27) – Ele é a fonte, a base, e a garantia do Amor e da perfeita comunhão.

“Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste.”  (Mateus 27:46) – Ele pagou a penalidade que nós merecíamos pelo nosso pecado. Desamparado, para poder amparar-nos.

Tenho sede.” (João 19:28) – Ele é o perfeito Homem, que tendo padecido todas as coisas, como nós, pode compadecer-se perfeitamente da nossa miséria e lutas.

Está consumado.” (João 19:30) – Ele satisfez a justiça de Deus. Venceu o pecado. Venceu Satanás. Venceu a Morte.

Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.” (Lucas 23:46) – Ele cumpriu a vontade do Pai até ao fim, e a Sua obra agradou-Lhe em tudo.

A Terra reagiu violentamente à morte do Seu Criador. Revolveram-se as suas entranhas perante o horror da cruz. O universo apagou-se. As trevas encheram o mundo. Os homens que abandonam o Gólgota batem no peito e choram: “Este verdadeiramente era o Filho de Deus!” (Mt.27:54; Mc.15:39; Lc.23:47-48)

Matámos o Filho de Deus. E agora?

(continua→)

Olhar a Bíblia: Mateus 16:13-28

O Homem e a Missão

Alguém disse: “De que adianta um exército de milhares, se entre todos não se encontra uma só coragem?

O entusiasmo e euforia pela presença de Jesus calcorreando as cidades, começava a dar lugar a um ambiente pesado e hostil promovido pelo aparelho religioso. Mesmo entre os seus próprios seguidores o desconforto aumentava. “Porque é que Ele não faz nada? Quando é que Ele vai avançar?” arrazoavam entre eles.

Conhecendo os seus corações, Jesus lança uma interrogação: “Para o povo, quem sou eu?”. As explicações multiplicam-se, e Jesus vai mais fundo: “Para vocês, meus discípulos, quem sou eu?”. O coro de respostas dá lugar a uma declaração solitária, audaz e revolucionária: “Tu é o Cristo!”. O Messias esperado e desejado. O cumprimento da Promessa do Senhor. O Filho do Deus Altíssimo.

Glória! A fé periclitante dos inconstantes discípulos era permeável à revelação do Espírito Santo. O futuro trazia uma esperança renovada, e o clamor de vitória já se fazia ouvir.

O Homem e a Missão. Jesus abre o seu coração e fala abertamente do propósito que O fez encarnar. O Emanuel, Deus connosco, era o Cristo, o Messias, e Jesus, o Salvador do povo. Salvador de quê? Do jugo romano, dos inimigos antigos, das doenças, da miséria? Do pecado. Ele veio salvar o pecador. E, para ser Salvador, Ele devia pagar o preço pelo pecado, a morte. O justo pelos injustos, para levar-nos a Deus. (1Pd.3:18)

Na mente dos discípulos a missão aparentemente suicida do Mestre era incompreensível. “Não faças isso!”. Mas, o Homem e a Sua Missão não podiam ser separados. A sedução diabólica foi reprimida rapidamente, e deu lugar à apologia da cruz. Ao abraçar a missão que nos foi confiada acharemos a Vida.

Ao longo dos séculos a Igreja tem penetrado os mais negros e sombrios meandros da Humanidade e prevalecido vitoriosa, conforme a profecia de Cristo. A luz tem brilhado nas trevas,e ainda brilhará. Mas, a quantos nas suas fileiras não falta “uma só coragem”? Que revolução faríamos no Mundo se todo e cada um dos Filhos de Deus, assumisse a plenitude da sua condição e a plenitude da sua missão? Tal como Jesus fez.

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