Leitura recomendada: Isaías 6

“(…) ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” (Isaías 6:8)

A visão sublime do trono de Deus produziu em Isaías três convicções. A primeira, Deus é absolutamente Santo! A santidade de Deus distingue e separa-O de todos os outros seres. A perfeição da Sua natureza, carácter, pensamentos e acções, refulgem uma glória impossível de encontrar em qualquer outro. O aspecto, para mim, mais admirável é como em Deus cada manifestação da Sua natureza e carácter, por aparentemente antagónica que nos pareça (por exemplo, o Amor e a Ira, ou, a Justiça e Misericórdia), se equilibra harmoniosa, perfeita e simultaneamente sem falhas. Deus é, por isso, sem pecado. A absoluta pureza de Deus é um aspecto peculiar da Sua glória que não encontramos em nenhuma das mistificações demiúrgicas das religiões humanas. Tudo quanto Deus faz é um reflexo dessa pureza, logo, da Sua santidade. Ele somente é Santo, Santo, Santo!

Essa constatação produziu em Isaías uma imediata segunda convicção – que ele não é como Deus! Em Isaías – na verdade, em todos os Homens -, o que se manifesta é a completa antítese do carácter divino. O pecado, e não a santidade, é o fruto da nossa natureza. O pecado está presente em tudo quanto fazemos, tal como em Deus a santidade marca tudo o que faz. Apesar dessa marca horrenda, a maior parte do tempo estamos pouco conscientes dessa realidade. Estamos tão habituados ao pecado que já não nos incomoda. Por vezes, em delírio ontológico, até nos consideramos bons. O choque de realidade quando ficamos face a face com Deus não podia ser mais desestruturante – “Ai de mim!”. As falhas e imperfeições vêem-se melhor à luz. E, não há Luz maior do que a da santidade divina.

Por último, tendo recebido de Deus a misericórdia de que precisava, Isaías sente-se constrangido a sair em missão. Nenhuma superioridade moral o impele. Ao contrário, é a certeza da sua própria fraqueza, agora redimida pelo amor santo de Deus, que desafia este homem que se assume pecador, a fazer-se missionário respondendo ao apelo divino. “Eis-me aqui, Senhor, envia-me a mim!” A mensagem do Evangelho não é coisa que se guarde a sete chaves. É para ser proclamada abertamente, celebrada, anunciada com urgência aos que, como nós, precisam desesperadamente de salvação.

Isaías dispôs-se, cumpriu fielmente o seu ministério, mas poucos lhe deram ouvidos. O povo ignorou os apelos ao arrependimento e fez ouvidos moucos aos avisos do iminente castigo divino. O profeta talvez se sentisse frustrado ao não ver o fruto do seu trabalho amoroso. Ele, sendo um simples mensageiro, nada mais podia fazer do que transmitir com fidelidade a palavra que lhe confiava o Senhor. Na sua profecia, muitas vezes enigmática e misteriosa, há uma figura que se destaca. Deus enviaria Outro, capaz de fazer o que nem Isaías, nem qualquer outro homem podia fazer – salvar o povo dos seus pecados. Esse enviado de Deus também se dispôs a fazer a Sua vontade. O que o movia não era a convicção de pecado como no caso do profeta. Ele é Santo! O Filho de Deus veio para buscar e salvar o que se havia perdido. Veio por Amor. Para trazer Graça, Misericórdia, Perdão e Esperança a todo o que crê. Deus preparou-lhe um corpo. Um corpo capaz de morrer. E, na Cruz do Gólgota realizou a maior de todas as Obras – a salvação dos pecadores. Foi por Ele que Isaías pôde ser purificado. É por Ele que hoje podemos também ser justificados. Glória ao Nome de Jesus!

“Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, Mas corpo me preparaste;
Holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram.
Então disse: Eis aqui venho(No princípio do livro está escrito de mim),Para fazer, ó Deus, a tua vontade.
Como acima diz: Sacrifício e oferta, e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaram (os quais se oferecem segundo a lei).
Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade.” (Hebreus 10:5-9)