Jesus, a Rocha Eterna

9.Dezembro :: Jesus, a Rocha Eterna

Todos ansiamos por segurança. Buscamo-la na família, nos amigos, na educação, no emprego, no dinheiro, na fama, na saúde, no governo, nos bens. Sabemos por experiência que não podemos controlar nenhuma destas coisas e por isso tentamos  lançar alicerces amplos para que se alguma coisa falhar não fiquemos desprotegidos. Se faltar o dinheiro, que tenhamos a saúde. Se falhar a saúde, que nos valha a família. Que ilusão a de pensarmos que por nos apoiarmos em muitas coisas inseguras estamos em segurança! O que faremos quando tudo falhar?

O rei David passou por muitos momentos difíceis ao longo da sua vida. Nesses dias negros em que tudo parecia falhar e não via saída David não desesperou. Ele sabia que estava seguro. Quando velho, no seu leito de morte, David esclarece a razão da sua confiança:

 “Palavras de Davi, filho de Jessé; palavras do homem que foi exaltado, do ungido pelo Deus de Jacó, do cantor dos cânticos de Israel:

“O Espírito do Senhor falou por meu intermédio; sua palavra esteve em minha língua.

O Deus de Israel falou, a Rocha de Israel me disse: ‘Quem governa o povo com justiça, quem o governa com o temor de Deus, é como a luz da manhã ao nascer do sol, numa manhã sem nuvens. É como a claridade depois da chuva, que faz crescer as plantas da terra’.

A minha dinastia está de bem com Deus. Ele fez uma aliança eterna comigo, firmada e garantida em todos os aspectos. Certamente fará prosperar em tudo e concede-me tudo quanto desejo.

Mas os perversos serão lançados fora como espinhos, que não se ajuntam com as mãos;

quem quer tocá-los usa uma ferramenta ou o cabo de madeira da lança. Os espinhos serão totalmente queimados onde estiverem”. (2 Samuel 23:1-7)

David tinha uma confiança absoluta em Deus, porque Ele era a sua rocha. Tudo aquilo que é edificado sobre a rocha permanece inabalável mesmo na tempestade. A Rocha que firmava David era a mesma que protegia a Israel, e a mesma que hoje pode trazer-te segurança.

Porque não quero, irmãos, que vocês ignorem o fato de que todos os nossos antepassados estiveram sob a nuvem e todos passaram pelo mar.

Em Moisés, todos eles foram batizados na nuvem e no mar.

Todos comeram do mesmo alimento espiritual

e beberam da mesma bebida espiritual; pois bebiam da rocha espiritual que os acompanhava, e essa rocha era Cristo. (1 Coríntios 10:1-4)

Apesar disso muitos ainda O rejeitam, iludindo-se com falsas ideias de segurança. Mas, de Deus vem o aviso:

Este Jesus é ‘a pedra que vocês, construtores, rejeitaram, e que se tornou a pedra angular’. (Atos 4:11)

Jesus, o exaltado em poder

7.Dezembro :: Jesus, o exaltado em poder

Uma vida estéril é insuportável. O peso da evidência do fracasso, da inutilidade, da impotência para alcançar os sonhos é um fardo difícil de carregar. Os dedos acusadores e censuradores dos que estão à volta são como flechas inflamadas que nos afligem de dia e de noite. De uma maneira ou de outra todos nós já sentimos assim. Todos já falhámos objectivos. Já perdemos sonhos. Todos fracassámos.

Ana era uma mulher afligida. Quase nada na sua vida poderia fazer antever tal estado de espírito. Pertencia a uma família próspera. Amava o seu marido. O seu marido amava-a. Não tinha falta de coisa nenhuma. Excepto, o seu sonho. Ana era estéril. Era essa a sua aflição.

Um ano subiu à casa do Senhor e derramou a sua alma diante d’Ele. “Um filho, dá-me um filho!” Nesse dia Ana fez um voto ao Senhor. Se Deus lhe desse um filho ela o consagraria ao Senhor todos os dias da sua vida. Um ano depois Ana subiu novamente à presença do Senhor, e orou:

O meu coração exulta ao SENHOR, o meu poder está exaltado no SENHOR; a minha boca se dilatou sobre os meus inimigos, porquanto me alegro na tua salvação.

Não há santo como o SENHOR; porque não há outro fora de ti; e rocha nenhuma há como o nosso Deus.

Não multipliqueis palavras de altivez, nem saiam coisas arrogantes da vossa boca; porque o SENHOR é o Deus de conhecimento, e por ele são as obras pesadas na balança.

O arco dos fortes foi quebrado, e os que tropeçavam foram cingidos de força.

Os fartos se alugaram por pão, e cessaram os famintos; até a estéril deu à luz sete filhos, e a que tinha muitos filhos enfraqueceu.

O SENHOR é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela.

O SENHOR empobrece e enriquece; abaixa e também exalta.

Levanta o pobre do pó, e desde o monturo exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do SENHOR são os alicerces da terra, e assentou sobre eles o mundo.

Os pés dos seus santos guardará, porém os ímpios ficarão mudos nas trevas; porque o homem não prevalecerá pela força.

Os que contendem com o SENHOR serão quebrantados, desde os céus trovejará sobre eles; o SENHOR julgará as extremidades da terra; e dará força ao seu rei, e exaltará o poder do seu ungido.

1 Samuel 2:1-10

Deus veio em socorro de Ana. A estéril deu à luz. A oprimida foi exaltada. A tristeza renasceu em alegria. Na hora da sua vitória Ana não esqueceu a quem devia a gratidão: o Senhor. Deus é o socorro dos cansados, dos frustrados, dos incapazes e dos indignos. Como Deus faz isso? Ele “dará força ao seu rei e exaltará o poder do seu ungido.” É Jesus a resposta de Deus às aspirações do Homem.

Por isso, anos mais tarde, perante o grupo de discípulos assustados e confusos com os acontecimentos recentes – a morte e ressurreição do Cristo – Jesus relembra a profecia que saiu pela boca de Ana, assumindo o seu cumprimento.

E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. (Mateus 28:18)

Jesus tem o poder para transformar vidas e para perdoar pecados, para trazer fruto às vidas estéreis.

Uma questão de Fé

“Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele, pela sua grande misericórdia, deu-nos uma vida cheia de esperança por meio da ressurreição de Jesus Cristo, e prometeu-nos uma herança que não pode destruir-se, nem perder o valor, nem estragar-se. É a herança que Deus vos reservou no Céu.” (1Pedro1:3-4)

fé

Quando uma notícia é boa demais temos dificuldade em aceitá-la. Demoramos um tempo a reagir, revendo na cabeça as palavras que ouvimos só para ter a certeza que ouvimos bem. Ficamos em êxtase, sem crer que é mesmo verdade. Recusamo-nos a viver por antecipação enquanto não tivermos nas mãos a prova física e palpável das boas novas. Ver para crer. Afinal, não somos assim tão diferentes de Tomé.

Ele foi o late bloomer* do grupo mais íntimo de Jesus. Tomé recebeu a notícia do sepulcro vazio junto com os outros discípulos. As mulheres, pela manhã, tinham ido ao túmulo para preparar o corpo do Senhor, pois tinha sido sepultado à pressa. Encontraram a pedra rolada, e um túmulo vazio. Pedro e João, recebendo as notícias foram os primeiros a verificar as palavras das mulheres. João, viu e creu. (João 20:8) Maria Madalena, voltou ao Jardim e encontrou o Mestre. (João 20:18) Ela foi testemunha perante os discípulos de que o Autor da Vida vencera a Morte. Estou certo que os discípulos, todos eles, incluindo Tomé, foram ver os panos deixados para trás no sepulcro vazio. Os discípulos, todos eles, excepto Tomé, viram o Senhor aparecer no meio deles. E creram. (João 20:19-22) Todos, menos Tomé. Ele era o único do grupo íntimo de Jesus que ainda não O tinha visto ressuscitado.

As palavras do testemunho dos seus amigos. A comprovação do sepulcro vazio. Tudo parecia bom demais. Difícil demais. Improvável demais. Tomé precisava, como nós, ver para crer.

Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei.” (João 20:25)

Somente uma semana mais tarde Jesus reapareceu aos discípulos. Tomé estava presente. Depois de uma semana de dúvidas, certamente de angústia por não ter a sua fé confirmada, Tomé cai aos pés de Jesus e humilha-se: “Senhor meu, e Deus meu!” (João 20:28) Apesar de Jesus estar ressurecto há uma semana só a partir dali Tomé viveu e experimentou o poder transformador da ressurreição.

Tal como Tomé, é possível que estejas a negar e a desperdiçar o poder da ressurreição. Examina-te a ti mesmo e vê se os sinais da fé estão presentes e atuantes na tua vida.

  1. A ressurreição de Jesus faz-te bem-aventurado. Jesus disse a Tomé que eram bem-aventurados aqueles que não vendo, criam. (João 20:26) A fé não é confirmada com os nossos sentidos, mas, no espírito. Uma fé viva faz de ti uma pessoa bem-aventurada. Feliz, realizada, em paz consigo e com Deus, equilibrada, gozando em pleno as bençãos de Deus. Negar a fé lança-te nas garras da dúvida e do medo, e rouba toda a tua esperança. Crê, e a presença do Cristo ressurecto e o Seu poder serão uma realidade tangível na tua vida.
  2. A ressurreição de Jesus traz-te nova vida. Tendo a fé firmada em Cristo, na Sua morte e ressurreição, tu sabes que “como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andamos nós também em novidade de vida.” (Romanos 6:4) Como Pedro disse: “Ele nos gerou de novo“. (1Pedro 1:3) A realidade do novo nascimento é possível por causa da ressurreição. Se crês, nasceste para uma nova vida, repleta de esperança e do poder de Deus, em plena liberdade para conhecer, amar e servir o Senhor que te Ama “de tal maneira”.
  3. A ressurreição garante o teu futuro. A esperança da nova vida aponta para o futuro. Um futuro garantido por Deus. Uma herança. (1Pedro 1:3-4) A vida eterna não é, no entanto, conjugada em tempos futuros. É para ser vivida hoje, aqui e agora, à luz daquilo que sabemos que nos espera. É assim que eu posso, se creio, olhar para os problemas e tribulações do Hoje, como leves e momentâneos. É assim que posso, se creio, vencer a tentação e negar-me a mim mesmo, por que vejo O invisível, e aguardo a herança que está guardada para mim. É assim que vivo o abundante gozo da minha salvação, porque a tenho por certa e inabalável, por causa Do que prometeu. Se crês, nunca serás refém do passado, nem do presente.
É uma questão de Fé. Porque “sem fé é impossível agradar-Lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e que é galardoador dos que O buscam.” (Hebreus 11:6)
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* late bloomer é uma expressão inglesa que define uma pessoa cujos talentos e capacidades se desenvolvem mais lentamente do que os seus pares, mas, mais tarde, revela talentos ou génio numa determinada área.

O Olhar do Pai

“Orando pela chuva que sara
Para restaurar a minha alma.

Sou um farrapo em fuga.
Como cheguei aqui?
O que é que eu fiz?
Quando é que a minha esperança se vai erguer?
Como vou conhecê-lo?
Quando olho nos olhos do meu pai.”

(Eric Clapton, My father´s eyes, 1998)

Eric Clapton escreveu esta música inspirado no pai que nunca conheceu. Apesar dessa distância entre eles, transparece nas palavras do poema um anseio por comunhão que nunca poderá existir. Uma esperança de que no olhar do pai se encontra as respostas que buscamos.

Hoje, a R. adormeceu a olhar para mim. Estávamos na rua, e ela no seu carrinho de passeio. Os seus olhos estavam pesados de sono, mas ela resistia. Talvez a agitação em volta não ajudasse. Alguns minutos depois, o meu olhar cruzou-se com o dela. Ela fitava-me. Demorou-se um segundo e fechou os olhos, dormindo. Senti como se ela esperasse por aquele último olhar do pai, para lhe dar a confiança e segurança, para depois dormir. Sorri, enternecido. E, no meu coração, alegrei-me por reconhecer na simplicidade deste episódio o amor que ela tem por mim.

Lembrei-me da música de Clapton, e de um texto das Escrituras ainda mais relevante:

“Porque, quanto ao SENHOR, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é perfeito para com ele.”
2 Crónicas 16:9

Deus procura-nos com os seus olhos para nos dar a segurança, confiança, descanso e a força que necessitamos. Será que o Seu olhar encontrará o teu?

Crês tu isto?

A fé é uma coisa difícil de concretizar. Sendo, por definição, a crença firme em coisas que não se vêem (Hb.11:1), torna-se uma experiência íntima e pessoal, real apenas para quem a tem. Apesar disso, as suas evidências são indisfarçáveis. No modelar de comportamentos, ideias, ideais, intenções, motivações e anseios. Essas evidências mostram-se tanto mais quanto mais provada for. Tal como o ouro, ou a prata, que brilham mais quando o fogo é mais forte (1Pd.1:7). Não tenhas, por isso, medo da prova. Ela é oportunidade de crescimento e benção! (Rm.5:1-5)

Nos momentos de aperto e contrariedade é difícil manter o ânimo e confiar. Perguntas: “Porquê?” Os últimos meses têm sido de deserto. Uma jornada árdua sem vislumbre de fim. Ao longo deste tempo fui assaltado algumas vezes pela mesma inquietação. Deus, por seu lado, tem mantido o meu ânimo (Js.1:9)! Glória a Ele!

Crês tu isto?” – Hoje esta questão não me tem saído da cabeça (nem do coração). Jesus dirigiu esta questão a uma pessoa especial, Marta, irmã de Maria e Lázaro, amigos íntimos dele. O contexto era difícil, doloroso e catastrófico: Lázaro morrera, e Jesus nada tinha feito para o impedir. (Jo.11) Eis o que aprendi com este encontro:

  1. Marta estava magoada, e não se coibiu de o demonstrar a Jesus (vs.21). O nosso relacionamento com Deus deve ser transparente. Ele não se incomoda em ouvir as tuas aflições ou ansiedades. Deixa o teu fardo aos pés de Jesus, e encontrarás descanso.
  2. Ele, cheio de graça, consolou-a com as promessas de Deus (vs.23) . A nossa consolação está, e sempre estará em Deus. As Suas promessas, a Sua Palavra são a nossa provisão. Como se costuma dizer, não olhes para o tamanho dos teus problemas, olha para o tamanho do teu Deus!
  3. Marta responde como que a dizer: “Sim, sim, eu sei de tudo isso, mas, a minha situação continua a mesma!” (vs.24). Cometemos muitas vezes este erro, o de aligeirar a fé, de aceitar as promessas de Deus apenas em teoria mas sem eficácia prática no nosso dia-a-dia. Poderemos chamar a isso de fé? A verdadeira fé transporta-te ao gozo presente das promessas divinas, independentemente das circunstâncias.
  4. Jesus leva Marta a reflectir melhor na realidade para além do que os olhos vêem (vs.25,26). A realidade que a fé alcança e vislumbra da parte de Deus. E, por fim, remata: “Crês tu isto?” Esta pergunta de Jesus é como: “Que fé é a tua? Acreditas mesmo naquilo de que falas? Quem sou Eu na realidade da tua vida?”

É na travessia dos desertos da vida que a realidade da tua fé vem ao de cima e se revela perante todos. Se só és capaz de ser crente ao domingo, quando tudo vai bem, mas fraquejas quando tens de pagar o preço, que valor tem a tua fé? A promessa de Deus para nós é que mesmo no meio da prova somos mais do que vencedores em Cristo! (Rm.8:35-39) Aleluia! Comporta-te como um vencedor. Age com confiança. Espera pacientemente. E, louva a Deus pela Sua provisão. E o bom cheiro de Cristo fluirá da tua vida para benção de todos quantos te rodeiam.

A história de Marta mudou. E, foi Jesus que operou essa mudança. Lázaro ressuscitou! Do deserto brotaram águas, e o oásis chegou. Chegará também para ti.

Crês tu isto?