Uma questão de Fé

“Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele, pela sua grande misericórdia, deu-nos uma vida cheia de esperança por meio da ressurreição de Jesus Cristo, e prometeu-nos uma herança que não pode destruir-se, nem perder o valor, nem estragar-se. É a herança que Deus vos reservou no Céu.” (1Pedro1:3-4)

fé

Quando uma notícia é boa demais temos dificuldade em aceitá-la. Demoramos um tempo a reagir, revendo na cabeça as palavras que ouvimos só para ter a certeza que ouvimos bem. Ficamos em êxtase, sem crer que é mesmo verdade. Recusamo-nos a viver por antecipação enquanto não tivermos nas mãos a prova física e palpável das boas novas. Ver para crer. Afinal, não somos assim tão diferentes de Tomé.

Ele foi o late bloomer* do grupo mais íntimo de Jesus. Tomé recebeu a notícia do sepulcro vazio junto com os outros discípulos. As mulheres, pela manhã, tinham ido ao túmulo para preparar o corpo do Senhor, pois tinha sido sepultado à pressa. Encontraram a pedra rolada, e um túmulo vazio. Pedro e João, recebendo as notícias foram os primeiros a verificar as palavras das mulheres. João, viu e creu. (João 20:8) Maria Madalena, voltou ao Jardim e encontrou o Mestre. (João 20:18) Ela foi testemunha perante os discípulos de que o Autor da Vida vencera a Morte. Estou certo que os discípulos, todos eles, incluindo Tomé, foram ver os panos deixados para trás no sepulcro vazio. Os discípulos, todos eles, excepto Tomé, viram o Senhor aparecer no meio deles. E creram. (João 20:19-22) Todos, menos Tomé. Ele era o único do grupo íntimo de Jesus que ainda não O tinha visto ressuscitado.

As palavras do testemunho dos seus amigos. A comprovação do sepulcro vazio. Tudo parecia bom demais. Difícil demais. Improvável demais. Tomé precisava, como nós, ver para crer.

Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei.” (João 20:25)

Somente uma semana mais tarde Jesus reapareceu aos discípulos. Tomé estava presente. Depois de uma semana de dúvidas, certamente de angústia por não ter a sua fé confirmada, Tomé cai aos pés de Jesus e humilha-se: “Senhor meu, e Deus meu!” (João 20:28) Apesar de Jesus estar ressurecto há uma semana só a partir dali Tomé viveu e experimentou o poder transformador da ressurreição.

Tal como Tomé, é possível que estejas a negar e a desperdiçar o poder da ressurreição. Examina-te a ti mesmo e vê se os sinais da fé estão presentes e atuantes na tua vida.

  1. A ressurreição de Jesus faz-te bem-aventurado. Jesus disse a Tomé que eram bem-aventurados aqueles que não vendo, criam. (João 20:26) A fé não é confirmada com os nossos sentidos, mas, no espírito. Uma fé viva faz de ti uma pessoa bem-aventurada. Feliz, realizada, em paz consigo e com Deus, equilibrada, gozando em pleno as bençãos de Deus. Negar a fé lança-te nas garras da dúvida e do medo, e rouba toda a tua esperança. Crê, e a presença do Cristo ressurecto e o Seu poder serão uma realidade tangível na tua vida.
  2. A ressurreição de Jesus traz-te nova vida. Tendo a fé firmada em Cristo, na Sua morte e ressurreição, tu sabes que “como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andamos nós também em novidade de vida.” (Romanos 6:4) Como Pedro disse: “Ele nos gerou de novo“. (1Pedro 1:3) A realidade do novo nascimento é possível por causa da ressurreição. Se crês, nasceste para uma nova vida, repleta de esperança e do poder de Deus, em plena liberdade para conhecer, amar e servir o Senhor que te Ama “de tal maneira”.
  3. A ressurreição garante o teu futuro. A esperança da nova vida aponta para o futuro. Um futuro garantido por Deus. Uma herança. (1Pedro 1:3-4) A vida eterna não é, no entanto, conjugada em tempos futuros. É para ser vivida hoje, aqui e agora, à luz daquilo que sabemos que nos espera. É assim que eu posso, se creio, olhar para os problemas e tribulações do Hoje, como leves e momentâneos. É assim que posso, se creio, vencer a tentação e negar-me a mim mesmo, por que vejo O invisível, e aguardo a herança que está guardada para mim. É assim que vivo o abundante gozo da minha salvação, porque a tenho por certa e inabalável, por causa Do que prometeu. Se crês, nunca serás refém do passado, nem do presente.
É uma questão de Fé. Porque “sem fé é impossível agradar-Lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e que é galardoador dos que O buscam.” (Hebreus 11:6)
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* late bloomer é uma expressão inglesa que define uma pessoa cujos talentos e capacidades se desenvolvem mais lentamente do que os seus pares, mas, mais tarde, revela talentos ou génio numa determinada área.
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A Alvorada de uma nova Vida

O grande contraste do Calvário é entre o tenebroso coração pecaminoso do Homem, cheio de horrores e violência contra Deus, e, o coração amoroso, justo, e misericordioso de Deus.

A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis;
A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos.
Atos 2:22-23

Mas vós negastes o Santo e o Justo, e pedistes que se vos desse um homem homicida.
E matastes o Príncipe da vida…
Atos 3:14-15

Aquilo que parecia ser um irremediável revés ao plano de Deus – afinal, o Seu Enviado tinha sido rejeitado e assassinado – foi transformado gloriosamente na melhor notícia para toda a Humanidade.

“pelo determinado conselho e presciência de Deus” (At.2:23)

Deus escolheu o caminho difícil do sacrifício. Escolheu porque antevia o fruto que daí resultaria. (Is.53:10-11) Jesus foi a oferta pelo pecado que eu e tu precisávamos para nos tornarmos aceitáveis para Deus. O fruto dessa oferta são as nossas vidas redimidas, perdoadas, justificadas. A Justiça e o Amor de Deus são conciliados na cruz. Eternamente. Mas, o plano de Deus é ainda mais glorioso do que isso.

Ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela.
Atos 2:24

O Autor da vida não podia ser vencido pela morte. A pedra do túmulo foi rolada. Os panos removidos. E, as entranhas do sepulcro devolveram o Eterno, o Rei da Glória. Maria Madalena, Salomé, Maria, mãe de Tiago, Joana, Pedro, João, os restantes discípulos, incluindo Tomé, e mais de quinhentos irmãos testemunharam o Cristo Ressurecto. (Mt.28Mc.16; Lc.24; Jo.20,21; 1Cor.15:3-8)

Deus O exaltou (At.2:33,36; Fl.2:9-11) e Lhe confiou o poder de julgar com justiça. Ele que pagou o preço pelos pecados do Homem, julgará o Homem pela sua decisão em relação ao Seu sacrifício.

O Homem tenta fazer-se agradável a Deus de muitas maneiras, mas o padrão de Deus é exigente demais.

Quem subirá ao monte do SENHOR, ou quem estará no seu lugar santo?
Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente.
Este receberá a bênção do SENHOR e a justiça do Deus da sua salvação.
Salmos 24:3-5

Nenhum Homem pode atingir a exigência de santidade de Deus. Nenhum, excepto Cristo. Aquele que nunca pecou. Em quem nunca se achou engano. Depois do Seu sacrifício Ele pode apresentar-se na presença do Pai e dizer: “Está consumado!”.

Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.
Salmos 24:7

Ele pode entrar no lugar Santo. Ele é o Rei da Glória. E nós entraremos com Ele quando nos arrependermos dos nossos pecados e O confessarmos como Senhor.

E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos?
E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;
Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar.
Atos 2:37-39

Temos um Salvador vivo. Um Senhor que vive para sempre. Que reina. E reinará. Que intercede por nós. Que se compadece. Que está connosco até à consumação dos séculos. Que nos guarda. Que toma a nossa defesa. Que nos prepara um lugar na Sua presença. Que nos reveste de justiça. Que voltará para julgar em justiça. Por que Ele vive, podemos ter esperança.

Esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.
Atos 2:36

O triunfo da Cruz!

Jesus veio com um propósito. A sua missão estava definida desde a eternidade. As dificuldades que encontrou foram muitas. Logo no início do seu Evangelho, João diz-nos que Ele, a vida e luz dos homens veio a um mundo em trevas, mas não foi compreendido. Chegou ao mundo que Ele criou, mas não foi reconhecido. Veio aos seus, e estes não O receberam. (Jo.1:1-11) Ao longo da sua vida foram muitos os momentos em que teve de confrontar-se com a dureza da missão e com tentações descaradas e ás vezes subtis de soluções mais fáceis para atingir aparentemente o mesmo fim.

Vemo-lo num dia de festa, um casamento, rodeado de amigos e familiares. Um momento improvável para um teste. A sua mãe aproxima-se e segreda-lhe: “O vinho acabou”. Com alguma dureza Jesus responde: “Mulher, que tenho eu contigo? A minha hora ainda não é chegada!” Mas quando, seguramente movido pela pena aos noivos, transformou água em vinho, lemos que os seus discípulos creram nele.

Mais tarde, desviou-se do caminho habitual para se sentar na beira de um poço, na hora do calor mais duro, para se encontrar com alguém que precisava de ajuda. Conversou longamente com esta mulher samaritana, até que ela sai correndo de volta à cidade, chamando a todos e dizendo: “Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito: porventura não é este o Cristo?”

E muitos mais creram nEle por causa da sua palavra.

Quando um dia Jesus ensinava uma grande multidão, compadeceu-se deles e tomando alguns pães e peixes alimentou a todos até que ficassem satisfeitos. Entre a multidão ouvia-se: “Este é evidentemente o profeta que havia de vir ao mundo”. E queriam faze-lo rei. Quando no dia seguinte Jesus viu que ainda o seguiam disse-lhes: “Não me buscais pelos sinais que vistes, mas porque comestes e vos saciastes.” E muitos viraram costas e O abandonaram.

A notícia chegou deixando todos constrangidos. Um dos melhores amigos de Jesus tinha morrido. Lázaro estava morto. Jesus comoveu-se. Chorou. Mas quando se pôs diante do sepulcro onde o morto jazia há 4 dias e o chamou pelo nome, Lázaro saiu para fora. Muitos creram nele.

A novidade espalhou-se como fogo em terra seca, e quando Jesus chega a Jerusalém uma semana antes da Páscoa é recebido por uma multidão em êxtase, gritando e dançando nas ruas, trazendo folhas de palmeira e aclamando: “Bendito o rei de Israel, que vem em nome do Senhor”.

Na mente de todos ecoava uma certeza: MISSÃO CUMPRIDA! Na de todos, menos na de Jesus. Nada fazia prever que menos de uma semana depois Jesus se deixaria prender sem motivo, se submetesse a um julgamento ilegal, com acusações falsas, suportasse os castigos, o chicote, os murros, as cuspidelas, os insultos, as blasfémias, tomasse uma cruz que não era sua, e estivesse agora ali, no topo do Calvário suspenso entre o céu e a terra, desfigurado pela dor dos cravos e do chicote, e da ira do Pai.

Teria sido fácil para Jesus levantar multidões atrás de si. Era Ele que podia satisfazer todas as necessidades, falar ao mais profundo da alma, extinguir a fome no mundo, curar todas as doenças e até ressuscitar mortos. Ninguém lhe resistiria. Mas não foram esses problemas que Ele veio primariamente a resolver, mas um mais grave do que estes. O PECADO.

Jesus disse: “Eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum se perca. Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna” (Jo.6:38-40)

Quando muitos já desciam o monte cabisbaixos e derrotados, pensado que tudo estava acabado, Jesus há quase 6 horas na cruz, reúne as suas forças,e solta um brado que ressoa. O que Ele disse era improvável, estranho, e contra tudo o que se podia esperar: ESTÁ CONSUMADO! Este não foi um queixume derrotista nem um lamento. Não foi um: “está tudo acabado” “é o fim” “não posso mais”. Das 7 vezes que Jesus falou na cruz, apenas em duas ocasiões ele “clamou com alta voz”. Um destes gritos foi de desespero e abandono: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” O outro de absoluto triunfo: “Está consumado!” Os dois momentos decisivos: o suportar do castigo e a vitória! Estava tudo feito. A missão foi levada até ao fim. Não era preciso acrescentar mais nada. Todas as profecias a respeito do Messias estavam cumpridas. Está consumado. Todo o trabalho que o Pai lhe deu a fazer estava feito. Está consumado. A expiação pelos pecados realizada. Está consumado. A possibilidade de perdão eterno. Está consumado. O poder do pecado anulado. Está consumado. A morte vencida. Está consumado. Satanás derrotado para sempre. Está consumado. A vida eterna. Está consumado.

Muitos séculos antes Isaías, o profeta, escreveu a respeito do Cristo: “Quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão. O trabalho da sua alma verá, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos: porque as iniquidades deles levará sobre si.” (Is.53:10-12)

Imagino Jesus exausto, no limite das suas forças. A separação do Pai era dor insuportável. E o castigo. Os cravos. Os insultos. A incompreensão. Mas perto do fim Ele ergue o seu olhar e vê mais além, onde só Ele podia ver. São muitas caras. De todas as tribos, povos, línguas e nações. Tantas que são uma multidão. Tantas que ninguém pode contá-las. Mas Ele conhece a todos pelo nome. Vê-me também a mim. E a ti. E ficou satisfeito.

E no limite daquilo que podia suportar, ergue-se sobre os cravos e solta o brado final: ESTÁ CONSUMADO!

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“E no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado, e algumas outras com elas. E acharam a pedra revolvida do sepulcro. E, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus. E aconteceu que, estando elas muito perplexas a esse respeito, eis que pararam junto delas dois homens, com vestes resplandecentes. E, estando elas muito atemorizadas, e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galiléia, Dizendo: Convém que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia ressuscite.

E lembraram-se das suas palavras.”

(Lucas 24:1-8)