Chamado à comunhão

Leitura recomendada: João 1:1-2

Ele estava no princípio com Deus.
João 1:2

O Verbo não é um conceito que existia na mente de Deus. O Verbo é uma pessoa. “Ele” estava com Deus. No princípio. No começo de todas as coisas Ele reinava e dominava. Com Deus. Não existiu um momento desde a eternidade passada em que Jesus não estivesse com Deus – Ele é Deus. Nem um instante em que a Palavra que Ele personifica, a Mensagem que revela Deus ao homem, não existisse no coração e no propósito divino. O Evangelho não é um plano secundário de Deus. É a maior manifestação da Sua Glória.

Quando João reforça a ideia do primeiro versículo, ele afirma além de qualquer dúvida a divindade de Jesus ao mesmo tempo que nos faz sentir a profunda comunhão que existe no seio divino. Jesus, o Pai e o Espírito Santo, o Deus Triuno, em comunhão perfeita desde a eternidade passada. Uma comunhão que criou o Mundo (Gn.1:1-2). Formou o Homem do pó da terra (Gn.1:26-27). Sustenta todas as coisas. Uma comunhão nunca quebrada.

A Encarnação é o começo de um caminho que vai conduzir à separação do indivisível. Jesus sabia disso. Mesmo assim Ele veio. Porque Ele é o Verbo que nós precisávamos ouvir. Na Cruz, o clímax da Sua missão, Jesus clama: “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?” (Mc.15:34). João, o mesmo que ouviu estas palavras vindas do madeiro, quer fazer-nos sentir o peso do Amor de Deus por nós lembrando-nos da comunhão que só foi quebrada para que tu pudesses ser incluído nela (Jo.1:12-13; Rm.5:1-11).

A Cruz de Jesus

“Quando Jesus veio à terra, Ele sabia que vinha para morrer; ouve o Mestre quando explicava as Escrituras àqueles discípulos cabisbaixos na estrada para Emaús. “Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória?” perguntou ele (Lucas 24:26). A cruz era uma missão divina, não um acidente humano; era uma obrigação dada por Deus, não uma opção humana. Mais tarde nessa mesma noite, Jesus aparece aos onze apóstolos e diz, “Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos” (Lucas 24:46). Jesus não foi assassinado; Ele voluntariamente deu a Sua vida pelas Suas ovelhas (João 10:15-18). A Sua morte era uma necessidade no plano eterno de Deus.”

Warren W. Wiersbe em “The Cross of Jesus – What His Words From Calvary Mean For Us“, © 1997 Publicado por Baker Books

Combinação perfeita

Esta manhã ao chegar ao consultório iniciei o computador. Como sempre, uma das primeiras páginas que visitei foi a Bíblia Online. Todos os dias há dois versículos em destaque sobre os quais medito e normalmente acabo a partilhar. Hoje, encontrei estes:

Versículos

Assim que li pensei: “Que combinação perfeita!” Deixa-me explicar.

Na nossa caminhada com Deus dependemos constantemente das Suas misericórdias. Se não forem elas seremos consumidos. Mas, a segurança da Graça de Deus para connosco não nos conduz a uma vida desregrada. Pelo contrário. Tendo provado do Amor de Deus desejamos em tudo agradar-Lhe, e esforçamo-nos para ser por Ele aprovados. É a combinação perfeita entre a Obra de Deus por nós e em nós, e a responsabilidade que temos perante Ele de sermos santos como Ele é Santo.

Que Deus nos ajude!

 

Brincar às escondidas

Quando me detenho a meditar nas questões da fé encontro frequentemente grandes desafios. Nestes últimos dias, o Salmo 139 tem estado presente no meu espírito. Este Salmo é um hino majestoso à soberania de Deus, expressa na Sua Omnisciência (vs. 1-6), Omnipresença (vs. 7-12) e Omnipotência (vs. 13-18).

A questão que me sobressalta prende-se com a reacção de David perante este Deus Santo (vs. 19-20) e Supremo: “Sonda-me, ó Deus…” (vs. 23).

Jogo das escondidas

 

Somos formatados para manipular a verdade a nosso favor, para esconder os nossos sentimentos e a ocultar os fracassos. A mentalidade secular faz-nos crer que para sermos aceites e bem-sucedidos não podemos mostrar quem somos. Vivemos numa grande mascarada. Não gostamos de ser julgados, nem sequer criticados, porque sentimos isso como um ataque pessoal, e não como uma ferramenta para mudar e crescer.

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos.
E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.
Salmos 139:23-24

O convite ao exame externo de David é por isso estranho. Ainda mais quando consideramos que ele lança o apelo ao Deus-que-tudo-sabe-vê-e-pode. A sua atitude contrasta com a de Adão e Eva que se esconderam de Deus no Jardim (Gn.3:1-11). Ou, com a de Caim, após ter assassinado o seu irmão, que se escusa a assumir responsabilidade perante Deus (Gn.4:1-9). Ou, com a dos homens ímpios que dizem: “Não há Deus!” (Sl.14:1, Sl.53:1). Ou, ainda, com a de todos os homens e mulheres, que de uma ou outra maneira, não glorificam a Deus, mudam a Sua glória e manipulam a Sua verdade, para que possam apaziguar as suas consciências acusadoras e seguir pecando (Rm1:21-32).

O exame a que David se expõe é:

1. Profundo.

Nota as expressões que David usa:

  • “Sonda-me” – o significado imediato da palavra é penetrar. No contexto, refere-se a examinar intimamente, procurando, descobrindo e provando todas as coisas.
  • “Conhece” – a raiz da palavra pode ter um significado amplo. No contexto, refere-se a um conhecimento total sobre o coração através de observar, reconhecer, discernir e compreender tudo a seu respeito. Tal conhecimento confere domínio e posse.
  • “Prova-me” – o significado imediato é testar, especialmente os metais. A ideia é a de um teste que põe à prova os limites do material. No contexto, refere-se a investigar, examinar e provar pelas tribulações.
  • “Vê” – o significado imediato é olhar atentamente. No contexto, refere-se a um exame por observação cuidada, espiar de perto para discernir intenções.

David, que conhece o Deus a quem agora se entrega, sabe que não pode esconder nada d’Ele. Por isso, expõe-se a um exame rigoroso, onde nada será deixado de parte. Ele não quer apenas aliviar a sua consciência, dizendo: “Senhor, olha isto ou aquilo que fiz.” Ele quer entregar-se completamente a Deus.

2. Íntimo.

David pede que Deus examine o seu coração.  Na Bíblia, o coração refere-se ao centro e ao mais íntimo do nosso ser. É a sede das emoções, da vontade, e mesmo da razão e intelecto.

David queria que todo o seu ser fosse sujeito a Deus. Tudo o que ele era, sem restrições, sem máscaras, sem dissimulações. Ao contrário de Adão, que fez para si aventais de folhas para cobrir a sua nudez (Gn.3:7-11), David expõe-se nu perante Deus.

3. Abrangente.

David expõe o seu coração, mas também os seus pensamentos. As preocupações, cogitações, e todos os planos estavam diante do Senhor. O exame não só é pessoal e íntimo, como também alcança todas as áreas da vida. Nada fica de fora de todas as realizações de David. A família, o trabalho, os projectos futuros, as amizades. Tudo.

4. Corrector.

A preocupação de David é conhecer os “caminhos maus” que possam dominar a sua vida. Na linguagem original, a raiz da palavra para mau pode significar:

  • sofrimento ou dor
  • perverso
  • ídolo

David quer saber se o seu coração, ou os seus pensamentos, estão a seguir num caminho que o conduza a sofrimento, impiedade e pecado, ou idolatria. Blaise Pascal é o autor da famosa frase: “O coração tem razões que a própria razão desconhece.” David reconhece que não é capaz de garantir que as suas escolhas serão sempre certas, porque há caminhos que ao homem parecem bons, mas o seu fim é a morte (Pv.16:25). Por isso, ele entrega-se ao exame divino para que o Deus-que-tudo-vê-e-sabe lhe mostre a realidade do seu coração.

5. Consequente.

O objectivo de David não é aumentar o seu auto-conhecimento pelo caminho da introspecção. Muitos apontam esse caminho como a fonte de maturidade e equilíbrio. Pelo contrário, David entrega-se a um exame externo, e está disposto a submeter-se às conclusões. A sua súplica é: “… guia-me pelo caminho eterno.” A ideia aqui expressa é mais do que apenas sugerir ou apontar alternativas. Guiar é liderar. Liderar é governar. David entrega-se totalmente à vontade de Deus para a sua vida. Ele sabe que ela é boa, perfeita e agradável. Ele confia que Deus endireitará os seus caminhos.

Enquanto a maior parte dos homens foge de Deus, David entrega-se a Ele. Tendo consciência das suas falhas e pecado, ainda assim não tem medo de se apresentar diante de Deus, que é Santo. Porquê? Porque confia nas Suas misericórdias, e sabe que só por elas poderá subsistir (Sl.51:1)

Esconderes-te de Deus não mudará nada. Deus continuará a ser Deus. E tu, continuarás pecador. Vem hoje a Ele. Entrega-te à Sua misericórdia. E, ora como David orou:

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos.
E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.
Salmos 139:23-24

Uma questão de vista

Quem escreve este texto é uma versão revista e melhorada de mim! O meu silêncio “internético” dos últimos tempos é justificado pelas constantes dores de cabeça e ardor nos olhos quando passava mais do que 5 minutos em frente ao ecrã ou a ler um livro. Ao princípio, atribuí esses sintomas ao cansaço. Com o tempo, tornou-se evidente que havia qualquer coisa errado.

Depois de alguns exames fui diagnosticado com um problema congénito – ou seja, que me acompanha desde nascença – que me leva a esforçar em demasia a musculatura ocular principalmente quando foco objectos próximos, o que conduzia à fadiga que sentia. Agora, com o upgrade ocular estou como novo, quero dizer, melhor do que novo! (Nota pessoal: Não esquecer de enviar o pedido de indemnização aos pais)

OLHO

A Bíblia fala muito dos olhos e da visão. Normalmente, no contexto bíblico, a visão está associada à percepção das coisas.

Lembram-se do servo do profeta Eliseu que tremia perante a aparente iminência da morte? Quando o Senhor lhe abriu os olhos a sua percepção imediatamente mudou. (2Reis 6:8-18)

Lembram-se de Jó, o homem íntegro e justo a quem Deus provou? Ele defendia a sua justiça própria diante dos amigos e de Deus (Jó 13:22-26), até que Deus lhe abriu os olhos e ele se remeteu ao silêncio perante a santidade absoluta do Senhor. (Jó 42: 1-6)

Lembram-se de Moisés, o hebreu criado no palácio do Faraó? Ele quis, sozinho, libertar os seus irmãos hebreus e acabou um fugitivo no deserto. (Êxodo 2:11-15) Quando Deus lhe abriu os olhos ele enfrentou o Faraó e o seu exército poderoso porque via o invisível. (Hebreus 11:24-27)

Todos nós precisamos que os nossos olhos sejam abertos. Para vermos a Cristo. A Sua Santidade. A Sua Graça. O Amor revelado. Para sentirmos a nossa miséria. Para buscarmos n’Ele o perdão. Para nos sentirmos seguros. Precisamos que os nossos olhos sejam abertos para percebermos a Obra que Deus está a fazer em nós e por nós. Para sermos gratos. Ousados no serviço. Perseverantes na tribulação.

Precisamos que o Senhor nos dê visão para que não O deixemos de fora, à porta, batendo, mesmo quando pensamos que Ele está connosco. (Apocalipse 3:15-22) Àqueles que sofriam desse mal, Jesus disse:

“(…) dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;
Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.”
Apocalipse 3:17-18

Como estão os teus olhos? Como os do cego, que fora curado, mas via os homens como árvores? (Marcos 8:22-25) Não é isso que Deus quer para ti. A solução: vai a Jesus, e deixa que Ele limpe os teus olhos, uma e outra vez, para que vejas…

“”(…) as coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu,e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.” 1 Coríntios 2:9