A Razão da Esperança

“Se este pregador morresse agora mesmo, iria para o céu. Não por que passei anos na selva e nas montanhas dos Andes no Peru. Não por causa da piedade, devoção ou conhecimento bíblico. Não por causa de filiação denominacional, baptismo ou participação na Ceia do Senhor. Se eu morresse agora mesmo, eu iria para o céu porque há dois mil anos atrás o Filho de Deus verteu o Seu sangue por este miserável pecador. Essa é a minha esperança.” – Paul Washer. (via I’ll Be Honest)

Porque sinto que estou salvo

Ontem, publiquei um artigo sobre a minha certeza de salvação. Tenho a certeza que estou salvo porque nada na minha salvação depende de mim, mas, tudo de Deus, e Ele não falha.

Hoje, quero abordar a questão de uma outra perspectiva: Porque sinto que estou salvo? A minha confiança segura de que estou salvo está em Deus, mas, a transformação constante da minha vida e do meu coração também é a confirmação do novo nascimento. O que quero dizer?

1. Um amor crescente por Deus.

Quanto mais O conheço mais o Amo. Deus tem se tornado o ponto fulcral da minha vida. Não consigo imaginar a minha vida longe d’Ele. Quero conhecê-l’O mais, agradar-Lhe em tudo. Fico desolado quando O ofendo. Tenho prazer em fazer a Sua vontade.

Amo ao SENHOR, porque ele ouviu a minha voz e a minha súplica. (Salmos 116:1)

Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama. (Lucas 7:47)

2. Um amor crescente pela Palavra.

O meu prazer é meditar e partilhar a Palavra de Deus. Não sou um homem de muitas palavras, na verdade sou bastante introvertido, mas, sou capaz de ficar horas a falar sobre o Evangelho. Amo a Palavra e construo a minha vida sobre o conhecimento da vontade divina que ela me traz.

Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia. Salmos 119:97

3. Um amor crescente pela Igreja.

Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. (João 13:35)

O amor pelos irmãos na fé, fruto do Amor derramado por Deus nos nossos corações, é o pano de fundo do que significa ser Igreja – o uso dos dons, a disciplina, a adoração, o ensino, a pregação do Evangelho, a comunidade de amor curativo. É na Igreja que me sinto em casa. Servir o povo de Deus o meu desejo.

Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. (Atos 20:28)

Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
Do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome,
Para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior;
Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor,
Poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade,
E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.
Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera,
A esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém.
(Efésios 3:14-21)

4. Um ódio crescente pelo meu pecado.

Já não sou capaz de ignorar o pecado em mim. Ele entristece-me, repulsa-me. Tenho um desejo ardente por santidade e pureza. Sinto-me incomodado quando estou num ambiente em que a linguagem, as conversas ou os hábitos são uma expressão da natureza caída do Homem.

Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus;
Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros.
Miserável homem que eu sou!
(Romanos 7:22-24)

Por estas duas razões:

  • Deus, o Autor e Consumador da minha salvação, e
  • A transformação visível do novo nascimento.

vou caminhando seguro até ao Lar. E, tu?

Porque sei que estou salvo

Há dias difíceis. Vidas difíceis. Crises. De coração. De alma. De fé. Já passei por lá. Mas, hoje, trago no coração uma certeza inabalável: “Sou de Jesus e Jesus é meu!” Ainda há dias difíceis. Crises, muitas virão certamente. Mas, esta confiante esperança jamais passará. Porquê?

1. Não depende da minha vontade

Se dependesse estaria perdido quando, na adolescência, uma paixão por uma colega era bem mais arrebatadora do que a minha fé. Por minha vontade, talvez trocasse Deus por esse amor.

Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome;
Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
João 1:12-13

2. Não depende das minhas emoções

Se dependesse estaria perdido quando, na faculdade, experimentei a maior desilusão com a “igreja”. Naqueles dias negros, no meu coração não havia espaço para mais nada a não ser mágoa.

E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
Romanos 5:5

E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Gálatas 4:6

3. Não depende do meu desempenho

Se dependesse estaria perdido por tropeçar tantas vezes nos mesmos pecados, e não amar o meu Senhor como Ele é digno.

Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.
Filipenses 2:13

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.
1 João 1:9

4. Não depende da minha compreensão

Se dependesse estaria perdido porque, até hoje, não entendo como Ele pode amar alguém como eu. Não entendo os mistérios da Sua Graça, nem a sabedoria da Sua Soberania.

Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados.
Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes;
E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são;
Para que nenhuma carne se glorie perante ele.
Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção;
Para que, como está escrito: Aquele que se gloria glorie-se no Senhor.
1 Coríntios 1:26-31

Tenho certeza da salvação porque nada na minha salvação depende de mim. Estou certo porque (…) os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis. (Rom11:29) Noutra versão lê-se que “Deus não se arrepende”. Estou confiante porque tenho “por certo isto mesmo, que Aquele que em vós (em mim) começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus.” (Fp1:6) (enfâse minha)

Por tudo isto, SOLI DEO GLORIA. Toda a Glória somente a Deus.

Brincar aos deuses

“(…) este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que se fazem com as mãos.” (Atos 19:26)

O grande ourives Demétrio acusava assim o apóstolo Paulo que lhe causava pesado prejuízo com a pregação do Evangelho. O poder do Evangelho em Éfeso foi manifestado de tal maneira que toda a cidade ficou em alvoroço. Apesar da grande resistência de alguns, a Palavra do Senhor operava poderosamente e o temor do Senhor caía sobre muitos. Até os feiticeiros vieram a público queimar os seus livros de artes mágicas.

Com o número crescente de cristãos na cidade, o negócio dos ídolos de prata e ouro começou a ressentir-se. Foi então que Demétrio tomou a iniciativa de convocar todos os artífices da cidade para mover uma acção judicial contra Paulo, procurando com isso impedir o progresso do Evangelho e proteger o seu rentável negócio.

O argumento de Demétrio é que me chama a atenção:  Paulo diz que “não são deuses os que se fazem com as mãos”. Pergunto-me se ele teve noção do ridículo do seu argumento. Ele veio em defesa da honra de deuses feitos por homens. Ora, se homens tem o poder de fazer deuses, não quer isso dizer que são ainda maiores do que os deuses?

Esse é o nosso problema. Queremos deuses à nossa medida, ao alcance das nossas mãos. Toda a idolatria consiste em trocar o Deus Único e Soberano, por um deus menor do que eu. Nesse processo fazemo-nos deuses. Esse é o grande engano do pecado desde o Éden: “sereis como Deus” (Gênesis 3:5), foi a promessa maldosa da serpente a Eva.

idolatriaÉ assim até hoje, mesmo sem imagens esculpidas a quem nos curvamos. Confiamos no dinheiro, na educação, na família, nos amigos, na saúde, no prazer, no poder, na fama, na religião – deuses menores que podemos controlar a nosso bel-prazer. Quando ficamos insatisfeitos com um substituímo-lo por outro. Tudo para podermos manter o controlo da nossa vontade. Tudo para fugirmos do Verdadeiro Deus.

Não te iludas por mais tempo. Lembra-te: não são deuses os que se fazem com as mãos! Nenhum dos teus ídolos resistirá ao poder do Evangelho.

Crer como criança

Os meus filhos são, na minha vida,  a parábola viva do que Jesus ensinou: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus.” (Mateus 18:3)

crianca

Ontem, durante o jantar, surgiu a incómoda pergunta: “O que acontece às pessoas quando morrem?” Eu e S. gostamos de esclarecer os nossos filhos e, com a simplicidade necessária, oferecemos a explicação.

Quando falava sobre o Céu e o inferno eles prestaram muita atenção. Expliquei que quem não se arrepende dos seus pecados vai receber o castigo de Deus, mas quem se arrepende e crê no Senhor Jesus como Salvador vai para o Céu.

O J. interrompe subitamente e diz: “Posso sair da mesa para ir ao meu quarto orar?” Saiu apressado e foi confessar os seus pecados a Deus. Voltou radiante e aliviado por estar em paz com Deus.

A simplicidade do Evangelho encontra terreno fértil na simplicidade do coração das crianças. Quando crescemos, o insidioso pecado contamina todo o nosso ser, e o Evangelho torna-se, aos nossos olhos castrador e repugnante. Resistimos a Deus porque amamos mais o pecado. Enxovalhamos o Evangelho porque queremos reivindicar o nosso direito ao Céu. Adiamos o arrependimento porque temos coisas mais importantes a fazer primeiro. No fim, perdemos tudo.