Olhar a Bíblia: Mateus 17

A experiência cristã vive do difícil equilíbrio da dicotomia de uma prática da fé na intimidade solitária ou comunitária com Deus, e, a prática da mesma fé na hostilidade de um mundo que não reconhece a Deus. A montanha e o vale. O lugar santo saturado da presença inegável de Deus, e, o lugar comum dos desafios à fé onde a nossa fragilidade e incapacidade são mais evidentes.

Todos gostamos de estar na montanha. O êxtase dessa experiência leva-nos a buscá-la incessantemente, por vezes, até por meio de artifícios que mimetizam o mover sobrenatural do Espírito, mas, são inconsequentes nos seus efeitos santificadores. A montanha é essencial para sobreviver num mundo hostil à fé. Jesus é descrito muitas vezes a subir a montanha. O recolhimento, consolo, instrução e capacitação que recebemos quando nos encontramos com o Senhor são imprescindíveis para nos mantermos no centro da Sua vontade.

A vida, no entanto, não pode ser feita apenas de montanha. O chamado de Deus para os seus é que desçam ao vale para alcançar os que ainda estão perdidos. Aí a nossa fé é posta à prova. A instrução que recebemos antes tem que ser aplicada. A forças empregues até ao limite para alcançar o fruto. O preço amargo do tomar a cruz pago com gozo santo.

Nem quem vive sempre na montanha, nem quem insiste em ficar no vale, prova a vida abundante que Deus, em Cristo, tem para os seus. Não estamos sempre fracos, necessitados do consolo do Pai. Nem estamos sempre fortes, capazes de enfrentar as potestades. Somente os experimentados – como Jesus – em subir ao monte e descer às multidões, estão aptos a cumprir todo o desígnio de Deus para as suas vidas.

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Bem-fazer :: Devocional

10.Mar :: Provérbios 3:27-32

Conta-se a história de um menino pobre que estava a mirar bolos na montra de uma pastelaria. Ele estava com fome e não tinha dinheiro para comprar nenhum deles. Olhava para as pessoas que passavam por ele indiferentes. Depois de ser enxotado por uns clientes indelicados, um homem aproximou-se dele e chamou-o.

“Queres um bolo?”

O rapaz nem queria acreditar. Entrou na loja com o homem, e escolheu o bolo que quis. Ao sair, ainda incrédulo, voltou-se para o benfeitor e perguntou:

“Tu és Jesus?”

  1. A bondade e a solidariedade estão presentes em toda a Bíblia. Elas são o reflexo do carácter de Deus. Avalia como tem sido a tua atitude nesta área.
  2. Nos dias difíceis e de crise em que vivemos a solidariedade é uma prioridade. Pensa em situações que conheces e em modos de poderes ajudar.
  3. Com base no texto, enumera as diferentes formas de fazer o bem.

O caminho da grandeza

Há uma tendência enraizada em nós para buscarmos o reconhecimento e a aclamação dos outros. Ficamos tristes e sentidos quando fazemos alguma coisa boa e ninguém nos agradece ou reconhece o que fizemos. Quando falhamos tentamos desviar a atenção de nós culpabilizando outros.

Quero falar-te de um homem que era o exemplo contrário de tudo isto. Joabe era o seu nome. Ele era um dos mais proeminentes generais do rei Davi. Um homem valente, destemido, e fiel ao seu rei. Joabe não buscava o reconhecimento dos outros pelos seus feitos valorosos. Tudo quanto lhe bastava era que o seu rei soubesse que ele o servia fielmente. O seu desejo mais profundo era que Davi, o seu rei, obtivesse toda a honra e glória pelas conquistas alcançadas.

Numa ocasião (2Sam.12:26-31), Joabe conquistou sozinho – comandando as tropas sem a presença de Davi – uma importante cidade: Rabá, a cidade real dos Amonitas. Esta era uma importante conquista que lhe valeria a aclamação de todo o povo, e poderia posicioná-lo para uma eventual usurpação do trono de Israel.

Foi neste momento crucial da vida de Joabe que ele revelou o seu carácter perfeito. Enviou mensageiros a Davi dando conta da tomada da cidade e rogando-lhe que viesse juntar-se a ele para o assalto final, a fim de que todos os créditos da vitória fossem para o rei e não para ele próprio. Que exemplo! Que grandeza de espírito!

Ao contrário do que o mundo apregoa e ensina, a humildade é o caminho da grandeza. Joabe não deixou de ser reconhecido pelo que fez e a sua atitude ficou registada como exemplo perpétuo nas Escrituras Sagradas. Vive a tua vida fazendo o trabalho que te compete, com humildade e procurando dar todo o louvor Àquele a quem serves. Grande será a tua recompensa.

Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.” (Mateus 5:3)

Olhar a Bíblia – Mateus 10

Seminários, cursos e sessões de motivação pessoal são, nestes dias, um recurso cada vez mais procurado por aqueles que querem dar o salto para uma vida de excelência, superando os limites antes julgados intransponíveis. É certo que uma pessoa motivada é capaz de ter uma atitude mais optimista, mais batalhadora e normalmente mais produtiva do que alguém que se derrota à partida. Mas, onde assentam os pressupostos motivacionais de tais gurus dos tempos modernos? Estarão essas pessoas a construir as suas vidas sobre base sólida?

Jesus liderava um grupo de personalidades díspares, e em alguns casos irreconciliáveis! De funcionários públicos corruptos, trabalhando para as forças ocupantes, a nacionalistas extremistas com comportamentos terroristas. De homens iletrados, de força bruta, a outros com condutas irrepreensíveis, passando por desonestos, ladrões e traidores. Tentar levar a cabo uma missão global com esta mão-de-obra afigura-se tarefa impossível. Como cativar todas as diferentes expectativas, convicções e motivações num objectivo comum e acima das suas agendas pessoais?

No discurso de comissionamento destes homens Jesus começa por focar a sua atenção na Missão. “O Reino do Céu está perto!” O mais importante não são eles, não são os milagres que farão, o espanto que causarão, mas sim a Boa-Nova de salvação da parte de Deus. Cuidar primeiro da condição espiritual. O resto virá por acréscimo. Quando nos preocupa mais o exterior, os recursos, o visível, estamos a construir casas com pés de barro.

As instruções que Jesus lhes deu demonstram como na prática essa motivação bem centrada funciona. Deveriam preocupar-se mais com a Missão do que consigo próprios. Nunca buscar sucesso pessoal, reconhecimento, prosperidade. Se eu tomo o lugar de evidência isso significa que Cristo perdeu o dEle. Por outro lado, deveriam preocupar-se em obedecer ao seu comissionamento e deixar os resultados com Deus. O alívio do fardo da pressão dos resultados é uma benção de Deus. Pena é que muitos se sobrecarreguem a si mesmos com ele, e por isso acabem ficando para trás, exaustos. Deus diz: “Fala! E deixa o resto comigo.”

A parte final das instruções de Jesus seria, provavelmente, reprovada por qualquer um desses gurus da modernidade. A filosofia actual tende a equilibrar a realidade dos factos com a ilusão da ambição. Diz-se: “O objectivo é difícil, mas tu consegues. Tens uma hipótese e precisas lutar por ela. Vais ser o Davi que fará tombar o Golias.” Jesus diz: “O objectivo é difícil. De facto, está muito além das vossas capacidades. Há um preço elevado demais que não conseguirás pagar. Todos ficarão contra ti. Tudo conspirará contra ti. Por ti mesmo, não conseguirás.” A esta altura pensamos como é que Jesus esperava motivar aqueles discípulos com estas palavras. Mas, essas palavras são a Verdade! É uma Missão muito além das nossas capacidades.

Jesus continua e desvenda o segredo. “Não estarão sós!” Que bendita esperança e confiança! A presença do Espírito Santo, logo, do próprio Deus, estará connosco! Para nos guiar, defender, instruir, aconselhar e usar. Seremos vencedores não por aquilo que podemos fazer, mas por aquilo que o Espírito Santo fará em e através de nós. E depois de tudo a recompensa estará à nossa espera. Quem nos resistirá?

Deus não cria expectativas ilusórias a ninguém. Mas, garante que todo aquele que vive por Ele e para Ele será mais do que vencedor, não por si mesmo, mas por Aquele que o amou e se entregou a Si mesmo para o salvar! (Rm.8:37)

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Olhar a Bíblia – Mateus 8:1-18

Olho para estes encontros em Cafarnaum como uma parábola viva da mensagem da montanha. Uma grande multidão desceu a montanha com Jesus. Imagino-a diferente daquela que Jesus deixou quando se retirou para o monte. Essa estava com Jesus por causa dos milagres. Esta seguia-O porque lhes tinha desafiado o espírito. É um erro pensarmos que a Palavra de Deus não é suficiente em si mesma para atrair pessoas a Cristo.

Há três encontros descritos no percurso até casa de Pedro. Com um leproso. Um soldado inimigo. Um familiar querido de um amigo. Em cada um deles há reflexos de Graça e de uma percepção correcta da Fé.

O leproso acerca-se de Jesus em busca de cura. A sua atitude revela as características dos bem-aventurados. A humilhação a que se dispôs ao expor-se perante todos é encorajada pela confiança que tem naquele que trata por Senhor. A autenticidade da sua fé percebe-se na adoração que precede o rogo, e na formulação do seu anseio. “Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo.” Este abandono total à vontade do Salvador, juntamente com a confiança férrea de que Ele tinha o poder de realizar a Sua vontade, desbloqueiam a benção. “Quero”, foi a resposta de Jesus. Quando pressupomos o mérito, ou quase exigimos como quem reivindica direitos, ficamos excluídos de receber aquilo que só vem pela Graça. Jesus enviou-o aos sacerdotes, para que cumprisse a lei. A verdadeira fé traduz-se sempre numa práxis legal, não como motivo para o encontro com Cristo, mas como consequência dele.

A fé conduziu também à inversão de papéis entre o centurião romano, a figura de autoridade, e Jesus, o não-cidadão que devia submissão a Roma. É quando agimos em sentido contrário à nossa natureza que encontramos o caminho da humildade, e da redenção. Este homem recebeu sem pedir. Enquanto falava da condição precária do seu servo, a cura estava já estendida por Jesus. “Não andeis ansiosos…” tinha Jesus ensinado na montanha. Deus, o Pai, sabe o que necessitamos. Mas, a maior prova de fé ainda estava por vir. Reconhecendo até ao limite a sua indignidade, o soldado impede Jesus de entrar em sua casa. Bastaria uma palavra. Creio que esta é a maior prova de fé – crer apenas pela Palavra, sem necessidade de manifestações exteriores. “Bem-aventurados os que não viram e creram.” (Jo.20:29)

Por último, a sogra de Pedro. Mais uma vez a cura vem sem pedido. O impulso natural de Cristo é trazer restauração onde o pecado opera destruição. Tocada pela Graça, a mulher ergue-se do seu leito e começa a servi-los. Que ilustração magnífica do que é ser sal e ser luz! A manifestação através das obras da justiça alcançada pela fé é a consequência natural naqueles que verdadeiramente foram reconciliados com Deus.

Uma multidão tornou a reunir-se em torno de Jesus. Enfermos. Endemoninhados. Todos buscando cura. Libertação. Enquanto a euforia se espalhava novamente pela turba, Jesus retira-se. Não lhe interessa a empatia de uma multidão obcecada com milagres. Imagino que a gestão que Jesus fazia dos seus poderes divinos seria muito difícil. Por um lado, o Criador compadece-se das dores a que sua criação ficou sujeita pelo pecado, e deseja anular esses efeitos. Por outro, sabe que esse não é o caminho da reconciliação. E, por isso, retrai-se, e tenta re-centrar a atenção do Homem naquilo que realmente o pode salvar – a Fé no Deus-Homem que veio dar a sua vida por resgate daqueles a quem tanto ama.

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