Olhar a Bíblia – Mateus 15:1-20

A religião sempre teve muita dificuldade em conciliar a aparência e a essência da transformação do coração do Homem. A sua preocupação em padronizar comportamentos considerados aceitáveis, conduz a duas consequências: por um lado, leva as pessoas a fugirem de um jugo que não conseguem suportar pois não têm capacidade moral, nem espiritual de o cumprir; por outro, conduz a uma abordagem simplista da fé, baseada nas manifestações exteriores, negligenciando a fundamental transformação interior necessária para o gozo da excelência de vida que é proposta.

Os opositores de Jesus pensaram achá-lo em falta numa questão de higiene pública – comer com as mãos sujas – mas, foram achados em falta numa questão ainda mais importante – a higiene da alma! A sua excessiva preocupação com a reputação e com o reconhecimento dos outros tinha-os levado a deturpar os mandamentos de Deus. Deixavam de honrar os pais, conforme a Lei, contribuindo para o seu sustento, alegando que o dinheiro era para o Senhor. O veredicto de Cristo não podia ser mais devastador: “Hipócritas!” Eles eram falsos. As suas atitudes não correspondiam ao que havia no seu coração.

Assim acontece com muitas pessoas ditas religiosas. Sempre que há um recenseamento no país descobre-se que somos um povo que crê em Deus, que professa uma religião, mas se diz, na maioria, não-praticante – seja lá o que isso for. Aos Domingos e dias santos enchem-se os templos. Fazem-se votos. Sacrifícios. Ofertas. Mas, nos outros dias, abunda o adultério e prostituição. A mentira. O roubo. A violência. A falta de escrúpulos. A indecência. A maledicência. “Hipócritas!”, diz Jesus Cristo.

A razão deste mal é que os corações não foram ainda transformados. É da raiz de pecado em cada coração que procedem estas coisas, e enquanto o coração não for mudado, todos os esforços para mostrar outra aparência de piedade serão inúteis.

Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos observem os meus caminhos.” Provérbios 23:26

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Verdade e Consequência

“A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices.
Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos.
O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente.”
(Salmo 19:7-9)

Ando há dias com este texto na cabeça. É tremendo! Já o tinha lido muitas vezes, mas desta última vez, ao ler numa versão diferente (Almeida Corrigida e Revisada Fiel), o enunciado diferente fez-me reflectir melhor.

David começa por enumerar as perfeições do Senhor e da sua vontade para nós:

  1. A lei do Senhor é perfeita, isto é completa, coerente, absoluta, à qual não falta nada, harmoniosa, e, por isso, traz tranquilidade e descanso a quem se deixa dirigir por ela.
  2. O testemunho do Senhor é fiel, isto é, totalmente confiável, verdadeiro hoje, amanhã e sempre, em todos os lugares e circunstâncias, e, por isso, ajuda na tomada de decisões até às pessoas mais simples.
  3. Os preceitos do Senhor são retos, isto é, direitos, justos, correctos, não defraudam nem iludem, e, por isso, só podem ser motivo de gozo para quem os vive.
  4. O mandamento do Senhor é puro, isto é, sem maldade, sem interesses mesquinhos ou egoístas, santo, inocente, e, por isso, traz luz e clareza à vida de todos.

Como consequência dessa perfeição de Deus e das bençãos que Ele traz à nossa vida, O TEMOR DO SENHOR É LIMPO! A minha reverência para com Deus, o respeito que Ele me merece, a consideração absoluta por Aquele que me faz tanto bem e é Santo e Perfeito, é limpa, isto é, sem pecado!

Tremi todo quando li estas palavras. E, ao cabo de dias, elas ainda martelam no meu coração e na minha mente. A evidência do meu temor ao Senhor é uma vida limpa. LIMPA! Não toleramos uma pequena nódoa microscópica que cai na nossa camisa, porque  nos preocupamos com o impacto que isso pode ter na nossa imagem perante os outros. Mas, convivemos bem com manchas gigantes de pecado nas nossas vidas, e melhor ainda com os pequenos pecadinhos,  não nos importando com o impacto que isso possa ter no nosso relacionamento com Deus.

Temer o Senhor significa abandonar uma conversa que se torna torpe ou maledicente. Temer o Senhor significa mudar de passeio para não passar na banca de jornais com capas imorais. Temer o Senhor significa desligar a TV para não contaminar a minha mente com sensualidades, mentiras, perversões e branqueamentos do pecado. Temer o Senhor significa ter cuidado por mim mesmo – na maneira como me visto, falo, comunico – para não provocar os outros ao pecado. Temer o Senhor significa não ficar sozinho com a namorada para evitar a tentação. Temer o Senhor significa ficar do lado da verdade ainda que isso me prejudique. Temer o Senhor significa não tolerar nenhuma espécie de pecado na minha vida, mas chorá-lo amargamente em busca de arrependimento e perdão. Temer o Senhor significa aprender a Sua santidade.

Quem pode entender os seus erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos. (Salmo 19:12)

Temer o Senhor é buscar incessantemente a vitória sobre o pecado.

Sinto-me tremendamente humilhado diante do meu Deus. Quero ser limpo. E tu?

Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, SENHOR, Rocha minha e Redentor meu! (Salmo 19:14)

Olhar a Bíblia – Mateus 9

A dialéctica entre o pensamento religioso e a Verdade divina nem sempre é fácil ou produz o resultado esperado. Enquanto que o pensamento religioso se centra excessivamente nos interesses egoístas do Homem e presume, muitas vezes, conceitos erróneos acerca de Deus, a Verdade divina busca acima de tudo defender a Santidade e Glória de Deus, mesmo quando se lança para salvar os pecadores. Estas posições conflitantes estão presentes por toda a Bíblia, mas tornaram-se, creio, mais evidentes aquando da vida de Cristo entre nós. Sendo Ele a imagem perfeita do Pai, expôs sobremaneira os equívocos religiosos em que as pessoas viviam enredadas.

De passagem na sua própria cidade, onde todos O conheciam e conviviam com Ele, Jesus enfrentou grande oposição. Numa série de encontros, Jesus colide com o pensamento religioso estabelecido, evidenciando desse modo a suprema grandeza da Sua missão.

Perdão. O perdão de pecados, sendo uma questão fundamental do relacionamento com Deus, é encarado como algo muito difícil, improvável e impossível de ser assegurado em vida. O Homem enceta inúmeros esforços na tentativa de aplacar a ira de um Deus Juiz. Mas, cai sempre na incerteza dos resultados. Cristo veio demonstrar que o perdão de pecados é o objectivo primordial e principal para Deus. E, está ao alcance de todos. (vs.1-9)

Santidade. No mundo hedonista – que vive em busca dos prazeres da carne –  em que vivemos, o ascetismo – a privação e mortificação de todos os prazeres carnais – é apontado como o caminho da santidade. No limite, essa auto-imposta santidade desliga-nos do mundo, e das pessoas, impedindo, a nós e a elas, de nos achegarmos a Deus. Cristo aponta o caminho para uma santidade diferente. Uma que não é auto-imposta, mas investida do alto. Que começa numa transformação interior e se traduz depois numa vivência exterior irrepreensível, que não pode ser quebrada nem mesmo quando convivemos com o outro-pecador, a fim de levá-lo a Deus. (vs.9-13)

Comunhão. Os rituais de culto ocupam um lugar importante no relacionamento das pessoas com Deus. Penso haver duas razões para isso: por um lado, é mais fácil relacionar-me com um Deus espiritual através de um padrão de comportamentos que traz concreticidade a essa dinâmica. Por outro, ao transpôr para o ritual as competências relacionais com Deus, encontro maneira fácil de satisfazer a voz acusatória da consciência espiritual. Cristo prioriza a comunhão em relação ao ritual. Se os meus rituais não fluem da comunhão que gozo com Deus, de nada me servem. Eles nunca serão um substituto  da real comunhão que Deus deseja ter connosco. (vs.14-17)

Espírito Santo. A nossa experiência com Deus é toda ela sobrenatural. Desde o perdão de pecados à santidade pessoal, da paz nos momentos de tribulação, do despojamento à vitória tudo é dominado pelo Espírito Santo, logo, é sobrenatural. A maior parte das vezes talvez não tenhamos percepção disso, mas em certos momentos aquilo que é colocado diante de nós não encontra outra explicação aparte de Deus. Toda a vida e acção de Cristo é uma demonstração desse mover sobrenatural de Deus em nosso favor. O perigo está em fecharmos as nossas vidas à acção do Espírito Santo, apenas por que nos parece que determinada coisa é impossível de acontecer. (vs.18-31)

Soli Deo Gloria. Creio que o que mais incomodava os fariseus – homens profundamente religiosos –   era o facto das acções de Jesus lhes roubar o protagonismo e importância social de que gozavam. Para eles, a experiência religiosa era uma oportunidade de se destacarem dos demais e assumirem um lugar de referência social. Ora, o caminho da espiritualidade é precisamente o inverso. Reconhecer a indignidade própria, a incapacidade de salvação por si mesmo, ao mesmo tempo que aceitamos a total soberania e capacidade de Deus é o caminho para a salvação. Errar aqui significa frequentemente blasfemar do próprio Deus.

A motivação do Homem determina o modo como se relaciona com Deus. E, a motivação de Deus determina o modo como se relaciona com o Homem.

E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor.” (Mateus9:36)

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Cuidado com o degrau

Nunca é fácil lidar com o fracasso. O nosso ego é esmagado, a censura dos outros corta-nos por dentro, e o medo de não atingirmos os alvos tolhe-nos a capacidade de reacção. A atitude com que encararmos esses momentos de lucidez forçada vai determinar o nosso futuro.

Ontem, ao chegarmos a casa, o J. tropeçou no degrau do passeio e caiu. Logo veio o chorinho-de-lamento-que-diz-que-não-há-danos-mas-só-preciso-de-mimo. 🙂 Ajudei-o a levantar-se, dei-lhe o mimo desejado, e aconselhei:

“Vês o degrau? Tens de ter cuidado para não caires outra vez.”

A resposta pronta não tardou:

“Por que é que está ali o degrau para eu cair?”

Fiquei desarmado.

Perante o fracasso lembra-te que:

  1. O teu fracasso não é o resultado de uma conspiração universal contra ti. Temos a tendência de pensar que o mundo gira à nossa volta. Quando as coisas não correm como planeado, encontramos sempre explicações em teorias conspirativas contra nós.
  2. As dificuldades não implicam fracasso. Muitas vezes quando não atingimos os objectivos, desculpamo-nos dizendo que eram coisas muito difíceis, e que por isso é normal, e desculpável, não termos conseguido. É curioso como usamos esse argumento ao contrário quando as coisas até correm bem.
  3. A culpa não pode morrer solteira. Esta inclinação para “sacudir a água do capote” pode ser seguida até ao Éden. Esquecemo-nos que o uso do bode expiatório para resolver o pecado ainda assim, requer a admissão e confissão de culpa.
  4. Deus está sempre pronto a restaurar-te. Se realmente queres uma mudança na tua vida, Deus pode ajudar-te. Para Ele os teus fracassos nunca são o fim. As provas, mesmo quando não são superadas, são uma oportunidade de crescimento.

“Assim diz o SENHOR: No tempo aceitável te ouvi e no dia da salvação te ajudei, e te guardarei.” Isaías 49:8

Chuva de Vida

Ao sinal das primeiras chuvas acontece um fenómeno interessante com a terra. De um dia para o outro tudo fica verde!  Hoje, no comboio, ao olhar pela janela, o ar pesado e cinzento imposto pelas nuvens e a chuva, contrastava solenemente com a frescura e vitalidade dos campos que, de repente, se vestiram de verde.

O rei David clamava por Deus e dizia: “Estendo para ti as minhas mãos; a minha alma tem sede de ti, como terra sedenta. (Selá.)” Salmos 143:6

Nos momentos de fraqueza e secura, busca a Deus, como uma terra seca procura a água. Busca a Sua Palavra até que Ele venha sobre ti como uma chuva suave que desperte, de novo, a vida que há em ti.

“Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao SENHOR; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.” Oséias 6:3