Quando o mar ruge

“O Senhor reina.” (Sl.93:1)

A vida é como um rio. Começa pequena, aparentemente inocente e frágil, mas, logo se revela tumultuosa e rebelde contra o caminho adiante. Há tempos de quebrantamento e seca em que parece que vamos sumir e outros em que nos levantamos com toda a violência e galgamos as margens impostas. Sorvemos tudo, todas as influências, que só aumentam a maldade da nossa natureza. E, na foz da vida, desvanecemo-nos no mar da eternidade.

Raging sea

Todos já experimentámos os turbilhões das águas agitadas em que perdemos o controlo. Foi então que experimentámos a poderosa soberania de Deus sobre as nossas circunstâncias, provando-nos que “todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que O amam.” (Rm.8:28)

Sentir a soberania de Deus nessas circunstâncias leva-nos a adorá-Lo pela Sua bondade, graça, misericórdia e amor, bem como pelo Seu absoluto poder. Mas, muitas vezes, parece que não conseguimos contemplar Deus para além das bençãos. Estamos sempre focados em nós.

O salmista, diante da evidência da soberania de Deus, contempla um Deus absolutamente Santo. Tal como os discípulos quando Jesus acalmou a tempestade com uma voz de comando (Mt.8:23-27), ou quando fez os seus barcos transbordar de peixe (Lc.5:1-9). “Afasta-te de mim que sou pecador!” A soberania de Deus é Santa. Diante de um Deus Santo, convém-nos andar em santidade. (Sl.93:5)

A mão do Pai

Hoje fiquei a tomar conta dos filhos! 🙂

Depois da brincadeira chegou a hora da caminha, e, contrariamente ao habitual hoje quem não queria dormir era a R.. Normalmente, é só aconchegá-la no quentinho e ela adormece sozinha. Hoje, estava inquieta. Remexia-se. Chorava. Lamentava-se. Perdia a chupeta. A respiração rápida, de quem não está tranquilo.

Depois de algumas tentativas, deixei-me ficar ao lado do berço, e simplesmente segurei a sua mão no escuro. Em segundos, a respiração acalmou. E, adormeceu.

Lembrei-me de um texto de Isaías, em que Deus assegura:

“Porque eu, o SENHOR teu Deus, te tomo pela tua mão direita; e te digo: Não temas, eu te ajudo.” Isaías 41:13

Deixa que Ele segure a tua mão e te sossegue.

Desejo ardente

O primeiro dia em casa com a família completa despertou alguns ciúmes no J. e na I. Andaram o dia todo a pedir mimo, a chamar a atenção, a amuar. Perante a chegada da pequena R. tentaram marcar o seu território! 🙂

A fome de colo dos meus filhos lembrou-me de como o Amor verdadeiro também tem ciúme. Um ciúme bom, de querer estar perto, de beber todo o carinho, da procura do toque, do afecto. Mas, esse comportamento esconde uma insegurança: o medo de perder o colo do pai.

Hoje, tenho a visão do outro lado: a do pai. E, na perspectiva do pai, o seu colo será sempre do tamanho dos seus filhos. Costumo dizer que no meu colo cabem todos os filhos, é um colo grande, generoso e disponível.

Pensei no relacionamento que muitas vezes temos com Deus. Sendo filhos cambaleamos entre dois estados de espírito: ou nos desinteressamos por Ele ou ardemos de ciúmes tontos alimentados pelos nossos medos.

Esquecemo-nos de quem é o nosso Pai. O Deus-Amor cujo colo não se esgota.

 

Onde está a benção?

Há alguns anos atrás surgiu uma série de livros infanto-juvenis criada pelo ilustrador britânico Martin Handford, conhecida por “Onde está o Wally?”.

No livro o leitor encontra ilustrações que geralmente ocupam a página inteira, onde está desenhado Wally, personagem central da série, alguns dos seus objectos, bem como dezenas de outras pessoas. Ele geralmente perde os seus pertences, como livros, equipamento de acampamento ou os sapatos. O objectivo é encontrar o Wally e os objectos perdidos no meio da multidão.

Lembrei-me do Wally porque nas últimas noites a nossa filha I. tem acordado sobressaltada a chamar por nós. O motivo da sua ansiedade é sempre o mesmo – não sabe onde está um boneco com que gosta de dormir! A solução tem sido sempre a mesma também – o boneco “perdido” estava afinal na sua mão! 🙂

Apesar de cómica a situação fez-me pensar. Quantas vezes não temos as bençãos de Deus na nossa mão e continuamos a desesperar por elas? Quantas vezes Deus já respondeu à nossa oração e súplica e nós continuamos a batalhar? Quantas vezes Deus está perto e nós abatidos e sós?

Precisamos fazer o que eu faço com a minha filha. Fazê-la abrir os olhos e olhar para o que tem na mão. É o suficiente para descansar. E, sonhar os sonhos que Deus tem para nós.

Guarda-costas :: Devocional

3.Maio :: Provérbios 23:10-11

Sou o irmão mais velho da família. Como tal, assumi em pleno a vital missão de preparar o meu irmão para a dureza da vida! Como todos sabem – especialmente os irmãos mais velhos –  a melhor maneira de fazer isso é irritando ao máximo o irmãozinho! Fazer sempre questão de lembrar que somos os mais velhos e por isso tempos direitos especiais. Culpá-lo de todos os “acidentes” que acontecem lá por casa. Fazer valer sempre as nossas escolhas – de brincadeiras, programas TV, etc.. Implicar por tudo e por nada. Só assim eles estarão preparados para enfrentar o mundo competitivo em que vivemos, que mais parece uma selva.

Apesar desta esquisita demonstração de Amor há momentos em que os irmãos mais velhos mostram os seus reais afectos pelo benjamim da família. Sempre que ele está metido em alguma enrascada e precisa de ajuda – por exemplo, um brutamontes que na escola não o deixa em paz – logo o irmão mais velho vem em seu auxílio. É o seu guarda-costas privado. Ele sente-se protegido, defendido, amado e orgulho por ter o irmão que tem. Estou convencido que durante muitos anos os mais novos vêem nisto a única vantagem de ter um irmão mais velho!

NOTA: Para que fique registado: Amo muito o meu irmão, somos muito amigos e acho que não lhe dificultei assim tanto a vida.

  1. É bom sentirmo-nos protegidos, não é? A Bíblia diz que Deus é o nosso protector. Como é que isso te faz sentir?
  2. O texto de hoje diz que Deus assume e luta pela tua causa! Que maravilhoso! Em que condições achas que isso acontece? Sempre?