A Justiça de Deus em salvar pecadores (3)

Visto que as nossas transgressões e os nossos pecados estão sobre nós, e nós desfalecemos neles, como viveremos então?
Ezequiel 33:10

Como escapar da condenação e ira? A resposta a essa pergunta é a mais importante de toda a tua vida.

Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.
Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.
Romanos 3:24-26

O texto fala da paciência de Deus, e de pecados cometidos sob a paciência de Deus. Desde a Queda, Deus tem retido a Sua Ira e tem suportado os pecados dos Homens. Ele tem demonstrado Graça e Misericórdia para com todos não nos dando a justa retribuição pelos nossos pecados no momento em que os cometemos. Tudo isso é possível por causa de Jesus Cristo – o Cordeiro que estava preparado ainda antes da fundação do mundo (1 Pedro 1:20; Apocalipse 13:8). O plano de Deus é perfeito! Deus tem agido assim porque quer chamar-te ao arrependimento.

Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento? Romanos 2:4

Mas, um dia a Sua paciência não susterá mais a Sua Santa e Justa Ira.

Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade; Romanos 2:5-8

A Bíblia ensina que a Salvação vem pela fé em Cristo. (Efésios 2:8-9) A Obra de Jesus Cristo é a única que pode satisfazer a Justiça de Deus. Ora, a fé, essa fé salvadora, não é natural em nós. Ela é despertada nos nossos corações quando ouvimos a Palavra de Deus. (Rom.10:17)

Convicção de pecado e da Santidade de Deus

A revelação de Deus à nossa mente e coração, o conhecimento da Sua Natureza, da nossa natureza, produz em nós, pela acção do Espírito Santo – ou seja, do próprio Deus – uma profunda convicção acerca das coisas eternas.

Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei.
E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.
Do pecado, porque não crêem em mim;
Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais;
E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.
Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora.
Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.
Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.
João 16:7-14

O Espírito Santo conduz-nos a toda a verdade. Toda a verdade sobre Deus. Toda a verdade sobre nós. Ele mostra-nos a Glória do Deus Santo, a perfeição do Seu Carácter. E, mostra-nos o nosso pecado, rebeldia e desobediência. Mostra-nos a Santidade de Deus, e a abominação do pecado. Mostra-nos a Ira Justa do Santo, e a condenação merecida do Homem. Mostra-nos Jesus Cristo, a Graça, a Misericórdia de Deus, e a esperança que eles representam para a Humanidade. Toda a verdade.

Arrependimento

Essa verdade deve produzir em nós uma profunda convicção de pecado, vergonha e culpa diante da Santidade de Deus. Mas, ao mesmo tempo, deve elevar os nossos corações com a esperança de que Deus proveu para nós uma gloriosa Salvação. Por isso, Deus nos exorta:

Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a Sua voz, não endureçais os vossos corações.
Hebreus 3:7-8

Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado.
Hebreus 3:13

Se endurecemos os nossos corações não resta para nós qualquer esperança de Salvação. Da nossa obstinação em recusar a oferta gratuita e graciosa de Deus – a justificação pela fé em Jesus – só resultará condenação. Mas, se ao ouvirmos a Verdade, chorarmos a nossa vergonha, sentirmos a nossa culpa e nos arrependermos do nosso pecado, os Céus se abrirão com Graça, Misericórdia e Perdão.

Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor. Atos 3:19

Arrependimento é mais do que remorso. Muito mais do que nos sentirmos mal com o nosso pecado. É detestá-lo. Abominá-lo. Fugir dele. Não o tolerar mais. Não o desejar mais na nossa vida. É amar e não aborrecer a Deus. É amar a santidade, a justiça e verdade. É vir para a Luz. É desejar, de todo o coração, viver para a glória de Deus.

Confissão

O arrependimento é uma mudança radical de interesses, afectos, vontades e prioridades. É uma transformação tão radical do coração que a Bíblia fala de conversão – somos mudados noutra coisa. Um novo nascimento (João 3:3). Uma nova criação de Deus (2 Coríntios 5:17). Este tipo de arrependimento e tal transformação só podem vir de Deus (João 1:13).

Esta mudança produz um impacto tão grande nos nossos corações e nas nossas mentes que os lábios que antes protestavam: “Não há Deus!” (Salmos 53:1) agora alegremente confessam e proclamam que “Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2:11).

A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos,
A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.
Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.
Romanos 10:8-10

A confissão de Jesus Cristo como Senhor é uma evidência da genuína conversão. O reconhecimento do pecado é importante. O arrependimento é fundamental. A confissão de pecados requerida. Mas, confessar a Cristo como Senhor é a prova que estamos a ser dirigidos pelo Espírito Santo de Deus (1 João 4:15; 1 João 4:2; 1 João 2:22; 1 Coríntios 12:3). A confissão do senhorio de Cristo é a nossa declaração de dependência da Sua Obra. A confissão de Cristo é a nossa declaração de rendição ao Seu senhorio.

Justiça Imputada

Quando há esta fé em ti e o teu coração é assim convertido, Deus será “justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:26) Deus permanece Justo ao salvar-te porque a Sua Justiça foi satisfeita em Cristo. E, a ti, que crês, ele pode justificar – ou seja, declarar justo – por causa da tua fé na Obra expiatória de Cristo. A Bíblia chama a isso Justiça Imputada.

Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida.
Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.
Romanos 4:4-5

Não é pelas nossas obras, ou méritos, ou vontade, que somos declarados justos. Essa justiça é-nos atribuída – ou seja, imputada – por Deus, por causa da nossa fé em Cristo. É a Justiça de Cristo que agora é também a nossa justiça (2 Coríntios 5:21).

A maravilha da Salvação não termina aqui. Tendo sido justificados, fomos reconciliados com Deus (Romanos 5:1; Romanos 5:10). E, não só reconciliados mas, feitos filhos de Deus, adoptados na família de Deus (João 1:12; Romanos 8:14; Romanos 8:16; 1 João 3:1) . E, sendo adoptados, feitos co-herdeiros com Cristo de todas as coisas (Romanos 8:17)!

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!
Por que quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro?
Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?
Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.
Romanos 11:33-36

Vem HOJE a Jesus Cristo. Arrepende-te. Crê. Confessa. E serás salvo!

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No último capítulo desta série sobre a “Justiça de Deus” falaremos sobre a compreensão do sofrimento à luz da Palavra de Deus.

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Outros artigos da série: A Justiça de Deus 

A Justiça de Deus em salvar pecadores (2)

Na Bíblia há duas palavras para descrever o modo como Deus tem lidado com o Homem. Essas duas palavras estão bem no coração da mensagem a que chamamos Evangelho. Misericórdia e Graça.

A Misericórdia refere-se ao facto de Deus não nos dar o castigo merecido. A Graça é o favor imerecido que recebemos de Deus. Os dois são uma clara violação a todo o conceito de Justiça que temos vindo a estudar. Como entender isto?

Em 1 Pedro 1:3-13 lemos que a Misericórdia e a Graça nos trouxeram:

  • uma viva esperança (vs.3)
  • uma herança incorruptível nos céus (vs.4)
  • protecção da ira de Deus (vs.5)
  • a salvação das nossas almas (vs.6,9)
  • um propósito na vida que não pode ser apagado pelas circunstâncias (vs.6,7)
  • gozo inesgotável (vs.6,8)
  • conhecimento de Deus (vs.13)

Pedro também explica qual o firme fundamento destas bençãos de Deus para nós:

“(…) testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir.”
1 Pedro 1:11

A mensagem do Evangelho sobre a Graça e Misericórdia de Deus não existe à parte de Jesus Cristo – dos Seus sofrimentos e da Sua glória. É a Obra da Cruz que desbloqueia a Graça para nós. O apóstolo Paulo explica isso mesmo em Romanos 3.

Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas…
Romanos 3:21

Deus manifestou a Sua Justiça de uma forma inesperada. Pela lei, a justiça divina examina a nossa obediência total a todos os preceitos e mandamentos do Senhor. Desse modo, todos estamos condenados. Mas, Deus, que é riquíssimo em misericórdia (Ef.2:4), manifestou uma Justiça mais gloriosa e sublime:

Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença.
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;
Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.
Romanos 3:22-24

Esta justiça não depende da nossa obediência à lei, logo, não depende de nenhum esforço ou vontade humana. Ela vem pela exclusivamente pela fé em Jesus Cristo, de modo que todos os que a recebem são iguais diante de Deus. Ele não nos custa nada, é-nos dada gratuitamente e imerecidamente pela Graça de Deus. Por último, ela depende inteiramente da redenção – o preço que foi pago – por Cristo Jesus.

Porque é que Deus faz isto? Porque é Deus Gracioso e Misericordioso e nos Ama. Como é que Deus faz isto sem violar a Sua Santidade e Justiça? Pelo sangue de Jesus Cristo.

Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.
Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.
Romanos 3:24-26

A Bíblia ensina que a morte de Jesus foi:

Substitutiva.

O castigo do pecado é a morte. Jesus não morreu pela Sua culpa e pecados, mas, pela nossa culpa e pelos nossos pecados. Ele tomou o nosso lugar no castigo que nos estava reservado por Deus. (Rm.5:6,8,10; Gl.1:4; Ef.2:5, Is.53:4-6)

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.
Isaías 53:4-6

Redentora.

A pena do pecado só pode ser paga com sangue (Hb.9:22). Quando Jesus verteu o Seu sangue na Cruz, Ele pagou o preço da nossa redenção, ou seja, da nossa liberdade da condenação. (Ef.1:7; Col.1:14; Hb.9:11-12)

Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação,
Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção.
Hebreus 9:11-12

Propiciatória.

O Homem no Seu pecado rejeita a Deus. Deus na Sua Santidade arde em ira contra o Homem. O sacrifício de Jesus, substitutivo e redentor, faz a paz entre Deus e o Homem (Ef.2:13-16). Esse sacrifício permite que Deus nos seja favorável, ou, propício, mostrando Graça e Misericórdia. E, provando o Seu amor por nós, constrange-nos ao arrependimento e confissão de pecados, e à fé em Jesus Cristo (Col.1:20-21; Hb.9:24 Is.53:12).

Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.
Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio,
Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz,
E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades.
Efésios 2:13-16

Justificadora.

Agora, Deus julga-me mediante o sacrifício de Jesus Cristo. Ele morreu em meu lugar. Ele suportou a ira e condenação pelos meus pecados. Ele pagou o preço da minha liberdade. Ele abriu o caminho da Graça e da Misericórdia de Deus. Ele me tornou aceitável aos olhos de Deus. Como? Porque Deus vê em mim a perfeição e justiça de Jesus Cristo. (Is.53:10-12; Rm5:1,9,18-19; Cl.1:21-22; Hb.9:14; 10:10,14)

E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.
A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou
No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis
Colossenses 1:20-22

E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades.
Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado.
Hebreus 10:17-18

Onde há remissão – quando o preço já foi pago – não há mais oblação – oferta, novo pagamento devido – pelo pecado. Por isso, Deus é Justo em mostrar Graça e Misericórdia e perdão aos pecadores. Como diz,

Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas;
Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença.
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;
Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.
Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.
Romanos 3:21-26

Ele é Justo e Justificador por causa da Obra de Jesus Cristo. O Deus Santo permanece Justo mesmo quando não condena o pecador (Misericórdia) porque a Sua Justiça foi satisfeita em Jesus Cristo. O Deus Santo permanece Justo mesmo quando salva o pecador (Graça) porque a Sua Justiça foi satisfeita em Jesus Cristo.

Onde está, então, o motivo de vanglória? É excluído.
Romanos 3:27

Toda a nossa vaidade, arrogância, presunção, ou mérito são anulados pela Cruz de Cristo – a nossa Justiça. Soli Deo Gloria. Glória somente a Deus.

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No próximo artigo responderemos à questão: O “que devo fazer para ser salvo?”

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Outros artigos da Série: A Justiça de Deus.

A Justiça de Deus em salvar pecadores

Os meus filhos não são de ficar calados perante injustiças. Por vezes, quando tenho que os disciplinar, levantam-se em defesa da honra e argumentam: “Ela também estava a fazer!”, ou “Ela é que começou!”. O “ela” refere-se à R., a bebé da família.

A razão do seu descontentamento e sentimento de injustiça não é o serem castigados – pois sabem bem que o merecem – mas,  é a irmã ser quase sempre poupada ao castigo. O motivo é simples – ela, sendo ainda bebé, nem sempre entende as implicações daquilo que está a fazer, enquanto que eles têm entendimento para reconhecer o seu erro.

O escândalo da Graça

Reconheço no nosso lidar com Deus o mesmo comportamento. O que mais nos incomoda na Justiça de Deus não é propriamente o castigo – inteiramente justo – dos nossos pecados, mas o facto do castigo não ser aplicado a todos. A Salvação é o nosso tropeço. A Cruz, a loucura que nos revolve as entranhas.

Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. 1 Coríntios 1:23

Eu, porém, irmãos, se prego ainda a circuncisão, por que sou, pois, perseguido? Logo o escândalo da cruz está aniquilado. Gálatas 5:11

Como está escrito:Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma rocha de escândalo;E todo aquele que crer nela não será confundido. Romanos 9:33

Será o maior acto de Amor de Deus – a Salvação do Homem – a Sua maior injustiça?

Porventura perverteria Deus o direito? E perverteria o Todo Poderoso a justiça? Jó 8:3

A profecia do Antigo Testamento termina num tom sombrio. Deus está insatisfeito com o Homem. A multidão de gentios (não-judeus) vive em rebelião aberta contra Deus. Os judeus, o povo escolhido de Deus, vivem em rebelião encapotada, escondida por detrás de uma religiosidade morta. “Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos” (Salmos 14:3) O Julgamento chegará, avisa o Senhor pela voz do profeta Malaquias.

Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo. Malaquias 4:1

Mas, a voz profética deixa um vislumbre de esperança:

Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asas. Malaquias 4:2

Perante o mais abominável estado de pecado do Homem, Deus prepara a Sua mais brilhante e gloriosa manifestação de Justiça. Tão majestosa será que não pode ser ignorada, ou escondida, nem diminuída no Seu esplendor, tal como o sol.

Tal como sol que brilha sobre justos e injustos, bons e maus, a glória desta Justiça será manifesta a todos, e estará sobre todos, de modo que serão julgados à luz dela. (Romanos 2:16)

E, surpreendentemente, esta perfeita Justiça não trará a ardente Ira de Deus sobre todos,  mas, cura e comunhão para muitos – os que temem o Seu nome.

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  • Como é que Deus pode ser justo e não condenar pecadores?
  • Como é que Ele pode harmonizar todos os Seus atributos – bondade, misericórdia, amor, justiça, ira, santidade?
  • Qual é a maior manifestação da Justiça divina?
  • Como é que eu posso ser declarado justo diante de Deus se sou um pecador?

Nos próximos dias responderemos a estas questões.

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Outros artigos da Série: A Justiça de Deus.

A Justiça de Deus em condenar pecadores

Nos últimos tempos tenho sido conduzido a um conjunto de textos (Isaías 1, Romanos 1, 2, 3) com um tema comum: o pecado indesculpável do Homem perante um Deus Santo. Em todos os textos a gravidade do pecado do Homem é sempre realçada em comparação com a perfeição Santa de Deus, e não, como nós costumamos fazer, comparando-nos uns com os outros.

O conceito do pecado

A questão do pecado não pode ser julgada de nenhuma outra forma uma vez que “o pecado é um acto ou estado afirmativo de hostilidade contra Deus” (A.C.Knudson). O pecado, tal como exposto na Bíblia, carrega a ideia de uma atitude desafiadora em relação a Deus, à Sua Vontade e Soberania. Isso fica bem evidente logo na Queda:

Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?
Gênesis 3:1

A Bíblia não tem uma definição concreta de pecado. Ao invés disso usa um conjunto de palavras que no seu devido contexto traduzem na nossa vida real e cotidiana a realidade do pecado, nas nossas acções, intenções, e condição. Do conjunto dessas palavras entendemos pecado como:

  • errar o alvo
  • maligno
  • culpado
  • rebelião
  • abominação
  • imundo
  • vergonha
  • transgredir
  • desvio, deformação
  • maldade, perversidade
  • violência
  • atitude malvada
  • falta de justiça
  • falta de fé

Considera o seguintes textos:

Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, tu, ó terra; porque o Senhor tem falado: Criei filhos, e engrandeci-os; mas eles se rebelaram contra mim.
O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende.
Ai, nação pecadora, povo carregado de iniquidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao Senhor, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás.
Isaías 1:2-4

Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.
Romanos 1:18

Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.
Romanos 1:21

E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.
Romanos 1:23

Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.
Romanos 1:25

E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso
Romanos 1:28

E, quando ele (Espírito Santo) vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.
Do pecado, porque não crêem em mim (Jesus).
João 16:8-9

A essência do pecado é rebeldia contra Deus. Essa rebeldia, por sua vez, traduz-se numa prática de vida inquinada, cheia de maldade, malícia, imoralidade e injustiça, à qual Deus nos entregou por causa da nossa obstinada rebelião. (ver Rom.1:18-32)

A questão que se levanta agora é: Como deve reagir um Deus Justo, na defesa da Sua Santidade, à ofensa do nosso pecado?

Todos compreendemos e aceitamos que a violação da lei merece punição. Isso é justiça. Injustiça é quando alguém que viola a lei escapa impune. Curiosamente, quando falamos da Justiça de Deus, logo se ergue um coro de vozes a reclamar quando Deus castiga os pecadores. O pecado, a nossa violação da Lei de Deus, merece punição. Isso é Justiça.

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Para não tornar este artigo muito extenso, e dar tempo para reflectir sobre o que já estudámos, decidi dividir o texto em várias partes. Nos próximos dias responderemos às questões:

  • Por que é que o pecado é uma ofensa tão grave contra Deus?
  • Porque não posso livrar-me do pecado por mim mesmo?
  • Como é que eu posso ser condenado por não crer em Jesus Cristo se nunca ouvi falar dele?

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Outros artigos da série: A Justiça de Deus

Deus é Justo

A Bíblia constantemente afirma os atributos perfeitos do carácter de Deus. A harmonização desses atributos, sem que um viole ou diminua o outro, é a expressão da Santidade de Deus. Amor. Justiça. Ira. Estes três são porventura os que parecem aos nossos olhos irreconciliáveis. Como pode um Deus de Amor condenar pessoas ao inferno? Se Deus é justo, como permite o sofrimento de pessoas inocentes? No entanto, a Bíblia afirma claramente a Justiça de Deus.

Justo és, ó Senhor, e retos são os teus juízos.
Salmos 119:137

Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é.
Deuteronômio 32:4

Porque o Senhor é justo, e ama a justiça.
Salmos 11:7

A justiça e a rectidão de Deus.

Estes dois termos são frequentemente usados em conjunto, por vezes, com significado intermutável. Justiça é um termo legal, usado no sistema judicial, enquanto que rectidão significa conformidade a uma norma (lei ou regra) ou padrão. Tendo como ponto de partida estes conceitos podemos aplicá-los em diferentes situações.

  • Uma balança, ou medida é justa quando pesa ou mede como deve.
  • Uma conta é “recta” quando está de acordo com os princípios matemáticos.

A rectidão é a conformidade à norma que determina o que cada pessoa ou coisa deve ser.

Aplicando estes princípios a Deus, temos que a Justiça de Deus está ligada à Sua rectidão, ou seja, à Sua conformidade à norma. Qual é a norma? Ele mesmo, pois não há ninguém maior do que Ele (Hb.6:13)!

Deus é Justo porque no Seu procedimento não viola nenhuma lei, nem nenhum aspecto do Seu carácter. Ele é absolutamente recto!

Ao mesmo tempo, em relação a nós, Deus é Justo, porque não há nenhuma acção d’Ele que viole qualquer verdade ou mandamento estabelecido, nem nenhum código moral ou de justiça.

Podemos falar de um conceito absoluto de justiça – em relação a si mesmo, e de um conceito relativo – em relação a nós e ao resto da criação. Deus é Justo em Si mesmo (justiça absoluta), e em todo o procedimento para connosco (justiça relativa).

A pedra de tropeço

O problema que muitas vezes temos com o conceito da Justiça Divina é que na verdade não estamos a falar de rectidão. Vou dar um exemplo com uma situação que se passou com o meu irmão há algum tempo atrás.

Considero o meu irmão uma pessoa recta. Ele esforça-se genuinamente e com prazer em fazer aquilo que está certo. Um dia, teve que se dirigir à Urgência Hospitalar por causa de um problema de saúde da sua filha bebé. Quando chegaram ao hospital tiveram muita dificuldade em conseguir um lugar para estacionar o carro. Depois de umas quantas voltas, quase em desespero, ele resolveu parar o carro num lugar reservado a táxis, correndo em seguida para o atendimento. Assim que conseguiu tratar do atendimento, deixou a bebé com a mãe, e regressou para mudar o carro para um lugar permitido. A sua indignação subiu quando descobriu que tinha sido multado por estacionamento indevido! “Com tanta gente a fazer coisas piores, a polícia tinha logo que vir multar-me por 5 minutos de mau estacionamento.” Não é justo! – acrescentaríamos nós. Será que não?

Ficamos revoltados com a aparente “injustiça”. Uma injustiça que é mais um desejar que as coisas não fossem assim. Desejamos o bem, queremos felicidade. Não gostamos de ser contrariados, e, quando isso acontece logo clamamos por justiça! A minha resposta ao meu irmão foi talvez desconcertante num momento em que ele queria receber palmadinhas nas costas. “O lugar onde estacionaste era permitido?” Relutante, ele responde: “Não.” Foi feita justiça! O que o agente fez ao multar o meu irmão foi recto, ele agiu de acordo com as normas. Ele agiu com justiça. O meu irmão não gostou das consequências. Nós não ficamos contentes. Mas, a Justiça foi servida.

Vês que o nosso problema com Deus não é um problema de Justiça? Nós é que não gostamos das consequências do agir recto e justo de Deus sobre as nossas vidas. Deus age sendo fiel aos Seus atributos e carácter, lidando connosco de acordo com esses mesmos princípios eternos que Ele estabeleceu desde a eternidade.

A Justiça de Deus preserva a Integridade do Seu carácter Santo. Deus é Fiel a Si mesmo. Essa é a Sua Justiça. O nosso entendimento enviesado deste aspecto do Seu carácter pode levar-nos à rebelião contra Deus, e ao endurecimento dos corações. Mas, não esqueças que ao ser Justo, Deus é tão fiel à Sua Santidade e Ira como ao Seu Amor, Bondade e Misericórdia. Há esperança para o Homem na Justiça de Deus.

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Outros artigos da série: A Justiça de Deus 

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Ajuda-me a aprofundar esta reflexão participando na sondagem abaixo e partilhando outras considerações sobre o assunto no espaço de comentários. Obrigado.