“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome.” (João 1:12)

Que promessa maravilhosa! Eu, pecador, cheio de rebelião contra Deus, desobediente, injusto, posso ser feito um filho de Deus? Não há, seguramente, promessa maior do que esta. Ao contrário do que muitos pensam, nem todos os Homens são filhos de Deus. Todos somos suas criaturas, criados de um modo assombroso, à Sua imagem e semelhança, objecto do seu Amor. Mas, o privilégio de ser filho de Deus não é de todos. Primeiro, não é algo que venha de nós. Ninguém pode tornar-se filho de Deus. Esse é um acto da livre soberania de Deus. É dele o poder que nos faz seus filhos. Depois, não é algo que possamos merecer. Não é porque somos bons, justos ou esforçados. Não há em nós nada atractivo que leve Deus a desejar-nos como filhos. Ele ama-nos porque é Amor. E, dá-nos a graça de nos tornarmos seus filhos mediante um acto de fé.

Que fé é esta que pode mudar tanto as nossas vidas? João usa na mesma frase duas expressões que nos ajudam a entender – receber a Jesus, e, crer no seu nome. Receber fala de um acto simples de aceitação, um estender de mão para tomar algo que é ofertado. É abrir a vida para que Jesus seja tudo em nós. Nisto não há esforço, trabalho ou mérito da nossa parte. Não é porque O recebemos que podemos vangloriar-nos. Este receber é mais uma rendição do que uma conquista.

O texto fala de fé – é necessário crer. Mas, crer em quê? No nome de Jesus. Nas Escrituras o nome tem uma grande importância. O nome revela quem a pessoa é. Crer no nome de Jesus é, portanto, depositar a fé em tudo o que Ele é e faz. João já nos revelou algumas coisas em que é necessário crer. A verdadeira fé crê que Jesus é Deus. Crê que Ele é a verdade, a justiça, e a fonte de todo o conhecimento de que necessitamos. Crê que Ele encarnou, visitando-nos na forma humana, com um corpo como o nosso, vivendo entre nós para revelar-nos o Pai. Crê que a Luz de Jesus revela a verdade acerca de nós próprios, do nosso pecado, rebelião e necessidade de salvação. Crê que Jesus veio para salvar-nos, e que, para fazê-lo, deu a sua vida na cruz, tomando sobre si os nossos pecados, sendo castigado por Deus em nosso lugar. Crê que ressuscitou ao terceiro dia. Crê que subiu à glória para junto do Pai. Crê que voltará outra vez para com justiça julgar o mundo.

Crer, no entanto, é mais do que entender intelectualmente aquilo que as Escrituras ensinam. Não é apenas a adesão a um corpo doutrinário. Crer é rendição. Rendição das tentativas de nos justificarmos a nós mesmos. Rendição da soberba e vaidade que nos faz querer ser o centro do mundo. Rendição da vontade. Da esperança. Da vida. Crer é dependência. É lançar-me sobre a Pessoa e Obra de Jesus e descansar. É confiar que Jesus é suficiente e capaz de salvar-me e apresentar-me justo perante Deus Pai, e que não preciso acrescentar nada à Obra que ele realizou.

“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,
Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),
E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;
Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para connosco em Cristo Jesus.
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” (Efésios 2:4-8)

Por meio da fé em Jesus, alcanço a graça de Deus, o perdão misericordioso dos meus pecados, e a reconciliação com Aquele de quem antes era inimigo. Mas, a maior das bençãos, é que, por causa da mesma fé, sou adoptado na família de Deus, como um filho amado, A Ele toda a glória.