“A lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.” (João 1:17)

David Platt testemunha que numa viagem estava junto a um templo e, em conversa com dois outros homens, debatiam questões de fé. Os seus companheiros de conversa professavam diferentes religiões mas, concordavam numa coisa: no fim, todas as religiões conduzem a Deus. Platt intervém e contesta: “Vocês imaginam a fé como uma montanha em que Deus está no topo. E cada um pode escolher o melhor caminho para lá chegar, porque, chegando lá, o fim é o mesmo. No entanto, a verdade do cristianismo é que Deus não esperou por nós no topo mas, desceu até nós, para se encontrar connosco na base. Ele veio, o seu nome é Jesus.”

A Lei é o caminho esforçado e inútil de quem tenta chegar ao topo onde está Deus. A graça e a verdade é o novo e vivo caminho inaugurado por Jesus. Um é cheio de inseguranças, incertezas e frustrações. O outro é repleto de confiança, ousadia e esperança.

No mesmo dia em que o Senhor deu a Lei a Moisés, inscrita em duas tábuas de pedra, também atendeu ao pedido do seu servo para que lhe mostrasse a Sua glória.

“E o Senhor desceu numa nuvem e se pôs ali junto a ele; e ele proclamou o nome do Senhor.
Passando, pois, o Senhor perante ele, clamou: O Senhor, o Senhor Deus, misericordioso e piedoso, tardio em irar-se e grande em beneficência (literalmente, graça; nota minha) e verdade;
Que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão e o pecado; que ao culpado não tem por inocente; que visita a iniquidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até a terceira e quarta geração.
E Moisés apressou-se, e inclinou a cabeça à terra, adorou.” (Êxodo 34:5-8)

O Senhor que dava a Lei que requeria obediência perfeita e absoluta – algo inatingível para Homens pecadores – proclama simultaneamente que Ele é cheio de misericórdia, piedoso, paciente, grande em graça e verdade, um Deus que perdoa. Isso não significa que Deus é um fraco que ignora os pecados, ou não tem poder para exercer justiça. Ele não tem o culpado por inocente! No momento em que a revelação acerca da santidade e vontade de Deus se alarga, o Senhor deixa uma palavra de esperança para todos aqueles que haviam de ser esmagados pelo fracasso em cumprir toda a Lei. Há outro caminho.

Quando Jesus veio ao mundo proclamou: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (João 14:6). A graça e a verdade que Moisés testemunhou no Sinai tem agora um corpo, um rosto e um Nome – Jesus! O caminho inaugurado por Jesus é verdadeiro e real. Nele vemos Deus tal como Ele é. E a nós tal como somos. Caminhamos como quem recebeu o maior de todos os presentes, jamais merecido. Caminhamos gratos pela paciência de Deus durante os dias da nossa ignorância. Caminhamos humildes como quem sabe bem as suas culpas e o tamanho da misericórdia recebida. Amamos porque fomos muito perdoados.

Nesse caminho cabem os cansados e os oprimidos. Os cegos, coxos e pobres. Os cativos. E todos os que acolhem o Emanuel que desceu até nós e desistem de subir a montanha sozinhos. E cada um recebe, por graça e de verdade, o perdão dos pecados e a reconciliação com Deus, trazidos a nós pelo sacrifício de Jesus. Perante esta revelação, Moisés, prostrou-se e adorou. Que cada um de nós saiba fazer o mesmo.