Câmara lenta

As novas capacidades tecnológicas permitem-nos olhar para o mundo que nos rodeia com outros olhos. As câmaras de gravação de alta velocidade captam movimento que não é visível para ao olho humano. Ao fazer a reprodução a uma velocidade ultra-lenta possibilitam a visualização de trajectórias e dinâmicas de movimento que nunca tínhamos percebido antes. É uma ferramenta eficaz na análise de técnicas desportivas e em estudos da natureza. E, talvez devêssemos aplicá-las à nossa vida – metafóricamente, claro.

Um amigo disse que “não há momentos de loucura“, referindo-se à desculpa habitualmente usada para justificar comportamentos que não conseguimos enquadrar no padrão da normalidade. “Não há momentos de loucura, há vidas de louco – cheias de mentira, hipocrisia, imoralidade – que um dia já não se conseguem manter.”

Fiquei a pensar nisso. Lembrei-me de uma música “Slow fade” dos Casting Crowns, que fala do mesmo assunto:

“As pessoas nunca caem num dia.” (Slow fade, Casting Crowns)

A música fala do longo processo que gera o pecado. O mesmo de que falava o meu amigo. O mesmo de que fala Tiago na sua Carta.

“Cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.” (Tiago 1:14-15)

O olhar luxurioso que se repete. Os passos que se habituam a um caminho. Os pensamentos que guardamos em secreto. As conversas que nos incitam. As palavras que se semeiam. Alimentamos a nossa concupiscência, isto é, o nosso desejo pelo pecado a tal ponto que um dia já não o podemos conter mais.

“A distância da mente para as mãos é mais curta do que tu pensas.” (Slow fade, Casting Crowns)

Ah, se ao menos pudéssemos ver a nossa vida em câmara lenta, como Deus a vê! Aí perceberíamos onde está o nosso desvio da rota e poderíamos corrigir a nossa trajectória antes de acabarmos em ruína! A verdade é que podes:

“Portanto, livrem-se de toda impureza moral e da maldade que prevalece, e aceitem humildemente a palavra implantada em vocês, a qual é poderosa para salvá-los.
Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos.
Aquele que ouve a palavra, mas não a põe em prática, é semelhante a um homem que olha a sua face num espelho
e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência.
Mas o homem que observa atentamente a lei perfeita que traz a liberdade, e persevera na prática dessa lei, não esquecendo o que ouviu mas praticando-o, será feliz naquilo que fizer.”
Tiago 1:21-25

Está nas tuas mãos precaveres-te contra o pecado.

Videoclipe de Casting Crowns – Slow Fade. (C) 2008 Provident Label Group LLC, uma unidade de SONY BMG MUSIC ENTERTAINMENT

Crês tu isto?

A fé é uma coisa difícil de concretizar. Sendo, por definição, a crença firme em coisas que não se vêem (Hb.11:1), torna-se uma experiência íntima e pessoal, real apenas para quem a tem. Apesar disso, as suas evidências são indisfarçáveis. No modelar de comportamentos, ideias, ideais, intenções, motivações e anseios. Essas evidências mostram-se tanto mais quanto mais provada for. Tal como o ouro, ou a prata, que brilham mais quando o fogo é mais forte (1Pd.1:7). Não tenhas, por isso, medo da prova. Ela é oportunidade de crescimento e benção! (Rm.5:1-5)

Nos momentos de aperto e contrariedade é difícil manter o ânimo e confiar. Perguntas: “Porquê?” Os últimos meses têm sido de deserto. Uma jornada árdua sem vislumbre de fim. Ao longo deste tempo fui assaltado algumas vezes pela mesma inquietação. Deus, por seu lado, tem mantido o meu ânimo (Js.1:9)! Glória a Ele!

Crês tu isto?” – Hoje esta questão não me tem saído da cabeça (nem do coração). Jesus dirigiu esta questão a uma pessoa especial, Marta, irmã de Maria e Lázaro, amigos íntimos dele. O contexto era difícil, doloroso e catastrófico: Lázaro morrera, e Jesus nada tinha feito para o impedir. (Jo.11) Eis o que aprendi com este encontro:

  1. Marta estava magoada, e não se coibiu de o demonstrar a Jesus (vs.21). O nosso relacionamento com Deus deve ser transparente. Ele não se incomoda em ouvir as tuas aflições ou ansiedades. Deixa o teu fardo aos pés de Jesus, e encontrarás descanso.
  2. Ele, cheio de graça, consolou-a com as promessas de Deus (vs.23) . A nossa consolação está, e sempre estará em Deus. As Suas promessas, a Sua Palavra são a nossa provisão. Como se costuma dizer, não olhes para o tamanho dos teus problemas, olha para o tamanho do teu Deus!
  3. Marta responde como que a dizer: “Sim, sim, eu sei de tudo isso, mas, a minha situação continua a mesma!” (vs.24). Cometemos muitas vezes este erro, o de aligeirar a fé, de aceitar as promessas de Deus apenas em teoria mas sem eficácia prática no nosso dia-a-dia. Poderemos chamar a isso de fé? A verdadeira fé transporta-te ao gozo presente das promessas divinas, independentemente das circunstâncias.
  4. Jesus leva Marta a reflectir melhor na realidade para além do que os olhos vêem (vs.25,26). A realidade que a fé alcança e vislumbra da parte de Deus. E, por fim, remata: “Crês tu isto?” Esta pergunta de Jesus é como: “Que fé é a tua? Acreditas mesmo naquilo de que falas? Quem sou Eu na realidade da tua vida?”

É na travessia dos desertos da vida que a realidade da tua fé vem ao de cima e se revela perante todos. Se só és capaz de ser crente ao domingo, quando tudo vai bem, mas fraquejas quando tens de pagar o preço, que valor tem a tua fé? A promessa de Deus para nós é que mesmo no meio da prova somos mais do que vencedores em Cristo! (Rm.8:35-39) Aleluia! Comporta-te como um vencedor. Age com confiança. Espera pacientemente. E, louva a Deus pela Sua provisão. E o bom cheiro de Cristo fluirá da tua vida para benção de todos quantos te rodeiam.

A história de Marta mudou. E, foi Jesus que operou essa mudança. Lázaro ressuscitou! Do deserto brotaram águas, e o oásis chegou. Chegará também para ti.

Crês tu isto?

Guarda-costas :: Devocional

3.Maio :: Provérbios 23:10-11

Sou o irmão mais velho da família. Como tal, assumi em pleno a vital missão de preparar o meu irmão para a dureza da vida! Como todos sabem – especialmente os irmãos mais velhos –  a melhor maneira de fazer isso é irritando ao máximo o irmãozinho! Fazer sempre questão de lembrar que somos os mais velhos e por isso tempos direitos especiais. Culpá-lo de todos os “acidentes” que acontecem lá por casa. Fazer valer sempre as nossas escolhas – de brincadeiras, programas TV, etc.. Implicar por tudo e por nada. Só assim eles estarão preparados para enfrentar o mundo competitivo em que vivemos, que mais parece uma selva.

Apesar desta esquisita demonstração de Amor há momentos em que os irmãos mais velhos mostram os seus reais afectos pelo benjamim da família. Sempre que ele está metido em alguma enrascada e precisa de ajuda – por exemplo, um brutamontes que na escola não o deixa em paz – logo o irmão mais velho vem em seu auxílio. É o seu guarda-costas privado. Ele sente-se protegido, defendido, amado e orgulho por ter o irmão que tem. Estou convencido que durante muitos anos os mais novos vêem nisto a única vantagem de ter um irmão mais velho!

NOTA: Para que fique registado: Amo muito o meu irmão, somos muito amigos e acho que não lhe dificultei assim tanto a vida.

  1. É bom sentirmo-nos protegidos, não é? A Bíblia diz que Deus é o nosso protector. Como é que isso te faz sentir?
  2. O texto de hoje diz que Deus assume e luta pela tua causa! Que maravilhoso! Em que condições achas que isso acontece? Sempre?

Cavalos de batalha :: Devocional

27.Abr :: Provérbios 21:31

O ambiente é tenso. Às primeiras horas do dia, assim que a alvorada raia, permitindo distinguir formas e sombras, um burburinho surdo levanta-se. Os homens apressam-se de um lado para o outro. As vozes de comando gritam-se em surdina. Partem. Organizam-se. Esperam.

Quando o sol se levanta sobre o vale, ei-los! De um lado e outro dois colossos. Duas massas de homens fortemente armados, o terror e a raiva nos olhos. Dois exércitos prontos para a batalha. Quem vencerá?

  1. Quais os factores determinantes para a vitória numa batalha?
  2. Muitas das batalhas da Bíblia tiveram a mesma chave de sucesso: Deus! Que diferença faz Deus nas tuas lutas?
  3. Estás a enfrentar alguma situação difícil? Prepara-te. Ora. Busca a Deus. Ele é a tua vitória!

O triunfo da Cruz!

Jesus veio com um propósito. A sua missão estava definida desde a eternidade. As dificuldades que encontrou foram muitas. Logo no início do seu Evangelho, João diz-nos que Ele, a vida e luz dos homens veio a um mundo em trevas, mas não foi compreendido. Chegou ao mundo que Ele criou, mas não foi reconhecido. Veio aos seus, e estes não O receberam. (Jo.1:1-11) Ao longo da sua vida foram muitos os momentos em que teve de confrontar-se com a dureza da missão e com tentações descaradas e ás vezes subtis de soluções mais fáceis para atingir aparentemente o mesmo fim.

Vemo-lo num dia de festa, um casamento, rodeado de amigos e familiares. Um momento improvável para um teste. A sua mãe aproxima-se e segreda-lhe: “O vinho acabou”. Com alguma dureza Jesus responde: “Mulher, que tenho eu contigo? A minha hora ainda não é chegada!” Mas quando, seguramente movido pela pena aos noivos, transformou água em vinho, lemos que os seus discípulos creram nele.

Mais tarde, desviou-se do caminho habitual para se sentar na beira de um poço, na hora do calor mais duro, para se encontrar com alguém que precisava de ajuda. Conversou longamente com esta mulher samaritana, até que ela sai correndo de volta à cidade, chamando a todos e dizendo: “Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito: porventura não é este o Cristo?”

E muitos mais creram nEle por causa da sua palavra.

Quando um dia Jesus ensinava uma grande multidão, compadeceu-se deles e tomando alguns pães e peixes alimentou a todos até que ficassem satisfeitos. Entre a multidão ouvia-se: “Este é evidentemente o profeta que havia de vir ao mundo”. E queriam faze-lo rei. Quando no dia seguinte Jesus viu que ainda o seguiam disse-lhes: “Não me buscais pelos sinais que vistes, mas porque comestes e vos saciastes.” E muitos viraram costas e O abandonaram.

A notícia chegou deixando todos constrangidos. Um dos melhores amigos de Jesus tinha morrido. Lázaro estava morto. Jesus comoveu-se. Chorou. Mas quando se pôs diante do sepulcro onde o morto jazia há 4 dias e o chamou pelo nome, Lázaro saiu para fora. Muitos creram nele.

A novidade espalhou-se como fogo em terra seca, e quando Jesus chega a Jerusalém uma semana antes da Páscoa é recebido por uma multidão em êxtase, gritando e dançando nas ruas, trazendo folhas de palmeira e aclamando: “Bendito o rei de Israel, que vem em nome do Senhor”.

Na mente de todos ecoava uma certeza: MISSÃO CUMPRIDA! Na de todos, menos na de Jesus. Nada fazia prever que menos de uma semana depois Jesus se deixaria prender sem motivo, se submetesse a um julgamento ilegal, com acusações falsas, suportasse os castigos, o chicote, os murros, as cuspidelas, os insultos, as blasfémias, tomasse uma cruz que não era sua, e estivesse agora ali, no topo do Calvário suspenso entre o céu e a terra, desfigurado pela dor dos cravos e do chicote, e da ira do Pai.

Teria sido fácil para Jesus levantar multidões atrás de si. Era Ele que podia satisfazer todas as necessidades, falar ao mais profundo da alma, extinguir a fome no mundo, curar todas as doenças e até ressuscitar mortos. Ninguém lhe resistiria. Mas não foram esses problemas que Ele veio primariamente a resolver, mas um mais grave do que estes. O PECADO.

Jesus disse: “Eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum se perca. Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna” (Jo.6:38-40)

Quando muitos já desciam o monte cabisbaixos e derrotados, pensado que tudo estava acabado, Jesus há quase 6 horas na cruz, reúne as suas forças,e solta um brado que ressoa. O que Ele disse era improvável, estranho, e contra tudo o que se podia esperar: ESTÁ CONSUMADO! Este não foi um queixume derrotista nem um lamento. Não foi um: “está tudo acabado” “é o fim” “não posso mais”. Das 7 vezes que Jesus falou na cruz, apenas em duas ocasiões ele “clamou com alta voz”. Um destes gritos foi de desespero e abandono: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” O outro de absoluto triunfo: “Está consumado!” Os dois momentos decisivos: o suportar do castigo e a vitória! Estava tudo feito. A missão foi levada até ao fim. Não era preciso acrescentar mais nada. Todas as profecias a respeito do Messias estavam cumpridas. Está consumado. Todo o trabalho que o Pai lhe deu a fazer estava feito. Está consumado. A expiação pelos pecados realizada. Está consumado. A possibilidade de perdão eterno. Está consumado. O poder do pecado anulado. Está consumado. A morte vencida. Está consumado. Satanás derrotado para sempre. Está consumado. A vida eterna. Está consumado.

Muitos séculos antes Isaías, o profeta, escreveu a respeito do Cristo: “Quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão. O trabalho da sua alma verá, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos: porque as iniquidades deles levará sobre si.” (Is.53:10-12)

Imagino Jesus exausto, no limite das suas forças. A separação do Pai era dor insuportável. E o castigo. Os cravos. Os insultos. A incompreensão. Mas perto do fim Ele ergue o seu olhar e vê mais além, onde só Ele podia ver. São muitas caras. De todas as tribos, povos, línguas e nações. Tantas que são uma multidão. Tantas que ninguém pode contá-las. Mas Ele conhece a todos pelo nome. Vê-me também a mim. E a ti. E ficou satisfeito.

E no limite daquilo que podia suportar, ergue-se sobre os cravos e solta o brado final: ESTÁ CONSUMADO!

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“E no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado, e algumas outras com elas. E acharam a pedra revolvida do sepulcro. E, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus. E aconteceu que, estando elas muito perplexas a esse respeito, eis que pararam junto delas dois homens, com vestes resplandecentes. E, estando elas muito atemorizadas, e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galiléia, Dizendo: Convém que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia ressuscite.

E lembraram-se das suas palavras.”

(Lucas 24:1-8)