“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (João 1:14)

Deus visitou-nos! Pela primeira vez, João fala da encarnação. É certo que já tinha anunciado a chegada do Verbo Eterno. Ele, a verdadeira Luz que dá vida aos homens, visitaria a sua criação. Quando veio foi rejeitado pelos seus. Mas, João ainda não tinha explicado como seria essa visitação. Deus desceria dos céus em glória? Seria uma visão? Haveria nele algo distintamente divino que o separasse, à primeira vista, dos demais? Não, de um modo maravilhoso e incompreensível Deus se fez Homem, tomou sobre si carne, uma pessoa como todas as outras – nasceu, cresceu, comeu e bebeu, apendeu a andar, a falar, a brincar, chorou, riu, trabalhou, teve amigos, família, cansava-se, dormia. A total humanidade de Jesus é um ponto chave da teologia bíblica.

“O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida
(Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada);” (1 João 1:1,2)

“Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já agora está no mundo.” (1 João 4:2-3)

“Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo.” (2 João 1:7)

Grande é este mistério, pois embora Jesus fosse inteira e verdadeiramente Homem, nunca deixou de ser inteira e verdadeiramente Deus. Como Homem, vivendo uma vida perfeita e sem pecado, Ele poderia substituir-nos no castigo pelos nossos pecados. Como Filho de Deus, Ele poderia mostrar-nos a glória do Pai.

O exemplo mais vívido da manifestação da sua glória, talvez seja apontado por muitos como a transfiguração perante os discípulos Pedro, João e Tiago (Luc. 9:29-35). Naquele dia, quando as suas vestes e o seu rosto resplandeceram como o sol, os discípulos viram a sua glória. No entanto, os Evangelhos estão repletos de exemplos dessa glória que Jesus veio manifestar. O modo como falava com autoridade (Mt. 7:28-29), a misericórdia que mostrava pelos pecadores (Jo. 8:3-11), a compaixão com os que sofrem (Lc. 7:11-16), a mansidão perante os inimigos (Lc. 22:47-51). Tudo isso compõe a imagem do Cordeiro de Deus que veio, não para julgar e condenar, mas para buscar e salvar o que se havia perdido.

Que Deus tenha escolhido manifestar a Sua glória na face de um homem sem beleza e formosura, ou de aparência desejável, desprezado, o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, experimentado nos trabalhos, um de quem os homens escondiam o rosto, reputado por aflito, ferido de Deus e oprimido (Is. 53), é assombroso. Ao não apelar ao nosso ego, vaidade e ilusões de grandeza e poder, Deus, revela-se aos simples, contritos e humildes. Àqueles que, na humildade do Filho de Deus encarnado vêem a glória misericordiosa do Pai.