Aleluia! Que Salvador!

Leitura recomendada: Mateus 27:33-44; Marcos 15:22-32; Lucas 23:32-43

As seis horas mais negras da História começam com duas afirmações de Graça e Perdão.

A primeira é uma expressão do espírito manso e humilde de Jesus: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem.”. O exemplo de Jesus de amar os inimigos e estender perdão aos que ofendem tem sido a marca dos mártires ao longo dos séculos. Lembremo-nos de Estevão que, ao ser apedrejado, rogava a Deus pelo perdão dos que o maltratavam. Lembremo-nos de Corrie ten Boom, uma filha de Deus enviada para um campo de concentração nazi por acolher e esconder judeus durante a II Guerra Mundial. Anos mais tarde, tendo sobrevivido aos horrores da guerra, no final de um culto numa igreja em Munique durante o qual falara sobre o Deus que perdoa, vê um homem caminhando na sua direcção. À medida que ele se aproxima, as memórias dos sofrimentos passados são reavivadas pelo rosto familiar. Tratava-se de um dos guardas do campo onde estivera prisioneira. O seu corpo tremia todo. A mente acelerava, o coração quase saía do peito. Quando o homem finalmente chega perto dela, apresenta-se como um dos guardas do campo de concentração onde ela estivera detida. Ele não a reconhecia – talvez porque na bestialidade dos horrores praticados era mais fácil não atribuir rostos a quem se tratava com tanta desumanidade. O homem conta que após o fim da guerra conhecera a Cristo e encontrara n’Ele perdão para o seu passado sombrio. Agora, ele também era um cristão. “Vim para pedir-lhe perdão!”, disse o homem. Corrie sabia o que devia fazer mas sentia-se incapaz de o fazer. No seu íntimo rogou a Deus que a ajudasse, e estendeu a mão. Uma sensação de paz interior e amor inundou ambos no toque perdoador.

Muitas outras histórias poderiam ser contadas. O perfume suave da Graça tem sido levado a todo o lado pela Igreja. Confiados na Justiça de Deus, deixamos a vingança (leia-se, a reposição da justiça) nas mãos do Senhor, e entregamo-nos ao amor, à paz e ao perdão.

A segunda expressão da Graça, porém, não está ao alcance de nenhum Homem. Jesus responde ao apelo de um dos crucificados e diz: “Em verdade te digo, hoje estarás comigo no Paraíso.”. Este estender de perdão ultrapassa as injúrias antes proferidas contra Ele. O que está em causa não é a ofensa particular e pessoal contra o homem Jesus, mas uma vida inteira de pecado numa ofensa ignóbil e monstruosa contra o Deus Santo. Nenhum Homem pode conceder tal perdão, apenas Deus tem poder para perdoar os pecados. Pendurado na Cruz, acusado de heresia pelos líderes judeus, Jesus assume totalmente a Sua Missão e a Sua Natureza. Ele é totalmente Deus. Ele fez-se homem com um propósito. Ele veio para salvar os pecadores. Ali, mesmo no momento em que, pelo Seu sacrifício voluntário, cumpria todas as exigências de justiça da Santidade divina – que é digno de morte aquele que pecar, Jesus concede, sem preço, pela Graça, mediante a Fé, o dom da Vida Eterna que só pode ser dado ao que crê, a um homem que merecia o castigo e nunca teria oportunidade de praticar nenhuma boa obra que mudasse o seu destino.

Em nenhum outro momento de que me lembre, o escândalo da Graça foi mais evidente. Outros homens maus têm encontrado o perdão. O nazi que se rendeu a Cristo. O zeloso Saulo, perseguidor da Igreja e de Cristo, que ficando cego na estrada para Damasco, viu pela primeira vez a glória excelente d’Aquele a quem perseguia. Paulo teve que enfrentar as dúvidas dos cristãos quanto à credibilidade da sua conversão. Só com a evidência do seu viver transformado foi, aos poucos, aceite pela Igreja. Embora confessemos nos nossos Credos que a Salvação é pela Graça e mediante a Fé, não pelas obras ou méritos de cada um, mas exclusivamente pelos méritos de Cristo, o nosso sentido inato de auto-piedade e justiça própria insiste em convencer-nos que, lá no fundo, conseguimos provar a Deus que Ele não se enganou quando nos perdoou. É que nós até merecíamos. Certamente não temos a ousadia de colocar este sentimento em tantas palavras, mas, o incómodo que sentimos quando um “grande” pecador é perdoado é sinal evidente do que vai no nosso coração. É por essa razão que o Catolicismo Romano criou a ideia do purgatório. O papa Paulo VI disse: “Cremos na vida eterna. Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo – quer ainda tenham que fazer expiação no fogo do purgatório, ou desde o momento em que deixam os seus corpos sejam recebidos no Paraíso por Jesus Cristo, tal como o bom ladrão – vão formar o Povo de Deus que vence a morte, a qual morte será totalmente destruída no dia da Ressurreição quando estas almas forem reunidas aos seus corpos.” (Creed of the People of God, 28). O perdão do bom ladrão, como lhe chama, é visto como a excepção única e irrepetível, de alguém que foi integralmente perdoado sem oportunidade de mostrar boas obras. Todos os outros casos terão de fazer a “sua expiação” no purgatório. Esta heresia faz tamanha violência ao acto salvífico de Cristo que o destrói por completo. Se somos incapazes de crer na declaração de Jesus que diz: “Na verdade te digo…” como creremos em todas as outras coisas que Ele declarou solenemente?

Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida. João 5:24

Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna. João 6:47

Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. João 12:24

Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai. João 14:12

Na verdade, na verdade vos digo que vós chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria. João 16:20

E naquele dia nada me perguntareis. Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar. João 16:23

Ao mesmo tempo que o nosso “fariseu interior” se incomoda, há uma consolação inexcedível nesta promessa de Jesus: há Graça abundante e Perdão para todos os que vierem.

Todas as vozes que se ouviam no Calvário eram contrárias a Jesus. Os líderes judeus. A multidão. Os soldados romanos. E, segundo Mateus e Marcos, os dois malfeitores crucificados ao lado de Jesus, todos blasfemavam dele e O insultavam. Mas, não eram só as palavras que O feriam. O título colocado sobre a sua cabeça: “Este é o Rei dos judeus” era uma humilhação. A coroa de espinhos que se cravava no crânio. A cruz do meio, entre dois conhecidos malfeitores, fazendo-O o principal entre eles. Nenhuma destas armadilhas tenebrosas e diabólicas poderia, no entanto, impedir a Obra gloriosa que se operava naquelas horas. A Cruz do meio torna-se cada vez mais central. A atitude do homem lá pendurado deixa todos perplexos. A conversa dos dois salteadores torna-se a parábola perfeita do Evangelho.

Enquanto um dos ladrões insiste na blasfémia, o outro detém-se. Os dois viam o mesmo Cristo, na mesma Cruz, dizendo as mesmas coisas. Mas, o efeito que isso teve num e noutro demonstra o modo como as pessoas reagem ao Evangelho: uns com indiferença e endurecendo cada vez mais o coração, outros sendo conquistados pelo amor chegam ao arrependimento e à fé. Não sabemos exactamente o que fez aquele homem mudar de ideias. Ele que momentos antes injuriava a Jesus agora defende-o. Talvez tenha sido o silêncio manso com que Jesus suportava a afronta. Talvez as palavras de perdão que estendeu aos que O cravavam na Cruz. Talvez a tábua sobre a Sua cabeça que o proclamava como Rei. Talvez alguma lembrança dos actos de bondade e misericórdia que praticou. Talvez tudo isso. Em meio à loucura desenfreada do Gólgota, ele viu em Jesus um homem diferente, uma promessa diferente, uma esperança real.

R. C. Sproul definiu arrependimento assim no seu livro “O que é o arrependimento”: “O conceito central do arrependimento no Antigo Testamento pode ser resumido numa palavra: conversão. Esta palavra faz parte da linguagem habitual dos Cristãos e é o ponto focal do chamado profético ao arrependimento. Ninguém nasce Cristão. Para que alguém se torne um Cristão, alguma coisa precisa acontecer que transforme radicalmente essa pessoa. Isto está ligado ao conceito bíblico de metanoia, uma mudança de mente que não é apenas um ajuste intelectual a um conceito, mas a mudança da nossa vida inteira. Para o profeta, o arrependimento não é meramente um ritual religioso, mas a conversão integral da alma. Significa a mudança total do nosso ser.” Será que esta definição pode ser aplicada ao ladrão na Cruz? Pode alguém que morreu algumas horas depois demonstrar tal arrependimento?

Consideremos os acontecimentos. Ele silenciou as suas blasfémias. Condenou o outro por injuriar a Jesus. Admitiu a sua culpa e merecimento do castigo. Exortou o outro a arrepender-se. Confessou que Jesus estava a ser castigado injustamente porque era inocente. Reconheceu Jesus como Senhor. Creu na eternidade. Desejou passar essa eternidade com Jesus. Creu na vitória de Cristo mesmo vendo-o pendurado na Cruz. Desejou estar com Cristo para sempre e não apenas ver-se livre da sua cruz, como o outro ladrão. Humildemente, apenas foi capaz de pedir: “lembra-te de mim…”. Este homem mostrou tantos frutos de arrependimento quantos a sua situação peculiar lhe permitia. Não foi batizado. Não tomou parte da Ceia do Senhor. Não testemunhou da fé. Não praticou boas obras. Fez aquilo que podia fazer e, afinal, a única coisa que era necessário fazer: creu. E isso lhe foi imputado por justiça.

Ao seu rogo Jesus respondeu com perdão e esperança. “Na verdade te digo, hoje estarás comigo no Paraíso.”. O estar é afirmado. A comunhão com Ele é afirmada. A felicidade eterna e consciente é afirmada. O tempo é afirmado. HOJE. Assim que os seus olhos se fechassem neste mundo, ele entraria no Descanso. O maior terror daquele homem – a morte – foi naquele momento vencido pelas palavras consoladoras de Jesus. Do outro lado, estaria Jesus para recebê-lo no Paraíso.

Mas, como? Porque Jesus se recusou a ceder à tentação do diabo no deserto quando lhe prometeu todos os reinos do mundo se o adorasse. Porque Jesus orou no Getsémani: “Faça-se a Tua vontade e não a minha”.  Porque Jesus se entregou em silêncio nas mãos dos acusadores. Porque não saiu da Cruz quando foi desafiado. Porque olhou aquele ladrão que lhe pedia perdão e tomou sobre si os pecados dele – e tantos que eram –  para suportar na sua vez o castigo e a ira do Pai. Porque suportou o castigo até ao fim e disse: “Está consumado!”. O maior acto de justiça praticado no Calvário naquele dia não foi o do ladrão arrependido, foi de Cristo. Por isso, tomamos o ladrão como exemplo de arrependimento, confissão e humildade, mas celebramos a Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Só Ele é digno do nosso amor. Só Ele merece a nossa gratidão. Só Ele deve ser adorado. Porque fomos salvos da mesma maneira do que aquele ladrão. Tal como a Reforma trouxe de novo à luz: Sola Gratia, Sola Fides, Solus Christus. Somente a Graça. Somente a fé. Somente Cristo. Para que também, tanto hoje como eternamente, Soli Deo Gloria, Somente Glória a Deus.

Termino com um poema de Phillip P. Bliss: “Hallelujah! What a Savior!” (Aleluia! Que Salvador!)

“Homem de Dores!” que nome

Para o Filho de Deus, que veio

Pecadores arruinados reclamar.

Aleluia! Que Salvador!

Suportando a vergonha e o rude escarnecer

No meu lugar condenado ficou

Selou o meu perdão com seu sangue

Aleluia! Que Salvador!

Culpado, vil e sem esperança era eu;

Cordeiro de Deus sem mácula era Ele;

Salvação completa! Poderá ser?

Aleluia! Que Salvador!

Levantado para morrer Ele foi;

“Está consumado” o seu clamor;

Agora no Céu está exaltado.

Aleluia! Que Salvador!

Quando Ele vier, o nosso Rei glorioso

Todos os seus remidos para Casa levar

Esta nova canção cantaremos:

Aleluia! Que Salvador!

Brincar às escondidas

Quando me detenho a meditar nas questões da fé encontro frequentemente grandes desafios. Nestes últimos dias, o Salmo 139 tem estado presente no meu espírito. Este Salmo é um hino majestoso à soberania de Deus, expressa na Sua Omnisciência (vs. 1-6), Omnipresença (vs. 7-12) e Omnipotência (vs. 13-18).

A questão que me sobressalta prende-se com a reacção de David perante este Deus Santo (vs. 19-20) e Supremo: “Sonda-me, ó Deus…” (vs. 23).

Jogo das escondidas

 

Somos formatados para manipular a verdade a nosso favor, para esconder os nossos sentimentos e a ocultar os fracassos. A mentalidade secular faz-nos crer que para sermos aceites e bem-sucedidos não podemos mostrar quem somos. Vivemos numa grande mascarada. Não gostamos de ser julgados, nem sequer criticados, porque sentimos isso como um ataque pessoal, e não como uma ferramenta para mudar e crescer.

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos.
E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.
Salmos 139:23-24

O convite ao exame externo de David é por isso estranho. Ainda mais quando consideramos que ele lança o apelo ao Deus-que-tudo-sabe-vê-e-pode. A sua atitude contrasta com a de Adão e Eva que se esconderam de Deus no Jardim (Gn.3:1-11). Ou, com a de Caim, após ter assassinado o seu irmão, que se escusa a assumir responsabilidade perante Deus (Gn.4:1-9). Ou, com a dos homens ímpios que dizem: “Não há Deus!” (Sl.14:1, Sl.53:1). Ou, ainda, com a de todos os homens e mulheres, que de uma ou outra maneira, não glorificam a Deus, mudam a Sua glória e manipulam a Sua verdade, para que possam apaziguar as suas consciências acusadoras e seguir pecando (Rm1:21-32).

O exame a que David se expõe é:

1. Profundo.

Nota as expressões que David usa:

  • “Sonda-me” – o significado imediato da palavra é penetrar. No contexto, refere-se a examinar intimamente, procurando, descobrindo e provando todas as coisas.
  • “Conhece” – a raiz da palavra pode ter um significado amplo. No contexto, refere-se a um conhecimento total sobre o coração através de observar, reconhecer, discernir e compreender tudo a seu respeito. Tal conhecimento confere domínio e posse.
  • “Prova-me” – o significado imediato é testar, especialmente os metais. A ideia é a de um teste que põe à prova os limites do material. No contexto, refere-se a investigar, examinar e provar pelas tribulações.
  • “Vê” – o significado imediato é olhar atentamente. No contexto, refere-se a um exame por observação cuidada, espiar de perto para discernir intenções.

David, que conhece o Deus a quem agora se entrega, sabe que não pode esconder nada d’Ele. Por isso, expõe-se a um exame rigoroso, onde nada será deixado de parte. Ele não quer apenas aliviar a sua consciência, dizendo: “Senhor, olha isto ou aquilo que fiz.” Ele quer entregar-se completamente a Deus.

2. Íntimo.

David pede que Deus examine o seu coração.  Na Bíblia, o coração refere-se ao centro e ao mais íntimo do nosso ser. É a sede das emoções, da vontade, e mesmo da razão e intelecto.

David queria que todo o seu ser fosse sujeito a Deus. Tudo o que ele era, sem restrições, sem máscaras, sem dissimulações. Ao contrário de Adão, que fez para si aventais de folhas para cobrir a sua nudez (Gn.3:7-11), David expõe-se nu perante Deus.

3. Abrangente.

David expõe o seu coração, mas também os seus pensamentos. As preocupações, cogitações, e todos os planos estavam diante do Senhor. O exame não só é pessoal e íntimo, como também alcança todas as áreas da vida. Nada fica de fora de todas as realizações de David. A família, o trabalho, os projectos futuros, as amizades. Tudo.

4. Corrector.

A preocupação de David é conhecer os “caminhos maus” que possam dominar a sua vida. Na linguagem original, a raiz da palavra para mau pode significar:

  • sofrimento ou dor
  • perverso
  • ídolo

David quer saber se o seu coração, ou os seus pensamentos, estão a seguir num caminho que o conduza a sofrimento, impiedade e pecado, ou idolatria. Blaise Pascal é o autor da famosa frase: “O coração tem razões que a própria razão desconhece.” David reconhece que não é capaz de garantir que as suas escolhas serão sempre certas, porque há caminhos que ao homem parecem bons, mas o seu fim é a morte (Pv.16:25). Por isso, ele entrega-se ao exame divino para que o Deus-que-tudo-vê-e-sabe lhe mostre a realidade do seu coração.

5. Consequente.

O objectivo de David não é aumentar o seu auto-conhecimento pelo caminho da introspecção. Muitos apontam esse caminho como a fonte de maturidade e equilíbrio. Pelo contrário, David entrega-se a um exame externo, e está disposto a submeter-se às conclusões. A sua súplica é: “… guia-me pelo caminho eterno.” A ideia aqui expressa é mais do que apenas sugerir ou apontar alternativas. Guiar é liderar. Liderar é governar. David entrega-se totalmente à vontade de Deus para a sua vida. Ele sabe que ela é boa, perfeita e agradável. Ele confia que Deus endireitará os seus caminhos.

Enquanto a maior parte dos homens foge de Deus, David entrega-se a Ele. Tendo consciência das suas falhas e pecado, ainda assim não tem medo de se apresentar diante de Deus, que é Santo. Porquê? Porque confia nas Suas misericórdias, e sabe que só por elas poderá subsistir (Sl.51:1)

Esconderes-te de Deus não mudará nada. Deus continuará a ser Deus. E tu, continuarás pecador. Vem hoje a Ele. Entrega-te à Sua misericórdia. E, ora como David orou:

Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos.
E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.
Salmos 139:23-24

Jesus, o rejeitado dos Homens :: Devocional

14.Dezembro :: Jesus, o rejeitado dos Homens

É incrível como uma notícia pode ser recebida de modo tão diferente pelas pessoas. A vitória de um partido nas eleições é celebrada pelos seus apoiantes e desprezada pelos opositores. Uma promoção no emprego é alegria para uma família e inveja para os competidores. O modo como nos posicionamos perante as circunstâncias determina as reacções que elas nos provocam.

A chegada de Jesus, o Messias há tanto tempo prometido, era uma boa notícia.

“E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo:
Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.”
(Lucas 2:10-11)

Mas, a novidade não foi motivo de alegria para todos. Os líderes religiosos, os judeus mais fervorosos e fanáticos, que deveriam reconhecê-lo imediatamente pelo cumprimento das profecias, não O aceitaram. Os líderes políticos, como Herodes, viram nEle uma ameaça ao seu poder sobre o povo. E, desde logo, moveram contra Ele intensa perseguição.

Uma das profecias mais negras acerca da vinda do Messias veio pela voz do profeta Jeremias, avisando que antes que viesse o consolo, a libertação e a restauração, haveria choro e lamentação.

“Assim diz o SENHOR: Uma voz se ouviu em Ramá, lamentação, choro amargo; Raquel chora seus filhos; não quer ser consolada quanto a seus filhos, porque já não existem.
Assim diz o SENHOR: Reprime a tua voz de choro, e as lágrimas de teus olhos; porque há galardão para o teu trabalho, diz o SENHOR, pois eles voltarão da terra do inimigo.
há esperança quanto ao teu futuro, diz o SENHOR, porque teus filhos voltarão para os seus termos.”
(Jeremias 31:15-17)

O aviso de Deus cumpriu-se de modo terrível aquando do nascimento de Jesus Cristo.

“Depois que partiram, um anjo do Senhor apareceu a José em sonho e disse-lhe: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito. Fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo“.
Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe durante a noite, e partiu para o Egito,
onde ficou até a morte de Herodes. E assim se cumpriu o que o Senhor tinha dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu filho”.
Quando Herodes percebeu que havia sido enganado pelos magos, ficou furioso e ordenou que matassem todos os meninos de dois anos para baixo, em Belém e nas proximidades, de acordo com a informação que havia obtido dos magos.
Então se cumpriu o que fora dito pelo profeta Jeremias:
“Ouviu-se uma voz em Ramá, choro e grande lamentação; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque já não existem”.”
(Mateus 2:13-18)

Miraculosamente Deus protegeu a José, Maria e Jesus. Não é o Homem que impedirá os planos de Deus. A rejeição de uns não será o prejuízo de todos. Ainda que muitos, pelo seu amor ao mundo, ao dinheiro, ao pecado, rejeitem o Salvador, outros, humildemente O recebem com alegria. O maior impedimento que Deus encontra para salvar o Homem é o coração obstinado do próprio Homem. Essa é a barreira que tu mesmo precisas ultrapassar. Não rejeites a Cristo.

Jesus, a Luz da manhã

13.Dezembro :: Jesus, a Luz da manhã

Já assististe a algum nascer do sol? É uma coisa gloriosa! As trevas, o silêncio e o frio da noite são serenamente vencidos pela luz do sol que se levanta. Primeiro é só um prenúncio, uma penumbra que desfaz as trevas. Mas, logo se torna imparável, forte, invencível, explodindo em luz, cor, vida e calor por todo o lado.

Quando era um homem já velho, prestes a partir deste mundo, o grande rei David quis deixar uma última mensagem aos que ficavam. No seu leito de morte ele profetizou assim:

“Estas são as últimas palavras de Davi: Diz Davi, filho de Jessé, e diz o homem que foi levantado em altura, o ungido do Deus de Jacó, e o suave em salmos de Israel.

O Espírito do SENHOR falou por mim, e a sua palavra está na minha boca.

Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou: Haverá um justo que domine sobre os homens, que domine no temor de Deus.

E será como a luz da manhã, quando sai o sol, da manhã sem nuvens, quando pelo seu resplendor e pela chuva a erva brota da terra.” (2 Samuel 23:1-4)

Com o mesmo fulgor e esperança de um nascer do sol o Messias viria. Toda a glória alcançada por David não se compararia à do Redentor. O povo, o mundo estava em trevas, era necessária a Luz que trouxesse a Vida.

“Mas a terra, que foi angustiada, não será entenebrecida; envileceu nos primeiros tempos, a terra de Zebulom, e a terra de Naftali; mas nos últimos tempos a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, na Galiléia das nações.

O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.

Tu multiplicaste a nação, a alegria lhe aumentaste; todos se alegrarão perante ti, como se alegram na ceifa, e como exultam quando se repartem os despojos.” (Isaías 9:1-3)

João daria testemunho da Luz. A Luz que resplandece e as trevas não conseguem resistir. (Jo.1:1-9) A Luz que traz Ressurreição e Vida. (Jo.11:25) A Luz que é Jesus Cristo. (Jo.8:12)

Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã.” (Apocalipse 22:16)

Apesar de todos os benefícios da luz, ela também pode ser incómoda. A luz revela as coisas pelo que elas são. Mostra as falhas, os defeitos, expõe as fragilidades. É um assalto aos nossos jogos de dissimulação. A Luz expõe o pecado dos pecadores. Por isso, muitos pecadores fogem da Luz, preferindo as trevas. (Jo.3:19) Mas, esconder o pecado não é o mesmo que expurgá-lo. Vem para a Luz e vive!

Jesus, O rejeitado (parte 2 – os Gentios)

12.Dezembro :: Jesus, O rejeitado (parte 2 – os Gentios)

Já recebeste um presente inesperado? Um dia, sem justificação, sem pretexto, alguém chega perto de ti e dá-te um presente, apenas como prova do seu amor para contigo. É bom, não é? São os melhores presentes de todos, porque são a maior prova do amor sincero e genuíno do outro por nós.

O Messias era a promessa de Deus para o seu povo. No entanto, entretecida nas profecias está uma promessa de esperança para o mundo inteiro. O Messias seria o Redentor de toda a terra. E, seria o presente inesperado para um povo que não O buscava.

Fui buscado dos que não perguntavam por mim, fui achado daqueles que não me buscavam; a uma nação que não se chamava do meu nome eu disse: Eis-me aqui. Eis-me aqui. (Isaías 65:1)

A mensagem de esperança para os Gentios está presente desde sempre. Também eles sofrem com o pecado. Também eles estão debaixo da condenação. Também eles necessitam de um Redentor. Também eles são amados por Deus. A obra do Messias não beneficiaria apenas a Israel, mas, a todas as nações da terra. O Emanuel seria Deus Connosco, com todos os Homens. Que fantásticas notícias! Que bendita esperança! Que gloriosa Luz resplandece nas nossas trevas!

Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios.

Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na praça.

A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com verdade trará justiça.

Não faltará, nem será quebrantado, até que ponha na terra a justiça; e as ilhas aguardarão a sua lei.

Assim diz Deus, o SENHOR, que criou os céus, e os estendeu, e espraiou a terra, e a tudo quanto produz; que dá a respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela.

Eu, o SENHOR, te chamei em justiça, e te tomarei pela mão, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, e para luz dos gentios.

Para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas.

Eu sou o SENHOR; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura.

Eis que as primeiras coisas já se cumpriram, e as novas eu vos anuncio, e, antes que venham à luz, vo-las faço ouvir.

Cantai ao SENHOR um cântico novo, e o seu louvor desde a extremidade da terra. (Isaías 42:1-10)

Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra. (Isaías 49:6)

Muitos séculos mais tarde, João descreve de forma tão sublime no seu Evangelho, o cumprimento desta profecia:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

Ele estava no princípio com Deus.

Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.

E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.

Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele.

Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz.

Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo. (João 1:1-9)

Jesus, o Verbo Eterno, encarnou. O Messias veio ao mundo em trevas, e Ele era a Luz dos Homens. O próprio Jesus mais tarde afirmou isso mesmo:

Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. (João 8:12)

Todavia a reacção generalizada dos Homens à oferta de amor de Deus foi inimaginável. Os Homens amaram mais as trevas do que a Luz. Preferiram esconder o seu pecado nas trevas do que se livrarem dele na Luz. As nações rejeitaram o Messias.

Por que se amotinam os gentios, e os povos imaginam coisas vãs?

Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o SENHOR e contra o seu ungido, dizendo:

Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas. (Salmos 2:1-3)

Numa das mais pungentes profecias acerca do Messias, Isaías descreve como o Homem recebeu a oferta de amor de Deus. E, descreve porque razão o Deus Omnisciente enviou o Seu Filho para ser Messias.

Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do SENHOR?

Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos.

Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.

Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.

Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.

Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.

Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido.

E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca.

Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão.

Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si.

Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores. (Isaías 53:1-12)

Nem todos crerão. Mas, pelos que crêem Jesus se dispôs a entregar a sua vida.

Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te pus para luz dos gentios, A fim de que sejas para salvação até os confins da terra.

E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna. (Actos 13:47-48)