Santidade ou imitação barata?

Encontrei um artigo no site do Ministério Fiel extraído do livro “Brecha na nossa santidade” de Kevin DeYoung. O texto é uma reflexão sobre o que significa (ou melhor, o que não significa) ser santo. DeYoung salienta 5 pontos:

  • Santidade não é um mero obedecer a regras.
  • Santidade não é imitação geracional.
  • Santidade não é espiritualidade genérica.
  • Santidade não é “encontrar o meu verdadeiro Eu”.
  • Santidade não é o padrão do Mundo.

Recomendo a leitura atenta do artigo completo (podes encontrá-lo aqui), mas deixo-vos o último parágrafo que prendeu a minha atenção:

Muitos cristãos têm a noção equivocada de que se simplesmente formos cristãos melhores, todos nos aplaudirão. Não percebem que santidade paga um certo preço. É claro que podemos nos concentrar nas virtudes que o mundo aprecia. Mas se você levar a sério a verdadeira religião que cuida dos órfãos e promove pureza (Tiago 1.27), você perderá amigos que lutou tanto para conquistar. Tornar-se sacrifício vivo, santo e aceitável a Deus exige que você resista ao mundo que deseja conformá-lo a seu molde (Rm 12.1-2). Guardar-se puro para o casamento, ficar sóbrio numa 6ª feira à noite, abrir mão de uma promoção só para poder continuar frequentando a igreja, recusar-se a dizer palavras parecidas com palavrões, desligar a televisão – esse é o tipo de coisa que o mundo não entende. Não espere que entendam. O mundo não fornece incentivos de apoio no caminho da santidade.


kevin_deyoung_131Kevin DeYoung é o pastor principal da University Reformed Church, em East Lansing (Michigan). Obteve sua graduação pelo Hope College e seu mestrado em teologia pelo Gordon-Conwell Teological Seminary. É preletor em conferências teológicas e mantém um blog na página do ministério ­ The Gospel Coalition. 

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Jesus, o rejeitado dos Homens :: Devocional

14.Dezembro :: Jesus, o rejeitado dos Homens

É incrível como uma notícia pode ser recebida de modo tão diferente pelas pessoas. A vitória de um partido nas eleições é celebrada pelos seus apoiantes e desprezada pelos opositores. Uma promoção no emprego é alegria para uma família e inveja para os competidores. O modo como nos posicionamos perante as circunstâncias determina as reacções que elas nos provocam.

A chegada de Jesus, o Messias há tanto tempo prometido, era uma boa notícia.

“E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo:
Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.”
(Lucas 2:10-11)

Mas, a novidade não foi motivo de alegria para todos. Os líderes religiosos, os judeus mais fervorosos e fanáticos, que deveriam reconhecê-lo imediatamente pelo cumprimento das profecias, não O aceitaram. Os líderes políticos, como Herodes, viram nEle uma ameaça ao seu poder sobre o povo. E, desde logo, moveram contra Ele intensa perseguição.

Uma das profecias mais negras acerca da vinda do Messias veio pela voz do profeta Jeremias, avisando que antes que viesse o consolo, a libertação e a restauração, haveria choro e lamentação.

“Assim diz o SENHOR: Uma voz se ouviu em Ramá, lamentação, choro amargo; Raquel chora seus filhos; não quer ser consolada quanto a seus filhos, porque já não existem.
Assim diz o SENHOR: Reprime a tua voz de choro, e as lágrimas de teus olhos; porque há galardão para o teu trabalho, diz o SENHOR, pois eles voltarão da terra do inimigo.
há esperança quanto ao teu futuro, diz o SENHOR, porque teus filhos voltarão para os seus termos.”
(Jeremias 31:15-17)

O aviso de Deus cumpriu-se de modo terrível aquando do nascimento de Jesus Cristo.

“Depois que partiram, um anjo do Senhor apareceu a José em sonho e disse-lhe: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito. Fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo“.
Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe durante a noite, e partiu para o Egito,
onde ficou até a morte de Herodes. E assim se cumpriu o que o Senhor tinha dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu filho”.
Quando Herodes percebeu que havia sido enganado pelos magos, ficou furioso e ordenou que matassem todos os meninos de dois anos para baixo, em Belém e nas proximidades, de acordo com a informação que havia obtido dos magos.
Então se cumpriu o que fora dito pelo profeta Jeremias:
“Ouviu-se uma voz em Ramá, choro e grande lamentação; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque já não existem”.”
(Mateus 2:13-18)

Miraculosamente Deus protegeu a José, Maria e Jesus. Não é o Homem que impedirá os planos de Deus. A rejeição de uns não será o prejuízo de todos. Ainda que muitos, pelo seu amor ao mundo, ao dinheiro, ao pecado, rejeitem o Salvador, outros, humildemente O recebem com alegria. O maior impedimento que Deus encontra para salvar o Homem é o coração obstinado do próprio Homem. Essa é a barreira que tu mesmo precisas ultrapassar. Não rejeites a Cristo.

A Justiça de Deus em condenar pecadores (2)

Os insensatos zombam do pecado, mas entre os retos há benevolência. Provérbios 14:9

O que rouba a seu próprio pai, ou a sua mãe, e diz: Não é transgressão, companheiro é do homem destruidor. Provérbios 28:24

Falar de pecado nos dias de hoje parece uma coisa fora do contexto. Pecado é coisa da Idade Média, antes da Razão, quando se tentava castrar a liberdade das pessoas com o medo do inferno.

Hoje fala-se de escolhas e gostos pessoais, liberdade de expressão, novos afectos, nova sexualidade, nova parentalidade, novas famílias. Já não há Imoralidade, há liberdade sexual. Já não há Mentira, há convicções diferentes sobre o mesmo assunto. Já não há Verdade, cada um tem direito à sua opinião. Não há Impiedade, há expressões múltiplas de fé e religiosidade.

O conceito de pecado foi de tal modo diluído na nossa cultura que coisas que, há não muitos anos, seriam inaceitáveis aos olhos da maioria da população, religiosa ou não, são hoje banais. O pecado é coisa que já não nos preocupa, nem aflige.

A gravidade do pecado

Afinal, ainda faz sentido falar de pecado? Em Ira de Deus? Em inferno?

No “não-tão-admirável” mundo novo em que vivemos esta não é uma mensagem popular. Os templos enchem-se para ouvir falar de coisas boas. De ser melhor pessoa. Mais bem sucedido. Motivado. Optimista. Vai-se à “igreja” para aprender em 5 passos como ser feliz.

Esses homens rejeitaram deliberadamente a verdade de Deus e aceitaram uma mentira, honrando e exaltando a criatura em vez do Criador, o único que merece ser adorado para todo o sempre, amém. (Rom.1:25, paráfrase de J.B.Phillips em Cartas para Hoje)

Somos como a avestruz. Segundo a mitologia popular – que terá começado em torno de uma descrição do historiador romano Plínio, o Velho, mas nunca observado na natureza – a avestruz, sentindo-se ameaçada, enterra a cabeça na areia, pensando assim estar a salvo dos predadores. Tal comportamento não abona muito a favor da sua inteligência, nem garante uma longa vida.

Rimo-nos com a avestruz, mas, a nossa reacção ao pecado, e a Deus, é em tudo semelhante. Pensamos que por não nos importarmos com o conhecimento de Deus, estamos a salvo do Seu Julgamento. Seremos tão bem sucedidos como a pobre avestruz de cabeça enterrada na areia.

Quero apresentar 3 razões que atestam a gravidade do pecado.

1. O pecado é uma ofensa a um Deus Santo.

Quando o profeta Isaías teve uma visão do trono de Deus havia um grupo de anjos que não se cansavam de clamar: “Santo, Santo, Santo é o Senhor!” Perante tal visão da glória de Deus, este homem, temente a Deus, que O conhecia na vida diária, que O servia como profeta, que lutava contra o seu pecado todos os dias, cai por terra, tremendo de medo, e chorando:

Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos.
Isaías 6:5

Não entenderemos a ofensa do nosso pecado sem conhecer o carácter perfeito e Santo de Deus. Quanto mais O conhecermos, mais tenebroso e vergonho o nosso pecado parecerá.

Para nos fazer sentir o nosso pecado, Paulo, na sua lição da Carta aos Romanos sobre a Justiça de Deus, escreve assim:

Será que não estás a interpretar mal a generosidade e a misericórdia paciente que te foram demonstradas, achando que são sinas de fraqueza da parte Dele? Tu não percebes que a bondade de Deus tem como objectivo conduzir-te ao arrependimento? (Rom.2.4, paráfrase de J.B.Phillips em Cartas para Hoje)

O nosso pecado não ofende apenas a Pureza, Justiça e Moral de Deus. O Seu Amor, Generosidade, Misericórdia e Bondade são desprezados quando pecas. Por isso, a tua ofensa é ainda maior.

2. O pecado destrói a tua vida.

Abandonaram a Deus; por isso Deus os abandonou – para serem objectos dos seus próprios desejos imundos, ao desonrarem os seus próprios corpos. (…) Entregou-os a paixões vergonhosas. (…) Permitiu que se tornassem escravos das suas mentes degeneradas e fizessem coisas que não posso nem mencionar. Encheram-se de iniquidade, podridão, cobiça e malícia; as suas mentes ficaram saturadas de inveja, homicídio, espírito de desavença, engano e rancor. Passaram a falar mal das pessoas por trás, a apunhalar pelas costas, a odiar a Deus; transbordaram de arrogância e orgulho insolentes, e a sua mente encheu-se de invenções diabólicas. Fizeram pouco caso do ver para com os pais, zombaram da consciência, não admitiram nenhuma das obrigações éticas, perderam toda a afeição natural e não fizeram nenhum uso da misericórdia. (Rom.1:24,26,28-31, paráfrase de J.B.Phillips em Cartas para Hoje)

Esta é a face do pecado. Há alguma destas coisas que desejes na tua vida? Há alguma que não reconheças na tua vida?

3. O fruto do pecado é a morte.

A definição actual de uma vida bem vivida é:

Tudo se destina à alegria e ao prazer; (…) Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos! Isaías 22:13

Este estilo de vida tem consequências – como já vimos – e, também tem um fruto:

A concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Tiago 1:15

Porque o salário do pecado é a morte. Romanos 6:23

A morte aqui mencionada não é apenas física, mas, também, moral e espiritual. Sem Deus estás “morto em ofensas e pecados” (Ef.2:1,5; Col.2:13), e sujeito à justa ira de Deus.

E, aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo. Hebreus 9:27

E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus?
Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?
Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus;
O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber:
A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção;
Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade;
Romanos 2:3-8

Ainda pensas que o pecado não tem importância?

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NOTA: Usei por diversas vezes a paráfrase de J.B.Phillips de “Cartas para Hoje” por aplicar uma linguagem mais corrente e moderna tornando o texto mais próximo dos leitores. No entanto, recomendo que sigam os respectivos links para examinar a versão tradicional das Escrituras.

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Outros artigos da Série: A Justiça de Deus

A Justiça de Deus

Fui abordado por um leitor que me colocou uma série de questões que transcrevo aqui:

  1. Se não há salvação a não ser por Cristo, como ficam os milhões de seres humanos que nasceram e viveram antes de Cristo?
  2. Se nada acontece sem a vontade de Deus, porque existem ateus?
  3. Se Deus é a expressão máxima da bondade, porque é que há crianças que já nascem em sofrimento?
  4. Se Deus é justo, porque é que as pessoas já chegam ao mundo em situações desiguais?

justiçaPor serem várias questões que, no fundo, estão relacionadas com o mesmo conceito – a Justiça de Deus, e, na tentativa de dar um esclarecimento  mais completo, decidi responder com uma série de artigos sobre o assunto.

A Justiça de Deus é talvez um dos aspectos do Seu carácter que temos maior dificuldade em compreender. A Bíblia explica-nos porquê:

Os homens maus não entendem o juízo, mas os que buscam ao Senhor entendem tudo.
Provérbios 28:5

Para entender a justiça é preciso temer ao Senhor.

Dividi o assunto em 4 partes para podermos aprofundar melhor o que a Bíblia ensina sobre a Justiça de Deus.

1. Deus é Justo.

A Bíblia constantemente afirma os atributos perfeitos do carácter de Deus. A harmonização desses atributos, sem que um viole ou diminua o outro, é a expressão da Santidade de Deus. Amor. Justiça. Ira. Estes três são porventura os que parecem aos nossos olhos irreconciliáveis. Como pode um Deus de Amor condenar pessoas ao inferno? Se Deus é justo, como permite o sofrimento de pessoas inocentes? (continuar a ler…)

2. A Justiça de Deus em condenar pecadores.

Todos compreendemos e aceitamos que a violação da lei merece punição. Isso é justiça. Injustiça é quando alguém que viola a lei escapa impune. Curiosamente, quando falamos da Justiça de Deus, logo se ergue um coro de vozes a reclamar quando Deus castiga os pecadores. O pecado, a nossa violação da Lei de Deus, merece punição. Isso é Justiça. (continuar a ler…)

3. A Justiça de Deus em salvar pecadores.

E, quando Deus não castiga o pecador, há justiça? Se o pecado merece castigo, como pode Deus perdoar pecados e permanecer Justo? E, se Deus salva uns e outros não, não está a ser imparcial? Como é que o Evangelho é a expressão maior da beleza, perfeição e bondade da Justiça de Deus? (continuar a ler…)

4. Deus e o sofrimento humano.

Se Deus é Justo e Amoroso, por que há tanto sofrimento no mundo? O sofrimento humano, principalmente dos inocentes e indefesos, é a grande pedra de tropeço para muitos não crerem em Deus. Como é que o Deus Justo e Amoroso vê o sofrimento humano?

Durante os próximos dias iremos mergulhar na Palavra de Deus em busca de respostas a estas inquietações. Rogo a Deus para que Ele ilumine os nossos corações com a Sua sabedoria para entendermos o que Ele nos quer ensinar. Rogo para que me faça fiel à Sua Palavra. Assim Deus me ajude.

Post Tenebras Lux (Depois das Trevas, Luz)

João Calvino criou este lema “Post Tenebras Lux” – depois da escuridão, luz. Para ele, aquilo tinha o significado profundo de que depois da escuridão de tantos séculos da vida da igreja sem o Evangelho, veio rompendo a luz do Evangelho. E, então, o Evangelho espalhou-se por toda a Genebra, por toda a Europa, por todo o mundo, para o brilho e glória de Deus. (John Piper, Copyright 2012 Desiring God)

Soli Deo Gloria