Identidade Cristã

“Em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos.”
Atos 11:26

A nossa identidade é definida pelo conjunto de características próprias (reconhecidas como sendo nossas e não “emprestadas” de outros), exclusivas (reconhecidas como sendo originais em nós) e por isso também diferenciadoras do outro. A identidade é aquilo que nos define. Nos seus vários níveis de aplicação define-nos como um ser humano único e irrepetível, como membro de uma família, de um grupo de amigos, de um clube, de um partido político, de uma cidade, de uma nação.

O nosso instinto de pertença leva-nos a assumir os traços de identidade do grupo a que queremos aderir. Nesse processo, por vezes, até anulamos a nossa identidade intrínseca. Como disse Blaise Pascal:

Não nos contentamos com a vida que temos em nós e no nosso próprio ser: queremos viver na ideia dos outros uma vida imaginária e para isso esforçamo-nos por manter as aparências. Trabalhamos incessantemente para embelezar e conservar o nosso ser imaginário, e descuramos o verdadeiro. “

A verdade é que aquilo que somos vem sempre ao de cima. Podemos controlar muito bem os comportamentos orquestrados para impressionar os outros, mas, quando somos forçados a reagir a algo que não estava planeado o que realmente somos no íntimo revela-se. A reacção instintiva não pode ser fabricada, ele vem do nosso âmago, formatada pelas nossas convicções, pensamento, e sentimentos. E, é ela que constitui a nossa real identidade.

Os discípulos de Jesus eram uma comunidade crescente. Tanto que em Jerusalém e na Judeia levantou-se uma onda de perseguição que forçava a uma diáspora que se revelou fundamental ao progresso do Evangelho. A cidade de Antioquia acolheu muitos destes que fugiam da perseguição. Antioquia era a terceira mais importante cidade do Império Romano. Era uma cidade cosmopolita e próspera pela sua influência nas rotas comerciais. As escavações arqueológicas têm revelado uma cidade em tudo comparável às grandes capitais dos nossos dias. Um circo, um dos maiores templos romanos, banhos públicos, a acrópole, vilas luxuosas, ruas pavimentadas de mosaico. Cerca de meio milhão de habitantes faziam fervilhar as ruas. A cidade estava consagrada à deusa da Fortuna.

Foi neste contexto social, cultural e religioso que a Igreja deu o salto. Foi a partir da igreja que se formou nesta cidade, composta por pessoas de todos os quadrantes sociais, culturais, religiosos e étnicos que foi organizada a primeira grande viagem missionária com o propósito de evangelizar e plantar igrejas pelo Império dos gentios. Foi nesta cidade que, de um modo inequívoco, Deus demonstrou que o Evangelho da Graça era para os gentios também. Foi aqui que as raízes judaizantes foram sendo arrancadas para dar origem a alguma coisa inteiramente nova. Tão nova que nem tinha nome. Tão nova que atraía a atenção de todos – crentes e não-crentes. Tão nova que inventaram uma palavra para a definir – eram os cristãos.

Este nome não foi escolhido pelos próprios. Foi-lhes dado. Provavelmente em tom de chacota. Como uma alcunha que pretende amesquinhar. Os pequenos cristos. Os seguidores de Cristo.

Os cristãos não se referiam entre si por esse nome. Eles eram os discípulos – os que aprendem com o Mestre, os crentes – os que passam do conhecimento intelectual à fé, e confiam na obra de Cristo, os santos – os que se dedicam ao Senhor, separando-se do mundo e do pecado, e os irmãos – os que reconhecem a sua igualdade de acesso perante Deus e se chegam a ele como Pai. Esta sua identidade revelada no seu viver diário, colocada à prova pela pressão da perseguição, foi notada por todos na cidade. E, como não encaixavam em nenhuma das categorias existentes até então – não eram judeus, nem gentios – deram-lhes uma nova etiqueta: cristãos.

É interessante a escolha do nome. Podiam ter-lhes chamado jesuítas – seguidores de Jesus. Mas, eles não seguiam o homem. Não eram os discípulos de mais um rabi da Judeia com ideias revolucionárias. A transformação que as suas vidas evidenciavam apontava não para o homem, mas, para Deus. Eram seguidores de Cristo. Do Homem com uma Missão. O Messias. Eles eram os beneficiários da Obra de Jesus Cristo. Os Perdoados. Justificados. Reconciliados. Santificados.

Quando o mundo olha para a ti, como é que ele te classifica?

O termo cristão está hoje tão longe do significado com que foi cunhado que já não tem o impacto de outros tempos. Cristãos não praticantes. Cristãos que não sabem nada acerca de Cristo. Cristãos que pecam. Cristãos que aprovam a homossexualidade, o aborto, o divórcio, o sexo fora do casamento. Cristãos que encaram os vícios do corpo como uma forma de felicidade. É urgente resgatar a palavra. É urgente resgatar a identidade que ela encerra.

Será que os teus amigos, vizinhos, e colegas sentem a necessidade de inventar uma nova palavra para definir o que tu és em Cristo?

Será que a tua vida está a ser notada de tal maneira que influencia toda uma geração?

Será que carregas em ti as marcas de Cristo?

Será que a tua vida aponta da Deus?

Será que és um CRISTÃO?

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2 thoughts on “Identidade Cristã

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