Leitura recomendada: João 1:-6-8

“Mas todos nós, com rosto descoberto, reflectindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” (2 Coríntios 3:18)

A encarnação humilde de Jesus, o Filho de Deus, e o modo como completou a Obra que o Pai lhe confiou, é um mistério que confunde os sábios e poderosos (1Cor 1:18-29). O Eterno Deus humilha-se à forma da criatura. Só este facto é suficiente para nos derrubar de espanto. O assombro cresce quando somos lembrados de que não veio em poder e glória, filho de reis, líder de impérios, cumulado de riquezas, formidável general de exércitos! Nasceu humilde, frágil bebé, numa manjedoura em Belém. Nascido de Maria, adoptado por José, desconhecidos cidadãos da remota Nazaré. Ignorado por todos excepto um punhado de pastores. Perseguido por Herodes, exilado no Egipto, apesar da curiosidade suscitada nuns sábios vindos do oriente. Perseguido pela elite religiosa de Jerusalém, peregrino em Israel sem ter onde pousar a cabeça. Seguido por homens e mulheres simples, pescadores, cobradores de impostos, pecadores a quem revelou o Pai. Morto numa cruz pelos romanos – a morte dos malditos, tornando-se assim a esperança de todo o que crê.

“E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.” (Miquéias 5:2)

O que veio da Eternidade teve um percurso humilde entre nós. O Senhor que habita os Céus veio para servir. Mas, Ele reina! E, do seu Reino não haverá fim (Is. 9:7). Todos os impérios que o mundo já conheceu passaram. O reino de Deus continua a crescer até hoje. Os impérios que conhecemos hoje, passarão! O reino de Deus durará eternamente! O mundo não entende estas coisas e, por isso, despreza o Senhor. Enganam-se ao não entender que: “O reino de Deus não vem com aparência exterior.” (Lucas 17:20).

Homens exaltam homens, é essa a nossa loucura. Mas, aqueles que sentiram nas suas vidas a imensa Graça divina são os primeiros a recusar os louvores dos seus semelhantes.

Homens exaltam homens, é essa a nossa loucura. Mas, aqueles que sentiram nas suas vidas a imensa Graça divina são os primeiros a recusar os louvores dos seus semelhantes. Maria, a mãe de Jesus, mulher bendita entre as mulheres, louva assim o Senhor:

“A minha alma engrandece ao Senhor,
E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador;
Porque atentou na baixeza de sua serva; Pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada,
Porque me fez grandes coisas o Poderoso; E santo é seu nome.
E a sua misericórdia é de geração em geração Sobre os que o temem.
Com o seu braço agiu valorosamente; Dissipou os soberbos no pensamento de seus corações.
Depôs dos tronos os poderosos, E elevou os humildes.
Encheu de bens os famintos, E despediu vazios os ricos.
Auxiliou a Israel seu servo, Recordando-se da sua misericórdia;
Como falou a nossos pais, Para com Abraão e a sua posteridade, para sempre.” (Lucas 1:46-55)

João Batista, o excêntrico profeta que mobilizava uma multidão de discípulos, proclamava:

“Este é aquele que vem após mim, que é antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar a correia da alparca.” (João 1:27)

Cada um destes homens e mulheres que conhecemos das Escrituras, e todos os outros que até hoje seguem o seu exemplo e partilham a mesma fé, são meros espelhos reflectores. Pequenas luzes que reflectem a Luz verdadeira. A simplicidade, humildade, fragilidade das suas vidas engrandece o Senhor a quem servem. Os seus erros e fraquezas lembram a misericórdia que os sustenta. A sua ousadia é testemunho do poder que os move. Que Deus seja capaz de realizar a sua Obra em seres tão falhos como nós é prova da Sua grandeza. Que Ele opere a nossa Salvação através da dádiva do Seu Filho encarnado, humilde e servo, rejeitado e morto pelos homens numa cruz, é testemunho do Seu invencível Amor, Graça e Misericórdia, que torna a justiça e o perdão acessíveis a – ricos e pobres, homens e mulheres, cultos e iletrados, de todas as nações, raças, povos e línguas – todos os que crêem.