Aqui sou feliz

Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.
1 Tessalonicenses 5:18

aqui sou feliz

Durante os últimos anos passei neste lugar diariamente em viagem para o emprego. Todos os dias este barracão “pregava” para mim.  Aquelas três palavras nunca escapavam aos meus olhos e atingiam como uma seta um coração teimosamente insatisfeito. A felicidade, conforme a concebemos, está em pleno desacordo com o cenário. É um paradoxo gritante para os nossos corações obcecados com segurança, sucesso, prazer e dinheiro.

De todas as vezes, o versículo de 1 Tessalonicenses subia à minha mente: “Em tudo dai graças”. Um coração agradecido é um coração satisfeito. Um coração satisfeito é um coração feliz. Considero que este é um dos mandamentos mais difíceis de cumprir em toda a Bíblia. Porque é contrário à nossa natureza. Somos criaturas insatisfeitas. Rabugentas. Reclamamos de tudo. Queremos sempre mais. Se algo nos corre mal, gritamos com todos, a começar por Deus.

À primeira vista a nossa dificuldade está no “TUDO”. É um mandamento exigente demais. Abrangente demais. Pesado demais. Mas, isso é só metade da história. Há uma razão mais profunda e fundamental para o nosso fracasso. Tudo começa pela maneira como lemos o versículo. Vemos o mandamento – eu diria a consequência – e esquecemos a Causa. Tenho aprendido que a palavra-chave do texto é o porque. Há uma razão para a minha gratidão extravagante. Há uma Causa para a satisfação paradoxal – Deus.

Deus é a fonte, a causa, a sustentação e o fim da minha satisfação. Ele redime a minha vida da insatisfação, e ensina-me a viver a Sua vontade, e a nela encontrar prazer. O nosso problema é não aceitarmos a vontade de Deus como “boa, perfeita e agradável” (Rm.12:1). Aos nossos olhos ela é, em tudo, contrária ao que é melhor para nós. Precisamos aprender com Davi, para quem “O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará” (Sl.23:1). Ou, como diz a versão inglesa – que prefiro, “não sentirei falta de coisa nenhuma”. Por que é que não sou consumido pelo desejo insaciável de  ter mais, ser mais, fazer mais, ou de escapar de uma circunstância difícil? Porque a minha segurança e gozo estão em Deus. Ele me basta.

Se falamos da Causa também precisamos falar do Meio – Jesus Cristo. A vontade de Deus cumpre-se em nós através de Jesus Cristo. Ele é o Mediador entre Deus e os Homens. Ele é quem nos conduziu ao Pai. Ele é quem nos reconciliou com Deus pelo Seu sangue. Ele é quem vive em nós. Sem um encontro com Jesus não tens acesso à vida abundante. Sem um relacionamento com o Cristo não tens perdão nem poder sobre o pecado. Enquanto a nossa tentativa de cumprir 1Ts.5:18, ainda que em nome de Deus, se basear nos nossos esforços religiosos estamos destinados ao fracasso. O poder para viver essa vida está somente em Jesus Cristo.

Tendo corrigido a nossa perspectiva sobre o segredo da felicidade estamos prontos para desfrutá-la. A gratidão surge como uma consequência do nosso correcto relacionamento com Deus e com o Seu Filho Jesus. A raíz da nossa satisfação já não está neste tempo, nem neste mundo, mas na Rocha Eterna que não nos falhará. Mas, ainda temos que lidar com o “TUDO”. Não há circunstâncias, dificuldades, contrariedades, frustrações, fracassos, dores, sofrimento ou qualquer outra coisa que diminua o gozo glorioso de conhecer a Deus e Lhe pertencer. O Seu Amor derramado em nós é inextinguível! (Rm.8:37-39) Mas, “TUDO” não é só aquilo que é exterior. É também o que sou, cada parte do meu ser, cada área da minha vida totalmente rendido a Deus, à Sua vontade, experimentando o gozo inexcedível da vida eterna.

Creio que este é o significado da expressão cunhada por John Piper: “God is most glorified in us when we are most satisfied in Him”. Deus é mais glorificado em nós quanto mais satisfeitos estamos nele. Que assim seja.

Jesus, o Filho de Deus :: Devocional

1.Dezembro: Jesus, o Filho de Deus.

O Salmo 2 fala de um mundo em convulsão contra Deus. O Homem prefere ser dono do seu destino, ainda que ruinoso, do que submeter-se à vontade do Criador. Hoje assistimos a um cenário muito semelhante ao descrito no texto bíblico, redigido há quase 3000 anos atrás. Uma guerra constante contra a pessoa de Jesus Cristo, movida através de livros, comentários, filmes, documentários, todos revestidos de uma aparente credibilidade científica e histórica. No meio de toda a confusão Deus declara que o Messias prometido seria mais do que um grande homem, pensador, mestre ou profeta. Ele diz:

“Tu és meu Filho, hoje te gerei.” (Salmo 2:7)

O grande mistério da Encarnação de Deus foi desvendado aquando do nascimento de Jesus.

“Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus.
Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.

Então Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, uma vez que não conheço varão?

Respondeu-lhe o anjo: Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus.” (Lucas 1:31-35)

A promessa de Deus foi cumprida em Jesus Cristo. Ele é o Messias esperado. Que prova tão grande do Amor de Deus por ti! Ele, na pessoa do Seu Filho, Jesus Cristo, veio ao teu encontro!

Segredo da felicidade?

Numa conversa de trabalho que tive esta semana, alguém se queixava da dificuldade em agradar aos pacientes. Num caso recente, uma senhora fizera um trabalho extenso e caro, saiu satisfeita do consultório, para uns dias mais tarde vir reclamar por não gostar da cor dos dentes. Queria-os mais brancos! Ainda que ficássem completamente diferentes dos restantes. Era um problema difícil de gerir. A solução proposta por essa pessoa era dar aos pacientes exactamente aquilo que eles pedem, por muito estranho ou “errado” que pareça ao médico. Assim, depois não podem reclamar.

Fiquei a pensar no assunto. Até que ponto é que essa proposta era válida, ou a chave para o sucesso? Se, por um lado, devemos ir ao encontro das expectativas dos pacientes; por outro, cabe-nos trazer a sensibilidade profissional para a tomada de decisões de modo a efectivamente proporcionar o melhor tratamento possível a cada indivíduo. E, nem sempre o que o doente quer é o melhor para ele.

Dar ao outro o que ele quer não é a fórmula da felicidade. Todos os pais sabem disso. Os amigos sabem. Os amantes. Essa ânsia de constantemente agradar o outro anulando-se a si mesmo resulta em auto-estimas esmagadas, ódios reprimidos, queixas silenciadas. Um conflito eminente que não traz felicidade.

Quem recebe, não fica melhor. O vazio interior não é saciado com os constantes “sim”. A insatisfação, a incapacidade de apreciar o outro ou o prazer de atingir as metas, a indiferença, escavam um fosso cada vez maior na realização pessoal.

Dou graças a Deus, por Ele não me dá tudo o que eu quero. Não espero isso dEle. Esse deus não me serviria. Não evitaria os meus desastres. As frustrações. Quero um Deus que aja como um Pai, sabendo o que é melhor para os seus filhos. Restringindo. Avisando. Disciplinando. Negando. Elogiando. Surpreendendo. Compreendendo. Dirigindo. Até à maturidade.

O caminho da felicidade não se faz com o que eu quero, mas com o que eu preciso. O que eu quero nem sempre é o melhor. Mas, Deus, que me dá o que eu preciso, sabe fazer-me feliz. 🙂

Sede agradecidos

Passam hoje exactamente 3 meses desde o meu último post. Os 92 dias que os separam foram um verdadeiro turbilhão. O consultório encerrado para uma remodelação que de 3 semanas se fez 3 meses – e a penalização económica correspondente. A gravidez de risco da S. que a obrigou a repouso absoluto. As doenças do J. e da I. que os aborreceram por semanas.

“E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações;” (Colossenses 3:15)

Apesar de tudo houve paz. O tempo que passei em casa permitiu-me acompanhar a fase difícil da S. e dos filhos. Se estivesse a trabalhar teria sido bem mais difícil. E, mesmo não trabalhando, Deus supriu as nossas necessidades.

Durante esse tempo, Deus colocou um cântico no nosso coração. Chamamos-lhe “Vida Real”. A certa altura diz assim, “Sem o Teu amor eu já não sei viver. És tudo o que preciso para uma vida real“. O texto de Colossenses citado acima exorta-nos a deixarmos para trás tudo o que é velho na nossa vida e a revestirmo-nos de Cristo. O verso 14 diz: “(…) revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição.” Mergulhados no Amor do Pai somos dominados pela Sua Paz, que vai muito além do nosso entendimento. Essa é a Vida Real!

“E, sede agradecidos.” (Colossenses 3:15)

Hoje, sentado com a filhota recém-nascida no braços, abraçado pela S., juntinho ao J. e à I., tenho apenas uma coisa a dizer:

“Obrigado, Pai.” 

Onde está a benção?

Há alguns anos atrás surgiu uma série de livros infanto-juvenis criada pelo ilustrador britânico Martin Handford, conhecida por “Onde está o Wally?”.

No livro o leitor encontra ilustrações que geralmente ocupam a página inteira, onde está desenhado Wally, personagem central da série, alguns dos seus objectos, bem como dezenas de outras pessoas. Ele geralmente perde os seus pertences, como livros, equipamento de acampamento ou os sapatos. O objectivo é encontrar o Wally e os objectos perdidos no meio da multidão.

Lembrei-me do Wally porque nas últimas noites a nossa filha I. tem acordado sobressaltada a chamar por nós. O motivo da sua ansiedade é sempre o mesmo – não sabe onde está um boneco com que gosta de dormir! A solução tem sido sempre a mesma também – o boneco “perdido” estava afinal na sua mão! 🙂

Apesar de cómica a situação fez-me pensar. Quantas vezes não temos as bençãos de Deus na nossa mão e continuamos a desesperar por elas? Quantas vezes Deus já respondeu à nossa oração e súplica e nós continuamos a batalhar? Quantas vezes Deus está perto e nós abatidos e sós?

Precisamos fazer o que eu faço com a minha filha. Fazê-la abrir os olhos e olhar para o que tem na mão. É o suficiente para descansar. E, sonhar os sonhos que Deus tem para nós.