Crês tu isto?

A fé é uma coisa difícil de concretizar. Sendo, por definição, a crença firme em coisas que não se vêem (Hb.11:1), torna-se uma experiência íntima e pessoal, real apenas para quem a tem. Apesar disso, as suas evidências são indisfarçáveis. No modelar de comportamentos, ideias, ideais, intenções, motivações e anseios. Essas evidências mostram-se tanto mais quanto mais provada for. Tal como o ouro, ou a prata, que brilham mais quando o fogo é mais forte (1Pd.1:7). Não tenhas, por isso, medo da prova. Ela é oportunidade de crescimento e benção! (Rm.5:1-5)

Nos momentos de aperto e contrariedade é difícil manter o ânimo e confiar. Perguntas: “Porquê?” Os últimos meses têm sido de deserto. Uma jornada árdua sem vislumbre de fim. Ao longo deste tempo fui assaltado algumas vezes pela mesma inquietação. Deus, por seu lado, tem mantido o meu ânimo (Js.1:9)! Glória a Ele!

Crês tu isto?” – Hoje esta questão não me tem saído da cabeça (nem do coração). Jesus dirigiu esta questão a uma pessoa especial, Marta, irmã de Maria e Lázaro, amigos íntimos dele. O contexto era difícil, doloroso e catastrófico: Lázaro morrera, e Jesus nada tinha feito para o impedir. (Jo.11) Eis o que aprendi com este encontro:

  1. Marta estava magoada, e não se coibiu de o demonstrar a Jesus (vs.21). O nosso relacionamento com Deus deve ser transparente. Ele não se incomoda em ouvir as tuas aflições ou ansiedades. Deixa o teu fardo aos pés de Jesus, e encontrarás descanso.
  2. Ele, cheio de graça, consolou-a com as promessas de Deus (vs.23) . A nossa consolação está, e sempre estará em Deus. As Suas promessas, a Sua Palavra são a nossa provisão. Como se costuma dizer, não olhes para o tamanho dos teus problemas, olha para o tamanho do teu Deus!
  3. Marta responde como que a dizer: “Sim, sim, eu sei de tudo isso, mas, a minha situação continua a mesma!” (vs.24). Cometemos muitas vezes este erro, o de aligeirar a fé, de aceitar as promessas de Deus apenas em teoria mas sem eficácia prática no nosso dia-a-dia. Poderemos chamar a isso de fé? A verdadeira fé transporta-te ao gozo presente das promessas divinas, independentemente das circunstâncias.
  4. Jesus leva Marta a reflectir melhor na realidade para além do que os olhos vêem (vs.25,26). A realidade que a fé alcança e vislumbra da parte de Deus. E, por fim, remata: “Crês tu isto?” Esta pergunta de Jesus é como: “Que fé é a tua? Acreditas mesmo naquilo de que falas? Quem sou Eu na realidade da tua vida?”

É na travessia dos desertos da vida que a realidade da tua fé vem ao de cima e se revela perante todos. Se só és capaz de ser crente ao domingo, quando tudo vai bem, mas fraquejas quando tens de pagar o preço, que valor tem a tua fé? A promessa de Deus para nós é que mesmo no meio da prova somos mais do que vencedores em Cristo! (Rm.8:35-39) Aleluia! Comporta-te como um vencedor. Age com confiança. Espera pacientemente. E, louva a Deus pela Sua provisão. E o bom cheiro de Cristo fluirá da tua vida para benção de todos quantos te rodeiam.

A história de Marta mudou. E, foi Jesus que operou essa mudança. Lázaro ressuscitou! Do deserto brotaram águas, e o oásis chegou. Chegará também para ti.

Crês tu isto?

Obrigado pelo dói-dói

Ontem à noite, e sem saberem um do outro, o J. e I. escolheram o mesmo motivo de agradecimento na oração da noite. O dói-dói que tinham tratado pouco antes!

Ouvi-los orar: “Obrigado, Senhor Jesus, pelo dói-dói e pelo curativo. Amén!” envergonhou-me perante o Senhor. Afinal, tenho (temos) tanta dificuldade em gerir as dores que surgem no caminho. Preciso aprender com eles. A ferida dói, mas passa. Faz parte do processo de aprendizagem. O curativo é suave. E, bom. O Pai consola. Encoraja. Por que não havemos de ser gratos?

Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” (1Ts.5:18)

Pés formosos :: Devocional

10.Maio :: Provérbios 24:11-12

“No mês em que Yulianus Abarude e eu visitamos o Mamberamo Ocidental, parte de uma extensão da selva pantanosa com metade do tamanho da Grã-Bretanha, eu pisei em um Death Adder, fui ameaçado com flechas, e tive de ser puxado para fora da lama profunda que me dava pela cintura por dois homens depois de eu ter afundado, e fiquei preso ao atravessar um pântano de secagem. Nós caminhamos durante 12 horas por dia, dias a fio, através de uma extensão verde (uma região de topografia “leitura em branco”). Nós desenvolvemos erupções onde as nossas mochilas esfregavam os ombros e bebemos água filtrada directamente de pântanos fedorentos. Meus pés romperam para fora da frente dos meus sapatos, a sola do meu sapato direito eventualmente rasgou completamente. A unha do meu dedão do pé esquerdo simplesmente caiu um dia. E como cheirávamos mal! Um odor doentio-doce, acho que pode ter sido fermentação. Uma vez, tivemos que subir de mão em mão enquanto subíamos uma montanha lamacenta, utilizando cipós da selva para puxar-nos para cima. Nós caímos muitas vezes, deslizando sobre pedras viscosas, galhos de árvores quebrados, e encostas barrentas. À noite, nós lavavamos os membros doridos em rios de água barrenta, limpávamos as bolhas, e tentavamos limpar nossas roupas para viajar no dia seguinte.

Agora, imagine isso: É noite e Yulianus está sentado ao redor da fogueira orando. Apesar de todas as dificuldades que estavamos enfrentando, o que foi a oração de Yuli? Foi uma oração sincera de agradecimento a Deus por nos dar a oportunidade de visitar estas áreas interiores. Alegria e entusiasmo em ser usado por Deus. Aquecido por estas petições também despertei o meu próprio sentimento de gratidão a Deus ao ouvi-lo. Ele aflito com as perdas em Fona, mas nunca se queixou uma vez sobre o seu próprio cansaço. Ele agradeceu a Deus pelo privilégio: “Obrigado Pai por me deixar estar aqui.”

Havia muitos episódios memoráveis ​​desta caminhada. A memória mais emocionante desta viagem, porém, foi a noite que Yuli chorou abertamente ao redor da fogueira.

Dos vários objectivos desta jornada, uma era encontrar um homem Bauzi local que pudesse ler, um dos poucos em toda a região, e colocar um recém-traduzido evangelho de Mateus em suas mãos. Encontramos não só ele, mas também uma das poucas mulheres que sabiam ler, também. Na pequena aldeia de Fona, reunimos com a luz da fogueira para celebrar e ouvir o Evangelho lido na sua própria língua.

Quando eu olhei, Yulianus estava chorando – não apenas algumas lágrimas, mas abertamente chorando.

Ele disse que tinha vergonha de chorar, porque ele estava tão feliz ao ouvir esses moradores ler a Palavra de Deus na sua própria língua, e admirou-se de que Deus assim o tivesse querido que, de todas as pessoas que poderíamos ter encontrado na trilha, Ele nos levou direto para dois dos poucos que sabiam ler em toda a região – uma providência extraordinária. “Mas”, Yuli disse: “Essas pessoas estão muito longe daqui, na extremidade ocidental e aqui estão dois que podem ler … e eles têm a Palavra de Deus na sua própria língua. Quanto tempo deve esperar o meu próprio povo?”
Lembro-me de Yuli enxugando o rosto com os dedos longos e repetindo novamente: “Quanto tempo deve esperar o meu povo?” ”

(Extraído do testemunho de Trevor Johnson, em HeartCry Missionary Society)

  1. Quão grande é a tua paixão pelos perdidos?
  2. Estás disposto a pagar o preço para fazer Cristo conhecido?
  3. O que dirás a Deus quando Ele te perguntar o que fizeste com o Evangelho que te foi confiado?

O dia da angústia :: Devocional

9.Maio :: Provérbios 24:10

A crise económica e financeira global em que o mundo mergulhou em 2008 revelou algumas surpresas. Uma delas foi a Islândia, país colocado nos lugares cimeiros do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU – ficou mesmo em 1º lugar em 2007 -, e dado como exemplo de uma das nações mais prósperas do planeta. Com o abalo do sistema financeiro muitos bancos islandeses entraram em colapso arrastando consigo a economia do país a uma situação de bancarrota. Foi necessário pedir ajuda externa a entidades como o FMI para garantir o futuro da nação.

Se meses antes alguém vaticinasse este futuro para a Islândia provavelmente ninguém lhe daria crédito. Muito menos os islandeses, habituados que estavam a um estilo de vida bastante confortável, mas, muito acima das suas reais capacidades.

Tal como Jesus ensinou há 2000 anos atrás, o que importa não é a espectacularidade das nossas construções. A parte mais vital é aquela que não se vê: os alicerces. É no momento da prova, das dificuldades, da angústia, que se vê quem é forte e quem não é. (Mt.7:24-27)

  1. Consideras importante ser colocado à prova? Porquê?
  2. Qual é o mais importante alicerce da tua vida? Responde com sinceridade.
  3. Considerando o ensino de Jesus, há alguma coisa que deva mudar no modo como constróis a tua vida?

O novo fardo do homem ocidental, e cristão*

Quero partilhar convosco um artigo que considero interessante e muito relevante nos dias que correm:

“Bernard-Henri Lévy defendeu esta semana, no El Pais, que “os cristãos formam hoje, à escala planetária, a comunidade perseguida de forma mais violenta e na maior impunidade”. Mais: “enquanto o anti-semitismo é considerado um crime e os preconceitos anti-árabes ou anti-ciganos são estigmatizados, a violente fobia anti-cristã que percorre o mundo não parece ter qualquer resposta”.

Curiosas palavras vindas de um não-cristão, interessantes considerações proferidas por quem, em tempos, ajudou a fundar o SOS-Racismo. E singularmente coincidentes com as de Bento XVI que, na sua mensagem a propósito do próximo Dia Mundial da Paz, também notou que “os cristãos são, actualmente, o grupo religioso que padece o maior número de perseguições devido à própria fé”.

São raras as notícias sobre estas perseguições, mas isso não significa que elas não existam – apenas que não lhes é dada a importância que merecem. Parece mesmo existir uma espécie de sentimento de culpa que leva a que, ao mesmo tempo que se destacam os ataques aos crentes de outras religiões, se subvalorizam aqueles de que são vítimas os cristãos – católicos, ortodoxos, evangélicos, baptistas e por aí adiante.

Vejamos alguns exemplos recentes. Na Nigéria o Natal foi marcado por uma série de atentados, de que resultaram 86 mortos, todos reivindicados por uma organização islamista. Em Hanói as autoridades proibiram uma celebração protestante e a polícia carregou sobre os crentes que rezavam na rua. No Azerbaijão foi aprovada legislação que aumenta as multas aplicáveis a todos os grupos que tenham actividade religiosa sem antes se terem registado oficialmente. No Paquistão uma mulher cristã, Asia Bibi, foi condenada à morte por blasfémia. No Irão foram muitos os cristãos que passaram o Natal na cadeia, alguns deles acusados de apostasia (terem trocado a fé muçulmana por outra). Pouco antes do Natal um grupo de cristãos coptas foi morto no Egipto perto da sua igreja. Nas Filipinas uma bomba feriu 11 pessoas durante uma missa no dia de Natal. Na cidade chinesa de Chendgu a polícia invadiu uma igreja na véspera de Natal e levou presos 17 crentes, incluindo uma mulher grávida. Na Índia ocorreram ataques contra comunidades cristãs conduzidos por fundamentalistas hindus. E, no Iraque, onde a intensidade do ataque às comunidades cristãs tem levado a um êxodo em massa, várias cerimónias natalícias foram canceladas após terem sido recebidas ameaças de grupos ligados à Al Qaeda.

Bernard-Henry Levy acrescenta a estes muitos outros exemplos, incluindo a prisão de uma jovem internauta na Palestina de Mahmud Abbas, a tentativa de assassinato do arcebispo de Kartum, Gabriel Zubeir Wako, a perseguição aos cristãos evangélicos da Eritreia, ou a morte a tiro do padre Christian Bakulene na República Democrática do Congo. O terrível destino da comunidade de monges franceses que vivia num mosteiro católico na Argélia e foi assassinada por um grupo de fundamentalistas islâmicos, e que Xavier Beauvois nos conta no belíssimo filme “Dos Homens e dos Deuses” (ainda em exibição), está longe de ser um exemplo isolado de violência sectária.

Não faltará quem, como alerta o filósofo francês, esteja pronto a fechar os olhos perante estes crimes lembrando o antigo estatuto de religião dominante do Cristianismo. É um disparate imenso sob todos os pontos de vista. Primeiro, porque todas as vidas humanas têm o mesmo valor, e nada nos permite diminuir a integralidade de qualquer ser humano, seja ele hindu, muçulmano, ateu ou cristão. Depois, porque se é verdade que os cristãos, como tantos outros, promoveram “guerras santas”, não se pode ignorar que a emergência dos valores modernos da liberdade, da igualdade e da dignidade humana medrou em sociedades cristãs, nelas tendo ganho corpo e foros de cidadania muito antes de tal ocorrer noutras civilizações. É bom recordar, por exemplo, que na primeira república democrática moderna, os Estados Unidos, a liberdade religiosa antecedeu a liberdade política e, como justamente notou Tocqueville, a forte presença da religião na sociedade não impediu a criação de um Estado forte e separado das igrejas.

Bento XVI, que dedica precisamente a sua mensagem de 1 de Janeiro de 2011 à liberdade religiosa, nota que esta se radica “na própria dignidade da pessoa humana” e está “na origem da liberdade moral”, pois se estabelece que “cada homem e cada grupo social estão moralmente obrigados, no exercício dos próprios direitos, a ter em conta os direitos alheios e os seus próprios deveres para com os outros e o bem comum”, como proclamou o Concílio Vaticano II. Invocando a Declaração Universal dos Direitos do Homem, o Papa defende que excluir a religião da vida pública torna mais difícil “orientar as sociedades para princípios éticos universais” ou “estabelecer ordenamentos nacionais e internacionais nos quais os direitos e as liberdades fundamentais possam ser plenamente reconhecidos e realizados”.
Na mira do chefe da Igreja Católica está um laicismo radical que se traduz na “hostilidade contra a religião” e numa limitação ao “papel público dos crentes na vida civil e política”. É neste quadro que Bento XVI não se limita a desejar que terminem as perseguições sectárias aos cristãos na Ásia, em África ou no Médio Oriente, mas também faz votos para que “cessem no Ocidente, especialmente na Europa, a hostilidade e os preconceitos contra os cristãos pelo facto de estes pretenderem orientar a própria vida de modo coerente” com os seus valores.

Em causa não está a laicidade das instituições ou o direito de crítica, que no Ocidente é exercida com veemência sem que suscite apelos à censura por parte das igrejas cristãs (ao contrário do que sucede com os muçulmanos). Em causa está, isso sim, saber se é legítimo despedir uma enfermeira em Inglaterra porque esta insistiu em usar um crucifixo. Ou se, também em Inglaterra, é legítimo levantar um processo contra um psicólogo que distribuiu aos seus colegas de serviço um desdobrável sobre os efeitos negativos do aborto com base no argumento de que isso é “perturbador”.
Entretanto chegam-nos de Espanha outro tipo de notícias perturbantes. Em Lérida um imã radical criou uma milícia privada que anda pelas ruas a perseguir os muçulmanos que têm comportamentos não ortodoxos (na forma de vestir, por exemplo), perante a indiferença das autoridades. Enquanto isso, na província de Cádiz, um jovem muçulmano fez queixa na polícia do seu professor de geografia por este ter falado, nas aulas, das condições em que fabricava presunto (o ministério público espanhol teve, neste caso, o bom senso de arquivar a queixa).

O contraste entre estas situações faz-nos regressar à ideia de que tendemos a olhar para a violência anti-cristã com critérios mais condescendentes ou mesmo com um espírito compreensivo. É como se entendêssemos que todos os cristãos devem carregar um novo “fardo do homem branco”, sendo obrigados a penar, pelos cinco continentes, os pecados da colonização e, por isso, sendo sempre culpados de todos os males mesmo quando estão inocentes…”

*Público, 31 Dezembro 2010 (no jornal o título saiu errado)

Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Apocalipse 2:10